quinta-feira, 16 de julho de 2026

Regiões/EAGB promete para breve resolver a  avaria no posto de transformação em Bafatá

Bafatá, 16 Jul 26 (ANG) – A Empresa de Eletricidade e Águas da Guiné-Bissau (EAGB) de Bafatá esclareceu que a avaria no posto de transformação provocou corte de energia naquela cidade após inauguração da nova rede da OMVG.

Em declarações à RDN, o Delegado Provincial da Energia, Suandin Queba Dabó, explicou que a cidade de Bafatá ficou cinco dias sem luz elétrica e  que os cortes resultaram de uma avaria no posto transformador recentemente instalado, e assegurou que os trabalhos de reparação estão em curso.

O responsável garantiu que a situação deverá normalizar até hoje, quinta-feira, acrescentando que, após a reparação, Bafatá passará a beneficiar de fornecimento de energia durante 24 horas ao dia e de uma tarifa mais baixa.

A nova rede elétrica foi inaugurada no último sábado pelo Primeiro-ministro de transição, Ilídio Vieira Té, e será gerida pela Empresa de Eletricidade e Água da Guiné-Bissau (EAGB).ANG/JD/ÂC//SG

 

Médio Oriente/EUA e Irã mantêm bombardeios que colocam em risco o abastecimento energético mundial

Bissau, 16 Jul 26 (ANG) - Após mais de uma semana de bombardeios constantes, Estados Unidos e Irã voltaram a trocar ataques nas últimas horas.

Segundo o Exército dos EUA, as forças americanas concluíram "uma série de ataques noturnos contra o Irã", principalmente contra instalações militares na cidade portuária de Bandar Abbas, no sul do país.

O objetivo da ofensiva foi "reduzir a capacidade do Irã de ameaçar marinheiros inocentes" no Estreito de Ormuz.

As forças americanas também atingiram "instalações de defesa costeira e posições de mísseis de cruzeiro na ilha de Greater Tunb", segundo o Comando Central dos Estados Unidos para o Oriente Médio (Centcom)Explosões também foram ouvidas no norte e no oeste do Irã, segundo a mídia estatal, e o sistema de defesa antiaérea foi acionado nesta quinta-feira (16) em Teerã.


Na quarta-feira, a cidade portuária de Bushehr, onde está localizada a única usina nuclear do Irã, voltou a ser alvo de ataques americanos, assim como os arredores de Iranshahr, no sudeste do país. Sete militares iranianos morreram, segundo as Forças Armadas do Irã, que registaram 13 disparos de mísseis americanos.

Explosões também foram ouvidas em várias cidades, entre elas Bandar Abbas, Rask e Chabahar, além da ilha de Qeshm. Um hospital em Ahvaz, no sudoeste do país, também foi evacuado após ataques americanos na região. Os pacientes foram transferidos para outras unidades de saúde. Já o Exército iraniano anunciou nesta quinta ter atacado, com drones, bases e instalações militares americanas no Kuwait e no Bahrein.

Bahrein e Kuwait afirmaram ter interceptado ataques iranianos após os novos bombardeios dos EUA contra o Irã.

"O Irã continua sua política hostil sistemática por meio de ataques criminosos contra civis", declarou o Exército do Bahrein em comunicado, afirmando ter "interceptado e destruído diversos ataques aéreos".

Sirenes de alerta soaram durante a madrugada em Manama, capital do Bahrein, onde explosões também foram registradas, segundo uma jornalista da AFP.

O Estado-Maior do Kuwait declarou igualmente ter respondido a "ataques com drones" lançados pelo Irã. Segundo os militares, as explosões registradas foram resultado da interceptação dos aparelhos.

As forças iranianas afirmaram ter atingido "sistemas de radar, um sistema de defesa antiaérea Patriot e depósitos de combustível" na base aérea de Ali al-Salem, no Kuwait, além de instalações militares americanas na base aérea de Sheikh Isa, no Bahrein.

 

De acordo com o Estado-Maior iraniano, o país destruirá infraestruturas do Oriente Médio caso suas próprias instalações sejam atacadas, em resposta às ameaças de Donald Trump de atingir pontes e usinas elétricas iranianas.

"Toda a infraestrutura da região será destruída pelas Forças Armadas da República Islâmica do Irã, de tal forma que não restará qualquer vestígio, como se jamais tivesse existido", declarou o comando conjunto iraniano em comunicado.

Donald Trump afirmou na terça-feira, em entrevista à Fox News, que atacará usinas elétricas e pontes no Irã na próxima semana, a menos que os iranianos "se sentem à mesa de negociações".

 

Teerã tem realizado ataques quase diários contra Kuwait e Bahrein desde a retomada dos combates com os Estados Unidos, em 7 de Julho. As autoridades do Bahrein e do Kuwait acusam o Irã de também atacar instalações civis.

No domingo, o Kuwait afirmou que três postos de fronteira e uma plataforma petrolífera offshore foram atingidos. O conflito foi retomado após ataques a navios no Golfo atribuídos ao Irã. Os bombardeios que se seguiram representam a maior escalada militar no Oriente Médio desde o cessar-fogo de 8 de abril.

