quarta-feira, 24 de julho de 2024

Pequim/ Hamas anuncia acordo de “unidade nacional” com seus rivais palestinianos

Bissau, 24 Jul 24 (ANG) - O Hamas anunciou  terça-feira, 23 de Julho, ter assinado em Pequim um acordo de “união nacional” com outras organizações palestinianas, nomeadamente a rival Fatah. De acordo com as autoridades chinesas, o texto visa uma governação comum após a guerra em Gaza. 


Um total de 14 facções esteve reunida nos últimos dias em Pequim, no quadro de uma nova tentativa de retoma de diálogo entre os diferentes actores da cena política palestiniana.

De acordo com o ministro chinês dos Negócios Estrangeiros, Wang Yi, que esteve reunido com um alto responsável do Hamas, Moussa Abou Marzouk, assim como o enviado especial do movimento palestiniano Fatah, Mahmoud Aloul, foi alcançado um acordo que prevê a criação de um “Governo interino de reconciliação nacional”.

Mahmoud Aloul agradeceu o “apoio infalível” de Pequim aos palestinianos. Por seu lado, Moussa Abou Marzouk, reiterou que “o caminho a seguir para completar este processo é a unidade nacional”.

A China-que desempenha o papel de mediadora no conflito- saudou o acordo, sublinhando que “a reconciliação é uma questão interna das facções palestinianas, mas ao mesmo tempo não pode ser alcançada sem o apoio da comunidade internacional”.

Pequim apelou outros países a apoiarem este potencial novo Governo palestiniano para que possa “controlar efectivamente Gaza e a Cisjordânia”.

Israel e os Estados Unidos já vieram dizer que não vão apoiar nenhum plano pós-guerra que inclua o Hamas, organização que consideram terrorista. Todavia, o responsável pela diplomacia chinesa lembrou que “são os próprios palestinianos que devem administrar a Palestina”. A China mantém boas relações com Israel, mas também apoia a causa palestiniana e faz campanha por uma solução de dois Estados.

O anúncio deste acordo ocorre mais de nove meses após o início da guerra em Gaza. A 7 de Outubro, comandos do Hamas infiltrados a partir de Gaza, no sul de Israel, realizaram um ataque sangrento que resultou na morte de 1.197 pessoas, a maioria civis, segundo uma contagem da AFP baseada em dados oficiais israelitas.

Em resposta, Israel lançou uma ofensiva em grande escala em Gaza, que já fez mais de 39 mil mortos, a maioria civis, segundo dados do Ministério da Saúde do Governo de Gaza liderado pelo Hamas. ANG/RFI

EUA/Investigadora aponta Michelle Obama como “único nome com força para derrotar Donald Trump”

Bissau, 24 Jul 24 (ANG) - A pouco mais de 100 dias das eleições presidenciais nos Estados Unidos, o Presidente Joe Biden abandonou a corrida eleitoral e declarou apoio à vice-presidente, Kamala Harris, para ser a candidata do Partido Democrata.

A investigadora Diana Soller diz que “o único nome com força para derrotar Donald Trump é o de Michelle Obama” e sublinha que a renúncia de Biden “era inevitável” e “peca por tardia”.

Este domingo, Joe Biden, o mais velho Presidente da história dos Estados Unidos, com 81 anos, anunciou desistir da sua recandidatura e declarou o apoio à sua vice-presidente, Kamala Harris, para ser a candidata presidencial do Partido Democrata.

Diana Soller, Investigadora do Instituto Português de Relações Internacionais e coautora do livro “Donald Trump: O Método no Caos”, considera que “o único nome com força para derrotar Donald Trump é o de Michelle Obama”, ainda que sublinhe que “até agora” pareça haver uma preferência por Kamala Harris no Partido Democrata. A investigadora diz que a renúncia de Joe Biden não é uma surpresa porque “era inevitável” e “peca por tardia”. Por isso, o partido tem de se recompor em tempo recorde para poder pesar face ao candidato republicano Donald Trump.

RFI: A renúncia de Joe Biden era uma decisão inevitável ou acabou por ser surpreendente?

Diana Soller, Investigadora do Instituto Português de Relações Internacionais: Era uma decisão inevitável. Aliás, é uma decisão que, do meu ponto de vista, peca por tardia. Ou seja, desde o dia 27 de Junho, quando ocorreu o debate entre Joe Biden e Donald Trump, percebeu-se de forma inexpugnável que era preciso um novo candidato democrata, que Joe Biden não tinha capacidade nem para fazer campanha, nem para fazer um novo mandato. E até houve quem perguntasse quem estaria a governar a América nos últimos tempos porque aquilo não aconteceu de um momento para o outro, como é evidente. Portanto, era preciso que Joe Biden renunciasse à sua recandidatura.

Não, não tem nada de surpreendente. Houve uma série de pressões, quer relativamente aos senadores, congressistas e governadores que também estão na corrida de 5 de Novembro para que Biden não os representasse porque sentiram que podiam ser prejudicados pela candidatura de Biden. Houve muitas pressões da parte da cúpula do Partido Democrata, nomeadamente os Obama, Nancy Pelosi e outros líderes do Partido Democrata que acharam que Joe Biden não tinha condições para ganhar as eleições. E, finalmente, houve uma grande pressão por parte de um conjunto significativo de doadores que ameaçaram retirar os donativos caso Joe Biden se mantivesse na corrida.”

