quarta-feira, 29 de março de 2023

Religão/Organização da Cooperação Islâmica(OCI) visita a Guiné-Bissau entre 07 e 10 de Abril

Bissau, 29 Mar 23 (ANG) – Uma delegação da Organização da Cooperação Islâmica(OCI) visita a Guiné-Bissau entre 07 e 10 de Abril estando previstas várias doações à instituições religiosas do país e concessão  de bolsas de estudo à membros da Juventude Islâmica da Guiné-Bissau.

“O objetivo da delegação que será chefiada pelo Presidente da OCI,  é de se inteirar da situação da juventude e  realizar algumas ações, nomeadamente uma conferência na atual Escola Nacional de Administração (ENA) sob o tema Juventude e Emprego, também está previsto a concepção de bolsas interna à cinco estudantes da ENA”, disse o porta-voz da Comunidade da Juventude Islâmica da Guiné-Bissau, Queba Coma, a saída da audiência com o PR.

Coma acrescentou que, no dia seguinte, a mesma delegação fará uma conferência na Escola Attadamu, sob  o tema  “Juventude, Religião e Modernismo” e diz que também serão atruibuídas 10 bolsas interna aos estudantes da mesma escola.

O porta-voz revelou que a delegação de OCI ainda prevê  visita às  escolas corânicas do país, as quais deverá fazer  ofertas de arroz e açucar, para além de deslocações à  quatro instituições de Ensino Àrabe e religioso, e dois internatos de memoralização do Alcorão.

Coma disse que, a delegação de OCI vai visitar escolas corânicas na qual pretendem propor que os estudantes que estiveram fora dos internatos corânicos, passarão a benefiaciar de pagamento de propina mensal. Tendo salientado que, se possível o pagamento de propinas anual será ainda melhor.

No âmbito dessa visita a Comunidade Nacional da Juventude Islâmica irá propor quatro projetos, sendo três  projetos pilotos e um será na área das pescas para a redução da pobreza.

Coma adiantou que, um dos três projetos pilotos será na área de agricultura e que será  destinada à 50  mulheres, em todo o país.

Disse  que o outro projeto piloto será de  capacitação da juventude nas áreas de ciências exatas, como por exemplo, nas áreas de  engenharia e de medicina, ou seja, áreas que entenderam  que o país tem carência de quadros.

Informou que, o terceiro e último projeto piloto que vão propor à delegação da OCI tem que ver com a construção de um Complexo Social para albergar a sede da Juventude Islâmica da Guiné-Bissau com um salão de conferências, uma bibliotéca, entre outras dependências.

O porta-voz, disse que durante a estada da delegação no país, a mesma terá encontro com as autoridades nacionais, nomeadamente com ministro da Cultura, Juventude, de Agricultura, dos Negócios Estrangeiros, com o Primeiro-ministro, Presidente de Assembleia Nacional Popular e finalmente com o Presidente da República.

Segundo Queba Coma, em princípio a delegação de OCI  deve efetuar uma visita ao interior do país, concretamente à Aldeia de Bidjini pertencente à região de Bafatá, local  em que  situa a mesquita mais antiga da Guiné-Bissau.

Coma contou que a delegação de OCI vai visitar igualmente Mesquita Central da cidade de Bafatá na qual será doado também arroz e açucar e que visitará  ainda o Centro Internato das Crianças Talibés, local onde  as crianças estão a apreender ler e intrepretar o Alcorão, o livro sagrado da religião muçulmana.

“Não queremos que as crianças talibés estejam nas ruas, por isso, teremos que criar os meios alternativos para que as crianças continuem a apreender ler e interpretar o Alcorão fora das mendigações nas ruas”, disse Queba Coma .

Recentemente o Presidente de República deu ultimato às mendigações das crianças talibés nas ruas a pedir esmolas. Na base da decisão de Umaro Sissoco Embaló, os imames nacionais e o governo reuniram e  chegaram ao consenso de que todos devem colaborar para pôr fim a prática  e preparar  um futuro melhor para essas crianças.

 A delegação da Juventude da Organização para a Cooperação Islâmica (OCI) vindo da Turquia,organização de que a Guiné-Bissau é membro, estará no país entre 07 e 10 de Abril. ANG/AALS/ÂC//SG

Sociedade/LGDH se congratula com decisão das autoridades nacionais de pôr fim  a mendicidade  de crianças talibés

Bissau, 29 Mar (ANG) - A Liga Guineense dos Direitos Humanos (LGDH) diz congratular com a decisão das autoridades nacionais de pôr fim a “mendicidade forçada e casamento infantil e forçado”, em cumprimento das suas obrigações internacionais.

O chefe de Estado guineense Umaro Sissoco Embaló ordenou   recentemente na região de Gabu, que  mestres corânicos e pais das crianças talibés que circulam nas ruas pedindo esmolas sejam  detidos caso essa prática prosseguir no país.

Em comunicado à imprensa à que  ANG teve acesso hoje, o organismo que defende os direitos humanos disse que a mendicidade forçada e casamento infantil e forçado constituem práticas tradicionais frequentes no país, e que  consubstanciam uma afronta à dignidade das crianças e mulheres, por isso considera de  corajosa a decisão das autoridades.

No documento, a LGDH disse que, no  âmbito da sua missão de promoção e proteção dos direitos humanos, tem denunciado, sistematicamente, a prevalência destas práticas na Guiné-Bissau, tendo, sucessivamente, exortado às autoridades nacionais no sentido de adoptarem mecanismos adequados com vista a erradicação dessas práticas no país.  