Os Guardiões da Revolução anunciaram nesta quinta ter atingido com mísseis balísticos uma base aérea americana na Jordânia. As forças americanas "utilizaram suas bases na Jordânia para atacar várias áreas do Irã, incluindo os arredores de um hospital para crianças com câncer", afirmaram os Guardiões da Revolução.

O Paquistão pediu nesta quinta-feira que Estados Unidos e Irã encerrem os confrontos e retomem as negociações previstas no memorando de entendimento firmado em 17 de Junho com mediação paquistanesa.

"Embora a implementação do memorando enfrente dificuldades, o Paquistão continuará incentivando todas as partes a pôr fim à violência e a retomar as discussões técnicas conforme previsto no acordo", declarou à imprensa Tahir Andrabi, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do país.

De acordo com o porta-voz, há esperança de um "rápido retorno à normalidade" no Estreito de Ormuz, e é importante garantir, de forma permanente, "a segurança e a liberdade da navegação marítima".

O Irã, que voltou a fechar o Estreito de Ormuz no último fim de semana, prometeu manter a via marítima bloqueada até o fim das "agressões" americanas.

 A retomada dos confrontos provocou forte alta nos preços internacionais do petróleo e alimentou temores de aumento da inflação global.

No Estreito de Ormuz, localizado entre as águas iranianas e omanenses e por onde transitava, antes da guerra, cerca de um quinto do petróleo e do gás natural liquefeito (GNL) consumidos no mundo, o tráfego marítimo diminuiu consideravelmente após ataques contra vários navios petroleiros.

 

Segundo Tahir Andrabi, existe uma "necessidade urgente" de resolver uma situação que afeta "o abastecimento energético mundial", além do comércio e da segurança alimentar. ANG/RFI/Com agências

 

 

 

     Chade/ Governo vai abolir vistos para cidadãos africanos a partir de 2027

Bissau, 16 Jul 26 (ANG) - O presidente do Chade, Mahamat Idriss Déby Itno, anunciou quarta-feira a abolição dos vistos de entrada para todos os cidadãos africanos a partir de 1 de Janeiro de 2027.

O Chade "abrirá suas fronteiras e abolirá os vistos de entrada para todos os africanos, a partir de 1º de Janeiro de 2027", declarou o chefe de Estado chadiano na abertura do Fórum Africano da Água, realizado em N'Djamena.

Segundo ele, essa decisão é um compromisso com a "integração africana e a livre circulação de bens e pessoas". ANG/Faapa

 

Regiões/Régulo de Gabu pede a donos  de gados  para controlarem suas crias neste momento de campanha agrícola

Gabu, 16 Jul 26 (ANG) - O Régulo Central de Gabu, leste do país, José Saico Umaro Embaló, manifestou esta quarta-feira, a sua preocupação com a destruição de cultivos agrícolas causada pela circulação livre de gados  durante a época das chuvas, evitando conflito entre agricultores e criadores dos animais.

Citado pela Rádio Gandal, Embaló manifestou a sua preocupação através de um comunicado à que a ANG teve acesso, no qual o líder tradicional apelou aos criadores de gado bovino, caprino, ovino, suíno, bem como de cavalos e burros, para que reforcem o controlo e a vigilância dos seus animais, evitando a invasão de campos agrícolas e bolanhas,

Segundo José Saico  Embaló, qualquer animal encontrado a pastar em terrenos cultivados poderá ser apreendido pelo agricultor afetado e entregue ao Régulo Central, que posteriormente o encaminhará para um local apropriado.

O Régulo recordou ainda que os proprietários dos animais apreendidos estarão sujeitos ao pagamento de multas, de acordo com a legislação em vigor.

Na nota, o Régulo Central de Gabu sublinhou a importância da convivência harmoniosa entre agricultores e criadores de gado, afirmando que ambas as partes "estão condenadas a viverem juntas", razão pela qual apelou ao diálogo,  bom senso e a colaboração mútua para se prevenir de conflitos.

.ANG/MSC/ÂC//SG

 

Política/Conselho Nacional de Transição (parlamento) anuncia “congelamento” de relações com novo Governo de Cabo Verde

Bissau, 16 Jul 26(ANG) – O Conselho Nacional de Transição (CNT) acusa o atual Governo de Cabo Verde de interferir nos assuntos internos da Guiné-Bissau e anuncia o "congelamento prático" das relações com o Executivo cabo-verdiano.

Na terça-feira, 14 de Julho, o governo cabo-verdiano do PAICV apelou a libertação rápida de Domingos Simões Pereira, líder do PAIGC e manifestou a disponibilidade para o diálogo em busca de soluções pacíficas para o país.

Citado pela Rádio Sol Mansi, o porta-voz do Conselho Nacional de Transição, Fernando Vaz reagiu dizendo que o  Governo cabo-verdiano não tem legitimidade para fazer comentários sobre processos políticos e judiciais na Guiné-Bissau.

Vaz disse que qualquer  tentativa de exigir a libertação de atores políticos constitui uma ingerência na soberania nacional.

O Conselho Nacional de Transição referiu-se  aos processos judiciais em curso em Cabo Verde envolvendo figuras políticas, e diz que  o Executivo cabo-verdiano deveria concentrar-se nos seus próprios desafios internos antes de comentar assuntos da justiça guineense.

