Nepal/Após enchentes devastadoras no Himalaia, Governo pede 'compensação climática' a nações poluidoras
Bissau, 03 Set 26 (ANG) -Após as enchentes
devastadoras que deixaram mais de mil mortos no Nepal, equipes de resgate
seguem trabalhando na tentativa de localizar sobreviventes.
Em meio ao caos, a indignação cresce na capital
Katmandu contra os países que mais emitem gases poluentes, uma vez que as
mudanças climáticas são a provável causa do desastre, embora isso ainda precise
ser confirmado por cientistas.
Nesta quarta-feira (2), os ministro nepalês das
Relações Exteriores, Shisir Khanal, reforçou o pedido por uma “compensação”.
À frente dos protestos na esfera civil,
muitos jovens exigem que os maiores poluidores assumam a responsabilidade.
Eles argumentam que o Nepal é um dos
países com as menores emissões de carbono per capita do mundo — um índice
insignificante se comparado ao das nações industrializadas da América do Norte
ou da Europa.
"Não é justo. Justiça precisa ser
feita", diz indignado o advogado de 31 anos, Aayush, que vive no bairro
estudantil de Katmandu.
“Como país em desenvolvimento, o Nepal
não tem os recursos, a força de trabalho, a resiliência económica para
enfrentar tais crises”, complementa Suraj Raj Pandey, 29 anos. Suraj e seus
amigos fazem viagens frequentes a áreas afetadas para levar alimentos doados
pelos moradores de Katmandu.
De acordo com a plataforma de
pesquisa Climate Watch, China, Estados Unidos, Índia e os
países-membros da União Europeia estão entre os que mais emitem CO2 no planeta.
Diante disso, a juventude nepalesa reivindica que essas nações paguem reparações
financeiras ao Nepal pelo valor real do dano causado.
"Todos
os países que emitem grandes quantidades de carbono devem ser
responsabilizados. Afinal, não são eles que estão sofrendo", afirma
Aayush. "O que precisamos é reduzir as emissões de carbono, conter as
inundações e impedir o recuo das geleiras. Isso é o que mais importa — mais do
que nos enviar doações depois que já estamos contando nossos mortos".
O
número de mortes por conta da enchente chegou a 1.204, com 4.216 pessoas ainda
desaparecidas. O desastre ocorreu em 26 de Agosto, quando o colapso de uma
geleira na região do Himalaia, na fronteira com a China, desencadeou uma
gigantesca onda de água e detritos que atingiu cidades, vales e infraestruturas
próximas.
Em entrevista ao canal local Kantipur TV nesta quarta-feira (2), o
ministro nepalês das Relações Exteriores, Shisir Khanal, reforçou a ideia de
uma reparação aos danos climáticos e disse que o governo está oficialmente
adotando essa abordagem.
"As emissões de gases de efeito estufa do Nepal são
praticamente insignificantes. No entanto, estamos pagando o preço mais alto por
uma crise global que não criamos”, argumenta Khanal.
“Estamos mudando nossa abordagem diplomática de 'ajuda' para
'justiça e compensação'. Não se trata de caridade; trata-se de responsabilidade
jurídica e moral. Os grandes emissores industriais, como a China, maior
emissora do mundo, seguida pelos Estados Unidos em segundo lugar e pela Índia
em terceiro, têm a responsabilidade histórica de compensar nações vulneráveis como
o Nepal”, concluiu Khanal.
Ele acrescenta que o Ministério das Finanças “enviou uma carta
de solicitação formal de compensação climática aos nossos parceiros
internacionais”.
ANG/RFI

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