Para a LGDH, a mendicidade forçada não passa de um crime público de exploração de mão de obra infantil para assegurar as mordomias e o sustento de alguns adultos que fazem desta prática um meio de sobrevivência.

“Com efeito, as medidas anunciadas devem ser enquadradas numa estratégia global duradoura e sustentável de proteção das crianças, que inclui a aprovação de uma legislação incriminadora da mendicidade forçada e casamento infantil”, defende a LGDH na nota. 

A ordem do Presidente da República está a ser cumprida pelas autoridades religiosas e policiais.ANG/LPG/ÂC//SG

          CPLP/Guiné-Bissau acolhe exercício militar dos países lusófonos

Bissau, 29 Mar 23 (ANG) - A Guiné-Bissau acolhe, pela primeira vez, o exercício Felino que consiste em juntar militares dos países da comunidade lusófona para alguns dias de treino e ações simuladas de intervenções em missões de apoio à paz e de ajuda humanitária.

Neste exercício conjunto, vai testar-se a capacidade operacional e táctica dos militares em situações extremas de missões, por exemplo, sob a égide das Nações Unidas. Neste encontro de Bissau, que decorre durante três dias, estão reunidos cerca de 60 militares, na sua maioria guineenses.

O general Samuel Fernandes, porta-voz do Estado-Maior das Forças Armadas da Guiné-Bissau detalhou do que se trata o exercício Felino.

"Os exercícios militares foram conceptualizados pelas autoridades militares da CPLP em cumprimento das orientações emanadas pelos respectivos ministros da Defesa com a finalidade de gerar e aperfeiçoar as capacidades tácticas dos Estados-membros, promovendo a normalização de doutrinas tácticas tecnicas e procedimentos de forma  a formar uma força de tarefa conjunta de apoio à paz e humanitária sob a égide das Nações Unidas", declarou o militar.

Angola, São Tomé e Príncipe, Guiné Equatorial e Moçambique não vão participar no exercício que decorre em Bissau. Não foi explicado o motivo destas ausências. ANG/RFI

 

   Moscovo/  Suécia e Finlândia ameaçadas em caso de adesão à NATO

Bissau, 29 Mar 23 (ANG) - O embaixador da Rússia na Suécia disse que tanto a Suécia como a Finlândia se tornariam "alvos legítimos" de "represálias" devido ao processo de adesão destes dois países à NATO.

A Suécia vai convocar o embaixador russo após estas ameaças.

Viktor Tatarintsev, embaixador da Rússia na Suécia, disse que ao quererem aderir à Organização do Tratado do Atlântico Norte (NATO), os dois países se vão tornar "alvos legítimos" de "represálias" russas, inclusive "de natureza militar". A Suécia não gostou destas ameaças e resolveu chamar o embaixador russo por "tentativa evidente de influência" na polítíca do país. À AFP, Tobias Billström, ministro dos Negócios Estrangeiros da Suécia, disse mesmo que só a Suécia decide sobre a sua política de Defesa Nacional.

Estes dois países tinham escolhido até agora a neutralidade face à Rússia, mas perante a invasão da Ucrânia, tanto a Suécia como a Finlândia decidiram optar pela adesão à NATO devido à proximidade geográfica a Moscovo.

A Finlândia, que tem fronteira com a Rússia, aguarda apenas a ratificação da Turquia prometida pelo Presidente deste país, Recep Tayyip Erdogan, para entrar na NATO. Já a Suécia enfrenta o veto da Turquia e um adiamento da ratificação por parte da Hungria. 

Após o voto adiado sobre a adesão da Suécia em Budapeste, o Governo húngaro pediu hoje a este país que mude de tom e que pare "a politíca de difamação" face ao executivo de Viktor Orban. Não há ainda data para o Parlamento húngaro aprovar a adesão da Suécia. Estocolmo espera efectivar a sua entrada na NATO antes da próxima reunião desta organização, prevista para Julho, na Lituânia. ANG/RFI

 

  Moçambique/Deputados da oposição abandonam Parlamento  em protesto

Bissau, 29 Mar 23 (ANG) - O Parlamento moçambicano aprovou hoje com votos apenas da Frelimo a nova Lei Eleitoral que reduz de 18 para 15 meses o prazo da marcação da data das eleições. 

O projecto de lei pontual que estabelece o quadro jurídico para a eleição do Presidente da República e dos deputados da Assembleia da República foi viabilizada pelo voto majoritário da Frelimo já que tanto a Renamo como o MDM abandonaram a sala. 

Gerou-se o caos hoje no Parlamento moçambicano. O porta-voz da bancada parlamentar da Renamo, Arnaldo Chalaua, explica o que motivou o boicote da oposição durante a votação das leis que dizem respeito às eleições no país.

"Nós estamos aqui para mostrar a defesa da democracia e estamos aqui para defendermos a nao revisão da Constituição e nao assunção de poderes extraordinários para a revisão da Constituição", declarou o deputado.

O Movimento Democrático de Moçambique também abandonou a sessão. Para o porta-voz da bancada do MDM, Fernando Bismarques, a posição é clara.

"Ter uma maioria nao pode significar o rasgar da Constituição, o rasgar das leis, o rasgar das boas maneiras da convivência entre as bancadas parlamentares", indicou o parlamentar.