O atual parlamento constituído de militares e civis  ainda acusou o  Governo cabo-verdiano de seguir uma política externa alinhada com interesses portugueses e europeus, e diz que   atua sob influência externa e não em defesa dos interesses africanos.

O CNT, na voz do seu porta-voz disse que Cabo Verde estaria a confundir posições partidárias com a ação diplomática do Estado.

Segundo Fernando Vaz, o CNT recorda acontecimentos ocorridos entre 1973 e 1980, referindo alegações sobre violações de direitos humanos e defendendo que muitas famílias guineenses continuam à procura dos restos mortais de familiares desaparecidos nesse período.


Vaz destacou
 o papel desempenhado por combatentes da Guiné-Bissau na luta pela independência de Cabo Verde, sustentando que essa história comum deve ser respeitada. ANG/RSM

 

    França/Parlamento aprova lei sobre morte assistida após anos de debates

Bissau, 16 Jul 26 (ANG) - O direito à morte assistida, uma importante reforma social da presidência de Emmanuel Macron, foi aprovado nesta quarta-feira (15) pelo Parlamento francês.

A decisão foi anunciada sob aplausos de apoiadores do texto, após anos de debates. Com isso, a França passa a integrar o grupo relativamente restrito de países que já reconhecem esse direito, como Bélgica, Países Baixos, Suíça, Canadá e Uruguai.

Pela quarta vez em um ano, a Assembleia Nacional, a câmara baixa do Parlamento francês, aprovou de forma definitiva a proposta de lei por 291 votos a favor, 241 contrários e 29 abstenções.

Em uma sessão marcada pela sobriedade, os deputados tiveram a palavra final após três rejeições do Senado, a câmara alta, e autorizaram a assistência ao suicídio e, em determinados casos, a eutanásia, mediante uma série de condições.

“Obrigado a todos os parlamentares que permitiram um debate construtivo e respeitoso”, escreveu o chefe de Estado na rede social X, poucos minutos após a votação. “Em 2022, assumi o compromisso de abrir esse caminho com os franceses. Com seriedade, humildade e pleno respeito à nossa democracia, esse compromisso foi cumprido”, acrescentou.

O presidente desempenhou um papel crucial em diversas ocasiões do debate. Em 2022, lançou uma convenção cidadã que, em fevereiro de 2023, manifestou-se a favor da criação de uma “ajuda ativa para morrer”.

O chefe de Estado também impulsionou um projeto de lei do governo destinado a concretizar essa promessa, antes que a dissolução da Assembleia em 2024 interrompesse a tramitação legislativa do texto.

A esquerda e os aliados de Macron votaram maioritariamente a favor, e a direita e a extrema direita maioritariamente contra. No entanto, cada grupo deixou seus integrantes livres para fazer sua escolha, em uma questão que mistura aspectos íntimos e políticos.

No entanto, ainda restam duas etapas decisivas antes que esse novo direito seja efetivamente consagrado. Seguindo o exemplo do presidente do Senado, Gérard Larcher, da direita, o primeiro-ministro Sébastien Lecornu anunciou na terça-feira que recorrerá ao Conselho Constitucional, levando em consideração as oposições que ainda persistem, especialmente à direita.

Em uma decisão que poderá ser divulgada por volta de 15 de agosto, os membros do Conselho Constitucional deverão se pronunciar especialmente sobre a compatibilidade de determinadas cláusulas, como o prazo mínimo de reflexão de dois dias concedido ao paciente depois da autorização médica para receber ajuda para morrer, com os “princípios de liberdade individual e dignidade humana”, segundo os serviços do primeiro-ministro.

Depois disso, o chefe de Estado poderá promulgar o texto. Em seguida, será a vez da elaboração dos decretos que regulamentarão a aplicação da lei, uma etapa aguardada com grande expectativa.

Diferentemente da eutanásia, em que um profissional de saúde provoca a morte do paciente, na morte assistida a substância letal é administrada pela própria pessoa. O novo direito aprovado na França seria reservado apenas a pacientes maiores de idade, portadores de uma doença incurável que comprometa o prognóstico de vida e capazes de expressar sua vontade de forma “livre e esclarecida”. Um médico verificaria sua elegibilidade e, em seguida, um procedimento colegiado avaliaria os critérios antes que o médico tomasse sozinho a decisão final.

O paciente poderia desistir a qualquer momento e administraria a substância letal por conta própria. Apenas quando “não estiver fisicamente em condições de fazê-lo”, um médico ou enfermeiro poderia realizar o procedimento.

Ao longo de todo o dia, apoiadores e opositores se concentraram nos arredores e no interior da Assembleia Nacional. AIgrja Católica na França por sua vez, lamentou “uma ruptura grave na história de nosso país”.

ANG/RFI/Com agências

 

Brasil/ Governo  rejeita novo tarifario de Trump e aplicará Lei de Reciprocidade

Bissau, 16 Jul 26 (ANG) - O Brasil rejeitou, na noite de quarta-feira (15) para quinta-feira (16), a decisão dos EUA de impor uma sobretaxa de 25% sobre produtos brasileiros, considerada um "marco lastimável" na história das relações entre os dois países.