Não é uma surpresa, mas não deixa de ser um sismo político…

“Eu acho que a desistência em si não é um sismo político. O sismo político aconteceu precisamente no dia 27 [de Junho]. Agora, evidentemente, que há todo um aparato do Partido Democrata que vai ter que se recompor e que se restabelecer rapidamente. Aparentemente, pelo menos até agora, parece haver uma preferência grande pelo lugar de Joe Biden ser ocupado por Kamala Harris, mas ainda nem disso há a certeza. Há o ‘endorsement’, mas ainda não há certeza.”

A Convenção Democrata é em Agosto. Até lá vai-se saber quem é o candidato? Apesar de Joe Biden ter apontado Kamala Harris, quem é que se segue?

“Nós não sabemos exactamente quem é que se segue. Aquilo que muitos democratas gostariam que acontecesse é Michelle Obama que, apesar de não ter experiência política, parece que faz nas sondagens o melhor resultado possível para os democratas. Há de haver uma parte do partido - que é a parte do partido que Kamala Harris representa, que é a parte mais radical - que vai querer a manutenção de Kamala Harris e há uma parte do partido que gostaria que o seu representante fosse alguém com mais experiência política que Michelle Obama e com uma posição menos radical perante a política que Kamala Harris. Aí aparecem nomes como o do governador da Califórnia, da governadora da Pensilvânia, que são nomes que são mais consensuais nesse aspecto. O problema desses nomes é que são nomes absolutamente desconhecidos para a maioria do público americano.”

Quem é que teria força face a Donald Trump a pouco mais de três meses das eleições presidenciais?

“O único nome com força é o de Michelle Obama. Mesmo Kamala Harris, que faz relativamente bem nas sondagens, não parece ter força para derrotar Donald Trump. Michelle Obama também não seria evidente que ganharia a Donald Trump, mas parece ser a única candidata ou a única possível candidata que tem essa capacidade, o que é muito má notícia para o Partido Democrata porque quando a única candidata que pode ser eficaz na corrida contra Donald Trump é alguém que tem zero experiência política no seu currículo, a não ser o facto de ter sido casada com o presidente dos Estados Unidos, isso não é uma boa notícia. Não é.

É um sinal de que não houve efectivamente uma renovação no Partido Democrata, como aliás, o Partido Republicano está a tentar fazer agora com J.D. Vance. O que houve foi um ‘ticket’ Biden-Kamala Harris que pretendia, no fundo, fazer o pleno do Partido Democrata, ou seja, agradar a todas as sensibilidades. Esses ‘tickets’ são eficazes, acontecem com alguma frequência em ambos os partidos, mas o problema é se o Presidente falha, ou seja, acaba por se entregar o país a uma sensibilidade política minoritária e que pode não ser positiva e não o é, do meu ponto de vista, para o futuro do Partido Democrata e dos Estados Unidos da América. O que acaba por acontecer é que o Partido Democrata cai na sua própria armadilha de querer agradar a todos, querer não criar fissuras dentro de um partido que por si só já está muito dividido e acaba por criar uma fissura muito maior e muito mais difícil de resolver. Mas isto são as circunstâncias políticas, não é? Não há boas decisões.”

Diz que Michelle Obama é a única que teria força face a Donald Trump…

“É o que dizem as sondagens.”

Mas Joe Biden apontou Kamala Harris, ou seja, ela conta com essa força. Quando é que vamos saber quem será, de facto, a/o candidata/o democrata?

“Uma coisa de cada vez. Em primeiro lugar, Joe Biden fez o ‘endorsement’ [apoio] da Kamala Harris porque não tinha outra hipótese. Não se pode escolher alguém para vice-presidente - e supostamente escolhe-se para vice-presidente quem nós achamos que é mais competente para o lugar - e depois não fazer um ‘endorsement’ dessa figura no momento de retirada. Portanto, Joe Biden não tinha propriamente nenhuma opção. Agora, o ‘endorsement’ de Joe Biden neste momento só vale do ponto de vista eleitoral. Joe Biden vai desaparecer do Partido Democrata e, na realidade, nós continuamos sem saber o que é que vai verdadeiramente acontecer.

Segundo as regras da democracia americana, nós só vamos ter um líder ou uma líder consagrado na Convenção Democrata. O que é que acontece? Há primárias e são primárias do ‘winner takes it all’ ou praticamente todas são primárias do ‘winner takes it all’ e Joe Biden ganhou todas as primárias. Portanto, tem cerca de 95%, 96% dos delegados que votaram nele e, por maioria de razão, esses delegados deveriam votar em Kamala Harris que é a pessoa escolhida por Biden.