E foi na ausência da oposição que o Parlamento com votos maioritários da Frelimo aprovou o projecto de lei pontual que estabelece o quadro jurídico para a eleição do Presidente da República e dos deputados da Assembleia da República, numa altura em que o debate sobre as eleições distritais previstas para o próximo ano divide opiniões.

"Nós como bancada parlamentar da Frelimo vamos cumprir com aquilo que é a vontade da maioria e se tivermos que rever a Constituição para o adiamento destas eleições naturalmente que nos iremos prosseguir", disse Feliz Silvia, deputado da Frelimo.

A Lei Eleitoral prevê ainda a redução de 18 para 15 meses o prazo da marcação da data das eleições. ANG/RFI

 

Direitos Humanos/AI denuncia "dois pesos e duas medidas" perante violações

Bissau, 29 Mar 23 (ANG) - A Amnistia Internacional divulgou terça-feira, um relatório anual  alusivo aos acontecimentos de 2022 e nomeadamente à invasão da Ucrânia pela Rússia.

Ao saudar a reacção firme dos países ocidentais, esta organização de defesa dos Direitos Humanos não deixa de denunciar o que qualifica de "dois pesos e duas medidas" desses mesmos países relativamente à situação vivida noutros pontos do globo, conforme disse à RFI Pedro Neto, secretário executivo da Amnistia Internacional em Portugal.

"Vimos uma dualidade de critérios na resposta às crises e nas questões de Direitos Humanos. Vimos e muito bem, é preciso sublinhá-lo, uma condenação em larga escala à agressão russa em relação à Ucrânia. Vimos também disponibilidade do ocidente, da Europa, dos Estados Unidos em acolher refugiados ucranianos, mas depois, noutras situações, vimos que isso já não acontece. Perante situações semelhantes, a resposta é diferente. Não precisamos até de sair do conflito da Ucrânia onde refugiados ou pessoas que viviam na Ucrânia mas que eram nacionais de países terceiros e de países africanos, estas pessoas tiveram dificuldades em sair da Ucrânia para irem para novos países de refúgio. Isso foi logo aí um problema de discriminação", lamenta o defensor dos Direitos Humanos.

"Depois há outros conflitos esquecidos no mundo. Por exemplo, no Iémen onde a Arábia Saudita está e não há condenação à actuação da Arábia Saudita. Não há condenação à actuação da Arábia Saudita na violação no seu próprio país; o próprio Egipto, a própria guerra que vai acontecendo na Etiópia. Não há a mesma solidariedade, não há a mesma condenação. O próprio Israel que impõe um regime de Apartheid aos palestinianos e da comunidade internacional não há qualquer condenação, não há qualquer pressão para que este estado de coisas termine. Portanto, os estados vão agindo com maior ou menor impunidade, a comunidade internacional vai posicionando-se e utilizando a questão dos Direitos Humanos, não porque são o centro dos seus valores (...), mas quando dá jeito e quando interessa em termos geopolíticos e em termos de interesses económicos e financeiros", denuncia Pedro Neto.

Com efeito, no seu relatório anual, a Amnistia Internacional, denuncia um "silêncio ensurdecedor sobre o balanço da Arábia Saudita em matéria de direitos fundamentais", uma "passividade a propósito do Egipto", uma atitude de negação perante o que qualifica de "sistema de apartheid criado por Israel contra os palestinianos", a atitude da China que tudo faz para "travar qualquer acção internacional sobre os crimes contra a Humanidade que cometeu", bem como a incapacidade das instituições mundiais e regionais em dar algum tipo de resposta aos conflitos vigentes no Mianmar, no Iémen e na Etiópia.

Esta organização deu por outro lado conta de uma série de abusos de poder, referindo que 77 países procederam a detenções arbitrárias, 94 foram responsáveis por maus tratos e actos de tortura e 34 recorreram a desaparecimentos forçados, sendo que "na Austrália, Índia, Indonésia e Reino Unido, as autoridades aprovaram novas leis que impõem restrições às manifestações, enquanto no Sri Lanka utilizaram poderes de excepção para reprimir o movimento de protesto maciço contra a crise económica crescente.". Noutro aspecto, "as autoridades iranianas responderam à revolta sem precedentes contra décadas de opressão por uma força ilegal, disparando balas reais, projécteis de metal e gás lacrimogéneo, e espancando os manifestantes. Várias centenas de pessoas, incluindo dezenas de crianças, foram mortas.(...) A repressão afectou igualmente jornalistas, defensores dos direitos humanos e opositores políticos, por exemplo em Moçambique e no Zimbabué", menciona  ainda o relatório da Amnistia Internacional.

De facto, a repressão de manifestações, os entraves à liberdade de expressão foram o prato forte em vários países, nomeadamente em África. Nos países de África lusófona, Pedro Neto fala em "ano difícil""Em Angola, tivemos eleições, não se verificaram na altura incidentes por maiores de violência. No entanto, durante a campanha eleitoral, houve muitos sinais de violência, de repressão à liberdade de expressão e problemas antigos continuaram em vigor em Angola. Depois, claro, também na contagem dos votos, as contagens não foram claras, não foram conclusivos os relatórios dos observadores e, portanto, há aqui problemas também na questão das eleições. 

A liberdade de expressão e de reunião também foi afectada em Angola, muito com activistas também a serem perseguidos e detidos momentaneamente e também, muitas vezes, quando havia notícias de manifestações, os activistas que as organizavam eram detidos previamente pelos serviços do SIC (Serviço de Investigação Criminal). Depois temos também Cabinda que vive em estado de sítio permanente, com uma repressão absoluta à liberdade de expressão. 

