quarta-feira, 25 de maio de 2022

União Africana/Angola desperta África contra tolerância à golpes de Estado

Por Frederico Issuzo, da Angop

Bissau, 25 Mai 22 (ANG) – A proposta angolana para uma nova postura da comunidade internacional contra os golpes de Estado em África vai estar no centro das atenções da 16ª Cimeira Extraordinária da União Africana (UA), agendada para sábado próximo, na capital equato-guineense, Malabo.

No encontro, de iniciativa do Chefe de Estado angolano, João Lourenço, os líderes africanos serão chamados a examinar os desafios do fenómeno do terrorismo e das mudanças inconstitucionais de governos.

Enquanto proponente da reunião, João Lourenço figura entre os quatro oradores da cerimónia de abertura, com os seus homólogos Teodoro Obiang Nguema (anfitrião) e Macky Sall (do Senegal), actual presidente em exercício da UA.

A outra intervenção será de Moussa Faki Mahamat, o diplomata tchadiano que dirige a Comissão da UA.

Sobre o tema em debate, o Presidente João Lourenço entende que a liderança africana, em particular, deve adoptar uma posição comum e mais severa no combate ao extremismo violento e à cultura da mudança de regimes por métodos inconstitucionais.

Defende a tomada de medidas mais firmes para desencorajar as alterações irregulares da ordem constitucional, com recurso à força militar, e responsabilizar convenientemente os seus autores.

Quanto ao terrorismo, o Chefe de Estado angolano advoga, igualmente, medidas urgentes para a sua erradicação e a assistência necessária aos países vítimas dos seus efeitos nefastos.

A proposta foi aprovada em Fevereiro de 2020, em Addis Abeba (Etiópia), mas a convocação da reunião foi atrasada por causa da pandemia da Covid-19, que impôs um confinamento geral em todos os países.

No quadro dos preparativos do encontro de Malabo, a UA organizou, em Março deste ano, em Accra (Ghana), um fórum de reflexão sobre a recorrência dos golpes de Estado, cujas recomendações vão ser apreciadas nesta 16ª cimeira extraordinária. 

A revisão e actualização dos instrumentos jurídicos da UA, a introdução de sanções mais severas contra os golpistas e a prevenção de modificações constitucionais para alargar mandatos presidenciais ou poderes executivos estão entre as principais recomendações do fórum de Accra.

A Carta Africana sobre Democracia, Eleições e Governação é um dos dispositivos visados, mediante a elaboração de um protocolo adicional para suprir lacunas identificadas em matéria de repressão das alterações irregulares da ordem constitucional no continente.

O fórum de Accra juntou representantes de Estados-membros da UA, das forças de segurança, da sociedade civil, da academia e de organizações juvenis e femininas, para oferecer subsídios para uma reavaliação profunda da resposta africana às recorrentes mudanças inconstitucionais de regimes.

Constatou-se que os efeitos desse fenómeno são “altamente destrutivos e prejudiciais”para o desenvolvimento dos países do continente.

Em contrapartida, as respostas e os quadros normativos da UA e das diferentes Comunidades Económicas Regionais (CER), bem como as políticas para a sua implementação se teriam revelado“deficitárias” em termos de estratégia e de operacionalidade.

Na óptica de peritos da União Africana, as mudanças inconstitucionais de regimes são muitas vezes fruto de défices de governação, má gestão da diversidade, marginalização e violação de direitos humanos.

Acresce-se a isso a rejeição de resultados eleitorais e a manipulação e revisão ilegal das constituições, a coexistir com a incapacidade dos governos de satisfazerem as necessidades públicas em bens e serviços, particularmente nos domínios da segurança, da educação e da saúde.

Acredita-se que o aumento de casos de emendas constitucionais para alargar os mandatos presidenciais ou os poderes executivos anda de braços dados com a organização de eleições duvidosas, culminando numa governação enfraquecida e manipulação política.

A instabilidade política daí resultante oferece refúgio seguro para grupos extremistas, que criam uma insegurança generalizada às vezes conducentes a sublevação popular e ao círculo vicioso da instabilidade e golpe de Estado.

E a ideia de medidas mais rigorosas contra os golpistas tem, de resto, sido a tónica dominante do discurso diplomático do Chefe de Estado angolano, nos últimos tempos, sobretudo com o ressurgimento dos golpes de Estado, na África Ocidental.

Na sua intervenção na última sessão da Assembleia Geral das Nações Unidas, realizada em Setembro de 2021, poucos dias após o golpe na Guiné-Conakry, João Lourenço lançou um vibrante apelo nesse sentido.

Instou a comunidade internacional a ser mais vigorosa e interventiva, em vez de se limitar a emitir simples declarações condenatórias, quando os golpes acontecem.

Considerou os golpes de Estado uma prática a todos os títulos reprovável e julgou preocupante o facto de que a alteração da ordem constitucional, em países africanos, não merecerem uma reacção adequada e suficientemente vigorosa da comunidade internacional.

Mostrou-se igualmente preocupado com as ameaças à paz e à segurança mundial que se mantêm por acção de grupos extremistas, em várias regiões de África, em particular, e do planeta terra, em geral.

Na sua opinião, a comunidade internacional devia mobilizar-se continuamente para reforçar a capacidade de resposta a esta actividade perigosa que atenta contra a estabilidade social e económica dos países visados.

Segundo o Departamento de Assuntos Políticos, Paz e Segurança (DAPPS) da Comissão da UA, nenhum dos conflitos inter-estatais ou guerras civis que a África pós-colonial viveu ao longo do último século ameaçou a paz, a segurança e a estabilidade de todo o continente mais do que o terrorismo e o extremismo violento.