No entanto, as circunstâncias são tão excepcionais que pode haver alguém - e vamos saber isso nos próximos dias - que desafie Kamala Harris, o que não é o mesmo que desafiar Joe Biden, porque, na verdade, as pessoas não votaram nas primárias em Kamala Harris, votaram em Joe Biden. Se houver esse desafio, vai haver uma mini contenda política entre Kamala Harris e quem quer que a desafie que vai resolver-se em Agosto na Convenção Democrata, segundo as regras da democracia americana.

Agora, até isso acontecer, há duas hipóteses: ou não há desafio de todo e Kamala Harris começa a fazer campanha como a candidata democrata não entronizada ainda porque vai precisar dessa convenção de Agosto. Ou vai começar uma contenda política nos próximos dias se houver um desafio a Kamala Harris e, aí, até Agosto vamos ter uma mini campanha eleitoral entre democratas para escolher qual é o candidato que vai representar o Partido Democrata nas eleições de Novembro.”

Falou em Kamala Harris e falou em Michelle Obama. Ambas são mulheres. Mulheres não brancas. Que é que estas mulheres têm que pese contra Donald Trump, se é que pode realmente pesar contra ele?

“Isso é que é a questão. É difícil e não tem a ver com o facto de serem mulheres, tem a ver com o facto de serem candidatas que chegam muito tarde à corrida.”

O que quer dizer? Que a eleição já está fechada?

“Não. A eleição nunca está fechada até ao dia em que os votos são contados ou que os votos são postos nas urnas. Agora, para sermos completamente realistas, uma candidata ou um candidato que chega quatro meses antes das eleições, quando a campanha eleitoral já decorre há bastante tempo, tem menos condições de ganhar as eleições que um candidato que concorre desde o princípio.

Quais são as forças de cada uma delas? Michelle Obama é muito popular entre o eleitorado democrata. Kamala Harris não cometeu nenhum erro excepcional enquanto vice-presidente, apesar de ter sido uma vice-presidente com muito pouca presença na política norte americana. Quer dizer, nenhuma delas tem uma força extraordinária que possa derrotar Donald Trump. Não tem nada no sentido de podermos apontar uma característica que pode pôr Trump em maus lençóis. Até porque o eleitorado nos dias de hoje está muito dividido e não tende a mudar de partido, tende é a não votar num candidato se não gosta dele.

Ou seja, os democratas tendem em não ir votar num outro candidato que não seja aquele que eles escolheram. Poderiam tender em não votar em Joe Biden porque ele estava com a saúde muito frágil, não quer isso dizer que passa o voto para Donald Trump e vice-versa.

Aquilo que seja quem for tem que fazer é convencer o eleitorado a levantar-se do sofá no dia 5 de Novembro a ir votar. Se Kamala Harris ou Michelle Obama têm essa capacidade, é muito cedo para saber. Agora, evidentemente que partem em desvantagem relativamente a alguém que está a pedir ao seu eleitorado que se levante da cadeira há um ano e tal, não é? Isso é inevitável, são as ironias da história.” ANG/RFI


     Seul
/Balão da Coreia do Norte cai no recinto presidencial do Sul

Bissau,  24 Jul 24 (ANG) - A Coreia do Norte enviou hoje mais balões em direção à Coreia do Sul e pelo menos um, carregado de lixo, caiu no recinto do gabinete presidencial, disse o Serviço de Segurança Presidencial.

O Serviço de Segurança Presidencial, citado pela agência de notícias sul-coreana Yonhap, disse ter descoberto lixo caído nos terrenos do complexo presidencial enquanto monitorizava o último lote de balões lançados pelo Norte no início do dia.

“Uma investigação da equipa de resposta química, biológica e radiológica mostrou que os objetos não representavam perigo ou contaminação, pelo que foram recuperados”, afirmou aquele serviço.

“Continuamos a monitorizar em cooperação com o Estado-Maior Conjunto”, acrescentou.

Balões norte-coreanos também terão caído nas instalações do Ministério da Defesa sul-coreano, informaram meios de comunicação social locais citados pela agência de notícia Associated Press (AP).

Trata-se do décimo lançamento deste tipo efetuado pela Coreia do Norte desde o final de maio. Os mais de dois mil balões gigantescos lançados em direção à Coreia do Sul transportavam papel, restos de tecido, pontas de cigarro e até excrementos.

Pyongyang tem afirmado que esta é uma resposta ao envio para a Coreia do Norte de balões com panfletos políticos por parte de ativistas sul-coreanos.

Especialistas disseram que Pyongyang considera estes lançamentos civis sul-coreanos uma ameaça aos esforços para impedir a entrada de notícias estrangeiras e à manutenção do regime autoritário.

Em reação ao envio dos balões, Pyongyang destruiu um gabinete de ligação sul-coreano em território norte-coreano, em 2020, e noutra ocasião disparou contra os balões, escreveu a AP.

Os balões norte-coreanos não causaram graves prejuízos, mas suscitaram preocupações de segurança, receando-se que a Coreia do Norte possa utilizá-los para lançar materiais perigosos, como agentes químicos e biológicos.