Também em Angola, destaca-se a questão da seca, do acesso à água, do acesso à alimentação, muito no sul de Angola, também agravado pelos problemas das grandes fazendas que muitas vezes são geridas e são atribuídas a fazendeiros que têm ligações com o governo, quer os governos locais, quer o governo central, e isto pôs em causa a sobrevivência de muitas comunidades pastoris que vivem da criação de gado. Também em Angola, vimos ainda desalojamentos forçados a ocorreram principalmente em grandes centros urbanos", refere o activista.

Focando a sua atenção sobre Moçambique, o responsável evoca a instabilidade de Cabo Delgado, no extremo norte do país, como sendo um factor para a violação dos Direitos Humanos."Em Moçambique, muitas das violações dos Direitos Humanos estiveram ligadas à pressão de Cabo Delgado, isto provocou muito deslocados internos. As Nações Unidas estimam em cerca de um milhão e meio de deslocados. Também a destacar em Moçambique, a liberdade de expressão, não só para defensores dos Direitos Humanos e activistas, mas também para jornalistas que continuaram a ver o seu trabalho reprimido com intimidações, com ameaças sempre que criticaram as forças do governo", indica Pedro Neto.

Apesar de países como a Guiné-Bissau e São Tomé e Príncipe não serem citados no relatório que não cobre a totalidade do globo, Pedro Neto não deixa de referir que a Amnistia Internacional está atenta à situação desses países, citando nomeadamente o ataque de que foi vítima em Fevereiro de 2022 a rádio Capital em Bissau ou o assalto ocorrido em Novembro contra o quartel militar de São Tomé. "O pior inimigo destas questões e destes abusos contra os Direitos Humanos é o esquecimento" considera o activista ao lançar um apelo para que "a comunidade internacional não seja alheia a estas coisas e exija também ela própria que a justiça possa acontecer perante o mal que já foi feito".

Neste aspecto, o relatório considera nomeadamente que "é indispensável que as instituições e os sistemas internacionais destinados a proteger os nossos direitos sejam reforçados e não enfraquecidos. O primeiro passo consiste em financiar plenamente os mecanismos de defesa dos direitos humanos das Nações Unidas, a fim de permitir a realização de investigações, garantir a responsabilização e fazer justiça. A Amnistia Internacional pede também uma reforma do principal órgão de tomada de decisões da ONU, o Conselho de Segurança, a fim de fazer ouvir a voz dos países e das situações tradicionalmente ignoradas, em particular no hemisfério sul." ANG/RFI

    Ucrânia/Quase 20 mil crianças  deportadas ilegalmente pela Rússia

Bissau, 29 Mar 23 (ANG) - O Ministério da Reintegração da Ucrânia informou, na terça-feira, que um total de 19.514 crianças ucranianas foram deportadas ilegalmente pela Rússia, enquanto 4.390 encontram-se nos territórios ocupados.


"Os dados recolhidos serão usados por investigadores ucranianos e internacionais para processar os responsáveis pela deportação ilegal de crianças ucranianas", escreveu o ministério na rede social Telegram.

Na semana passada, a Ucrânia afirmou que Moscovo tem bloqueado "de forma repetida" o retorno de menores ucranianos, depois de terem sido deportados para território russo, isto apesar de admitir ter recebido sinais de que a Rússia poderia começar a devolver as crianças, segundo relatou a agência ucraniana Ukrinform.

A Rússia garantiu que 56 crianças ucranianas, internadas em centros para menores na Crimeia e em Krasnodar, estão preparadas para regressar para junto das famílias.

Os dados foram divulgados poucos dias depois de o Tribunal Penal Internacional ter emitido um mandado de prisão contra o Presidente russo, Vladimir Putin, e a comissária presidencial para os direitos da criança da Rússia, Maria Alekseievna Lvova-Belovapor, por supostos crimes de guerra relacionados com a deportação forçada de menores ucranianos. ANG/Lusa

 

terça-feira, 28 de março de 2023

Desporto-futebol/Guiné-Bissau perde liderança do grupo “A” apos derrota por 1-0 com as Águias da Nigéria

Bissau, 28 Mar 23 (ANG) – A Selecção Nacional de futebol da Guiné-Bissau, perdeu a liderança do grupo A após derrota por 1-0, com a sua congénere da Nigéria.

Em conferência de imprensa, apesar da derrota da seleção da Guiné-Bissau, o técnico nacional Baciro Candé continua confiante na qualificação dos “Djurtus” para a fase final do  Campeonato Africano das Nações (CAN-2024), que decorrerá na Costa de Marfim.

Baciro Candé defendeu que  a  sua equipa deu tudo para garantir o apuramento em casa, mas que,por falta de sorte, acabou perdendo por 1-0.

“Estamos a falar de uma seleção com uma dimensão superior a da Guiné-Bissau. Penso que os guineenses deviam orgulhar-se da dupla exibição que os rapazes fizeram contra essa seleção gigante e com jogadores de outro nível”, sustentou  Candé.

Disse  ser normal perder,  e que o futebol é feito de tudo. “Vencemos  na Nigéria e perdemos em casa, estatisticamente ocupamos a 2ª posição do grupo. Não vejo a razão de tantas críticas porque, matematicamente, a Guiné-Bissau já está no CAN”, disse Baciro Candé.

Faltam  dois jogos no grupo para se confirmar a  qualificação.

