Suíça/Epidemia por Ébola na RDCongo está a propagar-se "mais rapidamente" do que as anteriores – OMS
Bissau, 17 Jul (ANG) - A
epidemia do vírus Ébola, declarada há dois meses na República Democrática do
Congo (RDCongo), está a propagar-se "mais rapidamente do que todas as
epidemias anteriores", alertou hoje o diretor-geral da Organização Mundial
da Saúde (OMS).
"Trata-se agora da
terceira maior epidemia de Ébola de sempre: nos últimos meses, propagou-se mais
rapidamente do que todas as epidemias anteriores", afirmou perante a
imprensa em Genebra, na Suíça, o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom
Ghebreyesus.
"Até à data, foram
notificados 2.003 casos, dos quais 796 mortes", afirmou Tedros, que, a
título de comparação, referiu que a epidemia de Ébola de 2018, na RDCongo,
"demorou mais de 10 meses a atingir o limiar dos 2.000 casos
confirmados".
Essa epidemia, a mais mortífera do país,
causou cerca de 2.300 mortes entre os 3.500 doentes registados entre 2018 e
2020.
Tedros referiu, ainda, que a
"maior preocupação" da OMS recai atualmente sobre a transmissão da
doença na província de Ituri (nordeste da RDCongo), foco desta 17.ª epidemia,
onde "mais de 80% dos novos casos são detetados fora das listas de
contactos conhecidos".
Isto "mostra que as
cadeias de transmissão continuam a escapar à vigilância", alertou,
indicando que cerca de dois terços das mortes ocorriam nas comunidades,
"em pessoas que nunca foram atendidas num estabelecimento de saúde".
Por outro lado, Tedros referiu
que existem progressos, como a capacidade de acolhimento de doentes, que
ultrapassa agora os 800 leitos "e continua a aumentar". Existem,
ainda, o aumento dos meios de rastreio com 60 laboratórios instalados e uma
taxa de acompanhamento de contactos que "aumentou para atingir cerca de
80%", concluiu.
Atualmente, não existe vacina
nem tratamento contra a variante Bundibugyo do vírus Ébola, responsável pela
epidemia atual, mas a OMS indicou ter lançado, no início deste mês, ensaios
clínicos relativos a dois tratamentos: o anticorpo monoclonal MBP134 e o
antiviral remdesivir, isoladamente ou em associação.
Tedros referiu ainda que, esta
semana, teve início o primeiro ensaio de segurança da vacina ChAdOx1, sob a
coordenação da Universidade de Oxford (Reino Unido).
Na terça-feira, teve início
outro ensaio clínico, com o objetivo de avaliar a eficácia de uma profilaxia
pós-exposição (PEP) com o antiviral obeldesivir em doentes que estiveram em
contacto com casos confirmados de Bundibugyo.
"Mesmo na ausência de
vacinas e tratamentos aprovados, 377 pessoas recuperaram, o que demonstra que,
com um diagnóstico precoce e cuidados de saúde seguros, esta doença pode ser
superada e a sua propagação travada", assegurou o diretor-geral da OMS.
A RDCongo, país da África
central vizinho de Angola, tem vindo a combater a epidemia do Ébola causado
pelo raro vírus Bundibugyo desde maio.
Oficialmente declarada em Maio
em Ituri, província fronteiriça com o Uganda e o Sudão do Sul, a epidemia
alastrou-se igualmente para o Uganda, que registou duas mortes em 20 casos e
que anunciou, hoje, que já não tem nenhum doente infetado com Ébola.
A epidemia está associada à
estirpe de Bundibugyo, cuja taxa de letalidade oscila entre os 30% e os 50% e
para a qual não existe vacina autorizada nem tratamento específico, de acordo
com a OMS, que considera “elevado” o risco de propagação do surto na África
subsaariana e “baixo” à escala global.
A OMS estima que o vírus tenha
começado a circular em Ituri cerca de dois meses antes da declaração do surto e
classificou a epidemia, no passado dia 17 de Maio, como uma “emergência de
saúde pública de importância internacional”.
O vírus transmite-se por
contacto direto com fluidos corporais de pessoas ou animais infetados e provoca
febre hemorrágica grave, vómitos, diarreia e hemorragias internas.
ANG/Inforpress/Lusa

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