O governo brasileiro afirmou que pretende responder a essas tarifas alfandegárias, consideradas "ilegais e impostas arbitrariamente", e aplicar a Lei da Reciprocidade.

O governo Trump anunciou a sobretaxa após uma investigação do Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês). As medidas entrarão em vigor em 22 de Julho, prazo necessário para sua implementação nos sistemas aduaneiros, explicou à imprensa uma autoridade americana.

 

Washington iniciou, em 2025, uma investigação sobre diversas práticas comerciais atribuídas ao Brasil, tornando o país o primeiro alvo dessas novas sobretaxas  .

 

Em uma longa nota divulgada nesta quarta-feira, o Planalto prometeu adotar medidas de "reciprocidade" com base em uma lei aprovada pelo Congresso brasileiro no ano passado.

"O governo brasileiro repudia a decisão anunciada hoje pelo governo dos EUA relativa à imposição de tarifas de 25% sobre produtos brasileiros, com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974. Não há justificativa para medidas unilaterais contra o nosso país", afirma o governo.

De acordo com o texto, nos últimos 15 anos, os EUA acumularam US$ 424,5 bilhões em superávit de bens e serviços com o Brasil. No texto, o governo brasileiro também lembra que, em 2025, 76% das importações dos EUA entraram no país sem pagar imposto de importação, e que a alíquota média aplicada aos produtos americanos foi de 3,1%.

Segundo a nota, o Brasil não reconhece a legitimidade de investigações sem amparo nas regras multilaterais de comércio. "Apesar disso, nunca deixamos a mesa de negociação para defender os interesses nacionais."

Entre os principais pontos da investigação conduzida pelos Estados Unidos estão o Pix e o mercado de etanol.

No caso do sistema de pagamentos instantâneos, o USTR sustenta que o Banco Central teria concedido vantagens consideradas discriminatórias ao Pix em comparação com empresas privadas do setor de pagamentos.

Já em relação ao etanol, o órgão americano argumenta que o Brasil passou a limitar o acesso do produto norte-americano ao mercado nacional após encerrar, em 2017, um regime tarifário que Washington considerava equilibrado para ambos os países.

O governo brasileiro afirmou que trabalhou durante todo o último ano junto ao USTR para contestar as acusações que fundamentaram as tarifas dos Estados Unidos, apresentando argumentos contra alegações relacionadas ao Pix, à regulação das plataformas digitais e ao desmatamento.

A norta do Planalto defende que o Pix é um modelo de infraestrutura pública reconhecido internacionalmente, a regulação digital visa proteger a sociedade sem comprometer a liberdade de expressão, e o Brasil reduziu significativamente o desmatamento desde 2023.

O governo também ressaltou que a maioria das manifestações nas audiências públicas promovidas pelo USTR foi contrária às novas tarifas.

Em resposta às medidas americanas, o Brasil anunciou que continuará buscando novos mercados e aprofundando acordos comerciais internacionais, além de adotar ações para proteger os setores e empregos afetados por meio do Plano Brasil Soberano. O governo informou ainda que acionará os mecanismos previstos na Lei de Reciprocidade e recorrerá à Organização Mundial do Comércio (OMC).

 

Os produtos isentos são aqueles que não são produzidos ou cultivados naturalmente nos Estados Unidos, ou que teriam impacto sobre as cadeias de abastecimento ou sobre a economia, como laranjas, determinados produtos energéticos e algumas peças aeronáuticas, detalhou a autoridade americana. A lista tem mais de 2.100 itens.

As novas tarifas também levam em consideração decisões da Justiça brasileira relativas à economia digital, consideradas por Washington como "barreiras comerciais desleais", especialmente aquelas que obrigam as plataformas de redes sociais a remover determinados conteúdos políticos ou que prevêem a aplicação de multas em caso de descumprimento de decisões judiciais.

No fim de Fevereiro, a Suprema Corte dos Estados Unidos anulou boa parte das tarifas alfandegárias defendidas pelo presidente americano, entendendo que ele havia feito uma interpretação inconstitucional da legislação utilizada para justificá-las.

As tarifas setoriais, que atingem especialmente os setores automotivo, do aço, do alumínio e do cobre, não foram afetadas.

Washington acusa Brasília de aplicar tarifas preferenciais sobre produtos mexicanos e indianos em detrimento dos produtos americanos, o que representaria "uma desvantagem incompatível com as obrigações internacionais".

As tarifas impostas pelos Estados Unidos tornaram-se um tema político no Brasil, à medida que se aproximam as eleições presidenciais previstas para outubro.

No início do mês, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva acusou seu adversário Flávio Bolsonaro, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, de ter pedido aos Estados Unidos que adiassem para depois das eleições uma eventual entrada em vigor de novas sobretaxas americanas.

Flávio Bolsonaro esteve em Washington no início de julho para participar de uma audiência pública do USTR sobre o tema e aproveitou a ocasião para afirmar que novas tarifas beneficiariam eleitoralmente o atual presidente, candidato à reeleição.

 

O presidente americano Donald Trump transformou as tarifas alfandegárias em uma de suas principais armas económicas, impondo uma série de sobretaxas sobre os produtos que entram no país.