Para o técnico nigeriano, o português José Peseiro, o resultado se deve ao fato de sua equipa ter jogado  melhor que a Guiné-Bissau nas duas partidas realizadas,  e por  ter melhores  jogadores. “Isso é uma verdade que os guineenses devem admitir”, disse.

“Perdemos em casa na primeira mão com a Guiné-Bissau por falta de sorte, perdemos muitos golos que podiam garantir a nossa vitoria logo no primeiro encontro, e o mesmo aconteceu no encontro de hoje, mas, filizmente, conseguimos provocar um erro a barra defensiva guineense, e beneficiar de um penalte que resultou no golo que garantiu a nossa vitória”, disse Peseiro.

José Peseiro disse entretanto desejar que a seleção da Guiné-Bissau se qualifique para o próximo CAN-2024, a disputar na Costa do Marfim.

De salientar que a única alteração no mesmo onze inicial que venceu a Nigéria, foi do estremo esquerdo Jeverson Nkada, por motivo da lesão, e como alternativa, o técnico Baciro Candé fez Nanu regressar à titularidade.

A Guiné-Bissau perdeu em casa com a Nigéria e perdeu a líderança do grupo, e ocupa agora a segunda posição  restando-lhe dois jogos, contra  São Tomé e Príncipe e  Sera-Leoa.ANG/LLA//SG

 

Política/Partido Luz da Guiné-Bissau realiza 1° Congresso no  próximo dia 2 de Abril

Bissau, 28 Mar 23 (ANG) - O Partido Luz marcou para o próximo dia 2 de Abril, o seu 1º congresso, no espaço Lenox, em Bissau, e vai juntar 2000 delegados que virão de todas as regiões do país e da diáspora.


A revelação foi feita esta, terça-feira, em Bissau, numa conferência de imprensa, pelo Presidente da Comissão Organizadora do Congresso, Badilé Domingos Sami.

Acrescentou que este 1º congresso vai, para além de legitimar os órgãos do partido, servir para se debater sobre as  estratégias que vão ser usadas para dar respostas aos desafios que o próprio partido enfrenta.

“Quando dissemos os desafios que o partido enfrenta pode ser de curto, médio ou longo prazo”, frisou, acrescentando que esse congresso vai permitir aos participantes discutirem, de forma substancial, o que pode ser solução para o país, as linhas e os planos diretores para os próximos desafios que o partido vai enfrentar.

Badilé Domingos Sami disse que o seu partido é novo mas que não é pequeno.

“Vamos provar as pessoas que o nosso nível de mobilização é brutalmente forte”, disse, considerando as próximas eleições legislativas de 4 de junho como embate à curto prazo do seu partido.

Domingos Sami disse acreditar que os  jovens vão  votar no seu partido porque “ali se sentem identificados”, e declarou que o partido vai concorrer em todos os círculos eleitorais.

Segundo Badilé Sami, até o momento o partido tem só um candidato para a sua liderança no congresso marcado para Abril, na pessoa de Lesmes Mutna Monteiro.

Acredita  que o congresso vai lhes permitir organizar melhor, ir ao embate eleitoral, eleger e ter bancada parlamentar.

 Ao falar da atual situação política do país, disse que os guineenses estão a assistir, de forma lamentável, os modos de operar de certas pessoas que têm  responsabilidade na gestão pública, e que usam  recursos de Estado  a tentar manipular ou comprar a consciência do Povo para proveito próprio.

Disse  que o combate à corrupção que em várias  ocasiões foi referida   pelo Presidente da República  “deve sair de palavras para factos”.  ANG/DMG/ÂC//SG

Telecomunicações/Inaugurado sistema de Cabo Submarino da Guiné-Bissau

Bissau,28 Mar 23(ANG) – O vice-primeiro-ministro e ministro de Estado do Interior felicitou hoje o Ministério dos Transportes e Comunicações pelo empenho na condução e seguimento do processo que lança as bases para a realização da maior obra de infraestruturas de telecomunicações no país.


Soares Sambú falava hoje no ato da inauguração das infraestruturas de cabo submarino da Guiné-Bissau através da fibra óptica que dista de  Suru, sector de Prábis, região de Biombo  à Antula, em Bissau.

Em representação do Presidente da República, o vice-primeiro-ministro disse que, em consequência da inauguração da referida infraestrutura, a Guiné-Bissau vai entrar na era da modernização das tecnologias de informação e comunicação.

Sambú destacou o elevado nível de qualidade de parceria entre o Governo guineense e o Banco Mundial, tendo afirmando que augura o reforço desta colaboração institucional.

“Continuamos a acreditar na nossa capacidade nacional de promover realizações concretas e de grande envergadura, que permitem o desenvolvimento de competências e a inclusão de jovens e mulheres no processo de desenvolvimento socioeconómico do país”, enalteceu.

O  ministro dos Transportes e Comunicações, Aristides Ocante da Silva sublinhou , na ocasião, que a ligação, por  Cabo Submarino de fibra óptica, da África à Europa é uma das maiores infraestruturas e a mais inovadora no domínio das telecomunicações e das tecnologias de informação e comunicação jamais realizadas no país.

Esta considerada maior projeto de infraestruturas de telecomunicações do país se realiza no âmbito do Programa Regional Oeste Africano de Infraestruturas de Comunicações(Warcip), financiado pelo Banco Mundial, no valor de 35 milhões de dólares, visando conexão com a rede de fibra óptica proveniente da França.

