quinta-feira, 28 de maio de 2026

Cuba/Governo pede "contribuição" da ONU para deter agressão militar dos Estados Unidos

 

Bissau, 28 Mai 26 (ANG) - O chefe da diplomacia cubana, Bruno Rodríguez, solicitou esta terça-feira à ONU a "contribuição para impedir uma agressão militar dos Estados Unidos" contra a ilha, durante a reunião com o secretário-geral da organização, António Guterres.

 

"Solicitei a contribuição da ONU para impedir uma agressão militar dos Estados Unidos contra Cuba, que provocaria um banho de sangue, e para que cessem as ameaças de uso da força", escreveu Rodríguez nas redes sociais.

 

O ministro das Relações Exteriores cubano, que participou em Nova Iorque numa sessão do Conselho de Segurança da ONU, referiu na mensagem que informou Guterres sobre "a grave situação humanitária que o povo cubano enfrenta, consequência direta do recrudescimento extremo do bloqueio por parte do Governo dos EUA, com medidas adicionais, sanções secundárias e um cerco energético brutal".

 

"Reiterei, apesar disso e da incoerência da contraparte, a disponibilidade de Cuba para continuar as conversações bilaterais com os EUA sem ingerência nos nossos assuntos internos, sistema político ou eleições", assinalou.

 

Rodríguez indicou que explicou ao secretário-geral da ONU a "rejeição da acusação infame, fraudulenta e ilegal" apresentada pelo Departamento de Justiça dos EUA contra o ex-presidente cubano Raúl Castro relativamente ao abate, por forças da ilha, de dois aviões de pequeno porte que causou quatro mortos há trinta anos.

O ministro reiterou ainda o "compromisso de Cuba com a paz e a segurança internacionais, o multilateralismo, a cooperação e o respeito pelo direito internacional".

 

Numa intervenção perante a sessão do Conselho de Segurança, convocada pela China, Rodríguez acusou Washington de estar a levar a cabo um "ato de guerra e de genocídio" com o bloqueio energético que impõe à ilha, mas afirmou estar disposto a dialogar com o Governo norte-americano.

 

Desde o início do ano, a Administração do Presidente norte-americano, Donald Trump, tem reforçado a pressão sobre o Governo de Havana, com um bloqueio petrolífero desde há cinco meses e um alargamento das sanções económicas.

 

Além disso, Trump tem ameaçado "assumir o controlo" do país e levar por diante uma estratégia assumida com a Venezuela, desde a operação de captura e extração para Nova Iorque do ex-presidente venezuelano, Nicolás Maduro, em Caracas em Janeiro.

 

Estas ações, precisamente aliadas à captura de Maduro e ao controlo por Washington da nova liderança do regime venezuelano - aliado fundamental de Cuba -, agravaram a crise económica e humanitária que assola a ilha, que enfrenta escassez de petróleo e uma grave crise energética. ANG/Inforpress/Lusa

 

China/Pequim recebe 21 líderes estrangeiros em cinco meses e reforça influência diplomática

Bissau,28 Mai 26(ANG) – Analistas consideram que sucessão de visitas de líderes estrangeiros à China este ano está a reforçar a imagem de Xi Jinping como figura central da diplomacia global e a narrativa de Pequim como servindo de pilar do multilateralismo.

 

Nos primeiros cinco meses do ano, 21 chefes de Estado ou de Governo visitaram a China, incluindo os líderes da Alemanha, Espanha, Canadá e Reino Unido, segundo cálculos do Financial Times com base em dados do ministério dos Negócios Estrangeiros chinês. 

 

O Presidente norte-americano, Donald Trump, e o homólogo russo, Vladimir Putin, realizaram este mês cimeiras consecutivas com Xi. Esta semana, deslocaram-se também a Pequim o primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, e o Presidente sérvio, Aleksandar Vucic. 

 

Analistas citados pelo jornal britânico consideram que a "parada" de líderes estrangeiros ajuda Pequim a apresentar-se como parceiro estável e defensor da ordem multilateral, numa altura em que os Estados Unidos enfrentam críticas pela imprevisibilidade da política externa de Trump. 

 

Para o público interno chinês, o fenómeno evoca ainda o antigo sistema tributário imperial, em que governantes estrangeiros viajavam até à corte do imperador chinês. 

 

"Há um contexto chinês particular nisto, sobretudo na forma como é percecionado pelo público chinês, como um regresso ao estado natural das coisas, em que os outros vêm até si", afirmou John Delury, historiador da China moderna e investigador sénior da Asia Society. 

"O imperador nunca saía da China", acrescentou. 

