terça-feira, 19 de novembro de 2024

Migração ilegal/Resgatado no Atlântico com 249 pessoas a bordo o barco que partiu da Guiné-Bissau

Bissau,19 Nov 24(ANG) - Um barco com 249 pessoas a bordo( 11 mulheres, dois bebés e dezenas de menores), que terá partido há sete dias da Guiné-Bissau, foi resgatado pelo serviço de Salvamento Marítimo espanhol, anunciaram as autoridades esta segunda-feira.

O barco foi avistado sábado por um veleiro alemão que navegava a sudoeste de Dakhla (cidade do Saara Ocidental), a 603 quilómetros da ilha espanhola da Gran Canária, disse uma porta-voz da agência de salvamento.

Os seus ocupantes foram resgatados pelo navio Guardamar Talía por volta das 14h45 de domingo (13h45 em Lisboa) e chegaram ao porto de Los Cristianos, em Tenerife, adiantaram as autoridades espanholas.

Fontes dos serviços de emergência disseram que os ocupantes afirmam ter partido da Guiné-Bissau, o que implica que se aventuraram numa travessia em mar aberto de quase 1.900 quilómetros, dos quais já tinham percorrido dois terços quando foram avistados pelo veleiro Thor Geyenerdahl.

A confirmar-se a origem da travessia, será a embarcação que mais se afastou em direção às Ilhas Canárias nesta última etapa da Rota Atlântica, cujo extremo sul é marcado pelo Senegal e pela Gâmbia.

O barco foi abandonado à deriva com uma marca de identificação pelo Salvamento Marítimo para não dar origem a falsos alarmes se alguém o reencontrar na sua rota.

O número de menores a bordo (44, incluindo os dois bebés) é ainda provisório, uma vez que a idade de alguns dos jovens e adolescentes está a ser verificada.

O serviço de emergência 112 informou que quatro dos ocupantes do caiaque tiveram de ser transferidos para centros de saúde.ANG/Lusa

 

           Brasil/ Líderes do G20 anunciam Aliança Global contra a fome

Bissau, 19 Nov2 (ANG) - Os líderes do G20 reúnem-se  segunda-feira, 18 de Novembro, no Rio de Janeiro e debateram questões relacionadas com a cooperação, políticas económicas e ambientais.

Nesta presidência brasileira esta em causa a criação da Aliança Global contra a fome, com sede em Roma, que deverá funcionar até 2030. 

Entre os 37 países que já aderiram à Aliança Global está a França, a  Alemanha, a Espanha e também algumas instituições como é o caso da Fundação Bill e Melinda Gates. A aliança que terá sede em Roma, Itália, espera reunir maus de 100 países, nos próximos meses, e deverá funcionar até 2030. 

O objectivo principal desta Aliança Global contra a fome passa pela criação de projectos e políticas públicas que já foram aplicados com sucesso no combate à fome. Os países que enfrentam desafios específicos poderão escolher as medidas mais adequadas às suas necessidades e aproveitar os recursos disponibilizados pelas entidades participantes.

A meta é alcançar 500 milhões de pessoas e retirar todas as nações do mapa da fome, elaborado pela Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO). Esta iniciativa surge num contexto de retrocesso no combate à fome. Segundo um relatório da ONU de 2023, o mundo regrediu aos níveis de 2008, com 733 milhões de pessoas a passar fome.

Os líderes do G20 reúnem-se nesta segunda-feira, 18 de Novembro, no Rio de Janeiro para debater questões relacionadas com a cooperação, políticas económicas e ambientais.

Os chefes de Estado e de Governo das maiores economias, incluindo os presidentes das duas superpotências, o americano Joe Biden e o chinês Xi Jinping, devem tentar fazer avanços na questão dos financiamentos para as políticas ambientais.

O secretário-geral da ONU, António Guterres, pediu neste domingo, 17 de Novembro, no domingo aos líderes do G20 para que assumam a “liderança” e façam “compromissos” para permitir “um resultado positivo na COP29”, a conferência sobre o clima em Baku onde as negociações estão paralisadas há uma semana.

Os membros do G20 (19 países, bem como a União Europeia e a União Africana) representam 85% do PIB global e 80% das emissões de gases com efeito de estufa.

A invasão russa da Ucrânia e a ofensiva israelita em Gaza e no Líbano são outras questões que vão ser debatidas no G20. A reunião de alto nível acontece no dia em que Washington autorizou a Ucrânia a usar mísseis de longo alcance contra a Rússia. ANG/RFI

 

COP29/“Precisamos de soluções de curto a médio prazo” para fazer face às alterações climáticas

Bissau, 19 Nov 24 (ANG) - Os ministros dos países membros do Acordo de Paris têm até sexta-feira para definir como financiar um trilião de dólares por ano.

O secretário executivo da ONU para o Clima, Simon Stiell, pediu menos “teatro” e mais acção. Nélio Zunguza, economista agrário moçambicano e coordenador executivo da Plataforma Juvenil para Acção Climática YCAC MOZ lamenta que os mais altos representantes das nações tenham escolhido ir ao Brasil, ao G20, em vez de virem à COP29.

Na base da discórdia está o clássico pingue-pongue entre países ricos e o resto do mundo, com o financiamento e os esforços de redução de emissões de gases a serem empurrados de um lado para o outro.