Trata-se de um projeto iniciado em Maio de 2017, pelo então Governo chefiado pelo atual Presidente da República Umaro Sissoco Embaló.

Ocante da Silva sublinhou que vai melhorar a conectividade nacional e internacional, através de acesso concorrencial a banda larga internacional, e o aumento da cobertura geográfica das redes de telecomunicações, prevendo-se que, em consequência, os custos  de comunicações se diminuam.

“Esta infraestrutura hoje inaugurada constitui um impulso decisivo para a promoção da economia digital e o próprio desenvolvimento socioeconómico do nosso país”, disse.

Aristides Ocante da Silva salientou que, para assegurar a implantação de novas infraestruturas digitais e partilhar o custo de investimentos, o Governo criou em parceria público/privado,  a Sociedade  “Cabos da Guiné-Bissau”.

Em declarações à imprensa, à margem da cerimónia, um dos Administradores da Sociedade  Cabos da Guiné-Bissau, Yatanin Davis disse que o passo seguinte será a conexão  por parte dos operadores de telecomunicações para que os clientes possam começar a usar os serviços em novas condições de comunicações.

A Sociedade Cabos da Guiné-Bissau, é uma empresa que integra três acionistas: o Estado guineense com 49 por cento, Orange Bissau com 25,5  por cento e MTN igualmente com 25,5 por cento.

Perguntado se, com a entrada em funções da referida infraestruturas, que tipo de internet o país vai ter, Yatanin Davis disse que será muito melhor que o atual.

“A oferta de base que temos é de 40 GB e pode ser expandida até mais de 800 GB. Portanto, é muito mais do que o país precisa atualmente”, salientou. ANG/ÂC//SG 

 

 

 

 

 

 

Cooperação bilateral/Ministra dos Negócios Estrangeiro exalta parceria com China na construção de infraestruturas no país

Bissau, 28 Mar 23 (ANG) – A Ministra dos Negócios Estrangeiros, da Cooperação Internacional e das Comunidades classificou hoje a República Popular da China de “Parceiro nº 1”,no que se refere a  construção e recuperação de infraestruturas públicas na Guiné-Bissau.

Suzy Carla Barbosa falava no ato de entrega do edifício da antiga sede do Governo, arredores da Presidência da República, reabilitado com apoio da china, e que alberga um Salão de Conferência Internacional .

Disse que é gratificante ver o estado em que o edifício reabilitado ficou, “totalmente renovado com melhores condições de  trabalho”.

“Por isso agradeço à esse  país, por ter sido um parceiro permanente da Guiné-Bissau e sobretudo por ser um parceiro incontornável para o nosso desenvolvimento, por ter construído e reabilitado várias infraestruturas no país, nomeadamente o Palácio da Republica, do Governo, da Justiça, o Estádio Nacional 24 de Setembro entre outras. São obras que marcam o avanço desta Nação e queremos continuar a contar com isso para novos projetos em manga”, disse a chefe da diplomacia guineense.

Falando de novos projetos apoiados pela China, Suzi Barbosa disse estar já prevista a construção de raiz de novo edifício do Ministério dos Negócios Estrangeiros, cujas obras estão orçadas  em 04 milhões de dólares.

“O governo, com a magistratura de influência do Presidente da República vai continuar neste caminho de mudar o rosto do país, através da construção de infraestruturas dignas de receber encontros internacionais, para poder cumprir o objetivo número um, de desenvolver a Guiné-Bissau, deixando uma marca para a geração vindoura e melhorar as condições de vida e de trabalho dos guineenses”, disse a ministra.

O Embaixador da República Popular da China, Guo Ce disse ser uma honra participar no projeto de reparação do Salão de Conferência Internacional do Ministério dos Negócios Estrangeiro, iniciado em Junho de 2022 e foi concluído em Fevereiro do ano em curso.

Ce disse que a inauguração da infraestrutura é  novo fruto da cooperação bilateral entre os dois países e mais uma prova de “ forte amizade sino-guineense”, realçando que será  uma janela importante para demonstração da nova imagem da Guiné-Bissau.

“Acredito que só a inauguração do salão de Conferência internacional pode fornecer uma plataforma favorável para promover a construção nacional, desenvolver a diplomacia e impulsionar a paz regional e internacional. Também acredito que sob a liderança do Presidente da República da Guiné-Bissau Umaro Sissoco Embaló este país alcançará maiores resultados de desenvolvimento e as relações entre as nossas Nações continuarão a avançar”, disse Guo Ce.

O edifício reabilitado  foi construído pelo governo colonial em 1919. ANG/MSC//SG

Assistência alimentar/ Chefe de gabinete do PR promete maior transparência na distribuição do arroz doado pela China

Bissau, 28 Mar 23(ANG) – O Chefe de gabinete do Presidente da República  Califa Soares Cassamá prometeu esta, terça-feira, que a distribuição dos 21 mil sacos de arroz doados pela República Popular da China vai decorrer na maior transparência possivel.

Em declarações à imprensa, após proceder à entrega de arroz aos administradores das regiões de Gabu e Bafatá,  Soares Cassamá disse que o arroz vai ser distribuido  em oitos regiões administrativas do país, incluindo o Setor Autónomo de Bissau e que  a disdribuição será equitativa, ou seja, em conformidade com o número da população de cada região.

Cassamá pediu a colaboração de todos na denúncia da venda ilegal dessa remessa de arroz,  no mercado ou em qualquer lugar, caso se verificar.