Num dos relatórios preparados sobre a 16ª Cimeira Extraordinária de Malabo, o DAPPS destaca que a perpetuação dos actos do terrorismo continuam a ser dominados por três grupos filiados em redes terroristas internacionais, tais como o Daech (Estado Islâmico) e a Al-Qaeda.

Citando dados do Centro Africano para o Estudo e Pesquisa sobre Terrorismo (ACSRT), o DAPPS lamenta que os ataques terroristas, em África, tenham aumentado mais de quatro vezes na última década.

O crescimento é calculado em 508 ataques registados em todo o continente, em 2021, com um balanço de 2.563 mortos, contra um total de 2.034 incursões e 8.631 vítimas mortais, em 2020.

Esta progressão representa um aumento de 400% nas acções perpetradas e de 237% nas fatalidades.

Basta notar, a esse respeito, que quatro países da África Ocidental sofreram golpes de Estado em menos de dois anos.

O Mali foi o primeiro, com sucessivos derrubes de governo por militares, em Agosto de 2020 e Maio de 2021, antes de chegar a vez da Guiné-Conakry, em Setembro 2021, e do Burkina Faso, em Janeiro de 2022.

Por sua vez, a Guiné-Bissau levou um “susto” de uma tentativa fracassada, em Fevereiro do ano corrente.

Ou seja, em menos de dois anos, uma mesma região do continente africano sofreu quatro golpes de Estado consumados, dos quais dois no mesmo país (Mali), em menos de um ano, além da tentativa abortada.

Este quadro gerou receios de um forte efeito contagioso que levaria o fenómeno a replicar-se em mais países da região ou do continente, criando instabilidade política generalizada e inviabilizando os processos democráticos.

Em Accra, ficou evidenciado que a condenação efectiva das mudanças inconstitucionais de governos, particularmente através da tomada de poder pelos militares, também só é possível lá onde o constitucionalismo é uma realidade e não uma fachada.

Por tudo isso, torna-se necessário reconhecer que os instrumentos normativos africanos tornaram-se cada vez menos eficazes para prevenir golpes de Estado, o que significa que, ainda que continuem em vigor, tais documentos atingiram hoje os seus limites.

Trata-se de dispositivos como o Acto Constitutivo da União Africana, a Declaração de Lomé e a Carta Africana sobre Democracia, Eleições e Governação, entre outros.

Muitos questionam-se, por exemplo, se a decisão do Conselho de Paz e Segurança da UA de não considerar o caso Tchad como um golpe de Estado terá alimentado (ou não) as ambições dos golpistas que destituíram Condé na Guiné-Conakry e Kaboré, no Burkina Faso.

Outros levantam a questão do tratamento dado aos golpistas que acabam por não sofrer sanções ou outras consequências susceptíveis de desencorajar orquestrações futuras de golpes se cumprirem as exigências ou requisitos da ‘clássica’ transição.

Defende-se, por isso, a teoria da necessidade de se fortalecer uma cultura que transforme o constitucionalismo numa forte convicção e não uma mera implementação e respeito das normas constitucionais, mas que transcenda o formalismo para se tornar numa crença inabalável na supremacia da constituição enquanto fundamento sacrossanto e inviolável das nações.

ANG/Angop

terça-feira, 24 de maio de 2022

 
Comunicação social / Rádios e Televisões Comunitárias pedem ao governo  subvencão dos  órgãos comunitários à semelhança da sub-região

Bissau, 24 Mai 22 (ANG) – Os representantes das rádios e televisões comunitárias  pediram  ao governo a subvencão dos órgãos comunitários, à semelhança do que já se faz noutros países da sub-região.

O pedido consta nas resoluções finais do XVI Encontro Nacional das Rádios e Televisões Comunitárias, á que a ANG teve acesso,encontro esse realizado de 19 à 21 do corrente mês, em São-Domingos, e promovido pela Rede Nacional das Rádios e Televisões Comunitárias (RENARC) .

Os participantes recomendaram  ao governo a criação de uma  Lei de Imprensa,com   capítulo específico para as rádios e televisões comunitárias.

Segundo o mesmo  documento, os representantes de  órgãos comunitários, pelo serviço público que prestam, pedem ao Governo que sejam isentos de pagamento de todas as taxas  cobradas pelo  Executivo, principalmente, a de renovação de licenças de emissão.

Recomendaram ainda a adesão efetiva da RENARC à Associação Mundial das Rádios Comunitárias (AMARC), a atualização do  plano estratégico da Rede, promoção de  formação sobre audiometria,  gestão e  sustentabilidade das rádios e televisões comunitárias membros.

Nesse encontro de São Domingos, Norte da Guiné-Bissau, os participantes renovaram o mandato da direção cessante, liderada por Demba Sanhá tendo feito a substituição de alguns membros da direção por incumprimento das suas missões.

No XVI encontro Nacional das Rádios e Televisões Comunitárias marcaram presença mais de 70 representantes de  38 rádios e 4 televisões comunitárias que operam em diferentes regiões do país, e  a Região de Gabu foi escolhida para a realização do VII encontro das rádios e televisões comunitárias, em 2023. ANG/DMG/LPG//SG

 

 
Desporto/Sport Bissau e Benfica regressa a liderança da Guinees-Liga

Bissau, 24 Mai 22 (ANG) – O Sport Bissau e Benfica (SBB), beneficiou no último-fim-de-semana, do empate do Sporting Clube da Guiné-Bissau (SCGB) com o Flamengo de Pefine, para reassumir o comando da Guinees-Liga, com 34 pontos, mas um  que o rival sponting.

O Sport Bissau e Benfica (SBB) recebeu e bateu o FC   Massaf de Cacine por 3-0, numa partida referente a 20ª jornada do campeonato nacional de futebol.