O Brasil foi um dos principais alvos dessas medidas, com tarifas que chegaram a 50% sobre determinados produtos, em represália à condenação de Jair Bolsonaro, que Trump considerava politicamente motivada, após o ex-presidente brasileiro ter sido considerado culpado por tentativa de golpe de Estado.

Devido ao impacto inflacionário dessas sobretaxas, Washington acabou revogando as tarifas aplicadas a diversos produtos agrícolas, entre eles a carne bovina, o café e os tomates brasileiros.

Segundo dados do USTR, os Estados Unidos exportaram mais de US$ 54 bilhões em mercadorias para o Brasil em 2025 e importaram, no mesmo período, quase US$ 40 bilhões em produtos brasileiros.

ANG/RFICom agências

 

 

quarta-feira, 15 de julho de 2026

Regiões/ENA Polo Bafatá entrega diploma aos 33 novos técnicos em Administração e Contabilidade

Bafatá, 15 Jul 26 (ANG) - A Escola Nacional da Administração (ENA), Polo de Bafatá, leste do país,  entregou no último fim de semana, diplomas à 33 novos técnicos formados em Administração e Contabilidade, dos quais 21 são mulheres.

A informação foi avançada pela  página oficial de Facebook do Ministério da Administração Publica, que indica que o ato foi presidido pela Primeira Vogal para a Área de Formação Profissional da Agência Guineense do Emprego e Formação Profissional (AGEFP) Maria Zulmira Fernandes Lima Neto, em representação da ministra da tutela.

Na ocasião, Maria  Lima Neto reafirmou o compromisso do Governo com a promoção do emprego, a valorização das competências profissionais e a criação de oportunidades para a juventude guineense.

Aquela responsável destacou que o desenvolvimento nacional deve partir das regiões e apelou aos recém-diplomados para colocarem os conhecimentos adquiridos ao serviço das comunidades onde vivem e trabalham.

"O Executivo continuará a investir nos talentos nacionais residentes no interior do país, através da criação de oportunidades, de fortalecimento das instituições, da dinamização da economia local e do incentivo aos jovens para acreditarem no potencial das suas comunidades", disse.

Dirigindo-se aos novos diplomados, Maria   Neto aconselhou os recém formados no sentido de fazerem do conhecimento um instrumento de transformação do serviço público num compromisso permanente para o progresso da Guiné-Bissau.

A cerimónia contou com a presença do representante do Governador da Região de Bafatá, da diretora da ENA Polo Bafatá, do Diretor-geral da Escola Nacional da Administração, bem como de familiares dos formados e convidados.

Entre os 33 diplomados, 21 são mulheres.ANG/MI/ÂC//SG

Comércio/Equipa Interministerial de Inspetores e da ACOBES determina encerramento de 18 estabelecimentos de empacotamento de água em sacos plásticos de Bissau

Bissau, 15 Jul 26 (ANG) – Uma  equipa Interministerial de Inspetores e  da Associação de Consumidores de Bens e Serviços(ACOBES), coordenada pelo Ministério dos Recursos Naturais, determinou, terça-feira, o encerramento de 18 estabelecimentos de empacotamento de água em sacos plásticos de Bissau.

A decisão foi tornada pública, através de uma nota divulgada na página do Facebook, do Ministério dos Recursos Naturais, visitada hoje pela ANG, após cinco dias de inspecção nestes estabelecimentos.

As empresas  encerradas são:  Água Céu, Água Nossa, Água Nova, Água Saltinho, Água São Paulo, Água Djál Turre, Água Nha Terra, Água do Povo, Água Albark, Água Barradji, Água Madina de Boé, Água Saúde, Água Única, Água Viva Sarr, Água Ponto, Água Divina, Água Rama, Água Bim bibi.

Durante as operações conjuntas, de acordo com a publicação do Ministério dos Recursos Naturais, as equipas encontraram os estabelecimentos a funcionar sem as condições higiénicas mínimas exigidas por lei.

“As principais irregularidades encontradas são a  falta de higiene, falta de  equipamentos de proteção, ausência de controlo de qualidade da água, e captação de água sem furo próprio”, lê-se na publicação.

Acrescenta que as imagens recolhidas durante as inspeções demonstram o estado precário de algumas unidades.

“As ações vão abranger outros bairros de Bissau e regiões do interior”, prometeu o ministro dos Recursos Naturais, qe diz que  estão a proteger a saúde pública.

“A água é um bem vital e não vamos permitir que seja comercializada sem segurança”, disse o ministro Musante.  ANG/LPG/ÂC//SG

 

 


Saúde Pública
/”A Inteligência Artificial tem potencial para melhorar qualidade dos serviços de saúde”, diz o ministro da Saúde Pública

Bissau, 15 Jul 26 (ANG) – O ministro da Saúde Pública (MSP), disse, terça-feira, que a Inteligência Artificial (IA) tem enorme potencial para melhorar, a qualidade dos Serviços de Saúde.

De acordo com a página do Ministerio de Saúde Pública no facebook consultada pela ANG, Quinhin Nantote discursava na Conferência Global sobre a Inteligência Artificial (IA) para a Saúde que decorre de 13 à 16 do corrente mês, em Lisboa, Portugal.

