EUA/Marco Rubio em
visita à Itália para reconciliar laços com Vaticano e governo Meloni
Bissau, 07 Mai 26 (ANG) - O Secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, se encontra desde quarta-feira (6) em Itália, onde permanecerá até o dia 8 de Maio, em meio a mais um ataque de Donald Trump ao papa.
Nesta
quinta-feira ele será recebido no Vaticano por Leão XIV. Na sexta-feira se reunirá
com a primeira-ministra Giorgia Meloni. Estão previstos também encontros com os
ministros das Relações Exteriores, Antonio Tajani, e da Defesa, Guido Crosetto.
O principal objetivo de Marco Rubio é
“reconciliar os laços” com o papa após os ataques de Donald Trump a Leão XIV.
Mas o presidente dos Estados Unidos não está facilitando a missão do Secretário
de Estado.
Dois dias atrás, em entrevista ao
Salem News Channel – uma rede conservadora de base cristã – Trump afirmou que o
papa “está colocando muitos católicos e muitas pessoas em perigo”, insinuando
que Leão XIV é favorável a um possível arsenal nuclear para Teerã.
O presidente disse: “Imagino que, se
dependesse dele, seria perfeitamente aceitável que o Irã possuísse uma arma
nuclear”.
Leão XIV não tardou a responder. Sem
citar o nome do presidente, o papa disse: “Se alguém quiser me criticar por
pregar o Evangelho, que o faça com a verdade. A Igreja se manifesta contra
todas as armas nucleares há anos, portanto, não há dúvidas quanto a isso”,
declarou o pontífice na terça-feira (5) no encontro com os jornalistas em
frente do Castel Gandolfo, nos arredores de Roma. O papa enfatizou que “a
missão da Igreja é pregar o Evangelho, pregar a paz”. Ele concluiu: “Espero
simplesmente ser ouvido pelo valor da palavra de Deus”.
Na manhã de quarta-feira (6) durante a
audiência geral na Praça de São Pedro, Leão XIV disse que a Igreja Católica
“deseja instaurar o seu Reino de justiça, amor e paz para toda a humanidade”.
O secretário de Estado do Vaticano,
cardeal Pietro Parolin, também reagiu às declarações de Trump, sublinhando que
o Papa mantém a sua linha de atuação centrada na mensagem evangélica e na
promoção da paz.
“O Papa segue o seu caminho, no sentido
de pregar o Evangelho, de pregar a paz”, afirmou ontem o cardeal Parolin,
acrescentando que essa missão se mantém independentemente das críticas.
No mês passado, Trump chamou o primeiro
papa americano na história da Igreja de “fraco” e “terrível em política
exterior” porque Leão XIV criticou a guerra no Irã. Depois das investidas, o
pontífice respondeu que não tinha medo do governo Trump.
Estes ataques têm afastado grande parte
do eleitorado católico americano do presidente. Os eleitores republicanos
católicos representam cerca de 20% e podem lhe virar as costas nas eleições de
meio de mandato em Novembro.
Batizado católico logo após seu
nascimento - e não convertido ao catolicismo na vida adulta como o
vice-presidente J.D. Vance - Marco Rubio vai tentar remediar a crise provocada
por Trump.
Leão XIV completa nesta sexta-feira (8)
seu primeiro ano como líder da Igreja Católica, que conta com 1,4 bilhão de
fiéis. Ele manteve um perfil relativamente discreto no cenário global nos
primeiros meses de seu papado, mas emergiu nas últimas semanas como um crítico
declarado da guerra dos EUA e Israel contra o Irã.
Após a audiência com Leão XIV, no
Palácio Apostólico, no Vaticano, o chefe da diplomacia dos Estados Unidos
encontrará o Secretário de Estado da Santa Sé, cardeal Pietro Parolin.
Segundo o porta-voz do Departamento de
Estado americano, Tommy Pigott, “o secretário Rubio se reunirá com a liderança
da Santa Sé para discutir a situação no Oriente Médio e os interesses mútuos no
Hemisfério Ocidental”, mas as tensões entre os EUA e Cuba poderão fazer parte
das conversações de Rubio com o papa.