Eis os resultados das restantes partidas: Sporting Clube da Guiné-Bissau-1/Flamengo de Pefine-1, FC de Pelundo-2/Portos de Bissau-0, Ar.de Nhacra-1/Cupelum FC-0, SC de Bafatá-0/FC de Sonaco-0, FC de Cuntum-2/FC de Canchungo-3, Académica de Bissorã-0/Os Balantas de Mansoa-3, Binar FC-0, UDIB-0.

Tabela Classificativa da 20ª jornada:

1º -Sport Bissau e Benfica – 43 pts

2º -Sporting Clube da Guiné-Bissau-42 pts

3º -FC de Canchungo – 30 pts

4º -FC de Sonaco -36 pts

5º -FC de Cuntum -34 pts

6º -UDIB -29 pts

7º -BAL. Mansoa -26 pts

8º -FC. de Pelundo -26 pts

9º -AC. Bissorã -25 pts

10º -SC. de Bafatá -23 pts

11º -FLAM. Pefine -22 pts

12º -MAS.Cacine -19 pts

13º -Portos de Bissau -19 pts

14º -AR. de Nhacra -19 pts

15º -Binar FC -16 pts

16º -Cupelum FC -16 pts

Para a 21ª jornada, estão previstos os seguintes emcontros: Portos de Bissau/Arados de Nhacra, FC de Canchungo/Sporting da Guiné-Bissau, FC de Pelundo/Sport Bissau e Benfica, Massaf de Cacine/Sporting Clube de Bafatá, CF. Os Balantas de Mansoa/Binar FC, Flamengo de Pefine/FC de Cuntum, Cupelum FC/Atlético de Bissorã, FC de Sonaco/UDIB.

Sobre outra modalidade desportiva,  a Guiné-Bissau tomou parte no Campeonato Africano de Luta e conquistou  três medalhas, duas de ouro e uma  da Bronze.

Este evento decorreu no passado domingo(22) de Maio, na cidade de “El Jadida, em Marrocos.

As  medalhas de ouro foram conquistados pelos atletas Bacar Midana, na categoria de 70kg, e M’bundé Cumba Mbali, na categoria de 65kg, e a de bornze por Diamantino Luna Fafé, na categoria de 57 Kg.

 Ao regressar ao país, no Aeroporto Osvaldo Vieira, o atleta Bacar Midana, campeão Africano de luta na categoria de 70kg,prometeu, em declarações à imprensa, trabalhar  para superar os records obtidos na modalidade pelo seu  tio Augusto Midana, campeão em várias competições de género, que conquistou  11 medalhas de ouro.

Bacar Midana pede ao Governo para criar consdições para que os atletas de luta livre possam preparar ,da melhor forma, para as competições internacionais e representar o pais com dignidade.

ANG/LLA/LPG//SG    

 
Economia/ FMI retoma assistência financeira à Guiné-Bissau suspensa há  quatro anos

Bissau, 24 Mai 22 (ANG) – O Fundo Monetário Internacional (FMI) anuncia que vai retomar a assistência financeira à Guiné-Bissau, ao abrigo da Facilidade de Crédito Alargado,  que havia sido suspensa, há quatro anos.

Segundo um comunicado à imprensa do gabinete de assessoria do Ministério das Finanças,  enviado hoje à ANG,  com a data de 23 de Maio,  a garantia foi dada pela Directora-geral do FMI, Kristalina Georgieva, numa carta derigida ao Ministro das Finanças demitido,datada de  20 de Maio de 2022.

A missiva indica que a retoma da assistência financeira à Guiné-Bissau será para breve, e nela a DG do FMI felicitou as autoridades guineenses pelos esforços empreendidos para  a estabilização macroeconómica,  sustentabilidade da dívida e o prosseguimento das reformas estruturais.

A próxima missão do FMI à Guiné-Bissau está prevista para 17 de Junho.

“A assistência financeira ao abrigo da Facilidade de Crédito Alargado,pode ajudar o governo guineense a prosseguir com as reformas,assegurar a estabilidade economica ,criando assim um espaço orçamental com vista a responder às necessidades de desenvolvimento e do reforço da governação do país”, diz Georgieva na carta enviada ao ministro cessante das Finanças

As reformas essenciais propostas pelo Governo guineese no quadro do seu programa com o FMI visa diversificar a economia para reduzir os riscos orçamentais e estimular um desenvolvimento económico sustentável.

ANG/MSC/LPG//SG

 


Espaço UEMOA /
Governador da região de Cacheu denuncia cobranças de taxas não tarifárias nas fronteiras

Bissau, 24 Mai 22(ANG) - O governador da região de Cacheu  denunciou,  segunda-feira, a existência de várias barreiras de cobranças de  taxas não tarifárias e o incumprimento da regulamentação de livre circulação de pessoas   bens, nas zonas fronteiriças entre a Guiné-Bissau e o Senegal, numa clara violação às normas  no espaço da União Económica Monetária  Oeste Africana  (UEMOA).

Segundo à Rádio Sol Mansi,  Fernando Eduardo dos Reis Pires  falava  na  abertura da jornada de informação e sensibilização sobre o projeto da UEMOA, sob o tema “ Livre circulação de pessoas, bens, serviços, capitais e direitos de estabelecimento”,  destinada às diferentes estruturas do Estado, a nível das regiões  do país.

Nesta jornada, os participantes vão opinar sobre as reformas, políticas, programas e projetos da UEMOA.

Aquele responsável afirmou que  os dois países continuam  a apresentar dificuldades na execução da medida de  “livre circulação” no espaço comunitário da UEMOA.