No domingo, a Coreia do Sul disse que, em resposta aos balões com lixo, está a intensificar a emissão de propaganda anti-Pyongyang a partir de altifalantes ao longo da fronteira terrestre.

Na quinta-feira, Seul reiniciou as emissões através dos altifalantes, pela primeira vez em cerca de 40 dias.

Observadores referiram que estas emissões podem desmoralizar as tropas norte-coreanas na linha da frente e os residentes da zona fronteiriça.

Em 2015, a Coreia do Norte disparou projéteis de artilharia para o outro lado da fronteira, em reação às emissões de propaganda da Coreia do Sul, o que levou Seul a ripostar.

O porta-voz do Estado-Maior Conjunto da Coreia do Sul, Lee Sung-joon, afirmou que as emissões sul-coreanas em curso incluem temas K-pop (pop coreano) e notícias sobre o desenvolvimento económico da Coreia do Sul.

'Media' sul-coreanos referiram também que são transmitidas notícias sobre a recente deserção de um diplomata norte-coreano para o Sul, além de outras que apelidam o trabalho de colocação de minas, efetuado pelos soldados norte-coreanos na fronteira, de “vida infernal e escrava”.

As forças armadas da Coreia do Sul alertaram para outras medidas mais fortes caso o Norte prossiga com o envio de balões.

No vizinho Norte, Kim Yo-jong, a poderosa irmã do líder, Kim Jong-un, ameaçou com novas medidas contra os folhetos sul-coreanos e avisou que "a escumalha” sul-coreana deve estar pronta a pagar “um preço horrível e caro” pelas ações.

ANG/Lusa

   Justiça/Tribunal Militar manda libertar acusados do caso 01 de fevereiro

Bissau, 24 Jul 24 (ANG) – O Tribunal Militar Superior (TMS)  ordenou a libertação imediata de cerca de 50 civis e militares acusados de tentativa de golpe de Estado no dia 01 de fevereiro de 2022, lê-se num acórdão terça-feira publicado.

Segundo  a Lusa , refere-se que o TMS deu como procedente o recurso de agravo da defesa dos detidos, que entre outros fatos, questiona a forma como foi constituído o Tribunal Militar Regional para o julgamento daquelas pessoas.

A defesa alega que a constituição do tribunal tem, entre outros, o “vício” de o juiz relator do processo ser um assessor jurídico do Chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas, Biague Na Ntan.

Alega ainda que 17 dos 50 detidos tinham ordens de libertação emitidas por um Juiz de Instrução Criminal (JIC) e pelo Ministério Público por não existirem quaisquer indícios sobre si, mas que nunca foram cumpridas.

No acórdão terça-feira divulgado, assinado por três juízes do TMS (equivalente ao Supremo Tribunal de Justiça civil), lê-se que aquela instância considerou “parcialmente procedente” o recurso da defesa dos 50 detidos.

Aquele tribunal ordena a “libertação imediata” dos 17 detidos que não tinham sido acusados por falta de indícios de envolvimento na tentativa de golpe de Estado.

Neste grupo figuram, entre outros militares, o general Júlio Nhate Sulté, ex-chefe do regimento dos ‘Comandos’ e à data da sua detenção, fevereiro de 2022, responsável pela Escola Militar de Cumuré.

O TMS ordenou igualmente a revogação da prisão preventiva aplicada aos suspeitos acusados de envolvimento na tentativa de golpe, “por ultrapassar de longe os prazos legais da sua duração”, e determinou que sejam restituídos à liberdade.

O acórdão ordena ainda ao tribunal competente no processo que aplique “outras medidas de coação adequadas ao caso concreto de cada suspeito, aguardando a audiência e julgamento”.

Entre os envolvidos neste processo figura o ex-chefe da Armada guineense, o vice-almirante José Américo Bubo Na Tchuto, considerado pelo poder político como o líder da intentona do golpe militar.

No acórdão refere-se ainda que a composição do tribunal que vai julgar os suspeitos deve ser feita de acordo com a lei em vigor na Guiné-Bissau.

Em duas ocasiões, um tribunal militar marcou a sessão de julgamento dos detidos, mas a defesa sempre alegou a ilegalidade daquela instância que considera ter sido composta por pessoas sem formação na área de direito.

Dos cinco membros do coletivo de julgamento, apenas um tem formação em direito e seria também o relator do processo e assessor do chefe das Forças Armadas, segundo a defesa dos detidos.

O TMS rejeitou as alegações da defesa em relação à suspeição do juiz relator do processo.

Um dos advogados da equipa de defesa dos detidos disse à Lusa que, na quarta-feira, um grupo de advogados vai entrar em contacto com o tribunal que estava a julgar os detidos e um outro grupo vai proferir uma conferência de imprensa.

Os detidos são acusados pelo Ministério Público civil de terem disparado armas de fogo contra membros do Governo e o Presidente guineense, Umaro Sissoco Embalo, no dia 01 de fevereiro de 2022, que se encontravam reunidos em Conselho de Ministros.

Da ação, morreram 12 pessoas, na maioria guardas presidenciais.