Na ocasião, o governante  agradeceu a Organização Mundial da Saúde (OMS), pela organização de evento.

Nantote disse  que a transformação digital é uma prioridade estratégica para o fortalecimento do Sistema Nacional de Saúde e para a aceleração do progresso rumo à Cobertura Universal de Saúde.

“Essa prioridade é especialmente relevante em  contexto marcado por desafios geográficos significativos, com um território composto por uma parte continental e outra um arquipélago de 88 ilhas, onde as distâncias, as limitações de transporte e a escassez de recursos humanos especializados dificultam o acesso equitativo aos serviços de saúde”, destacou o ministro.

Disse que a  Guiné-Bissau está numa fase inicial de adoção da Inteligência Artificial (IA) na área da saúde, sublinhando  que está, progressivamente, a construir as bases necessárias, para uma implementação sustentável e responsável destas tecnologias.

A Conferência Internacional sobre a “Iteligência Artificial (IA)”, contou com a participação de 37 países, representando 06 regiões da Organização Mundial da Saúde (OMS).

A iniciativa é organizada pela Organização Mundial da Saúde (OMS), em articulação com o Ministério da Saúde de Portugal, e pretende reforçar a cooperação internacional na utilização ética, segura, responsável e eficaz da Inteligência Artificial (IA) para melhorar os sistemas de saúde, promover a inovação, aumentar a qualidade dos cuidados prestados e responder aos desafios atuais e futuros da saúde pública.

Os trabalhos tiveram início, no dia 13 de Julho, com um workshop técnico internacional dedicado às oportunidades e aos desafios da Inteligência Artificial (IA) na Saúde, reunindo especialistas de referência mundial, investigadores, profissionais de saúde, representantes de instituições públicas, universidades e organizações internacionais.ANG/LLA/ÂC//SG

Copa 2026/Argentina x Inglaterra: mais do que futebol, um confronto de simbologia histórica e geopolítica

Bissau, 15 Jul 26 (ANG) - Quando Argentina e Inglaterra se enfrentarem pela segunda partida da semifinal do Mundial de Futebol de 2026, estará em jogo bem mais do que futebol.

Para os argentinos, mais do que uma rivalidade, há uma inimizade baseada em questões de geopolítica e de história que transcende o esporte e que remete diretamente à Guerra das Malvinas, de 1982, e ao forte sentimento de nacionalismo.

Enquanto as autoridades tentam manter a disputa apenas no campo esportivo, milhões de torcedores vêem o orgulho e o legado heróico de Maradona em questão.

Com o Brasil, os argentinos têm uma rivalidade limitada ao folclore do futebol, mas com os ingleses o sentimento beira o ódio.

A inimizade da Argentina com a Inglaterra remonta às invasões inglesas de 1806 e 1807 que uniram os argentinos contra os invasores, mas também serviram de estopim para a Independência. Porém, o ponto alto dessa relação conflitante foi mesmo a Guerra das Malvinas, de 1982, ainda uma ferida para os argentinos.

Desde 1965, a ONU emite resoluções a favor da Argentina, reconhecendo uma disputa por soberania com o Reino Unido, mas enquadrando essa disputa numa situação colonial, com o objetivo de eliminar toda forma de colonialismo. As ilhas foram invadidas pelos ingleses em 1833, quando a Argentina já tinha 17 anos de Independência.

Por isso, os jogadores argentinos estão obrigados a ganhar não apenas pelo resultado que classifica para a final, mas pelos 649 argentinos mortos em combate, pelas famílias deles e por milhões de argentinos que veem no campo de jogo uma chance de justiça simbólica que não foi possível no campo de batalha.

Na noite de terça-feira (14), os argentinos foram ao Obelisco da Avenida 9 de Julho com bandeiras, faixas e instrumentos para celebrarem, mas também para pressionarem os jogadores. Esse local do Centro de Buenos Aires é o ponto de celebrações depois das vitórias, mas, pela primeira vez, foi também palco da antessala da partida.

“Enfrentar a Inglaterra implica Justiça para este lado. Justiça”, sintetiza à RFI o torcedor Nicolás Adi, de 32 anos.

O país vai parar. As empresas vão interromper a jornada de trabalho duas horas antes da partida. Muitas outras permitiram o trabalho remoto, Home Office.

Os transportes públicos terão uma frequência reduzida e, em muitas cidades, interrompida durante o jogo. Nos hospitais, as consultas foram adiadas, a pedido dos pacientes torcedores. Só casos de emergência, como enfarto do coração serão atendidos.

Aliás, no jogo de sábado (11) contra a Suíça pelas quartas de final, uma pessoa de 51 anos morreu por parada cardíaca. Vários casos similares foram atendidos.

“Jogar contra a Inglaterra, além de ser um jogo de futebol, é sempre algo que nós, argentinos, levamos para fora do campo: está em jogo o orgulho. Trata-se de vencer os ingleses em tudo. Eles não são apenas rivais. É mesmo uma inimizade que vem da Guerra das Malvinas, do que eles fizeram connosco. Então, é sempre uma questão de querer sair por cima e derrotar os ingleses”, desabafa à RFI o torcedor Lucas Bonilla, de 24 anos.