Disse que,  apesar de alguns progressos na implementação efetiva das directrizes da organização regional sobre a livre circulação de pessoas, bens, serviços, capitais e direitos de estabelecimento, ainda persistem algumas violações  de procedimentos nas linhas fronteiriças entre os dois países.

O representante residente  da UEMOA  Bertin Félix reconheceu   que ainda há dificuldades na implementação de alguns instrumentos no quadro de construção do mercado comum.

 Na sequência das preocupações  levantadas sobre a livre circulação de pessoas e bens, Bertin Félix  disse que a organizaçõa vai envolver os órgãos de comunicação social na sensibilização sobre procedimentos  no espaço da União Económica e Monetária  Oeste Africana  (UEMOA).

ANG/JD/LPG//SG 

Comunicação social/RENARC considera “pouco clara”  cobranças de licenças de   emissão  às rádios pelo governo

Bissau, 24 Mai 22 (ANG) – O Presidente da Rede Nacional das Rádios e Televisões Comunitárias (RENARC) considerou de “pouco clara” a medida de cobrança de renovação de licenças de funcionamento dos órgãos de comunicação social guineenses, imposta pelo governo, incluindo à rádios  comunitárias.

Em entrevista à   Agência de Notícias da Guiné(ANG), Demba Sanhá justificou que os órgãos comunitários, membros da RENARC não pagaram até ao momento a renovação de licença exigida pelo governo.

Sanhá alega  que antes destes órgãos  começarem a emitir percorreram os parâmetros normais que permitam  funcionamentos das rádios ou seja  “compriram com todas as formalidades legais”.

Acrescentou que a exigência de pagamento da licenção da parte do governo, deve ser através de um documento, e diz que,  com a  inexistência desse documento está-se perante “cobrança de uma coisa que não existe”.

, “Posso considerar que estamos a ser  cobrados uma coisa que não existe”, disse.

Findo o prazo para o efeito, o Governo decidiu o encerramento de 79 rádios, a maioria delas comunitárias, que não pagaram as suas licenças de emissão.

Sanhá  afirmou que nenhuma dás rádios comunitárias tem capacidade financeira para  pagar a atualização da licença de emissão, por isso, diz “não vão assumir o compromisso de pagar  licenças para depois ter dificuldades no seu cumprimento”.

Sustenta  que os órgãos e comunicação comunitários funcionan com apoio das comunidades e dos parcerios, sobretudo das organizações que apoiam o desenvolvimento na zona onde estão inseridos.

O Presidente da RENARC disse que  os apoios que recebem, em contrapartida de serviços prestados, não são suficientes, nem para  manutenção dos equipamentos nem funcionamento  dos órgãos, o que leva os funcionários desses órgãos a trabalharem em regime de voluntariado.

Demba Sanhá diz ser uma   “injustiça”, caso pagassem a renovação das licenças de emissão sem no entanto criarem condições para pagar os funcionários que laboram nos órgãos.

Defendeu que, pelo contrário,  o Estado deveria subvencionar os órgãos de comunicação social, porque todos, de uma forma ou outra, prestam serviço público.

Demba Sanhá disse entretanto que o não pagamento dessa atualização de licença não significa um “braço de ferro” com o governo, e adianta   que estão a negociar com o governo no sentido desse compreender a situação das rádios comunitárias.

A RENARC realizou de 19 a 21 deste mês, em São-Domingos, em colaboração com o Consórcio Média Inovação e Comunicação Social (CMICS), o VI Encontro Nacional das Rádios e Televisões Comunitárias, sob o lema: Promover o diálogo comunitário de resiliência, financiado pelo  Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD).

Durante os dois dias foram abordados diferentes temas, nomeadamente, Conceitos gerais sobre os mercados ilícitos e economia ilícita, Génese, Estatutos e Conceitos das Rádios Comunitárias.ANG/DMG/LPG//SG

 Saúde pública/OMS estima que número de infectados com covid-19 seja muito superior aos notificados

 Bissau, 24 Mai 22(ANG) – A Organização Mundial de Saúde (OMS) estima que milhares de milhões de pessoas tenham sido infectadas com covid-19, apesar de terem sido notificados 522 milhões de casos durante a pandemia, disse uma representante daquela entidade.

“Neste momento sabemos que milhões foram infectados com o vírus”, disse a representante da OMS para a Covid-19, Maria Van Kerkhove, na assembleia anual da OMS. Da mesma forma, “o número real de mortes por covid em quase dois anos e meio de pandemia poderá duplicar os registados oficialmente pela OMS”, sublinhou Van Kerkhove.

Um relatório recente da organização que estudou o excesso de mortalidade global durante a pandemia estimou que a crise da saúde causou quase 15 milhões de mortes diretas e indirectas em todo o mundo.

Van Kekhove disse esta terça-feira aos especialistas em saúde dos 194 países membros da OMS que o objectivo para este ano deve ser acabar com a “situação de emergência” devido à pandemia em todos os países, embora por enquanto ainda se esteja longe devido aos números semanais de infecções e mortes ainda relativamente altos.

Para acabar com esta fase aguda, é preciso “confiança da opinião pública e compromisso social”, bem como melhor acesso a vacinas e tratamentos”, disse a especialista, que reconheceu que será difícil para todos os países sair da pandemia ao mesmo tempo.

Van Kerkhove indicou que, embora a variante Ómicron seja a dominante este ano, “as anteriores podem continuar a circular” e detalhou que a sublinhagem BA.2 da Ómicron é actualmente a mais detectada em laboratórios.

“As últimas sublinhagens detectadas, BA.4 e BA.5, também estão a aumentar em incidência, embora por enquanto moderadamente”, acrescentou.