O Presidente guineense e o Ministério Público civil consideraram tratar-se de uma tentativa de golpe de Estado.ANG/Lusa

terça-feira, 23 de julho de 2024

Dia Mundial do Alfaiate/”Não é difícil ser costureiro na Guiné-Bissau, o essencial é ser profissional”, diz Mário Nilson Gomes(Nitchon)

Bissau, 23 Jul 24 (ANG) – O veterano costureiro guineense Mário Nilson Gomes vulgo (Nitchon), defendeu hoje que trabalhar como um costureiro na Guiné-Bissau não é nada difícil, acrescentado por outro lado que o importante é mostrar o profissionalismo com os seus clientes.

Nitchon falava em entrevista exclusiva à Agência de Notícias da Guiné (ANG), alusivo a comemoração do Dia Mundial dos Alfaiates e da Modista, que se assinala hoje, 23 de Julho.

Descreveu que para conseguir sucesso, a pessoa deve ser certa no seu trabalho, porque só assim é que pode atrair confiança dos seus clientes.

“Sobre a entrega do trabalho encomendado à tempo, existe sempre problema entre as partes, porque por vezes, o cliente pede que a sua roupa seja costurada da forma que desejar, e o alfaiate as vezes comete falha”, salientou.

Adiantou que, mesmo que a roupa seja trabalhada de maneira recomendada, alguns clientes por vezes reclamam que não foi assim que pediram que a sua roupa seja feita, frisando que, entretanto têm que ser mais compreensivo com os clientes.

Perguntado sobre as suas deficuldades e como consegue as suas matérias primas, Nitchon disse que as vezes se a sua Alfaiataria consegue um contrato com as escolas ou partidos políticos e assim como das ONGs, toda a matéria prima para a execução dos referidos trabalhos, são encomendadas no exterior tendo em conta que os preços estão mais acessíveis.

“Mais de 40 jovens aprenderam a costurar na minha Alfaiataria, alguns já se encontram no estrangeiro como emigrantes, e outros foram estudar com o apoio de Alfataria”, informou.

Mário Nilson Gomes disse que deu os seus primeiros passos como costureiro nos anos 87, como sendo ajudante de campo dos alfaiates mais velhos na altura, a partir deste período até a data presente ele continuou firme no seu trabalho.

“Hoje em dia, sou dono de uma Alfaiataria com alcunha do meu nome e que imprega jovens e veteranos, situada na residência dos meus familiares no Bairro de  Cupelum de Cima.ANG/LLA/ÂC


Escassez de arroz/
Secretário-Geral da Acobes afirma que o problema será ultrapasado em breve

Bissau,23 Jul 24(ANG) - O Secretário–Geral da Associação Nacional dos Consumidores Bens e Serviços (Acobes), afirmou hoje que o problema da escassez do arroz no mercado nacional pode ser ultrapassado ainda nesta terça-feira.

Bambo Sanha deu estas garantias numa entrevista à ANG sobre a falta desse produto mais consumido pelos guineenses, salientando que confirmaram esta realidade segunda-feira com uma das empresas importadora denominada de ADG Comercial que deu garantia que muitos comerciantes já facturaram para aquisição do arroz para o abastecimento no mercado.

Este responsavél disse que a crise do arroz no mercado foi causada pela demora de atracagem do barco no porto de Bissau, situação que prevalece desde o mês de maio.

“Esta longa espera acarreta o custo adicional ao importador e nós da Acobes fizemos denúncias para alertar as autoridades nacionais a darem prioridade de descarga dos produtos da primeira necessidade sobretudo o arroz”, salientou Bambo Sanha.

Disse que, em função da demora do barco para atracar e descarregar o arroz ,fez com que as despesas aumentaram uma vez que cada dia os importadores pagam a estadia do navio no porto.

“No final da descarga as empresas importadores emitiram um documento ao Governo no sentido de ser compensado  despesas adicionais  para poder manter o preço do arroz o que levou um tempo criando a roptura deste produto no mercado”,explicou.

Isso segundo Sanha,  levou certos comerciantes a especularem o preço do arroz sobretudo o do tipo perfumado “grosso” que chegou a ser vendida até 27 mil francos CFA em vez de 24 mil francos.

“Por isso segundo ele, deve-se mudar a política do porto de Bissau em relação a descarga dos produtos da primeira necessidade uma vez que tem um impacto muito grande no mercado nacional, produzindo um resultado muito negativo a nível dos consumidores.

Sanha aconselhou o governo a mudar a sua politica no sector da produção agricola, acrescentando que o país não pode continuar a depender quase totalmente do exterior no que concerne a este produto, uma vez que o país tem tudo para produzir internamente através de uma agricultura mecanizada, bem como aumentar a capacidade do porto para poder receber mais navios ao mesmo tempo tornando-o mais competitivo.

Bambo Sanha mostrou-se preocupado em relação aos produtos congelados importados, nomeadamente frangos, devido as notícias que circulam no Brasil de que existe problema da doença das aves no sul do Brasil e uma  vez que a Guiné-Bissau importa estes produtos daquele país.