Xi Jinping tem reduzido significativamente as deslocações ao estrangeiro. O líder chinês não saiu do país este ano e realizou apenas seis viagens internacionais em 2025. 

 

Segundo dados compilados pela Asia Society, Xi realizou 100 visitas ao estrangeiro nos primeiros sete anos após assumir a liderança do Partido Comunista Chinês, em 2012, mais do que as 90 viagens feitas pelos presidentes norte-americanos Barack Obama e Donald Trump no mesmo período. 

 

Desde o levantamento das restrições da pandemia da covid-19, em 2022, Xi realizou apenas 26 deslocações internacionais, contra 56 dos Presidentes norte-americanos Joe Biden e Donald Trump. 

 

Neil Thomas, especialista em política chinesa no Australian Strategic Policy Institute (ASPI), considerou que as viagens recentes de Xi se concentraram sobretudo em países vizinhos e parceiros estratégicos da Ásia Central e do sudeste asiático, regiões frequentemente "negligenciadas" pelos Estados Unidos. 

 

Para Damien Ma, diretor do centro Carnegie China, sediado em Singapura, receber líderes em encontros bilaterais permite a Pequim exercer maior influência sobre parceiros menos poderosos e privilegiar relações diretas em detrimento de fóruns multilaterais. 

 

"Para a China, a estrada para a Europa passa por Berlim e Paris, não por Bruxelas", afirmou. 

 

Segundo os analistas, as visitas produziram resultados variados para os líderes estrangeiros. 

 

Durante a visita do primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, Pequim reduziu para metade as tarifas de 10% sobre o whisky britânico e autorizou viagens sem visto para cidadãos do Reino Unido, enquanto a farmacêutica AstraZeneca anunciou um investimento de 15 mil milhões de dólares (quase 13 mil milhões de euros) na China. 

 

No caso do Canadá, Xi concordou em levantar tarifas sobre sementes de colza, uma importante exportação agrícola canadiana, durante a visita do primeiro-ministro Mark Carney. 

 

Michael Kovrig, antigo diplomata canadiano detido na China durante quase três anos, afirmou ao FT que as visitas de líderes ocidentais "ansiosos" por se aproximarem de Pequim reforçam a narrativa promovida por Xi sobre "a ascensão da China e o declínio dos Estados Unidos". 

 

O analista defendeu que os países ocidentais deveriam coordenar melhor as políticas em relação à China, em vez de procurarem acordos bilaterais isolados.

 

Apesar da intensa agenda diplomática, alguns observadores consideram que Xi estará cada vez mais focado na política interna à medida que se aproxima o 21.º Congresso do Partido Comunista Chinês, previsto para 2027, no qual deverá assegurar um quarto mandato de cinco anos no poder. 

 

"Já estamos basicamente em período de campanha na China", afirmou Damien Ma. "Para Xi Jinping, é melhor estar em casa do que passar o tempo num avião".  ANG/Inforpress/Lusa

 

África do Sul/Voo de deportação expõe violência xenófoba neste país africano

Bissau, 28 Mai 26 (ANG) - O primeiro voo com cidadãos ganeses evacuados da África do Sul após novos episódios de violência xenófoba seguia para Accra nesta quarta‑feira (27), segundo o governo de Gana.

A operação inaugura a repatriação de centenas de pessoas, em meio a ataques contra estrangeiros e protestos anti‑imigrantes em solo sul‑africano.

O episódio reacende debates sobre migração, integração continental e a distância entre a retórica pan-africana e a realidade enfrentada por trabalhadores do continente.

O primeiro voo de repatriação de cidadãos ganeses que deixaram a África do Sul após novos episódios de violência xenófoba decolou na manhã desta quarta‑feira (27) e seguia rumo a Accra no meio da tarde, segundo o Ministério das Relações Exteriores de Gana.

A operação marca o início de uma retirada em larga escala: cerca de 800 ganeses devem ser evacuados nos próximos dias, em resposta a protestos e ataques contra estrangeiros que voltaram a se espalhar pelo país mais industrializado do continente.

O voo inaugural, que sofreu atraso antes da decolagem, transporta aproximadamente 300 pessoas. Imagens registadas no aeroporto O.R. Tambo, em Joanesburgo, mostram longas filas de famílias ganesas aguardando embarque, muitas delas carregando apenas malas pequenas e documentos de viagem.

O governo de Gana afirmou que oferecerá apoio financeiro para reintegração e assistência psicossocial aos repatriados, que chegam após meses de tensão crescente.