“ A nível das regiões, foi decidida a criação de  comissões regionais de distribuição, composta  pelos governadores das regiões, administradores setoriais, chefes de secções, das tabancas, autoridades tradicionais e organizações da sociedade civil, acompanhados da Polícia Judiciária e agentes de Serviço de Informação de Segurança ”, disse Califa Soares Cassamá.

Por sua vez, e em representação do embaixador da China, Li Feng disse que o donativo representa uma assistência alimentar ao povo guineense na luta contra a fome.


 Li Feng destacou na ocasião os projetos em curso com financiamento da República Popular da China, nomeadamente a  construção da autoestrada aeroporto/Safim, o Porto de pesca de Alto Bandim e  a reabilitação da Assembleia Nacional Popular.

Li Feng disse que  existem outras ações que diz serem “cooperações frutuosas” entre a China  e Guiné-Bissau nas áreas agrícolas, saúde, infraestruturas e outras, tudo “para ajudar o povo guineense”.

Em nome dos governadores  regionais Luís Olundo Mendes, Governador da Região de Caheu, dirigindo-se  ao governo,   Chefe de Estado e ao Conselheiro político do  embaixador da China no país, declarou que essa remessa de  arroz  será entregue ao seu destinatário,e que a distribuição será feita  através das comissões  criadas para o efeito na respetivas regiões e setores.

“Nenhum saco de arroz será desviado”, prometeu Olundo Mendes.

Remessas anteriores de arroz, doadas pela China e  destinadas às populações mais carenciadas registaram ,  na distribuição, desvios de grande quantidade para proveitos pessoais. ANG/JD//SG

STP/Segundo organização juvenil são-tomense, 80% dos jovens do país querem emigrar

Bissau, 28 Mar 23 (ANG) - Um estudo efectuado pelo Conselho Nacional da Juventude são-tomense revela que quase 80% dos jovens do país pretendem emigrar em busca de melhores condições de vida e oportunidades de trabalho.


O mesmo refere que   parte importante dos jovens não deposita esperança na actuação dos políticos do seu país, apesar de participarem largamente nos actos eleitorais, conforme refere o secretário-geral dessa entidade, Laudino Tavares.

 “O estudo provou que 78% dos jovens querem emigrar. Quando nós vemos uma percentagem desse nível, de jovens que pensam sair do país, enquanto plataforma da juventude, isso preocupa-nos imensamente, declara o secretário-geral do Conselho Nacional da Juventude (CNJ) de São Tomé e Príncipe, Laudino Tavares que ao enumerar alguns dos motivos que levam os jovens a optar por deixar o país, menciona questões ligadas à saúde, e a "falta de oportunidade de emprego” em São Tomé e Príncipe.

Realizado em Julho do ano passado com o apoio do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) ainda antes das legislativas de Setembro de 2022 e do ataque contra o quartel militar em Novembro, este estudo aponta que a imigração juvenil não parou de crescer e “tem sido o ‘calcanhar de Aquiles’ nos últimos meses”.

“Eu converso com os jovens diariamente e o que eu percebo é que ninguém quer ficar no país. Quando se pergunta sobre as causas de emigração, já conhecemos, então é necessário criar condições para que os jovens não sintam essa necessidade de emigrar”, vinca Laudino Tavares ao dar, por outro lado, conta de uma descrença dos jovens na sua classe política.

“Costumávamos pensar que a taxa de abstenção em São Tomé e Príncipe era um problema que vivia no seio da juventude, mas o inquérito que nós fizemos prova o contrário. De acordo com os resultados do inquérito, os jovens são-tomenses participam sim nas eleições, porque nós concluímos que em cada 10 jovens, oito participaram na eleição presidencial de 2021 refere o líder juvenil sublinhando que segundo o estudo “os jovens classificam a política em São Tomé e Príncipe como péssima” e “dizem que há muita corrupção”.

Refira-se que recentemente o chefe do Governo são-tomense prometeu a realização de um inquérito para recolher as ideias dos jovens o intuito de “definir uma política" em adequação com este desafio.

Na passada sexta-feira, o ministro da Saúde são-tomense, Célsio Junqueira, disse que o sistema de saúde do seu país está a assistir a uma fuga de profissionais do sector, em elo nomeadamente com as facilidades de obtenção de visto para a emigração de quadros para Portugal, no âmbito do acordo de mobilidade da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP).

Os jovens representam uma parte significativa da população do país cuja média de idade ascende aos 19 anos aproximadamente, de acordo com dados oficiais.ANG/RFI

Israel/ Netanyahu suspende reforma judicial

Bissau, 28 Mar 23 (ANG) - O primeiro-ministro israelita anunciou na segunda-feira,  a suspensão, de forma temporária, da votação da polémica reforma judicial. Benjamin Netanyahu alega que é preciso “dar tempo a um amplo consenso para aprovar a legislação, durante a próxima sessão plenária".

Depois de vários meses de manifestações, o chefe do executivo israelita decidiu suspender temporariamente a votação da polémica reforma judicial.

Numa declaração à nação, Benjamin Netanyahu falou na importância de se manter o diálogo para aprovar a legislação durante a próxima sessão plenária.

"Por uma questão de responsabilidade nacional e para evitar uma fractura da população, decidi suspender a segunda e terceira leituras da lei, neste mandato do Knesset, deforma a dar tempo a um amplo consenso para aprovar a legislação durante a próxima sessão plenária", afirmou.