Como a letra da famosa cantiga repete, “Aquele que não pula é um inglês”. Essa canção marcou os argentinos em 1986 quando Diego Maradona eliminou a Inglaterra com a “Mão de Deus” e com o antológico “Gol do Século”.

Os jogadores daquela seleção de 40 anos atrás recebiam cartas e vídeos nos quais os argentinos diziam que podiam até perder na final, mas jamais para a Inglaterra.

A partida de 1986 é a imagem que todos os argentinos têm de heroísmo. Coincidência ou obra do destino, a Argentina vai jogar agora com a mesma camiseta azul da reserva, usada há 40 anos.

E o grande herói daquele confronto foi Maradona. O gol de mão foi ilegal, mas os argentinos usam como argumento o ditado “ladrão que rouba ladrão tem cem anos de perdão”. Na Argentina, os ingleses são chamados de “piratas” que roubaram as Malvinas. E a postura de Maradona é vista como uma rebeldia perante aqueles que inventaram o futebol.

Já sobre o segundo gol, de tão bonito, dizem que valeu por dois e compensou a irregularidade do primeiro.

“Tomara que se repita o feito de 1986”, diz à RFI o torcedor César Alberto, de 43 anos.

“Contra os ingleses, há muito em jogo: a nossa história, o legado de Maradona naquela Copa, o legado de Messi nesta”, avalia.

As cantigas de futebol na Argentina, em geral, fazem referência às ilhas Malvinas.

A atual, chamada “A quarta estrela”, feita para este campeonato Mundial, diz num trecho que “Pelas Malvinas, por Diego (Maradona), pela última do Leo (Messi)”, unindo o futebol à causa patriótica.

A cantiga do campeonato anterior, vencido no Catar em 2022, também incluía a causa nos versos “Na Argentina, nasci /Terra de Diego e Lionel / Dos rapazes das Malvinas / Que jamais esquecerei”.

“Existe um sentimento extra em torno do assunto. Nós o relacionamos à Guerra das Malvinas. Eu era um soldado em 1989, quando prestei o meu serviço militar. Fui treinado por veteranos da Guerra das Malvinas. Eles nos treinaram mentalmente, preparando-nos para voltar às Malvinas e recuperá-las”, recorda à RFI o torcedor Lúcio Molina, de 58 anos.

As equipes se enfrentaram cinco vezes: três resultaram em vitórias para os europeus (1962, 1966 e 2002), uma para os sul-americanos (1986) e um empate (1998), no qual a Argentina se classificou nos penáltis.

Os argentinos têm vivido dias de muito patriotismo nos quais futebol e nacionalismo se misturam. Na semana passada, no dia 9 de Julho, foram os 210 anos da Independência do país. A Argentina vinha de uma vitória épica contra o Égito pelas oitavas de final.

As autoridades tentam transmitir a ideia de apenas uma disputa esportiva. O técnico da seleção argentina, Lionel Scaloni, disse que “se trata apenas de um jogo de futebol” e que “misturar as coisas seria uma loucura”.

O major Alan Nuñez é diretor da banda militar “Tambor de Tacuarí” do regimento de Infantaria 1 “Patrícios”, o mais antigo do Exército Argentino. O regimento foi criado em 1806 como resposta às invasões inglesas. Teve papel na Guerra das Malvinas de 1982. Para o major, o confronto é meramente esportivo, mas reconhece que futebol e nacionalismo se nutrem.

“Acho que os argentinos ainda podem nutrir algum sentimento em relação aos britânicos devido aos eventos da Guerra das Malvinas. Mas acredito que precisamos separar essa questão do aspecto esportivo. Faz parte da nossa história termos enfrentado os britânicos, que sempre foram um dos exércitos mais poderosos do planeta. Nós os enfrentamos em várias ocasiões. Mas, enfim, continua sendo uma competição esportiva, que certamente será apreciada por ambos os povos, argentino e inglês”, pondera.

“Quando a seleção de futebol obtém vitórias nos une com as causas da pátria. Essas datas nacionais, conjugadas com o Mundial de futebol, traz esse sentimento de euforia dos argentinos”, indica à RFI.

Na terça-feira (14), depois de uma reunião no Centro Internacional de Cooperação Policial, em Virginia, nos Estados Unidos, o FBI, a FIFA e o Ministério da Segurança da Argentina classificaram a partida como de “alto risco” e decidiram proibir a entrada no estádio de bandeiras, faixas e camisetas que façam referência às Malvinas ou às Falklands, como os ingleses chamam o arquipélago.

Seja como for, uma vitória sobre a Inglaterra tem um valor duplo para os argentinos, mas uma derrota também tem um peso na mesma proporção. Os argentinos ficariam muito tristes se perdessem a final, mas mais tristes ficariam se perdessem para a Inglaterra. Portanto, ou teremos um país em euforia ou um país afundado na depressão.ANG/RFI

 

 

           RDC/Mais de 2.000 casos confirmados, incluindo 754 mortes

Bissau, 15 Jul 26 (ANG) - Autoridades de saúde da República Democrática do Congo (RDC) indicaram na terça-feira que o número de casos confirmados de Ébola no país subiu para 2.011, incluindo 754 mortes, segundo relatos da mídia.