Leão XIV também desaprovou as políticas
anti-imigração do governo Trump e pediu diálogo entre os EUA e Cuba, país de
maioria católica.
Em Fevereiro, quando o governo Trump
intensificou o bloqueio ao fornecimento de petróleo a Cuba, o sumo pontífice
disse estar profundamente preocupado com as tensões entre os dois países.
O Vaticano tem agido como mediador e
canal de diálogo entre os dois países, e teve um papel-chave no degelo das
relações entre Cuba e Estados Unidos em 2015 promovido pelo Papa Francisco.
Graças a um acordo com a Santa Sé, Cuba libertou 51 prisioneiros no último mês
de Março, num gesto que classificou como “espírito de boa vontade”.
No ano passado, o governo cubano
libertou 553 prisioneiros devido a um acordo com o Vaticano, após o
ex-presidente Joe Biden anunciar a retirada de Cuba da lista americana de
“Estados patrocinadores do terrorismo”.
Trump rescindiu o acordo de Biden ao
assumir o cargo, colocando o país caribenho novamente na lista, aplicando novas
sanções à ilha.
Marco Rubio é filho de imigrantes
cubanos nos EUA. Ele já havia se encontrado com o pontífice, nascido em
Chicago, durante a Missa que marcou o início de seu papado. Naquela ocasião,
também estava presente o vice-presidente Vance. No dia seguinte, 19 de maio,
foi realizado um encontro bilateral entre Leão XIV, Vance e Rubio.
O ataque do presidente dos Estados
Unidos ao papa também desencadeou uma crise diplomática com a primeira-ministra
Giorgia Meloni. Até então a primeira-ministra, líder do partido de
extrema-direita Irmãos da Itália (Fratelli d'Italia) era considerada por Trump
como uma grande aliada europeia.
No entanto, a guerra no Irã iniciada
pelos Estados Unidos e Israel, com os danos económicos do conflito, causou
desaprovação no eleitorado conservador italiano. Por consequência, Meloni
acabou se distanciando das posições do presidente americano.
Diante das agressões de Trump a Leão
XIV, a primeira-ministra chamou as palavras do presidente de “inaceitáveis”. O
resultado é a Itália acabou na lista dos “vilões”. Trump acusou Meloni de
“falta de coragem”.
“Não estou feliz com a Itália, ela não
nos ajudou, acha que está tudo bem o Irã ter armas nucleares”, atacou o
presidente, usando as mesmas palavras que também dirigiu à Espanha.
Enquanto isso, na Alemanha, depois que o
chanceler Friedrich Merz falou que os Estados Unidos estão sendo “humilhados”
pelo Irã, o Pentágono anunciou a retirada de 5.000 soldados das bases no país.
A Itália quer evitar que o governo de Trump decida aplicar uma medida
semelhante e remover militares das bases estadunidenses na península que
atualmente, conta com a presença de cerca de 12 mil militares americanos.
O comunicado do Departamento de Estado
dos EUA enfatiza que as reuniões com as autoridades italianas se concentrarão
nos “interesses de segurança compartilhados e alinhamento estratégico” dos dois
países. Isso significa que discutirão sobre a Otan e as bases militares
americanas na Itália.
Em Março deste ano, a Itália impediu os
Estados Unidos de usarem a base aérea de Sigonella, na Sicília, para uma
operação no Oriente Médio porque aviões americanos planejavam pousar sem
autorização nem consulta prévia. Após verificar que não eram voos rotineiros, o
chefe do Estado-Maior informou o ministro da Defesa, Guido Crosetto, que
ordenou negar o pouso.
Entre outros temas na agenda está o
Líbano — tendo em vista um possível encontro em Washington, no dia 11 de maio,
entre o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu e o presidente libanês
Josef Aoun, ainda a ser confirmado por ambas as partes.
Além disso, o papel da Força Interina
das Nações Unidas no Líbano (UNIFIL) liderada pelo general italiano Diodato
Abagnara. A retomada das tarifas também está na pauta, após o anúncio do
presidente dos EUA, em 1º de maio, de um possível aumento de 25% nas tarifas
sobre carros e caminhões provenientes da União Europeia. ANG/RFI

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