O presidente da Federação dos Trabalhadores Histadrut anunciou o cancelamento da greve geral e ofereceu a ajuda para se chegar a um consenso sobre a reforma.

Milhares de manifestantes saíram às ruas de TelAviv, durante a noite de domingo para segunda-feira, depois de Benjamin Netanyahu ter demitido o ministro da Defesa. No fim-de-semana, Yoav Gallant defendeu uma “pausa” na polémica reforma judicial desejada pelo governo.

Também dois deputados do Likud, partido de Netanyahu, apoiaram o apelo do ministro da Defesa, aconselhando ao Governo que seja sensível às manifestações de contestação, que aumentam de tom.

Os manifestantes consideram que a reforma vai enfraquecer os poderes do Supremo Tribunal, concedendo mais força ao poder executivo em detrimento do poder judicial. O Primeiro-Ministro israelita, investigado em vários casos de corrupção, é ainda acusado de querer usar esta lei para anular uma possível condenação.

Os principais aliados de Israel, incluindo Washington, questionaram os planos de dar mais poder aos políticos e de limitar os poderes do Supremo Tribunal. A porta-voz da casa Branca, Karine Jean-Pierre, referiu que o presidente dos EUA, Joe Biden, está preocupado com as reformas no sistema de justiça. Já o primeiro-ministro britânico Rishi Sunak, sublinhou, durante um encontro com o homólogo israelita, em Londres, “a importância de respeitar os valores democráticos, inclusive no projecto de reforma judicial em Israel”.

Todavia, as concessões de Netanyahu parecem ser insuficientes para acalmar os protestos e os opositores apelaram a que as manifestações continuem até que a prometida reforma judicial seja totalmente esquecida. ANG/RFI

 

Portugal/Amnistia assinala violações dos direitos dos migrantes e à habitação

Bissau, 28 Mar 23 (ANG) – As “milhares de pessoas” que vivem em habitações sem condições e a exploração de trabalhadores migrantes do setor agrícola são problemas destacados em relação a Portugal no relatório da Amnistia Internacional (AI) 2022/23 divulgado segunda-feira.


A organização de defesa dos direitos humanos refere ser igualmente preocupante a “brutalidade policial” no país, problema que tem vindo a assinalar há vários anos, assim como o facto de continuarem a ser “inadequadas as salvaguardas contra a violência baseada no género”.

O Relatório 2022/23 da Amnistia Internacional: O Estado dos Direitos Humanos no Mundo assinala ainda que Portugal falha também no combate à crise climática e à degradação ambiental.

“O governo (português) tomou medidas insuficientes para melhorar as condições habitacionais e garantir habitação acessível suficiente, apesar dos dados divulgados no final de 2021 mostrarem que mais de 38.000 pessoas precisavam de casa”, indica o relatório, referindo também “relatos de despejos forçados” que deixaram algumas pessoas sem-teto, uma situação que, segundo a AI, “afetou desproporcionalmente ciganos e afrodescendentes”.

Em relação aos direitos dos refugiados e migrantes, o trabalho recorda as reportagens jornalísticas que “expuseram condições de trabalho abusivas e habitações inadequadas” de empregados no setor agrícola na região de Odemira, principalmente de países do sul da Ásia.

“Em junho, o Grupo de Peritos sobre o Tráfico de Seres Humanos (do Conselho da Europa), que visitou o país em 2021, notou que o tipo de exploração mais comum continuava a ser a laboral, afetando especialmente os setores agrícola e de restauração”.

A organização com sede em Londres indica, por outro lado, que em julho de 2022 e após a revisão periódica de Portugal, o Comité da ONU para a Eliminação da Discriminação contra a Mulher considerou insuficientes quer a legislação, quer os serviços para lidar com a violência de género contra as mulheres, expressando preocupação “com as taxas de abandono escolar entre as raparigas ciganas devido a casamentos infantis e/ou forçados e gravidez precoce”, questões que, observou, “eram muitas vezes ignoradas pelas autoridades”.

Sobre as alterações climáticas, a AI assinala que “mais de 1000 pessoas morreram de causas relacionadas com ondas de calor extremas” em Portugal no ano passado, bem como o facto de 60,4% do país ter registado seca severa e 39,6% seca extrema.

Segundo a ONG, o relator especial da ONU para os Direitos Humanos e o Meio Ambiente declarou em setembro, após uma visita a Portugal, que “as autoridades precisavam de acelerar o ritmo de ação para enfrentar, em particular, a poluição do ar e a gestão de resíduos e prevenir incêndios florestais”.

O relatório da AI sobre o ano passado realça “a existência de dois pesos e duas medidas em todo o mundo em matéria de direitos humanos e a incapacidade da comunidade internacional se unir de forma consistente na proteção dos direitos humanos e dos valores universais”.

"A Declaração Universal dos Direitos Humanos foi criada há 75 anos, a partir das cinzas da Segunda Guerra Mundial. A sua essência é o reconhecimento universal de que todas as pessoas têm direitos e liberdades fundamentais. Mesmo que a dinâmica do poder global esteja um verdadeiro caos, os direitos humanos não podem ser perdidos na desordem. Por outro lado, são os direitos humanos que devem guiar o mundo à medida que se multiplicam os contextos cada vez mais instáveis e perigosos. Não podemos esperar que o mundo volte a arder", diz Agnès Callamard, secretária-geral da Amnistia Internacional, citada num comunicado de divulgação do relatório. ANG/Lusa