A África do Sul, destino histórico de trabalhadores migrantes de toda a região, vive ciclos recorrentes de hostilidade contra estrangeiros, alimentados por um desemprego que supera 30% e por disputas locais por trabalho e serviços públicos. 

Os surtos de violência, que já ocorreram em 2008, 2015 e 2019, voltaram a ganhar força após a circulação de um vídeo que mostra a agressão de Emmanuel Asamoah, cidadão ganês residente no país. As imagens viralizaram e reacenderam debates sobre a incapacidade do Estado sul‑africano de conter ataques motivados por xenofobia.

As tensões recentes também expõem contradições profundas no discurso político africano. Embora governos defendam a integração continental e a livre circulação de pessoas, migrantes africanos continuam enfrentando hostilidade em vários países.

Para especialistas, a distância entre a retórica panafricana e a realidade quotidiana se amplia quando crises económicas pressionam populações locais e alimentam movimentos anti‑imigrantes.

O governo de Gana tem buscado transformar o episódio em tema de debate continental.

Em reuniões na União Africana, autoridades ganesas alertaram que ataques recorrentes contra estrangeiros ameaçam projetos de integração, como a Zona de Livre‑Comércio Continental Africana, e fragilizam compromissos de mobilidade regional.

Para Accra, a violência na África do Sul não é apenas um problema doméstico, mas um obstáculo político que compromete ambições económicas compartilhadas.

A evacuação também ocorre num momento em que países africanos enfrentam pressões internas para proteger seus cidadãos no exterior. A resposta rápida de Gana contrasta com a lentidão observada em crises anteriores e reflete a crescente expectativa de que governos atuem de forma mais assertiva diante de riscos à segurança de migrantes.

Para famílias que aguardam parentes em Accra, o retorno representa alívio, mas também incerteza: muitos dependiam de empregos informais na África do Sul e agora precisarão reconstruir suas vidas. ANG/RFI/AFP

 

terça-feira, 26 de maio de 2026

Politica / Conselho de Ministros aprova  nova lei das comunicações eletrónicas e  e faz novas nomeações na administração pública

Bissau, 26 M
ai 26 (ANG) - O Conselho de Ministros aprovou, com alterações, a proposta de lei sobre Comunicações Eletrónicas na Guiné-Bissau, visando estabelecer o regime jurídico aplicável às redes e aos serviços de comunicações eletrónicas, bem como aos recursos e serviços conexos no país.

A decisão consta no comunicado do Conselho de Ministros, reunido hoje em  sessão ordinária e presidido pelo Presidente da República de Transição, Horta Inta-a.

Durante a reunião, o Executivo analisou e deliberou sobre várias matérias consideradas prioritárias para o funcionamento das instituições públicas e o reforço do quadro legal do país.

O Governo instituiu uma comissão integrada pelos Ministérios da Justiça, da Administração Pública e pelo Secretariado-Geral do Governo, com o mandato de, em colaboração com o Poder Judicial, proceder à análise e introdução de alterações na proposta de revisão dos Estatutos dos Magistrados Judiciais e do Conselho Superior da Magistratura Judicial.

Segundo o comunicado, assinado  pelo Ministro da Presidência do Conselho de Ministros e dos Assuntos Parlamentares, Usna António Quadé, o objetivo é eliminar disposições que possam ter impactos negativos no Orçamento Geral do Estado, antes da aprovação definitiva da proposta em Conselho de Ministros.

No capítulo das nomeações, o Conselho de Ministros deu anuência ao despacho do Primeiro-ministro para a movimentação de quadros dirigentes da Administração Pública.

No Ministério das Finanças, Ufé Vieira Gomes da Silva foi nomeado para o cargo de Secretário-Geral.

No Ministério da Administração Territorial e Poder Local, Santos Fernandes foi nomeado Inspetor-Geral, enquanto que Umaro Baldé assume a Presidência da Câmara Municipal de Bissau.

Já no Ministério da Administração Pública, Trabalho, Emprego e Segurança Social, Vençã Mendes foi nomeado Diretor-Geral da Escola Nacional de Administração(ENA).

O Comunicado esclarece que, em consequência destas nomeações, cessam funções nos mesmos cargos os anteriores titulares. ANG/LPG/ÃC//SG

Floresta/ Governo suspende concessão de licenças e atividades de exploração florestal até nova ordem

Bissau, 26 Mai 26 (ANG) – O Primeiro-ministro suspendeu, até nova ordem, a concessão de licenças de exploração florestal para fins comerciais, bem como todas as atividades comerciais subsequentes  relacionadas com a transformação, transporte, drenagem, comercialização e exploração de madeira, salvo os do estoque acumulado antes até 31 de Maio de 2026.