Mas se as decisões se querem em Baku, o dinheiro e poder estão concentrados, até esta terça-feira, no Rio de Janeiro, na cimeira do G20, onde o secretário-geral da ONU, António Guterres, pediu “compromissos” para salvar a COP29.

A participar na cimeira do clima, no Azerbaijão, está Nélio Zunguza, economista agrário moçambicano e coordenador executivo da Plataforma Juvenil para Acção Climática YCAC MOZ. Em declarações à RFI, lamenta que os mais altos representantes das nações tenham escolhido ir ao Brasil ao G20, em vez de virem à COP29:

Nós vimos o número dos tomadores de decisão, ao mais alto nível que se deslocaram a esta COP, foi um número bastante reduzido para as últimas duas COP’s que eu pude assistir e isso já é um sinal. Mas, entretanto, começou recentemente o G20 e temos a China, os Estados Unidos, ao mais alto nível de representação.

Qual é a mensagem que queremos transmitir?

Será que as COP’s ainda têm relevância? O que é que se pretende? Se têm, como é que isso se torna efectivo? 

Numa COP em que o objectivo único é o financiamento, até agora não estamos a ter clareza em termos de estrutura, de como é que esse financiamento estará disponível. E estamos a precisar de recursos para responder aos eventos climáticos extremos.

Nélio Zunguza integrou igualmente um painel intitulado “O impacto das políticas climáticas da União Europeia nos países em desenvolvimento: o do CBAM (Mecanismo de ajustamento carbónico fronteiriço) em Moçambique. 

O encontro teve em foco o CABM e estivemos a conversar com jovens moçambicanos e jovens europeus, sobre quais seriam as implicações reais sob o ponto de vista socioeconómico para a vida dos jovens, mas também olhando para aquilo que é o contrabalanço em termos de ganhos ambientais nesta jornada de transição justa, principalmente para Moçambique. 

A COP29 decorre até dia 22 de Novembro em Baku, capital do Azerbaijão. ANG/RFI

 

Bélgica/João Gomes Cravinho é o novo representante especial da União Europeia para o Sahel

Bissau, 19 Nov 24 (ANG) -  Os responsáveis pela diplomacia europeia nomearam  segunda-feira, o antigo ministro português dos Negócios Estrangeiros para o cargo de representante especial da União Europeia para o Sahel.

João Gomes Cravinho assume o cargo já no próximo mês de Dezembro, devendo permanecer em funções até Agosto de 2026.

Em comunicado, a instituição refere que o novo responsável vai trabalhar para o alcance da “paz duradora, estabilidade e desenvolvimento desta região, que integra o Burkina Faso, o Chade, Mali, a Mauritânia e o Níger, estratégica em termos de segurança.

Enquanto representante especial da União Europeia para o Sahel, João Gomes Cravinho vai colaborar com os países da bacia do Lago Chade, outros países e entidades regionais ou internacionais dentro e fora da região, incluindo o Magrebe e o Golfo da Guiné e os países vizinhos afetados pela dinâmica do Sahel", avança o documento.

De acordo com a agência de notícias Lusa, a nomeação do antigo ministro português dos Negócios Estrangeiros já tinha sido acordada na semana passada, mas foi oficializada hoje, em Bruxelas, com João Gomes Cravinho a assumir o cargo no próximo mês de Dezembro, devendo permanecer em funções até Agosto de 2026.

A região do Sahel atravessa actualmente várias crises simultâneas, como a crise de segurança com ataques regulares perpetrados por grupos armados e terroristas contra civis e forças de segurança, acrescentando-se a vaga de golpes de Estado. Para além da Guiné Conacri houve registo de três golpes militares no Burkina Faso, no Níger e no Mali.

No passado mês de Outubro, em declarações à agência de notícias Lusa, João Gomes Cravinho considerou que a Europa é o único continente que será capaz de resolver os problemas desta região.

"Trabalho não me vai faltar, e importância estratégica da região para a Europa também não; se não tomarmos conta disto, e mais ninguém vai tomar, porque os Estados Unidos olham para o Sahel como um problema que afeta a Europa, a NATO também não tem instrumentos nem vocação para trabalhar aqui, portanto é a União Europeia que tem de usar os seus instrumentos para gerar uma dinâmica diferente na região", disse.

Desde 2014, que a União Europeia e os Estados-membros disponibilizaram cerca de 8 mil milhões de euro para apoiar a segurança, a defesa, assistência humanitária e desenvolvimento da região.ANG/RFI

        Senegal/ Projeções dão Pastef como vencedor das legislativas

Bissau, 19 Nov 24 (ANG) - O partido no poder no Senagal -Pastef- é dado como o grande vencedor das eleições legislativas antecipadas de domingo(17).

 De acordo com as projecções publicadas hoje pela imprensa senegalesa, o Pastef deverá obter " maioria absoluta" no Parlamento.

A Rádio RFM atribui ao Pastef 119 dos 165 assentos, o site de informação Dakaractu avança que o partido no poder  terá obtido até 131 deputados e o diário governamental "Le Soleil" fala “na onda do Pastef”. 