“Por isso alertamos aos consumidores guineenses a terem muito cuidado com produtos que circulam nos mercados sobretudo os congelados devido a esta doença porque o Brasil já interditou a exportação destes produtos em 44 países, por isso chamamos atenção as autoridades competentes nesse sentido “, avisou Bambo Sanha.

Sanha pediu que seja estancada a saída neste momento destes produtos nas Alfândegas enquanto esta a ser feito o trabalho de levantamento e pesquisa para descobrir a origem e estado destes produtos congelados.ANG/MSC/ÂC

           Ordem dos Médicos/ Nova direção toma posse no mês de Agosto

Bissau, 23 jul 24 (ANG) - O Presidente da Comissão Provisória da Ordem dos Médicos da Guiné-Bissau  anuncia a tomada de posse da nova direção da organização, eleita recentemente no  seu Congresso Extraordinário, no dia  02 de Agosto do ano em curso.


A informação foi avançada, por Silvio Coelho em declarações à imprensa, a saída de um encontro segunda-feira com a Presidente da República da República, que serviu para lhe agradecer pelo a apoio que deu a Ordem dos Médicos e pela mediação que fez no seio da classe, devido aos anuâncias que organização enfrentou, depois das eleições do ano passado entre as partes.

Disse que, graças a intervenção do chefe de Estado, conseguiram chegar um consenso extra judicial, que permitiu a realização da eleição para eleger o novo Bastonário de Ordem dos Médicos da Guiné-Bissau.

Para além disso, Silvio Coelho revelou  que aproveitaram a ocasião convidar o Chefe de Estado para presidir a cerimónia de tomada de posse do novo Bastonário, que terá lugar no proximo dia 02 de Agosto, o convite que o Chefe de Estado aceitou.

O Presidente da Comissão Provisória da Ordem dos Médicos da Guiné-Bissau disse que apresentaram ainda ao Umaro Sissoco Embalo as suas preocupações, enquanto uma organização sócio profissonal, sobre alguns assuntos de vida pública, sobretudo do sector da saúde.

Em relações a falta de materiais no Hospital Nacional Mendes, revelada pelos diferentes responsáveis dos serviços  que compõe aquele estabelecimento sanitário, Silvio Coelho disse que abordaram o assunto com o Presidente Sissoco Embalo, que prometeu tomar deligencias para pôr cobro a esta situação. ANG/LPG/ÂC

 

                                                                                                                                                                                                                    

Energia/PNUD financia com cerca de 3,4 milhões de dólares para serviço de energia  moderna na Guiné-Bissau

Bissau, 23 Jul 24(ANG) – O Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) financiou o governo da  Guiné-Bissau em aproximadamente 3,4 milhões de dólares para Acesso a Serviços  de Energia  Moderna através de mini-redes Sustentáveis e Tecnologias de Bioenergia de baixo Carbono entre as comunidades dependentes das florestas.

A informação consta num comunicado de imprensa de PNUD a que ANG teve acesso, aquando do lançamento do Projeto para promoção de acesso a Energia Sustentável em Comunidades Rurais, financiamento  provenientes do Global Environment Facility (GEF) e do PNUD, para promover a sustentabilidade ambiental e melhorar as condições de vida nas comunidades rurais e tem uma duração prevista de três anos.

Segundo o documento, o  objetivo principal do projeto é fomentar o investimento e desenvolver modelos de negócios sustentáveis em mini-redes solares e tecnologias de bioenergia de baixo carbono, além de criar um ambiente político, institucional e administrativo favorável à gestão dessas mini-redes nas áreas rurais florestais.

Adiantou que, este projeto visa garantir o abastecimento e estimular a demanda por fogões energeticamente eficientes e lenha/carvão vegetal, fornecendo soluções de energia sustentável, a iniciativa e melhorará os meios de subsistência das comunidades florestais marginalizadas em áreas isoladas.

 

Informam que a implementação trará benefícios diretos às comunidades florestais nas regiões de Gabú, Quinará, Tombali e Cacheu, proporcionando-lhes melhor acesso a serviços de energia moderna, essencial para o desenvolvimento econômico e social.

 

Este projeto representa uma oportunidade de melhorar significativamente os meios de subsistência das comunidades rurais, especialmente das mulheres, através das tecnologias associadas à energia solar, aliviando-as de tarefas extenuantes e criando oportunidades de desenvolvimento, geração de renda e educação.

 

“ Ao reduzir a pressão sobre os recursos florestais e promover o uso de tecnologias de bioenergia de baixo carbono, o projeto também contribuirá para a preservação do meio ambiente para as futuras gerações na Guiné-Bissau”, salientou a nota.

Disse que o PNUD está comprometido em apoiar o governo da Guiné-Bissau em transformar positivamente as vidas e experiências das comunidades beneficiadas. ANG/JD/ÂC

Desporto/Liga guineense atribui nome de Amílcar Cabral à Taça da Liga da Guiné-Bissau

Bissau,23 Jul 24(ANG) - A Liga Guineense de Clubes de Futebol (LGCF) vai atribuir o nome de Amílcar Cabral à Taça da Liga que será disputada entre setembro e outubro deste ano, disse esta segunda-feira à Lusa Dembo Sissé, presidente da instituição.