A medida consta no Despacho número 38/ 2026, à que  a  ANG teve acesso hoje, no qual Ilídio Vieira Té  justificou a decisão com evidências de práticas lesivos ao património florestal nacional e aos interesses superiores do Estado revelados em  relatórios e informações provenientes das autoridades competentes  de proteção da natureza, fiscalização florestal e serviços aduaneiros.

Segundo despacho, o   Primeiro-ministro invoca   existem  de situações recorrentes de abuso no exercício dos direitos conferidos no âmbito das  licenças de exploração florestal, nomeadamente no derrube de árvores, na sua transformação em troncos ou toros de madeira, transporte, drenagem e comercialização interna e externa de madeira.

“Há uma necessidade imperiosa de pôr termo às  referidas práticas, que comprometem gravemente a preservação, valorização e sustentabilidade da  biomassa florestal, com impatos negativos sobre a economia familiar e nacional, e os esforços de mitigação dos efeitos nefastos das alterações climáticas”,referiu Ilídio Vieira Té no despacho.

ANG/PLG/ÂC//SG

 

Política/PM de Transição demite Presidente da Câmara Municipal de Bissau por alegadas “graves falhas de fiscalização e gestão urbana”

Bissau, 26 Mai 26 (ANG) – O Primeiro-ministro de Transição (PMTI, Ilídio Vieira Té, demitiu, segunda-feira, o Presidente da Câmara Municipal de Bissau (CMB) José de Medina Lubato, por alegadas “falhas graves”, na fiscalização e gestão urbana.

Segundo uma nota à imprensa produzida  pelo Gabinete de Comunicação do Primeiro-ministro, à que a Agência de Notícias da Guiné (ANG) teve acesso esta terça-feira. a demissão foi decidida  num encontro de urgência  convocado pelo PM, apôs o incêndio no Mercado de “Subida de Cabana”, em Bissau, que causou danos “incalculáveis”, em mais de seis armazéns de mercadorias.

Participaram nessa reunião  membros do Governo, Conselheiros e responsáveis Setoriais, que tomaram medidas para se evitar novos incêndios.

 “Este incêndio revelou fragilidades estruturais extremamente preocupantes, ao nível da prevenção, fiscalização, gestão urbana, instalações elétricas e capacidade operacional do Estado perante situações de emergência”, lê-se no documento.

De acordo com o documento, durante a reunião, o Chefe de Executivo recordou que apôs o incêndio anteriormente registado  em Bafatá, o Governo já havia determinado a realização de inspeções técnicas aos mercados, e fiscalização das instalações elétricas, combate às ligações clandestinas e adopção de medidas preventivas contra incêndios.

Vieira Té referiu que o recente incêndio das infraestruturas comerciais na Subida de Cabana   demostra que muitas das orientações feitas  não foram executadas, ou revelaram-se insuficientes, devido à  ligações clandestinas e falhas graves de fiscalização.

“Entre as principais constatações feitas durante o encontro, destacaram-se a persistência de ligações clandestinas à rede elétrica pública, comércio ilegal de energia e instalações improvisadas, consideradas altamente perigosas para a vida humana”, refere a  nota.

Para desencorajar a prática, o PM determinou as autoridades competentes, a detenção dos indivíduos identificados na comercialização ilegal da energia elétrica fornecida pela EAGB.

Na ocasião, o ministro do Interior, Mamasaliu Embaló destacou que a rápida intervenção da ASECNA no terreno foi bastante decisiva para limitar a propagação do fogo.

Embaló falou na  ocasião das limitações  da capacidade operacional dos Bombeiros de Bissau e da insuficiência de equipamentos e meios de intervenção.

Por sua vez, o titular
da pasta da Energia, Mário Musante da Silva declarou   que a instituição que dirige, se encontra em processo de reorganização, admitindo  que não existe, anteriormente, um verdadeiro departamento funcional de fiscalização e inspeção no seu ministério.

A Nota indica  que o ministro da Administração Territorial e Poder Local, Carlos Nelson Sanó reconheceu as graves falhas  na gestão dos mercados, a ausência de controlo efetivo dos espaços comerciais e  responsabilidade da Câmara Municipal de Bissau no incêndio ocorrido.

No fim dessa reunião de emergência promovida pelo PM,  Governo ordenou de imediato, a elaboração de um Plano Nacional de Prevenção de incêndios nos Mercados Urbanos, num prazo máximo de 30 dias.ANG/LLA/ÂC//SG

 

        Política / Presidente da República de Transição remodela Governo

Bissau, 26 Mai 26 (ANG) – O Presidente da República de Transição, procedeu hoje a remodelação do Executivo liderado por  Ilídio Vieira Té,  com as mudanças nas pastas dos Negócios Estrangeiros, da Cooperação Internacional e das Comunidade , no Ministério da Justiça e dos Direitos humanos e no Ministério do Ambiente e Açã Climática.