ANG/Inforpress/Lusa

 Dia de África/PAIGC e parceiros celebram a data com realização de palestra e entrega de pémios

 Bissau, 24 Mai 22 (ANG) – O Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC) e seus Parceiros iniciam hoje,  24 de Maio, uma  jornada alusiva ao 25 de Maio, tido como dia da Libertação Africana.

A informação consta no comunicado à imprensa do PAIGC enviado à ANG, segundo o qual, o evento será assinalado sob o lema ″Preparando o salto rumo ao pan-africamisno mundial:O Neocolonialismo deve ser desmantelado”.

O evento que é celebrado todos os anos, em África e parte considerável de outros continentes, assinala o início das conquistas para a existência de uma África livre, unida e progressista, marcadas, essencialmente, pela independência de 2 terços dos países do continente africano.

Segundo o comunicado, a abertura da jornada será marcada  com a emissão de mensagens virtuais de solidariedade dos pan-africanistas e aliados, de seguida, a introdução do tema Movimento Pan-Africanista na Luta contra o Neocolonialismo.

Ainda no âmbito dessas celebrações  haverá sessão de entrega de prémios,nomeadamente, em homenagem a Kwame Turé, da Guiné Conakry e à União Nacional das Mulheres de Eritreia e  Teodora Inácia Gomes , em representação dos Combatentes.                                                                                                                                                                                                            Nessa jornada comemorativa do dia da Libertação da África deste está prevista realização de palestra sob o tema”Panafricanismo e Movimento Socialista Mundial”, cujos oradores são representantes de Cuba, Palestina, Aliança dos Negros para a Paz, que farão as suas comunicações chegarem aos participantes via Zoom. ANG / MI/LPG//SG

 
BAD
/Presidente Adesina confia que África vai evitar crise alimentar

Bissau, 24 Mai 22 (ANG)- O presidente do Banco Africano de Desenvolvimento (BAD), Akinwumi Adesina, mostrou-se hoje (segunda-feira) confiante de que África vai conseguir evitar a crise alimentar iminente, com o apoio de um plano de emergência de 1,5 mil milhões de dólares.

Anunciado na sexta-feira à noite, o Plano Africano de Produção Alimentar de Emergência, promovido pelo BAD e pela Comissão da União Africana, no valor de 1,5 mil milhões de dólares (1,4 mil milhões de euros) irá beneficiar 20 milhões de agricultores com sementes e fertilizantes, bem como outros insumos agrícolas para produzir 38 milhões de toneladas de alimentos, no valor de 12 mil milhões de dólares (11,2 mil milhões de euros).

Isto incluirá 11 milhões de toneladas de trigo, 18 milhões de toneladas de milho, seis milhões de toneladas de arroz e 2,5 milhões de toneladas de soja.

"Podem perguntar-me porque estou tão confiante de que conseguiremos evitar uma crise alimentar iminente? É porque o nosso plano se baseia no trabalho incrivelmente bem sucedido do BAD através do seu programa 'Prioridade Estratégica 'Alimentar África'", disse Adesina num encontro com jornalistas no primeiro dia dos Encontros Anuais do BAD, que decorrem em Accra até sexta-feira.

Este programa já beneficiou mais de 76 milhões de agricultores com acesso a tecnologias agrícolas, disse o presidente do BAD, acrescentando que o banco tem também em curso um programa de tecnologia agrícola "Tecnologias para a Transformação Agrícola de África" (TTAA).

Adesina elencou alguns exemplos de sucesso deste programa, que já distribuiu sementes resilientes ao clima a 12 milhões de agricultores em 27 países em apenas dois anos.

Exemplificou com o caso da Etiópia, onde o TTAA financiou o fornecimento de 61 mil toneladas de sementes de trigo tolerantes ao calor, permitindo aumentar a extensão de área cultivada de 5.000 hectares em 2018 para 167.000 hectares dois anos depois e para 400.000 hectares este ano.

"O Primeiro-ministro Abiy Ahmed da Etiópia disse-me na semana passada: 'A Etiópia não importou trigo este ano. No próximo ano vamos cultivar 2 milhões de hectares e esperamos exportar pelo menos 1,5 a 2 milhões de toneladas de trigo para o Quénia e o Djibuti no próximo ano'. Simplesmente incrível".

O Plano Africano de Produção Alimentar de Emergência visa responder aos desafios que a guerra na Ucrânia provocou em África, "especialmente em termos dos elevados preços da energia, elevados preços dos fertilizantes e perturbações nas importações de alimentos", explicou Adesina.

"Com 30 milhões de toneladas de importações de alimentos, especialmente trigo e milho, que não chegarão da Rússia e da Ucrânia, África enfrenta uma crise alimentar iminente", lembrou o banqueiro, para justificar a iniciativa do BAD.

Para Adesina, "África não precisa de tigelas nas mãos. África precisa de sementes na terra. África não deve implorar por alimentos, deve produzir os seus próprios alimentos. Não há dignidade em implorar por alimentos".

Referindo-se ao tema dos Encontros Anuais em curso, "Alcançar a Resiliência Climática e uma Transição Energética Justa para África", o Presidente do Banco lembrou que as alterações climáticas são uma ameaça sempre presente para África, com secas, inundações e ciclones a devastarem as economias africanas.

"Nove dos 10 países mais vulneráveis às alterações climáticas estão em África, (...) a segunda região mais vulnerável às alterações climáticas do mundo", disse.

Segundo Adesina, África precisa de entre 1,3 e 1,6 biliões de dólares (1,2 e 1,5 biliões de euros) para lidar com as alterações climáticas entre 2020 e 2030, mas só recebe 3% dos fundos globais para as alterações climáticas.

O financiamento climático mobilizado globalmente fica aquém das necessidades da África em entre 100 e 127 mil milhões de dólares (93 a 119 mil milhões de euros) por ano entre 2020 e 2030, sublinhou.