“Amílcar Cabral é conhecido como homem político, mas teve um grande papel na cultura e desporto da Guiné-Bissau”, notou Sissé, quando apresentava as ações programadas para o centenário de Cabral, que se comemora este ano.

O presidente da LGCF afirmou que a Taça Amílcar Cabral foi uma competição disputada a nível das seleções de países da África Ocidental entre 1979 e 2009, mas que a sua instituição “gostaria de herdar e passar a realizar [o evento] internamente”.

No âmbito da homenagem dos agentes de futebol a Amílcar Cabral, “pai” das independências da Guiné e Cabo Verde, a Liga de Clubes de Futebol vai denominar a próxima taça da liga - Taça Amílcar Cabral, referiu Dembo Sissé.

A competição será disputada por 38 clubes, 16 da primeira divisão e 22 da segunda.

A Liga Guineense de Clubes de Futebol está a trabalhar com a Federação e com o Governo no sentido de passar a denominar a taça da liga – Taça Amílcar Cabral, revelou Dembo Sissé.

“Além de ter sido jogador de futebol, em Granja de Pessubé e mais tarde no estádio da Cacoma, em Bissau, Cabral utilizou o futebol para mobilizar jovens para a causa da luta pela independência da Guiné e Cabo Verde”, observou o presidente da LGCF.

As homenagens da liga de futebol a Cabral começam já nas três últimas jornadas do campeonato da primeira divisão sénior deste ano, em que, assinalou Sissé, no início dos jogos será observado um minuto de silêncio.

Os vencedores do campeonato de futebol sénior da primeira e segunda divisão serão considerados vencedores do campeonato Centenário de Amílcar Cabral e no dia de entrega das taças de campeões serão exibidas “fotografias gigantes de Cabral a jogar à bola”, adiantou.

A 12 de setembro de 2024 é assinalado o centenário do nascimento de Amílcar Cabral e um pouco por todo o mundo, e na Guiné-Bissau em particular, o acontecimento é celebrado com diversas iniciativas.ANG/Lusa

Preços das moedas para terça-feira, 23 de julho de 2024

MOEDA

COMPRAR

OFERTA

Euro

655.957

655.957

dólares americanos

599.500

606.500

Yen japonês

3.825

3.885

Libra esterlina

775.250

782.250

Franco suíço

674.750

680.750

Dólar canadense

434.500

441.500

Yuan chinês

82.000

83.750

Dirham dos Emirados Árabes Unidos

162.750

165.750

Fonte: BCEAO

China/Dezenas de pessoas desaparecidas em inundações que fizeram 25 mortos

Bissau, 22 Jul 24 (ANG) – As equipas de salvamento continuam segunda-feira à procura de dezenas de desaparecidos, após fortes chuvas terem provocado inundações repentinas e a queda de uma ponte em diferentes partes da China, matando pelo menos 25 pessoas.

No sábado, a meio da noite, uma inundação repentina destruiu uma aldeia no sudoeste da província de Sichuan. As equipas de salvamento disseram que 10 pessoas morreram e que estão à procura de 29 desaparecidos.

Dias de chuva intensa fizeram transbordar o rio que atravessa uma aldeia no condado de Hanyuan. De acordo com órgãos locais, a água arrastou 40 casas situadas nas margens do rio, tendo também destruído pontes e cortado estradas.

Na província de Shaanxi, no noroeste do país, vários veículos caíram num rio quando parte de uma ponte de uma autoestrada ruiu, na sexta-feira.

A televisão estatal CCTV informou que pelo menos 15 pessoas morreram. Uma fotografia divulgada pela agência noticiosa oficial chinesa Xinhua mostra que uma secção da ponte se partiu e se dobrou num ângulo de quase 90 graus, tombando na água que corria em baixo.

Os socorristas disseram no sábado que cerca de 20 carros e 30 pessoas estavam desaparecidos.

O colapso levantou mais questões sobre a segurança das infraestruturas rodoviárias e das pontes da China, que foram construídas rapidamente nas últimas décadas. Em maio, um desmoronamento semelhante na província de Guangdong matou 36 pessoas.

As chuvas fortes e as inundações representam um risco especial para as estradas de montanha e as pontes rodoviárias devido à erosão, aos fluxos de detritos e aos deslizamentos de terras.

Com as alterações climáticas, é provável que o mundo se depare com fenómenos meteorológicos e climáticos mais extremos, como recordes de calor e de precipitação.

Este ano, só nos primeiros cinco dias de maio, 70 países ou territórios bateram recordes de calor.ANG/Inforpress/Lusa

Ruanda/Resultados finais confirmam vitória esmagadora do presidente Paul Kagame

Bissau, 23 jul 24 (ANG) – A vitória esmagadora do Presidente ruandês, Paul Kagame, nas eleições presidenciais de 15 de julho foi confirmada com a publicação dos resultados finais, atribuindo 99,18% dos votos ao chefe de Estado.

O reeleito Paul Kagame obteve 99,18% dos votos, declarou a Comissão Nacional Eleitoral na noite de segunda-feira.