A epidemia afeta agora cinco províncias, nomeadamente Ituri, Kivu do Norte, Kivu do Sul, Haut-Uélé e Tshopo, sendo que Ituri, no nordeste do país, continua a ser o epicentro do surto, especifica a mesma fonte, que cita um relatório de situação publicado pelas autoridades de saúde congolesas.

No total, 366 pacientes foram declarados recuperados, enquanto outros 753 permanecem em isolamento ou hospitalizados, segundo o relatório.

A transmissão continua particularmente intensa em Ituri, enquanto o aparecimento de novos casos em Haut-Uélé confirma uma expansão geográfica da epidemia, exigindo um reforço da vigilância, das capacidades de diagnóstico e da prontidão operacional, observa a mesma fonte.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a persistência de cadeias de transmissão não detectadas, o elevado número de mortes na comunidade e a rápida propagação do surto sugerem que a verdadeira dimensão da epidemia poderá ser de duas a quatro vezes maior do que os números oficiais.

A OMS também observa que o surto, causado pela cepa Bundibugyo do vírus Ebola e declarado em 15 de maio, entrou em uma nova fase marcada por sua expansão para além do foco inicial, representando um risco maior de disseminação nacional e transfronteiriça.

Diante dessa situação, um primeiro ensaio clínico foi iniciado na República Democrática do Congo e em Uganda para avaliar a eficácia de um antiviral contra o vírus Ébola Bundibugyo após a exposição, enquanto um segundo ensaio está em andamento na República Democrática do Congo para testar novos tratamentos para pessoas já infectadas. ANG/Faapa

   

Médio Oriente/Escalada entre Estados Unidos e Irã amplia risco de guerra regional e ameaça rotas globais de energia

Bissau, 15 Jul 26 (ANG) - A guerra entre Estados Unidos e Irã entrou nesta quarta-feira (15) em uma nova fase de intensificação militar, com ataques americanos em diferentes regiões do território iraniano e uma resposta de Teerã que atingiu bases e instalações ligadas aos Estados Unidos em vários países do Golfo.

Pelo quarto dia consecutivo, forças americanas realizaram bombardeios contra alvos militares iranianos. Um dos ataques mais graves ocorreu na região de Bampur, próxima à cidade de Iranshahr, no sudeste do país, onde treze mísseis atingiram instalações militares, alojamentos e postos de guarda.

Segundo o exército iraniano, pelo menos sete militares morreram e vários ficaram feridos.

Também nesta quarta-feira, novas explosões foram registradas em Bouchehr, cidade portuária do sudoeste iraniano que abriga a única usina nuclear em funcionamento no país. De acordo com a agência estatal Irna, três pontos da cidade foram atingidos, sem registro de vítimas.

A proximidade dos ataques com instalações nucleares aumenta as preocupações internacionais sobre uma possível expansão do conflito.

Em resposta, o Irã lançou a oitava fase da operação militar "Saeqeh", direcionada contra interesses americanos na região. Autoridades iranianas afirmam ter atacado instalações ligadas à Quinta Frota dos Estados Unidos, sediada no Bahrein, além de posições militares no Kuwait e na Jordânia.

As forças armadas jordanianas anunciaram ter interceptado três mísseis balísticos iranianos antes que atingissem a base aérea de Al-Azraq, utilizada pelas forças americanas.

A crise também se desloca para o campo econômico e energético. A Guarda Revolucionária iraniana voltou a afirmar que oEstreito de Ormuz permanecerá fechado enquanto continuarem as operações militares americanas.

Cerca de um quinto do petróleo comercializado no mundo passa diariamente pela estreita passagem marítima que conecta o Golfo Pérsico ao Oceano Índico, tornando a região um dos pontos mais sensíveis da economia global.

Analistas avaliam ainda a possibilidade de grupos aliados do Irã, como os houthis do Iêmen, ampliarem as ameaças ao estreito de Bab el-Mandeb, outra rota estratégica para o comércio internacional.

Apesar da escalada, o presidente americano Donald Trump afirmou que um acordo com Teerã ainda seria possível, embora tenha advertido que novos ataques poderão atingir infraestruturas energéticas e elétricas iranianas caso o governo iraniano não retorne às negociações.

Teerã, por sua vez, acusa Washington de ter rompido o entendimento diplomático que buscava encerrar os confrontos e considera o restabelecimento do bloqueio aos portos iranianos uma violação dos compromissos assumidos pelos Estados Unidos.

O conflito ocorre em momento de elevada tensão em todo o Oriente Médio. Enquanto Irã e Estados Unidos ampliam suas operações militares, Israel e Líbano iniciaram em Roma as primeiras negociações sobre a retirada de tropas israelenses de áreas do sul libanês. Paralelamente, a guerra em Gaza continua produzindo vítimas civis e pressionando os esforços diplomáticos internacionais.

A combinação entre ataques militares, ameaças ao fornecimento global de energia e o envolvimento crescente de países vizinhos aumenta o risco de que a atual crise deixe de ser um confronto bilateral para se transformar em um conflito regional de maiores proporções, com impactos diretos sobre os preços do petróleo, as cadeias de abastecimento e a estabilidade geopolítica mundial. ANG/RFI