Os dois dos principais líderes da oposição, o presidente da câmara de Dakar, Barthélémy Dias e Amadou Ba, ex-primeiro-minsitro, bem como outros opositores felicitaram o Pastef. Apesar do escrutínio ter decorrido sem qualquer incidente, a coligação Takku Wallu Senegal do ex-Presidente Macky Sall, denunciou num comunicado de imprensa uma “fraude massiva organizada pelo Pastef”.

Os órgãos eleitorais têm até amanhã à noite, 19 de Novembro, para publicar os resultados oficiais provisórios a nível departamental, todavia as sondagens apontam para uma provável vitória “esmagadora” do partido no poder. Este resultado vai permitir ao chefe de Estado e chefe do executivo implementar "o programa político e reformas de transformação do país".

Cerca de 7,3 milhões de eleitores foram chamados às urnas no domingo, para eleger 165 deputados e decidir se dariam ou não os meios para a dupla- Bassirou Diomaye Faye e Ousumane Sonkocumprir as promessas de melhorar a vida de uma população, cuja grande parte luta diariamente para sobreviver. O chefe de Estado e chefe do executivo querem partilhar os rendimentos dos recursos naturais, como os hidrocarbonetos e a pesca, combater a corrupção, transformar o Estado e o sector da justiça. ANG/RFI

Política/Presidente da República volta convocar PAI Terra Ranka para auscultações sobre nova data das legislativas

Bissau,19 Nov 24(ANG) - O Presidente da República, Umaro Sissoco Embaló, recebe esta terça-feira em audiências separadas, os partidos políticos com representação parlamentar para a marcação da data das eleições legislativas antecipadas.

De acordo com a agenda enviada a ANG pelo Gabinete de Comunicação e Relações Públicas da Presidência da República, os encontros vêm na sequência do adiamento, alegadamente por falta de condições técnicas, da ida às urnas inicialmente prevista para 24 de novembro deste ano.

No entanto, Umaro Sissoco Embaló, desta vez, vai ouvir a Coligação PAI Terra Ranka, que tinha excluído do último encontro com os partidos, após os vendedores das últimas legislativas terem faltado à anterior convocatória do Chefe de Estado.

O Movimento para Alternância Democrática (MADEM-G15), o Partido da Renovação Social (PRS), o Partido dos Trabalhadores Guineenses (PTG) e a Assembleia do Povo Unido-Partido Democrático da Guiné-Bissau (APU-PDGB) também serão ouvidos por Sissoco Embaló.

Cada formação política terá dez minutos para discutir com o Presidente da República a nova data das eleições, indica a agenda oficial disponibilizada pela Presidência guineense.

Umaro Sissoco Embaló receberá ainda esta terça-feira, a Comissão Nacional de Eleições (CNE), órgão de gestão eleitoral caduco há mais de dois anos, e que está a ser contestado pelos partidos políticos que se opõem ao regime de Embaló.ANG/ÂC


 CAN-2025/ Selecionador nacional promete lutar pela vitória para marcar presença na competição  

 Bissau,19 Nov 24(ANG) - O selecionador nacional de futebol, Luís Boa Morte, prometeu lutar pela vitória diante da seleção de Moçambique para que a Guiné-Bissau possa marcar a quinta presença consecutiva no Campeonato Africano das Nações, o CAN-2025, a realizar-se em Marrocos.

“Posso prometer que a equipa vai-se dedicar, vai-se entregar e vai tentar ganhar o jogo, porque é a vitória que nos interessa e é o que queremos e vamos trabalhar neste para tentar conseguir os três pontos de forma a nos garantir o apuramento para o CAN”, afirmou.

Luís Boa Morte falava segunda-feira em conferência de imprensa de antevisão do jogo de hoje, terça-feira, frente a seleção de Moçambique a contar para a sexta jornada do grupo I da fase de qualificação para a maior competição de futebol em África

“Todo o povo da Guiné-Bissau quer o os três pontos para alcançarmos o apuramento e agora vamos trabalhar, porque sabemos que vamos encontrar uma boa equipa que pratica um bom futebol, mas vamos só pensar em nós e menos no adversário e fazermos o que está ao nosso alcance”, disse.

A partida entre as duas seleções lusófonas que será disputada no Estádio Nacional 24 de Setembro em Bissau, será crucial para uma  das duas seleções garantir uma vaga para o próximo CAN.

Apesar do seu otimismo em garantir o apuramento para a competição organizada pela Confederação Africana de Futebol (CAF), Boa Morte lamenta a falta de eficácia dos avançados em fazer golos neste fase da qualificação, principalmente no último jogo frente a seleção de Eswatini na semana passada, onde a Guiné-Bissau desperdiçou várias ocasiões de golo e perdeu oportunidade de encurtar a distância na tabela classificativa em relação a seleção de Moçambique.  

Questionado se está preocupado com este embate frente a seleção moçambicana, o selecionador nacional garantiu que o grupo está focado no seu objetivo de garantir o apuramento para a competição que será disputada em 2025. 

“Se só a vitória nos interessa para estarmos presentes no CAN, temos que ir a procura da vitória. É imperativo. Caso de vida ou morte. A agente não pode definir o futebol pela vida ou morte, mas temos que ir a procura do objetivo para conseguir os três pontos no sentido de marcar a presença no CAN”, explicou.