"O desafio que enfrentamos é mobilizar mais recursos para as alterações climáticas em África. Os países desenvolvidos devem cumprir a sua promessa de fornecer 100 mil milhões de dólares (93 mil milhões de euros) por ano em financiamento climático para apoiar os países desenvolvidos", apelou ainda.

ANG/Angop

 

 FAAPA/Secretàrio-geral da FAAPA propõe criaçao da Rede de Jornalistas Desportivos da organizaçao

Bissau,24 Mai 22(ANG) – O Secretàrio-geral da Federaçao Atlântica das Agências de Noticias Africanas(FAAPA), encorajou aos jornalistas  membros para criarem uma Rede de Jornalistas Desportivos assim como outras Plataformas profissionais no seio daquela organizaçao.

Mohammed Anis que falava segunda-feira na cerimónia de abertura do seminário   subordinado ao tema « Matrises e técnicas para uma boa pràtica de jornalismo despotivo », destinado aos   30 jornalistas desportivos das agências de notícias  membros da FAAPA e que decorre  entre os dias 23 e 27 do corrente mês, em Rabat(Marrocos).

Anis incentivou  aos participantes para criarem a Rede de Jornalistas Deportivos, a par de outras Plataformas já existentes na FAAPA, nomeadamente o Fórum de Directores de Informaçao e a Rede de Mulheres Líderes.

Segundo o Secretàrio-geral da FAAPA, a acçao de formaçao é a primeira do género inscrita no  plano de acçao da organizaçao para o presente ano e aprovada pelo seu Conselho Executivo, em Dakar, Senegal, em Novembro ûltimo.

 « O seminàrio visa  a troca de experiências e consolidação de  capacidades dos jornalistas na procura de conteúdos inovadores, em materia de informaçao desportiva », disse.

No final da formação, os jornalistas participantes estarao a altura de contribuir activamente no desenvolvimento de informaçoes desportivas africanas e internacionais.

Durante os cinco dias do seminàrio, os participantes serão facultados de  conhecimentos em matéria de escrita e especifidade do jornalismo desportivo, dèfice da cobertura dos eventos desportivos, mecanismos de acreditaçao dos jornalistas nos eventos desportivos, estratégia de redaçao desportiva na era digital, informaçoes desportivas(inquéritos, intrevistas e reportagens desportivos entre outros. 

De Ângelo da Costa, enviado da ANG à Rabat(Marrocos)

                 CPLP/Pesca ilegal reúne ministros  em Luanda 

Bissau, 24 Mai 22 (ANG) – O combate à pesca ilegal, “não declarada” e “não regulamentada”, vai marcar a 5ª Reunião de Ministros dos Assuntos do Mar (RMAM) da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP), que vai decorrer de 24 a 26 deste mês, na capital angolana, Luanda. 

Além de Angola, país anfitrião, o evento conta com a participação dos governantes de Cabo Verde, Guiné-Bissau, Guiné Equatorial, Moçambique, São Tomé e Príncipe, Timor-Leste, Portugal e Brasil. 

O certame servirá, igualmente, para Cabo Verde passar a presidência da RMAM para Angola, que já preside de forma rotativa a CPLP, no biénio 2021-2023. 

Sob o lema “Mobilizar parcerias e investimentos para o desenvolvimento sustentável dos mares dos Estado-Membros da CPLP. Desafios e oportunidades”, a reunião vai também permitir os lusófonos analisarem a proposta de criação da Plataforma de Cooperação na Promoção da Pesca Sustentável. 

Segundo o programa do evento, a que a ANGOP teve acesso na segunda-feira, o evento visa, essencialmente, partilhar informação e trocar experiências, com foco na contribuição do oceano para o desenvolvimento sustentável dessa comunidade. 

A identificação de prioridades para a cooperação da CPLP no sector do oceano, no biénio 2022- 2024, bem como a avaliação do grau de execução do Plano de Acção da Reunião de Ministros dos Assuntos do Mar constam, igualmente, da agenda dos ministros. 

Durante três dias, os governantes vão também reflectir sobre a “Promoção e fortalecimento das economias sustentáveis baseadas no oceano”, assim como em torno da “Gestão, protecção, conservação e restauração de ecossistemas marinhos e costeiros dos países membros da CPLP. ANG/Angop

Desporto/ Guiné-Bissau sagrou-se bicampeão do torneio Savate (Boxe Francês) ao vencer senegal por 4 à 3

Bissau, 24 Mai 22 (ANG)-  A Guiné-Bissau sagrou-se Bicampeão do campeonato Áfricano Savate (Boxe Francês) ao vencer o  Senegal ,na segunda-feira,  por 4 à 3 .

Segundo a Rádio Bombolom FM,os atletas guineenses conquistaram 11 medalhas entre as quais seis de ouro e cinco de pratas.

Para além da Guiné-Bissau e do Senegal ainda participaram no torneio a Gâmbia e a Tunísia.

O ministro cessante de Juventude, Cultura e Desportos,  Augusto Gomes considerou o momento de uma “enorme satisfação.

 “Esta conquista é uma grande vitória para a Guiné-Bissau e para juventude em particular, uma vez que, é o tipo de desporto praticado mais para camada juvenil, e não é muito conhecido na Guiné-Bissau. O nosso país demonstrou logo na abertura   que vai entrar na elite mundial desta modalidade desportiva”, considerou o antigo governante.

