Nepal/ Iniciados enterros coletivos de corpos não identificados e número de mortos passa de 900
Bissau, 31 Ago 26 (ANG) - De acordo com os balanços oficiais mais recentes, ainda provisórios, foram recuperados ao todo 919 corpos: 903 do lado nepalês e 16 no lado tibetano da fronteira no Himalaia.
As autoridades dos dois países registam quase 4,8 mil
desaparecidos: 4.247 no Nepal e 546 na China. O estado avançado de decomposição
dos corpos levou ao início de enterros coletivos de vítimas que não puderam ser
identificadas.
O
Exército, a polícia e inúmeros voluntários trabalham sem parar para encontrar
sobreviventes, levar alimentos às áreas afetadas e identificar as vítimas, em
uma corrida contra o tempo.
Em Bidur, a cerca de 50 quilómetros de Catmandu, um acampamento do Exército nepalês serve como centro de comando para coordenar a busca pelos desaparecidos.
Cerca de dez helicópteros descolam e
aterram sucessivamente, sob o olhar angustiado de Manisha, de 19 anos, que veio
sozinha de Catmandu.
“Meu pai morreu na tragédia. Minha mãe
mora no exterior. Estou aqui para encontrar meu irmão e minha irmã, de 8 e 10
anos. Disseram que eles ainda estão vivos. Por favor, me ajudem a
encontrá-los”, implora.
Os dois estão presos do outro lado do
rio Trishuli. A estrada foi destruída. Atrás de uma cerca de arame farpado, um
militar anota o nome de Manisha. Ela espera embarcar em um helicóptero, mas há 30
pessoas à sua frente.
Ao lado dela, Ram, um agricultor,
percorreu 12 horas de moto na esperança de obter notícias do genro e de um
amigo. “Mesmo que tenham morrido, espero pelo menos que os corpos sejam
devolvidos para que possamos identificá-los”, conta.
Ainda há sobreviventes. Listas com
dezenas de pessoas resgatadas são colocadas nas paredes do centro militar.
Entre os resgatados estão Dawa, sua esposa e seus filhos, retirados de
helicóptero após passarem três dias refugiados em uma área elevada próxima à
aldeia onde vivem.
“Acho que entre 20 e 25 parentes meus
morreram, e ainda há idosos presos na minha aldeia. Ninguém conseguiu
resgatá-los até agora”, relata o sobrevivente.
Cinco dias após a tragédia, apesar dos
esforços mobilizados, as operações de resgate continuam difíceis em regiões
isoladas, que se tornaram perigosas devido à enchente e às chuvas dos últimos
dias.
As
equipes de socorro seguem trabalhando sem descanso, em condições arriscadas e
sob a ameaça de uma nova enxurrada. Um dos principais objetivos é resgatar
cerca de uma centena de operários presos num túnel.
Mas com o passar das horas, as esperanças de encontrar sobreviventes no mar de lama e destroços que devastou aldeias inteiras diminuem a cada dia.
Familiares dos desaparecidos percorrem hospitais e necrotérios em busca de informações sobre seus entes queridos, especialmente em Bharatpur, no sul do Nepal, onde imagens de cadáveres são exibidas em uma tela.
O trabalho é longo e difícil, conduzido
sob forte pressão do tempo. No domingo (30), por razões sanitárias, o Nepal
começou a enterrar vítimas antes mesmo da identificação dos corpos.
Segundo as autoridades nepalesas, os
enterros são realizados após a coleta de amostras de DNA e, no caso das vítimas
de religião hindu, têm caráter provisório.
Após a identificação formal, essas
amostras permitirão que as famílias exumem os corpos e realizem a cremação,
conforme a tradição.
Amrit Bahadur Rai, secretário-geral do
Ministério das Relações Exteriores, justificou a medida afirmando que “muitos
corpos foram recuperados e começaram a se decompor”.
Outro desafio é a capacidade limitada da
infraestrutura diante da quantidade de corpos recuperados. O necrotério de
Bharatpur tem lugar para apenas 20 corpos.
As autoridades são obrigadas a armazenar
cadáveres em instalações climatizadas da associação local de comerciantes.
Na
planície, a cerca de 200 quilómetros dos vales de Rasuwa, onde a tragédia
ocorreu na quarta-feira(26), as autoridades cavaram centenas de sepulturas na floresta
de Devghat.
Conhecida até então por suas trilhas de caminhada, a região foi transformada em um cemitério temporário para vítimas cujo estado de decomposição impede uma identificação imediata.
“Não tínhamos outra opção e precisávamos tomar essa decisão. Nossa principal preocupação era o risco para a saúde pública provocado pela rápida decomposição dos corpos”, explicou Ganesh Aryal, administrador distrital de Bharatpur.
Segundo as autoridades, cada local de
sepultamento é cuidadosamente registado. Marcadores de identificação são
colocados acima e abaixo das sepulturas e os dados de localização são
arquivados, para permitir futuras exumações e identificações.
As autoridades chinesas puniram dez
pessoas acusadas de divulgar informações falsas na internet sobre a enchente
devastadora ocorrida na fronteira com o Nepal, informou a polícia nesta
segunda-feira (31).
Os dez internautas insinuaram que o
número de mortos e desaparecidos era muito maior do que os balanços oficiais,
segundo um comunicado do departamento de ciber segurança do Ministério da
Segurança Pública.
Um usuário de sobrenome Qiu escreveu na
internet que “a imprensa fala em 1,4 mil mortos, mas, na realidade, 3 mil
pessoas já haviam sido dadas como desaparecidas anteriormente”. Outro usuário,
de sobrenome Liu, também afirmou que mais de 3 mil pessoas morreram na China em
consequência da enxurrada, segundo o comunicado das autoridades. ANG/RFI

Sem comentários:
Enviar um comentário