O chefe de Estado, de 66 anos e que lidera o pequeno país da África Oriental há 30 anos, alcançou uma percentagem superior aos 98,79% conquistados em 2017, depois de obter 95,05% em 2003 e 93,08% em 2010.

Apenas dois candidatos foram autorizados a concorrer nas eleições: Frank Habineza, líder do único partido da oposição autorizado (Partido Democrático Verde, DGPR), e o independente Philippe Mpayimana, que obtiveram 0,50% e 0,32% respetivamente.

Nas eleições legislativas, que aconteceram no mesmo dia das eleições presidenciais, a Frente Patriótica Ruandesa (RPF), de Kagame, e os seus aliados conquistaram 37 dos 53 lugares. Um número abaixo dos 40 lugares do sufrágio anterior.

O partido de Frank Habineza manteve dois lugares, enquanto os outros foram conquistados por aliados do RPF.

Os outros 27 lugares estão reservados por um sistema de quotas para mulheres, jovens e pessoas com deficiência. São atribuídos por voto indireto a candidatos que não pertençam a qualquer partido: 24 mulheres são eleitas pelos conselheiros municipais e regionais, dois jovens pelo Conselho Nacional da Juventude e uma pessoa com deficiência pela Federação das Associações de Deficientes.

Paul Kagame é o homem forte do Ruanda desde julho de 1994, quando ele e a rebelde Frente Patriótica Ruandesa (RPF) derrubaram o Governo extremista hutu que instigou o genocídio que, segundo a ONU, fez mais de 800.000 mortos, principalmente entre a minoria tutsi.

Inicialmente vice-presidente e ministro da Defesa, mas considerado o líder de facto do país, tornou-se Presidente em 2000, eleito pelo Parlamento após a demissão de Pasteur Bizimungu.

A Kagame é atribuída a recuperação económica do Ruanda após o genocídio, sendo também criticado pela falta de abertura democrática no país.

Várias vozes anti-Kagame foram impedidas de concorrer às eleições presidenciais.ANG/Lusa

Bangladesh/Pelo menos 173 mortos e mais de 1.100 detidos na sequência de protestos

Bissau, 23 jul 24 (ANG) - Pelo menos 173 pessoas morreram e mais de 1.100 foram detidas no Bangladesh, nos últimos dias, na sequência dos protestos contra as quotas para o recrutamento de funcionários públicos, noticiou hoje a agência France-Presse.

O movimento estudantil na origem das manifestações suspendeu os protestos na segunda-feira por 48 horas, com o líder a declarar que não quer reformas “à custa de tanto derramamento de sangue”.

As autoridades impuseram o recolher obrigatório e os soldados estão a patrulhar as cidades do país do sul da Ásia, o oitavo mais populoso do mundo, de acordo com a France-Presse (AFP).

O exército anunciou que a ordem tinha sido restabelecida na segunda-feira à noite.

Pelo menos 200 pessoas foram detidas nas regiões de Narayanganj e Narsingdi, no centro do país, disseram à AFP chefes da polícia local.

Além disso, pelo menos 80 pessoas encontram-se detidas em Bogra, 75 na cidade de Rangpur (ambas no norte do país), 168 na cidade industrial de Gazipur, perto da capital, e 60 em Barisal (sul), acrescentaram responsáveis da polícia.

Estes números vêm juntar-se a um total de 532 detenções em Daca, anunciadas já na segunda-feira.

Uma forte presença militar era visível esta manhã na capital, acrescentou a AFP.

As manifestações quase diárias, convocadas no início de julho principalmente por estudantes, destinam-se a obter o fim das quotas de admissão na função pública, com os manifestantes a acusarem que favorecem as elites próximas do poder.

Os protestos subiram de tom nos últimos dias e representam o maior desafio para a primeira-ministra, Sheikh Hasina, desde que conquistou o quarto mandato consecutivo, em janeiro, num ato eleitoral boicotado pelos principais grupos de oposição.

Entretanto, a organização não-governamental de defesa dos direitos humanos Human Rights Watch (HRW) lançou um apelo à comunidade internacional para pedir às autoridades do país "para que ponham termo ao uso excessivo da força contra os manifestantes e responsabilizem as tropas pelas violações dos direitos humanos".

“O Bangladesh tem sido perturbado há muito tempo devido a abusos ilimitados das forças de segurança contra qualquer pessoa que se oponha ao Governo de Sheikh Hasina, e estamos a testemunhar o mesmo manual novamente, desta vez para atacar manifestantes estudantis desarmados”, disse o vice-diretor da HRW para a Ásia, em comunicado.

“Chegou o momento de governos influentes pressionarem Sheikh Hasina para que as suas forças parem de brutalizar estudantes e outros manifestantes", notou Meenakshi Ganguly.

Também o secretário-geral da ONU, António Guterres, exortou na segunda-feira o Governo do Bangladesh a respeitar “o direito à livre expressão e reunião pacífica” e pediu “uma investigação rápida e transparente dos atos de violência”.ANG/Lusa