Augusto Gomes felicitou a determinação dos atletas por trabalharem para a revalidação do título. ANG/AALS/LPG//SG

Angola/Os 59 anos da OUA-UA e a Agenda 2063

Por João Gomes Gonçalves, da ANGOP

Bissau, 24 Mai (ANG) – África comemora a 25 de Maio deste ano o 59.º aniversário da fundação da Organização de Unidade Africana (OUA), proclamada, em Addis Abeba (Etiópia) a 25 de Maio de 1963, por 32 chefes de Estado e de Governo.

O lançamento da OUA resultou de intensos debates contraditórios (de 22 a 25 de Maio de 1963) dos estadistas africanos, na altura fracturados em dois grupos, designadamente o de Monróvia ou “gradualistas”, liderados pelo Presidente Léopold Sédar Senghor (Senegal), e o de Casablanca ou “imediatistas”, conduzidos por Kwamé Nkrumah (Ghana).

Os primeiros eram pela criação de uma organização inter-estatal composta por Estados soberanos com as fronteiras herdadas do colonialismo (conferência de Berlim de 1884-1885), enquanto os outros pugnavam pelo surgimento dos Estados Unidos de África. 

Vingou a ideia dos gradualistas e, como consequência, a OUA tornou-se num instrumento de cooperação e não de integração estatal.

O consenso sobre o modelo de organização só foi conseguido graças ao discurso persuasivo do então Presidente da Argélia, Ben Bella, que acabava de conquistar a independência do país de França, a 03 de Julho de 1962, depois de uma guerra sangrenta de sete anos (1956-1962).

Na sua carta constitutiva, a OUA propunha-se cumprir cinco objectivos principais, tais como erradicar os vestígios do colonialismo e do regime do apartheid; promover a unidade e a solidariedade entre os Estados africanos; coordenar e intensificar a cooperação para o desenvolvimento; salvaguardar a soberania e a integridade dos Estados-membros e promover a cooperação internacional.

No mesmo ano, os chefes de Estado reuniram-se, em Dar Es Salaam (Tanzânia), para criar o Comité de Libertação da OUA, numa altura em que países como Angola, África do Sul, Guiné-Bissau, Cabo-Verde, Moçambique, Namíbia e São Tomé e Príncipe estavam em guerra contra as potências coloniais.

O novo Comité utilizou a Organização das Nações Unidas (ONU) como tribuna mundial para denunciar as injustiças contra os povos africanos ainda sob domínio estrangeiro.

Mas, o percurso foi duro, porque em muitas ocasiões os países africanos, por dependerem da influência da Guerra Fria, que opunha os blocos liderados pelas super-potências (Estados Unidos e União Soviética) e que vigorou entre 1949 e 1989, divergiam nos temas de interesse do continente que os “progressistas” e “moderados” abordavam.

As contradições entre os dois modelos de governação provocavam um certo imobilismo no seio da OUA, quando se tratasse de tomar decisões sobre o futuro de África.   

Apesar de tudo, no início da década de 90 do século XX, a maioria dos países africanos conquistou as suas independências, excepto o Sahara Ocidental, que até hoje continua sob ocupação de Marrocos, que luta para anexá-lo como parte do reino, com o apoio dos Estados Unidos, da Espanha e subrepticiamente de outros países ocidentais.

Algumas crises persistiram, todavia, motivadas pelas reivindicações mútuas das fronteiras legadas do colonialismo, como foi o caso que, nos primeiros dias do surgimento da OUA, opôs o Benin ao Níger.

Na segunda cimeira da OUA realizada, no Cairo (Egipto), a 21 de Julho de 1964, a Carta da OUA foi emendada, sob proposta do Presidente Julius Nyerere (Tanzânia),  com a introdução do princípio da intangibilidade das fronteiras coloniais.

Tal princípio foi uma declaração solene de que todos os Estados-membros se comprometiam a respeitar as fronteiras herdadas do colonialismo.

Mas novas crises fronteiriças surgiram, no continente, tais como a que opôs a Líbia ao Tchad, por causa da faixa de Aouzou (1973-1994), região setentrional do Tchad rica em petróleo, cobiçada por Tripoli; a invasão da região etíope de Ogaden pela Somália (1977-1978), o conflito entre a Argélia e Marrocos sobre o Sahara Ocidental (1976) e a secessão de Biafra da Nigéria (1966-1970) e da Eritreia (Etiópia-1990), entre outros.

Relativamente à integração económica, a OUA previa, num prazo de 30 anos, dotar-se de um mercado comum, um Parlamento e um banco central.

O Plano de Acção de Lagos, adoptado na cimeira de 1980, recomendou aos blocos regionais da altura impulsionarem o desenvolvimento económico de África e a sua auto-suficiência alimentar.

Porém, o Plano fracassou e, em Junho de 1991, foi substituído pelo Tratado de Abuja, que instituiu um Fundo Monetário Africano.

Hoje, o balanço feito pelos especialistas africanos da área indica que, em termos de integração económica, o continente girou mais em torno de grandes projectos irrealizáveis, comparados com os parcos meios alocados, resultando num insucesso total.

Embora tenha cumprido o seu papel de libertar África, durante a sua existência, a OUA teve resultados mitigados nos seus projectos económicos e monetários, por causa das incongruências e falta de unidade dos Estados-membros.

As razões dessa disfunção também podem buscar-se nas contínuas influências e dependências estrangeiras que pairavam ou que ainda pairam sobre muitos Estados africanos.

Para mudar esse quadro, os chefes de Estado e de Governo da OUA assinaram, a nove (09) de Setembro de 1999, na Líbia, a “Declaração de Sirtes”, que pediu a criação de uma União Africana, que visasse acelerar o processo de integração e permitisse ao continente jogar o seu papel na economia mundial, no âmbito da globalização.

A UA foi oficialmente proclamada, em Durban (África do Sul), a nove (09) de Julho de 2002, conforme as recomendações da cimeira dos chefes de Estado e de Governo de  Lomé (Togo), organizada a 11 de Julho de 2001.