Fatumata Jau, que era Secretária de Estado da Cooperação Internacional é a nova ministra dos Negócios Estrangeiros, da Cooperação Internacional e das Comunidades. Substituiu João Bernardo Vieira, agora nomeado ministro das Justiça e dos Direitos Humanos.

Horta Inta-a ainda nomeou  Carlos Pinto Pereira para a funções de ministro do Ambiente e Ação Climática
e Justino Vieira para o cargo do Secretário de Estado do Tesouro, em substituição do falecido Mamadú Baldé.

De acordo com a Nota Informativa do Gabinete de Comunicação e Relações Públicas da Presidência da República, o Presidente de Transição da República justificou as mudanças com a necessidade de reforçar a ação governativa, para  melhor responder aos desafios internos e externos, decorrentes de uma conjuntura internacional difícil e muito exigente.

De fora do Executivo ficou  Augusto Idrissa Embaló que desempenhava as funções de  ministro do Ambiente e Ação Clímática.  ANG/LPG/ÂC//SG

 

 

 

      Regiões/Incêndio agrava dificuldades no setor educativo em Gã Dinós

Quinará, 26 Mai 26 (ANG) – Um incêndio ocorrido no último fim de semana, na povoação de Gâ-Dinós, secção de Madina de Baixo, setor de Empada, região de  Quinará, sul do país, que consumiu completamente quatro casas, deixando várias famílias sem-abrigo está a  agravar dificuldades no setor educativo local.

Em declarações à ANG, Andreia da Silva, proprietário de um Jardim Infantil da povoação de Gâ-Dinós, disse que o fogo destruiu grandes quantidades de arroz, castanha de caju, roupas e também  dinheiro com que a comunidade educativa vinha a contribuir para o fundo escolar , destinado à reabilitação da escola e à construção de novos pavilhões.

Andreia da Silva explicou que está em curso a construção de salas de aulas, uma iniciativa liderada por uma filha da aldeia com apoio da comunidade.

Disse que essa obra  corre o risco de ficar paralisada por falta de cinco peças de madeira necessárias para concluir a cobertura do edifício.

 “A comunidade enfrenta uma enorme carência de escolas. Muitas crianças iniciam o ano preparatório  aos seis anos de idade, devido à inexistência de infra estruturas escolares adequadas,” lamentou.

.A preocupação de Andreia da Silva é manifestada dias depois de um incêndio provocado por um membro da comunidade, que teria colocado o fogo na floresta para preparar campos de cultivo de arroz.

Perante a situação, apela apoio do Governo para resolver o problema.

Ela admite que as  crianças poderão enfrentar dificuldades para concluir o ano letivo devido às consequências da tragédia.

Destacou, que estão a construir pavilhões por  iniciativa  própria e o esforço da comunidade, e que a infraestrutura alberga um Jardim Infantil
e aulas de alfabetização para mulheres.

Andreia da Silva é mentora da iniciativa de construção do jardim infantil na tabanca de Gã Dinós. ANG/RC/JD/ÂC//SG

                   Etiópia/ Celebração do Dia de África na sede da UA

Bissau, 26 Mai 26 (ANG) - - O Dia da África foi comemorado na segunda-feira na sede da União Africana (UA) em Adis Abeba, sob o tema "Sessenta e três (63) anos de unidade, integração e desenvolvimento, vamos celebrar juntos".


Nessa ocasião, o Presidente da Comissão da UA, Mahmoud Ali Youssouf, indicou que o Dia da África é tanto uma celebração da "nossa herança comum" quanto um reconhecimento do papel crescente da África no cenário mundial, acrescentando que o continente continua a defender a solidariedade, a cooperação e a humanidade compartilhada em um mundo cada vez mais incerto.

Ao longo do último ano, a voz da África continuou a ganhar importância no cenário mundial, acrescentou, salientando que "a nossa adesão permanente ao G20 representa um passo histórico rumo à participação da África na tomada de decisões económicas globais e dá um contributo significativo para soluções internacionais em matéria de paz, clima, segurança alimentar, comércio, saúde e desenvolvimento sustentável".

Ele reafirmou o compromisso inabalável da UA com as aspirações da Agenda 2063 e com a "construção da África que queremos", observando que a União Africana também continua a promover reformas institucionais destinadas a construir uma União mais forte, mais eficaz e mais responsável, capaz de atender às aspirações dos povos do continente.