Esta conferência de imprensa que foi antecedida pelo último treino da seleção nacional, o técnico nacional foi acompanhado pelo internacional guineense, Jefferson Encada. O jovem defesa direito, um dos melhores jogadores da Guiné-Bissau nos últimos tempos, não jogou na última partida diante do Eswatini por causa de visto para entrar na África do Sul.

Na sua curta declaração, Encada começou por enaltecer o adversário pela qualidade que tem demonstrado, mas garantiu o grupo vai lutar pelo três pontos para marcar a presença no CAN.

A Seleção de Moçambique, que chegou na madrugada de segunda-feira a Bissau, realizou ainda ontem o treino de adaptação aos relvados de Estádio Nacional 24 de Setembro.

Refira-se que, na atual tabela classificativa, a equipa de Moçambique ocupa o segundo lugar com oito pontos, menos três do que o já qualificado Mali e mais três do que a Guiné-Bissau que, em terceiro lugar, ainda tem hipóteses de qualificação.

Com apenas dois pontos e já sem chances de apuramento, Eswatini está em quarto e último lugar e fecha a campanha visitando o Mali, na terça-feira, à mesma hora que os Mambas jogam na Guiné-Bissau.

Na partida de hoje em Bissau, é fundamental os Djurtus vencerem a partida e marcar muitos golos para garantir um lugar no próximo CAN’2025 a realizar-se em Marrocos.

Os dois primeiros classificados de cada um dos 12 grupos apuram-se para a fase final do CAN. A Guiné-Bissau, com uma nova estrutura técnica, busca a quinta qualificação consecutiva para o CAN, uma vez que esteve presente nas últimas quatro edições desta prova, mas nunca apurou-se para fase seguinte da prova.

O maior torneio africano de futebol disputa-se de 21 de dezembro de 2025 a 18 de janeiro de 2026, em Marrocos.ANG/O Democrata

 

segunda-feira, 18 de novembro de 2024


Saúde Pública
/ “O Hospital Regional de Canchungo funciona com  médicos e enfermeiros residentes  em Bissau e muitos não comparecem à tempo ao serviço”, diz  Diretor- geral

Bissau, 18 Nov 24 (ANG) – O Diretor-geral do hospital regional de Canchungo “Buota Na Fantchamna” revelou que o estabelecimento sanitário funciona com médicos e enfermeiros com residência fixa em Bissau o que esta situação tem reflexos negativos no funcionamento deste hospital.

Estevão Malú fez a revelação em entrevista ao Jornal Nô Pintcha, e   pediu a intervenção do governo   para , o mais rápido possível, acabar com esta situação que diz, configurar uma “anarquia”.

“Cada um faz o que bem lhe apetece e ninguém quer ser advertido. Estamos à beira do colapso, caso a situação não for solucionada", diz Malú.

O hospital regional de Canchungo dispõe de 11 médicos, 27 enfermeiros e quatro analistas, mas todos eles com residências fixas em Bissau", lamentou.

De acordo com Estevão Malú, esta situação reflete negativamente no funcionamento do hospital, porque, momentos houve em que alguns não conseguem comparecer ao serviço, e Malú diz que estas ausências têm sido recorrentes.

"Estamos a trabalhar num regime bastante pesado e sobrecarregado. Digo isso, porque mais de metade desses técnicos não moram em Canchungo, de maneiras que é difícil residir na capital e trabalhar no interior, sobretudo num pais onde as estradas apresentam péssimas condições sem falar dos imprevistos, portanto, o melhor é residir na zona onde foi colocado", disse.

Malú prossegue dizendo que  essa atitude de alguns técnicos colide com a ética e deontologia profissional, o que diz ser  inaceitável.

Disse que  é preciso disciplinar a Administração Pública no seu todo, e que sem isso, será difícil falar do progresso e do desenvolvimento em todos os setores.

Segundo o diretor-geral, a falta de responsabilização está a corroer a Função Pública e incentivar a corrupção ao mais alto nível, pelo que defende a aplicação de sansão às pessoas que, sistematicamente, ausentam-se nos seus postos de serviços.

"A situação deplorável em que se encontra alguns hospitais e centros de saúde do interior é por falta de controlo rigoroso dos recursos humanos a nível da Administração Pública. Os técnicos levam mais horas de serviços nas clinicas privadas, um comportamento que está a prejudicar o serviço público de saúde", denunciou.

Nesta entrevista concedida ao jornal Nô Pintcha, o diretor-geral do hospital regional Bouta  Na Fantchamna falou sobre a  falta de meios e segurança, e revelou que se deparam  com enormes dificuldades em termos de funcionamento.

"Além de insuficiência de pessoal técnico, também confrontamos com a falta de colchões, materiais hospitalares, medicamentos e a luz elétrica, essa última tem a ver com a dívida que a antiga direção contraiu com o dono do gerador que fornecia energia ao hospital.

Além dessa situação, contou que têm dificuldades relacionadas com  o abastecimento regular de água potável, aliás, houve tempo em que o hospital ficou oito meses sem água. Para sanear a situação a direção  adquiriu  um gerador com capacidade de abastecer todo o hospital, porque têm equipamentos que a energia gerada por painéis solar não consegue arrancar.

“Acresce a esses condicionalismos a situação de casas de banho que estão quase disfuncionais, devido à falta de meios para sua manutenção, isso para não falar do edifício do hospital que está numa fase avançada de degradação, com as paredes escombradas e a pintura totalmente envelhecida.