No momento da sua criação, voltou à ribalta o confronto entre “imediatistas” e “gradualistas”.

Depois de reclamarem, mais uma vez, pela criação dos Estados Unidos de África, os imediatistas, desta vez liderados pelo malogrado Muammar El Kadafi, da Líbia, voltaram a curvar-se perante os “gradualistas” e decidiu-se apenas pela criação do Parlamento Panafricano, do Banco Central Africano e do Fundo Monetário Africano, que, no entanto, foram “sol de pouca dura”.

Enquanto o Parlamento ficou relegado a um mero fórum parlamentar, as outras instituições ou deixaram de existir pura e simplesmente ou foram transformados em outros moldes, à semelhança da Nova Parceria Económica para o Desenvolvimento de África (NEPAD).

Esta última foi uma fusão de dois outros Planos propostos, designadamente o Omega e o Plano Africano do Milénio (PAM), com o objectivo de cobrir o imenso atraso de África em termos de desenvolvimento.

Depois de a Comissão da UA lançar a sua visão sobre África, em Maio de 2013, na capital etíope, Addis Abeba, adoptou-se a Agenda 2063 na 24.ª cimeira dos chefes de Estado e de Governo da organização panafricana, realizada de 30 a 31 de Janeiro de 2015, na mesma cidade.

Segundo os seus mentores, combater a pobreza, as desigualdades e a fome; reforçar a segurança social e a protecção, incluindo para os deficientes físicos; construir habitações modernas e habitáveis, bem como criar serviços básicos de qualidade são os principais objectivos.

Para acelerar a sua execução, num período de 50 anos, elaborou-se na cimeira da UA de 07 a 15 de Junho de 2015, na África do Sul, o primeiro Plano Decenal (2014-2023), que criou as bases para o lançamento, a 21 Março de 2018, em Kigali (Rwanda), da  Zona de Comércio Livre Continental Africana (ZCLCA), instalada em Accra (Ghana), em Janeiro de 2021.

A ZCLCA tem como secretário-geral o sul-africano Wamkele Mene, eleito durante a 33.ª cimeira da União Africana, depois de derrotar a nigeriana Cecilia Akintomide e o congolês democrático Faustin Luanga.

O objectivo final ZCLCA é a integração económica e a criação de uma união em que se estabeleçam relações económicas reforçadas entre as várias regiões do mesmo país e reforçá-las no sentido de assegurarem o crescimento e o desenvolvimento económico de África.

Com este tratado, pretende-se criar no continente um mercado único de bens e serviços, facilitado pela livre circulação de pessoas, capitais, mercadorias e serviços, para promover o desenvolvimento agrícola, a segurança alimentar, a industrialização e as transformações económicas estruturais.

Pretende-se igualmente a redução ou eliminação progressiva das barreiras tarifárias, bem como das barreiras não tarifárias ao comércio e ao investimento e ainda estabelecer regras claras, transparentes, previsíveis e mutuamente vantajosas para reger o comércio de mercadorias e serviços, a política de concorrência, o investimento e a propriedade intelectual.

Mas, o projecto, considerado o maior mercado livre do Mundo, precisa de medidas susceptíveis de estimular a produtividade e aumentar as oportunidades económicas.

Em termos de segurança, a instabilidade política, nomeadamente, os golpes de Estado, as guerras inter-étnicas, o tráfico de drogas, o terrorismo e o radicalismo islâmico estão a obstaculizar a sua efectividade, acrescentando-se a isso o incumprimento por vários países-membros dos acordos regionais e os problemas que afectam a circulação de pessoas e bens.

Outro factor inibidor são as incertezas derivadas da ameaça que paira sobre o continente, por causa da guerra entre a Rússia e a Ucrânia, com a perspectiva de conduzir a uma nova ordem mundial e, concomitantemente, a uma nova Guerra Fria mais rígida, ressurgindo, assim, uma maior dependência em relação às grandes potências.

De acordo com o relatório de 2021 da CNUCED (Conferência das Nações Unidas para o Comércio e Desenvolvimento), o potencial de exportação ainda não explorado do continente eleva-se a 21,9 mil milhões de dólares americanos, ou 43% das exportações intra-africanas.

O documento diz também que um potencial de exportação suplementar de 9,2 mil milhões de dólares norte-americanos pode ser realizado graças a uma libertação tarifária parcial no quadro da ZCLCA, nos próximos cinco anos.

O mesmo relatório sublinha que, para libertar o referido potencial, devem ser anuladas várias barreiras tarifárias intra-africanas, incluindo medidas não tarifárias caras, lacunas em matérias de infra-estruturas e de informação, medidas essas que precisam de esforços conjuntos no quadro da ZCLCA.

Pouco depois do lançamento da UA, em 2002, o francês Antoine Glaser, director da “Carta do Continente”, dizia temer que na arena internacional a organização panafricana fosse utilizada para servir os interesses das grandes potências.

“Os encontros dos chefes de Estado são importantes, apesar do limite do exercício e a dificuldade de tomar decisões conjuntas”, afirmou, sublinhando o facto de não ver na UA uma verdadeira estratégia política e de defesa militar, continuando a ser ainda uma organização institucional.

O pessimismo de Glaser prende-se com o facto de África depender ainda da ajuda externa para desenvolver alguns sectores, atribuindo a falta de emergência política da UA à ausência de liderança no continente, embora existam grandes potências económicas e financeiras como a África do Sul, a Nigéria, a Argélia e o Egipto.

No seu entender, essas potências estão impossibilitadas de fazer algo em prol do colectivo, por causa da diversidade dos povos e das situações dos países em todo o continente. ANG/Angop