A África permanece unida em seu apelo por um sistema multilateral mais justo e representativo, incluindo uma reforma abrangente do Conselho de Segurança das Nações Unidas para corrigir a longa injustiça histórica contra o continente, prosseguiu ele.

A celebração do Dia da África foi marcada pela organização de eventos esportivos e culturais. ANG/Faapa


    África do Sul/Treze pessoas mortas em tiroteios durante fim de semana

Bissau, 26 Mai 26 (ANG) - A província sul-africana do Cabo Ocidental teve um fim de semana particularmente sangrento, com pelo menos 13 pessoas mortas em uma série de tiroteios distintos, segundo relatos da polícia.

A polícia provincial confirmou na segunda-feira que estava investigando dois tiroteios distintos em Makhaza e Endlovini, nos quais seis homens foram mortos com poucas horas de diferença.

No primeiro incidente, três homens com idades entre 20 e 24 anos foram mortos a tiros dentro de uma habitação informal.

O porta-voz da polícia, André Traut, disse que os familiares ouviram tiros antes de encontrarem as vítimas baleadas dentro da casa.

Num segundo incidente, três homens adultos na casa dos trinta anos foram alvejados numa taberna em Endlovini, nas primeiras horas da manhã de segunda-feira, prosseguiu ele, acrescentando que as vítimas posteriormente sucumbiram aos ferimentos num centro médico.

"Os suspeitos envolvidos em ambos os incidentes fugiram e ainda não foram presos, enquanto os motivos continuam sendo investigados", disse o mesmo oficial.

Entre sexta-feira e sábado, sete pessoas também foram mortas em diversos tiroteios em diferentes locais.

"Os cinco incidentes resultaram em sete mortes. Relatórios oficiais da polícia indicam que um dos incidentes ocorreu em Mgabadeli, onde um homem de 46 anos foi morto a tiros após retornar do trabalho, aparentemente por três homens armados que fugiram em seguida", explicou Novela Potelwa, outra porta-voz da polícia.

Em Thubelisha, dois homens de 27 e 32 anos também foram mortos a tiros por homens armados não identificados, explicou o mesmo oficial, acrescentando que a polícia também descobriu, em outra área, os corpos de um homem de 27 anos e de uma mulher de 26 anos dentro de um barraco, ambos com ferimentos de bala.

Policiais em patrulha também foram abordados e informados de outro incidente na Rua Luyolo, entre moradias precárias, onde descobriram o corpo de um homem de 33 anos que havia sido baleado.

"Na madrugada de sábado, a polícia foi chamada à 7ª Avenida, onde foi encontrado o corpo de um homem de 37 anos que também apresentava ferimentos de bala", relatou ela.

Ela afirmou que os motivos desses tiroteios são objeto de investigação policial, especificando que nenhuma prisão foi efetuada até o momento.

Na última sexta-feira, o Ministro da Polícia, Firoz Cachalia, anunciou que a África do Sul registou 5.181 assassinatos entre 1º de Janeiro e 31 de Março deste ano, uma média de 58 homicídios por dia. ANG/Faapa

         
       Congo
/Governo anuncia abolição de vistos para africanos a partir de 2027

Bissau, 26 Mai 26 (ANG) - A República do Congo abolirá os vistos para todos os cidadãos africanos a partir de 2027, anunciou o presidente congolês Denis Sassou N'Guesso na segunda-feira em Brazzaville, por ocasião da celebração do Dia da África.

"A partir de 1º de Janeiro de 2027, os cidadãos de todos os países africanos poderão usufruir da isenção de visto e não precisarão mais de visto para entrar no Congo", afirmou o Chefe de Estado, apelando ao fortalecimento da integração regional através da implementação concreta da Área de Livre Comércio Continental Africana (AfCFTA).

Por sua vez, o atual Presidente da União Africana, Évariste Ndayishimiye, Presidente da República do Burundi, apelou, na sua mensagem por videoconferência, a uma maior solidariedade africana, a uma integração continental acelerada e a reformas dos sistemas de governação à escala global, de forma a melhor refletir o papel crescente de África nos assuntos mundiais.

Representando a Presidente da Comissão da União Africana, Selma Malika Haddadi, Vice-Presidente da Comissão, afirmou que a celebração do Dia da África é uma oportunidade para homenagear o Grupo Banco Africano de Desenvolvimento (BAD) pelo seu papel essencial como principal financiador do desenvolvimento no continente.

"Durante décadas, o AfDB demonstrou que uma África que investe em si mesma é uma África que fortalece sua soberania económica, sua resiliência e sua capacidade de assumir o controle de seu próprio desenvolvimento", afirmou ela.