Malú disse que há uns meses, o Projeto Saúde é a Vida doou uma quantidade de baldes de tintas de óleo, orçado em mais de 587 mil francos CFA para reabilitar a pediatria.

Sobre a questão de segurança, o diretor-geral disse que algumas pessoas transformaram o hospital no local de furto e, em consequência, vários materiais hospitalares foram subtraídos, nomeadamente colchões, portas, janelas, entre outros.

De acordo com aquele responsável,  a direção não tem condição para garantir a segurança, e os malfeitores se aproveitam dessa situação, ao calar da noite, para praticar roubo. O mais caricato, diz, é que alguns pacientes, ao receberem alta, embrulham cobertores e outros materiais e levam para casa.

Em relação à capacidade do hospital de resposta aos desafios sanitários, Estevão Malu assegurou que a maioria dos materiais ali instalados já estão fora de uso.

A título de exemplo apontou o  aparelho de ecografia, que, segundo disse, para fazer leitura dos resultados são obrigados a escrevê-los à mão, uma prática que diz estar em desuso.

Segundo Estevão Malú,  com esses velhos aparelhos, os médicos levam horas e horas a espera dos resultados de análises para poder concluir os diagnósticos. ANG/ Nô Pitcha

Agricultura/Tiniguena e PADES assinam Convenção Operacional para as regiões de Bolama e Quinará

Bissau,18 Nov 24(ANG) - A ONG Tiniguena e o Projeto de Apoio ao Desenvolvimento Econômico das Regiões do Sul (PADES) assinaram no fim de semana um acordo que visa apoiar o aumento da produção agrícola, segurança alimentar e a diversificação do rendimento dos agricultores nas regiões de Bolama-Bijagós concretamente nos setores de Bolama, Uno e Bubaque, e em Tite e Empada, na Região de  Quinará.

Segundo o site da Tiniguena,  Miguel de Barros, Diretor Executivo foi quem assinou para a  ONG e da parte do PADES,assinou Adelino das Neves Nunes Correia, coordenador do projeto.

Para além de PADES, a Tiniguena também assinou a mesma Convenção Operacional com os seus parceiros de implementações locais nomeadamente para o sector de Tite, com a Associação Nacional para o Desenvolvimento Local Urbano (NADEL), para setor de Bolama, com a Associação de Profissionais para o Desenvolvimento Local e Promoção Económica (APRODEL).

E para o setor de Empada com a Associação Nacional para o Combate à Pobreza e Fome na Guiné Bissau (ANCOPF-GB).

Os acordos visam reforçar as capacidades técnicas e de gestão de projetos e a proteção do meio ambiente e respeito aos direitos sociais das referidas  organizações sociais.

Os setores de Uno e Bubaque têm a intervenção direta da própria Tiniguena.

O referido Plano Operacional prevê  a integração do desenvolvimento das empresas rurais nas cadeias de valor agrícola, reabilitação comunitária dos perímetros das bolanhas, adoção de práticas modernas avançadas na agricultura e horticultura, e o melhoramento dos caminhos rurais, não só nas políticas publicas locais mas também ao nível nacional.

Ainda  prevê a adoção de práticas de gestão ambiental e adaptação às mudanças climáticas sob planos de gestão ambiental adotados localmente.

A convenção válida para um período de 12 meses, (Novembro de 2024 a Novembro de 2025) é financiada pelo Fundo Internacional para o Desenvolvimento da Agricultura (FIDA).ANG/ÂC//SG

 

Brasil/Cúpula do G20 põe à prova papel de Lula como líder mundial, enquanto COP29 segue em impasse

Bissau, 18 Nov 24 (ANG) - Lideranças das 20 maiores economias do mundo chegaram no domingo (17) no Brasil para a cúpula do G20, que começa hoje(18), no Rio de Janeiro.

O evento será uma prova de fogo para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva mostrar o Brasil como um grande ator global, apesar de percalços de Brasília na diplomacia desde que ele voltou ao poder.    

Dois anos depois de anunciar ao mundo que "o Brasil voltou", após o isolamento do país durante o governo do ex-presidente de extrema direita Jair Bolsonaro, Lula se mostra orgulhoso de ser o anfitrião do grande evento – e exatamente um ano antes de receber a Conferência do Clima sobre mudança climática (COP30) em Belém, além da cúpula do Brics.

O presidente, de 79 anos, pedirá que os líderes dos países mais ricos do mundo se comprometam com uma aliança contra a fome e promovam um imposto aos super-ricos, dois projetos emblemáticos da presidência brasileira do G20. Os dois projetos conquistaram inúmeros apoios durante as negociações prévias, realizadas ao longo do ano.

Ele também os incentivará a fazer mais contra as mudanças climáticas, em um momento em que o Brasil registra avanços nesta área, com a redução do desmatamento, e enquanto as negociações na COP29 sobre o clima encontram-se bloqueadas em Baku, no Azerbaijão.

O meio ambiente "foi a agenda em que o governo Lula mais avançou", disse à AFP Roberto Goulart Menezes, coordenador do Núcleo de Estudos Latino-Americanos da Universidade de Brasília (UnB).

