Itália/ Condenados 32 envolvidos na
tragédia da ponte de Génova
Bissau, 17 Jul 26 (ANG) - Trinta e dois
réus foram condenados nesta quinta-feira (16) a penas que chegam a 12 anos de
prisão em regime fechado no julgamento da tragédia da ponte Morandi, em Génova,
no noroeste da Itália.
O desabamento da estrutura, na manhã
chuvosa de 14 de agosto de 2018, arrastou dezenas de veículos e deixou 43
mortos.
Segundo o tribunal da cidade, entre os
condenados estão vários ex-executivos da concessionária de rodovias Autostrade
per l'Italia (Aspi), responsável pela gestão do gigantesco viaduto situado na
estrada que liga a Itália à França.
Giovanni
Castellucci, ex-diretor-geral da Autostrade, já preso por outro acidente fatal
ocorrido em 2013 em um viaduto no sul da Itália, recebeu a pena mais severa.
Ele foi considerado culpado por negligência e homicídio culposo ao fim de um
julgamento iniciado em 2022 sob uma grande tenda montada no pátio do tribunal
de Génova.
“Sinto-me responsável, mas não culpado”, declarou ele aos juízes, apesar das conclusões contundentes dos magistrados encarregados de investigar a tragédia, cujas Imagens correram o mundo.
Os ex-números 2 e 3 da Autostrade foram condenados, respectivamente, a cinco anos e meio e 11 anos de prisão. Um ex-funcionário do Ministério italiano da Infraestrutura e dos Transportes responsável pela fiscalização das concessões rodoviárias recebeu pena de cinco anos de prisão.
Outros 28 coreus, de um total de 57 acusados, também foram considerados culpados e condenados a penas de pelo menos um ano e 11 meses de prisão, informou a agência de notícias Agi.
“Hoje podemos dizer que existem culpados pelas mortes dos nossos parentes”, declarou Michele Matti Altadonna, irmão de uma das 43 vítimas, após a leitura da sentença.
“Essa ponte não desabou por acaso. (...) Como sempre sustentamos, e como o Ministério Público afirmou repetidamente, esse colapso poderia ter sido evitado”, declarou o advogado Raffaele Caruso, representante do comitê de familiares das vítimas da ponte Morandi.
O vice-ministro italiano da
Infraestrutura e dos Transportes, Edoardo Rixi, comemorou o fato de que “as
responsabilidades foram finalmente estabelecidas”.
“O desabamento não foi uma fatalidade,
mas o resultado de erros e omissões graves por parte daqueles que tinham o
dever de garantir a segurança” da obra, afirmou.
“É um dia de enorme peso histórico e
emocional para a cidade de Génova”, comentou a perfeita da cidade, Ilaria
Salis, dentro do tribunal.
Durante o processo, os magistrados
destacaram que, entre a inauguração da ponte, em 1967, e seu desabamento, 51
anos depois, não foram realizadas intervenções mínimas de manutenção para
reforçar os cabos do pilar número 9, que cedeu no dia da tragédia.
A fragilidade desses cabos era
conhecida. Obras de reforço já haviam sido realizadas em dois pilares
idênticos, os de números 10 e 11, e intervenções semelhantes estavam previstas
para o pilar 9.
A tragédia lançou luz sobre o estado
precário da infraestrutura de transporte na Itália e sobre o papel controverso
da Autostrade, acusada de negligenciar a manutenção da obra para reduzir
custos.
A defesa, porém, contestou essa
conclusão. Giovanni Paolo Accinni, advogado de Giovanni Castellucci, afirmou
nesta quinta-feira que seu cliente é inocente e anunciou que recorrerá da
sentença. Segundo a principal tese da defesa, o desabamento teria sido
provocado por um defeito oculto de construção – a corrosão dos cabos da ponte –
e não pela falta de manutenção.
Embora seus antigos dirigentes tenham
sido levados ao banco dos réus, a Autostrade e sua subsidiária Spea escaparam
do julgamento graças a um acordo firmado com o Ministério Público.
Na época da tragédia, a concessionária
pertencia ao grupo Atlântia, controlado pela família Benetton. Sob forte
pressão da classe política e da opinião pública, a Benetton acabaram vendendo
sua participação ao Estado em Maio de 2022.
ANG/RFI com AFP

Sem comentários:
Enviar um comentário