Celebrado anualmente em 25 de Maio, o Dia da África comemora a fundação da Organização da Unidade Africana em Addis Abeba, em 1963, que mais tarde se transformou na União Africana. ANG/Faapa

   


Côte D´Ivoire/ CEDEAO recorre aos meios de comunicação social para reforçar a governação da segurança na África Ocidental

Bissau, 26 Mai 26 (ANG) - O papel da mídia e dos atores da sociedade civil na consolidação e promoção da governança da segurança foi destacado em Abidjan pela Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental.

Durante uma reunião de dois dias dedicada à reforma e governança do setor de segurança, as diversas partes interessadas afirmaram unanimemente que a mídia e as organizações da sociedade civil são chamadas a desempenhar um papel mais ativo nas políticas de segurança implementadas na África Ocidental.

Essa observação, acrescentam, decorre de uma abordagem que deve ser mais participativa e democrática em relação às questões de segurança, lembrando, nesse sentido, o contexto regional marcado pelo aumento da desordem informacional, mas também por riscos e ameaças multifacetados à segurança.

Consideraram que a participação cidadã e o controlo democrático continuam a ser essenciais para uma governação da segurança eficaz e mais inclusiva, sublinhando, ao mesmo tempo, a necessidade de uma compreensão aprofundada dos progressos alcançados nesta área a nível sub-regional, bem como a identificação dos desafios persistentes e das reformas de segurança implementadas.

Cabe ressaltar que esta reunião foi organizada no âmbito do Projeto de Apoio da CEDEAO para a Paz, Segurança e Governança (ESPG), que abrange o período de Dezembro de 2024 a Dezembro de 2027 e conta com financiamento conjunto da União Europeia (UE) e do Ministério Alemão da Cooperação Económica e do Desenvolvimento.

Em seu discurso na ocasião, o chefe do Projeto EPSG, Oswald Padounou, lembrou que o Quadro Político da CEDEAO sobre Reforma e Governança do Setor de Segurança (SSRG), adotado em 2016 em Dakar, permanece amplamente desconhecido em diversos Estados-membros, observando que, embora alguns países já tenham integrado os princípios de governança de segurança defendidos pela organização sub-regional, outros ainda estão atrasados ​​em sua apropriação.

Ele prosseguiu dizendo que o objetivo é promover uma melhor compreensão da estrutura do RGSS e, assim, criar um espaço de troca entre os vários atores envolvidos nas reformas de segurança.

O Sr. Padounou observou que esta reunião oferece à mídia e às organizações da sociedade civil a oportunidade de compreender melhor este instrumento político estratégico, a fim de aumentar sua contribuição para o controle democrático das políticas de segurança pública.

Recordamos que o Quadro Político da CEDEAO sobre a Reforma do Setor de Segurança e a Governança constitui um ponto de referência para os Estados-Membros, as Instituições Comunitárias e os Parceiros Técnicos.

Este roteiro estabelece diretrizes para o desenvolvimento, implementação e avaliação de políticas de segurança, com ênfase em princípios como transparência, responsabilidade e respeito ao Estado de Direito. ANG/Faapa

 

Sociedade/ Primeiro-ministro  defende educação e a valorização da juventude nas comemorações dos 51 anos do Liceu Nacional Kwane Nkrumah

Bissau, 26 Mai 26 (ANG) – O Primeiro-ministro defendeu , segunda-feira, uma “aposta forte”  na educação,  juventude e na construção de instituições sólidas  para o futuro do país e do continente africano.

Ilídio Vieira Té discursava no ato comemorativo dos 51 anos do Liceu Nacional Kwame Nkrumah e do dia de África.

Para Vieira Té   homenagear o Liceu Kwame Nkrumah representa também celebrar  a educação, liberdade africana, a consciência política do continente e o futuro das novas gerações.

Perante os estudantes, professores, antigos alunos e membros do governo, Ilídio Vieira Té evocou a figura de Kwame Nkrumah como um dos  principais arquitetos do pensamento pan-africano moderno, recordando a sua visão de que a independência política só faz sentido quando é acompanhado da liberdade económica, intelectual e científica de África.

O Primeiro-Ministro apontou a pobreza, o desemprego juvenil, a corrupção, a fragilidade institucional, a dependência económica e a crise educativa como os desafios  que continuam a marcar o continente.

salientou que os desafios da nova geração africana já não se travam apenas nos campos de batalha, mas sobretudo nas escola, universidades, na ciência,  tecnologia,  economia,  boa governação e na consolidação de instituições.