Lula busca se estabelecer como líder mundial na luta ambiental e pode se orgulhar de a Amazônia brasileira ter registrado o menor desmatamento em 12 meses nos últimos nove anos, apesar dos incêndios e de uma seca recorde este ano, ligados ao aquecimento do planeta.

O Brasil também aumentou sua meta de redução de emissões de carbono e propôs mecanismos financeiros inovadores para conseguir aumentar a proteção das florestas mundiais.

A eventual saída de Washington do Acordo de Paris sobre o clima, após o retorno de Donald Trump à Casa Branca, abre a porta para reforçar ainda mais a liderança do Brasil nesta frente.

As tensões diplomáticas ligadas ao aquecimento global serão discutidas como prioridade na cúpula, enquanto a COP29 permanece em um impasse nas questões de financiamento climático. Ao lado do combate à fome e a pobreza, e a reforma das instituições globais, as mudanças climáticas fecham o trio das prioridades de Brasília à frente do G20 este ano.

 

Os países do G20 representam 85% da economia global e são também responsáveis ​​por mais de três quartos das emissões mundiais de gases com efeito de estufa. São também os maiores contribuintes para os bancos de desenvolvimento que impulsionam o financiamento necessário para combater o aquecimento global.

“Todos os países devem fazer a sua parte, mas o G20 deve dar o exemplo”, disse o secretário-geral da ONU, António Guterres, na semana passada, em seu discurso em Baku. “São os maiores emissores, com maiores capacidades e responsabilidades”, acrescentou.

Chegar a um acordo torna-se ainda mais difícil com o esperado regresso ao poder do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que se prepara para retirar mais uma vez o país do Acordo de Paris sobre o clima, como fez durante o seu primeiro mandato na Casa Branca.

O secretário-executivo da ONU para o clima, Simon Stiell, escreveu uma carta aos líderes do D20 no sábado, implorando-lhes que agissem em relação ao financiamento climático, inclusive aumentando os subsídios aos países em desenvolvimento e ao avanço das reformas dos bancos multilaterais de desenvolvimento. 

No entanto, os mesmos combates que têm atormentado a COP29 desde o seu lançamento, na semana passada, se repercutem nas negociações do G20, segundo diplomatas próximos das reuniões no Rio.

 

O Brasil reafirmou neste sábado (16) que os países emergentes não estão dispostos a contribuir para o financiamento contra as mudanças climáticas, mas espera destravar na cúpula essa questão crucial para as negociações da COP29.

Os países desenvolvidos, principalmente os europeus, têm pressionado para que grandes nações em desenvolvimento, como China, Índia, Turquia e o próprio Brasil, também destinem recursos para enfrentar os problemas ambientais em países de baixa e média renda.

Mas estes países mantêm sua posição contrária à participação das nações em desenvolvimento no financiamento climático, sob o argumento de que os países desenvolvidos são historicamente os principais responsáveis pelas emissões que causaram o aquecimento global – um princípio sacramentado no Acordo de Paris.

Lula tem tentado restabelecer sua imagem de diplomata carismático e hiperativo, focado no Sul global, o que fez com que Barack Obama o chamasse de "o político mais popular da Terra" em seus dois primeiros mandatos (2003-2010).

Depois de tomar posse, em janeiro de 2023, o presidente dedicou-se a "reconstruir pontes" após "os problemas deixados pelo governo anterior em política externa", explicou à AFP o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira. Agora "o Brasil voltou a ocupar seu papel tradicional, de parceiro confiável da comunidade internacional e construtor de consensos" (...) "com todos os atores e blocos relevantes do mundo", destacou o chanceler brasileiro.

Lula "representa os interesses dos mercados emergentes, mas também tenta construir pontes", acrescentou uma fonte do governo alemão, antes do G20.

"É difícil negar que 'o Brasil voltou'", diz Michael Shifter, do think tank Diálogo Interamericano. No entanto, "ele cometeu alguns erros", observa o analista à AFP.

O presidente foi muito criticado por ter declarado que Rússia e Ucrânia compartilhavam a responsabilidade pela guerra, o que o levou a "limitar os danos" e condenar a invasão russa, complementou Shifter.

Ao contrário da maioria dos países ocidentais, aliados incontestáveis de Kiev, o Brasil optou por promover, com a China, uma proposta de paz que não teve resposta até agora, ao mesmo tempo que mantém contatos com o presidente russo, Vladimir Putin.

Segundo o ex-diplomata e professor Paulo de Almeida, o "antiamericanismo" de Lula explica sua posição nesse conflito, assim como em relação a Israel. O presidente brasileiro classifica insistentemente a campanha militar israelense como um "genocídio". Os confrontos entre os dois países levaram à retirada mútua de seus representantes diplomáticos.

  Venezuela é outra frente incômoda para Lula, que não reconhece a reeleição de Nicolás Maduro nem apoia as denúncias de fraude da oposição nas eleições de julho. O brasileiro tentou uma mediação que não deu frutos e acabou o afastando da posição da maioria dos países da região e do Ocidente, ao mesmo tempo que provocou tensões na relação com Caracas.

Para Shifter, o presidente "demonstrou-se relutante em empreender um esforço diplomático sério para combater a fraude flagrante e a repressão crescente de Maduro".

A Venezuela tem sido "uma oportunidade perdida para Lula", avalia o especialista, embora recentemente ele tenha endurecido sua posição a ponto de vetar a entrada de Caracas no Brics.

Sobre essas questões delicadas, o ministro Mauro Vieira afirma que "nem o Brasil nem o presidente Lula prometeram fazer milagres e resolver problemas tão complexos de forma voluntária ou mágica".ANG/RFI/AFP

                         Senegal/Partido no poder está bem na contagem

Bissau, 18 Nov 24 (ANG) -  O partido Pastef, liderado pelo primeiro-ministro Ousmane Sonko, obteve uma grande maioria de assentos na Assembleia Nacional do Senegal após as eleições legislativas antecipadas organizadas no domingo, de acordo com resultados parciais e provisórios .

Na maioria dos resultados das eleições legislativas antecipadas de domingo, o partido no poder, Pastef, é frequentemente seguido pelas coligações Sàmm Sa Kàddu e Takku Wallu Sénégal, lideradas respetivamente pelo presidente da Câmara de Dakar, Barthélémy Dias, e pelo ex-presidente do Senegal, Macky Sall. , de acordo com estes resultados publicados pela Agência Senegalesa de Imprensa (APS).

A lista de Jàmm Ak Njariñ do ex-primeiro-ministro Amadou Ba também desempenha papéis de apoio ao lado dos de MM. Barthelemy Dias e Macky Sall, segundo a imprensa pública.

As primeiras tendências desta eleição colocam assim o partido no poder, Pastef, bem à frente, reconheceram vários líderes da oposição na noite de domingo, antes da proclamação dos resultados oficiais.

Cerca de 7,3 milhões de eleitores foram chamados no domingo para eleger 165 deputados que exercerão mandatos de cinco anos, incluindo 15 responsáveis ​​por representar os cidadãos do país residentes no estrangeiro.

Barthélémy Dias e Amadou Ba, líderes respectivamente das listas Samm Sa Kaddu (Cumpra a sua promessa) e Jamm ak Njariñ (Paz e Segurança), enviaram as suas felicitações a Pastef que consideram ser o “vencedor” das eleições legislativas antecipadas convocadas pelo chefe de Estado Bassirou Diomaye Faye.

Amadou Ba, chefe de lista da coligação Jàmm Ak Njariñ, por sua vez elogiou o significado histórico desta eleição. “Este momento, para além das divisões, é uma vitória para a nossa democracia e para o Senegal. Ele nos lembra que a essência da política é servir, ouvir e construir juntos”, declarou o ex-primeiro-ministro do regime de Macky Sall, o ex-presidente que também é cabeça de lista da coligação Takku-Wallu Senegal. .

“Além das competições eleitorais, é o Senegal que deve sempre vencer, e é o Senegal que voltou a ganhar hoje”, sublinhou Ba, na rede X, felicitando o partido Pastef pela vitória assinalada na fase das primeiras contagens. .

O partido Pastef derrotou MM. Dias e Ba em suas assembleias de voto, segundo resultados parciais.

Bougane Gueye Dany, 11º na lista Samm Sa Kaddu e líder do movimento Gueum Sa Bopp Les Jambars, também saudou a escolha do povo. “Os senegaleses votaram e confirmaram a sua escolha de 24 de março”, onde também elegeram o candidato do Pastef, Bassirou Diomaye Faye, durante as eleições presidenciais, com mais de 54% dos votos.

Anta Babacar Ngom, também membro da coligação Samm Sa Kaddù, por seu lado, reconheceu a vitória de Pastef ao mesmo tempo que saudou o vigor democrático do Senegal.

Por sua vez, Bougane Guèye Dani, líder do movimento Gueum Sa Bopp, enviou as suas felicitações a Ousmane Sonko, ao mesmo tempo que instou a nova maioria a corresponder às expectativas do povo.

Quarenta e uma listas de partidos ou coligações de partidos participaram nesta votação legislativa antecipada.

Cento e doze assentos são preenchidos por votação em lista majoritária. A lista que ficar em primeiro lugar em cada um dos 46 departamentos do país obtém todos os assentos em jogo, perfazendo um total de 112 assentos distribuídos de acordo com a demografia e o peso económico de cada distrito eleitoral. Cinquenta e três cadeiras são preenchidas por representação proporcional. ANG/FAAPA

França/Macron expõe a Milei oposição francesa a acordo UE-Mercosul, pressionado por protestos de agricultores

Bissau, 18 Nov 24 (ANG) - O presidente francês, Emmanuel Macron, reuniu-se no domingo (17) em Buenos Aires com o presidente argentino, Javier Milei, com o duplo objetivo de “defender” os agricultores franceses mobilizados contra o acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul e de convencer o líder ultraliberal a não abandonar o combate às mudanças climáticas.

A viagem de Macron, no contexto da cúpula do G20 que acontece esta semana no Rio de Janeiro, é marcada pela pressão da Comissão Europeia para ratificar o tratado até o fim deste ano.

O texto foi assinado em 2019, mas jamais foi ratificado. Pelo lado brasileiro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva também desejava concluir o processo de ratificação em 2024, apoiado por potências europeias como a Alemanha e a Espanha.