 Té atribuiu ao Liceu Nacional Kwame Nkrumah um papel histórico na formação de várias gerações de quadros nacionais, classificando-o como um património moral da República e um espaço de formação de consciência crítica, patriotismo e cidadania.

Defendeu para a nova geração uma formação  capaz de modernizar o Estado, fortalece a democracia e afirmar a soberania nacional.

“A Guiné-Bissau não pode continuar refém do improviso, da instabilidade permanente ou da fuga de cérebro” disse acrescentando que o país precisa recuperar a autoridade moral da educação e a valorização da escola pública.

Considerou que. a verdadeira independência africana continua a ser um projecto em construção, que exige liderança  séria, educação de qualidade, Estados fortes e cidadãos conscientes.

O Primeiro-ministro felicitou a direção do Liceu Nacional Kwame Nkrumah, os professores, funcionários, antigos alunos e estudantes pelos 51 anos da instituição, desejando que continue a afirmar-se como uma escola de excelência, símbolo de patriotismo e  da esperança para a juventude
guineense. ANG/LPG/ÂC//SG

Economia/FMI faz previsão socioeconómica negativa para África subsaariana, devido ao conflito no Médio Oriente 

 
“Por Queba Coma – Correspondente da ANG em Portugal”

 

Lisboa, 26 de Mai 26 (ANG) – O Fundo Monetário Internacional adverte que um prolongamento do conflito no Médio Oriente, entre o Irão e Estados Unidos de América e Israel “poderia aumentar, ainda mais, os preços dos bens alimentares, do petróleo e fertilizantes, nos países da África Subsaariana, como a Guiné-Bissau.


Segundo o Correspondente da ANG em Portugal, a informação consta no seu Relatório deste mês de abril, sobre as perspectivas económicas regionais intitulado “África Subsariana – Pressão sobre Ganhos Económicos Conquistados”.

 

Perante este cenário, o documento acrescenta que a produção pode contrair-se em 0,6% na região, registando um impacto mais acentuado nos países importadores de petróleo, como a Guiné-Bissau, enquanto a inflação poderia aumentar na ordem dos 2,4 pontos percentuais em 2026, face ao cenário de base elaborado antes da guerra.

 

No documento, o FMI enfatizou que a guerra no Médio Oriente “turvou as perspetivas”, dado ao aumento dos preços do petróleo, do gás e dos fertilizantes, juntamente com os custos do transporte marítimo.

 

 “Além disso, o choque perturbou o comércio com os parceiros do Golfo, reduziu o número de turistas e afetará provavelmente as remessas enviadas para alguns países”, adiciona o informe.

 

Ainda, como consequência deste conflito, o Relatório do FMI afirma que os países pobres em recursos naturais e importadores de petróleo deparam-se com uma deterioração da balança comercial e um aumento do custo de vida, enquanto os Estados exportadores deste hidrocarboneto beneficiarão do aumento das receitas de exportação, mas continuarão expostos à volatilidade e aos riscos de “políticas pró-cíclicas”.

Também, declara que pobreza, a insegurança alimentar e outros indicadores sociais, já fragilizados pela pandemia de coronavírus, poderão deteriorar-se ainda mais com a redução da ajuda externa e a subida dos preços dos bens alimentares. 

 

Segundo as estimativas dos peritos do FMI que elaboraram este relatório, um aumento de 20 por cento nos preços internacionais dos bens alimentares poderia colocar mais de 20 milhões de pessoas em situação de insegurança alimentar moderada ou grave nesta zona africana ao sul de Saara.

 

Para inverter esta situação e perspetivas pessimistas, esta instituição do “Bretton Woods” aconselha os países importadores de petróleo à “preservarem as despesas sociais e de desenvolvimento prioritárias, procurando ao mesmo tempo, aumentar a mobilização de receitas internas, melhorar a eficiência das despesas e reforçar a gestão das finanças públicas”. 

 

“As autoridades nacionais devem acelerar as reformas estruturais em prol do crescimento e da diversificação. A integração regional pode fomentar o crescimento e melhorar a resiliência da cadeia de abastecimento, num contexto geopolítico em mutação”, conclui o FMI.  

 

Os países como a Guiné-Bissau, Moçambique e a República de Gâmbia são considerados, segundo Banco Mundial e Fundo Monetário Internacional, de “Rendimento Baixo e Frágeis e afetados pelos conflitos”. 

 

O Relatório “Perspetivas Económicas Regionais: África Subsaariana” é publicado duas vezes ao ano, descrevendo a evolução económica desta zona de África ao Sul de Saara.  FIM/QC/ÂC