Na França, entretanto, a oposição segue intacta.. Mais de 80 manifestantes de agricultores estão previstas em todo o país nesta segunda-feira(18) e terça-feira(19), com possíveis bloqueios de rodovias. Menos de um ano depois de uma onda de indignação no campo, que resultou em janeiro de 2024 no bloqueio de autoestradas francesas, a Federação Nacional dos Sindicatos dos Agricultores (FNSEA) e o seu aliado Jovens Agricultores (JA) optaram por relançar o movimento.

O acordo com o Mercosul não é o único alvo: eles também denunciam os impactos da colheita ruim de 2024, os prejuízos ligados às novas doenças animais e a pressão, por parte dos varejistas, de venderem a preços cada vez mais baixos.

Neste contexto, os produtores rurais temem os efeitos da entrada de carne latino-americana no bloco europeu livres de impostos e alertam sobre a concorrência desleal dos produtos, que não estão sujeitos às rigorosas normas ambientais e sanitárias em vigor na Europa.

Em Buenos Aires e depois no Rio de Janeiro, Emmanuel Macron será o porta-voz desta rejeição, ainda que ele deva convencer principalmente os outros europeus a não ignorarem a oposição francesa. O presidente insiste que Paris rejeita o texto “tal como está” e exige que sejam incluídos o respeito às mesmas normas europeias, além do Acordo de Paris sobre o clima.

No domingo, depois de uma homenagem simbólica às vítimas francesas da ditadura militar argentina, o chefe de Estado francês foi recebido por Milei na Casa Rosada, o palácio presidencial argentino. Foi o segundo tête-à-tête entre os dois neste fim de semana, depois de um jantar no sábado (16), no início da viagem de seis dias de Macron pela América Latina.

 “Vamos falar dos nossos interesses comerciais, do nosso comércio, da defesa da nossa agricultura e dos nossos agricultores”, havia antecipado Macron nas redes sociais, antes de aterrissar na Argentina. “Nem sempre pensamos a mesma coisa sobre muitos assuntos, mas é muito útil trocar ideias para nos prepararmos” para o G20”, do qual os dois líderes participarão na segunda e terça-feira, no Brasil.

A presidente da Comissão Europeia, Ursula van der Leyen, também participa da cúpula, em nome do bloco europeu.

A União Europeia parece determinada a concluir um acordo de comércio livre com o Mercosul, apesar da oposição da França. Entenda como isso poderia ocorrer:

A Comissão Europeia é a única negociadora dos acordos comerciais feitos pela União Europeia, após ter recebido um mandato dos Estados-Membros. Um primeiro acordo com o Mercosul foi concluído em 2019, mas até agora não foi ratificado para que entrasse em vigor.

O mandato adotado não pode, em princípio, ser modificado durante as discussões, lembrou esta semana a presidência húngara do Conselho da União Europeia, que reúne os líderes dos 27 países integrantes do bloco.

Uma vez concluída a negociação com o Mercosul, a Comissão coloca um projeto de texto sobre a mesa do Conselho para acordo.

A Comissão Europeia tem duas opções: pode enviar seu projeto de acordo como está ou dividi-lo em duas partes.

No primeiro caso, será necessário que este tratado de comércio livre seja ratificado pelos 27 parlamentos nacionais, porque contém elementos de competência nacional, como a proteção dos investimentos.

No segundo caso, o tratado é dividido em duas partes, incluindo uma parte estritamente comercial, a mais importante, que detalha todas as medidas relativas às trocas comerciais entre os dois blocos, da indústria aos serviços, passando pela agricultura.

A França alega que esta possibilidade é contrária ao mandato conferido pelos 27 países à Comissão. Esta opção permite a adoção do texto pelo Conselho da UE por maioria qualificada.

A Comissão ainda não indicou se vai tomar esta decisão, mas se optar por uma votação por maioria qualificada, buscaria acelerar o processo de tomada de decisão, travada pela oposição não só francesa, mas de outros países como Hungria, Polônia, Irlanda e Holanda.

Sim. Para isso, precisaria reunir uma minoria de bloqueio no momento da votação dos 27 países. A votação por maioria qualificada prevê adoção se 55% dos Estados-membros, ou 15 países, representando pelo menos 65% da população, votarem a favor.

Para evitar esta adoção, pelo menos quatro países devem ser reunidos – ou seja, mais ao menos três além da França. Mas isso pode não ser suficiente: devem ser países com populações suficientes para impedir que os favoráveis ao acordo cheguem a 65% da população total da UE.

A França deve, portanto, reunir três outros países que não podem ser apenas Malta, Chipre ou Luxemburgo.

A Polônia e a Áustria manifestaram a sua oposição no passado, mas a pressão dos defensores, Alemanha e Espanha na liderança, tem sido muito forte no sentido de aprovarem o acordo.

O tratado, dividido ou não, deve ser ratificado pelo Parlamento Europeu. Nesta instância, a França tem outra possibilidade de bloquear o acordo, uma vez que os eurodeputados estão divididos sobre o tema.

A esmagadora maioria dis eurodeputados franceses, de todas as correntes políticas, é contra. Eles devem poder contar com o apoio de muitos dos eurodeputados da esquerda radical e ambientalistas.

Mas entre os representantes do centro, da direita e da extrema-direita, não há uma tendência de voto definida sobre o tema. ANG/RFI/AFP