quarta-feira, 7 de janeiro de 2026


     
Gronelândia/ Portugal espera que "aliados se comportem como aliados"

Bissau, 07 jan 26(ANG) - O ministro português da Defesa, Nuno Melo, declarou esperar que os países "aliados se comportem como aliados" perante as ameaças dos Estados Unidos sobre a Gronelândia. As declarações foram feitas na terça-feira, no Porto.

Esta terça-feira, em Paris, os líderes de Espanha, França, Alemanha, Reino Unido, Itália e Polónia defenderam a autonomia da Gronelândia, num comunicado conjunto em que lembram que “a segurança no Artico é uma prioridade essencial para a Europa”.

O documento surgiu dias depois da operação norte-americana para capturar Nicolás Maduro na Venezuela e numa altura em que se debate abertamente a eventualidade de um ataque semelhante contra a Gronelândia. Os lideres europeus lembram que “a segurança no Ártico deve ser assegurada colectivamente, com os aliados da NATO, incluindo os Estados Unidos” e apelam ao respeito da “soberania, a integridade territorial e inviolabilidade das fronteiras”. Sublinham, ainda, que a Gronelândia pertence apenas à Dinamarca e ao povo da Gronelândia.

Em Portugal, o ministro da Defesa, Nuno Melo, disse esperar que os países "aliados se comportem como aliados": “A Gronelândia é uma região autónoma da Dinamarca, goza de uma larga autonomia, mas tem como chefe de Estado a rainha da Dinamarca. O destino da Gronelândia pertence ao povo da Gronelândia e ao povo dinamarquês. Recordaria até que a Dinamarca é um país membro da União Europeia e país fundador da NATO, do lado de Portugal. E, por isso, aquilo que se espera é que o direito internacional seja sempre cumprido e que os aliados se comportem como aliados.”

As declarações foram feitas no Porto, à margem da visita ao polo do Hospital das Forças Armadas.

Questionado sobre as declarações da primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, que apelou aos Estados Unidos para que párem com as ameaças, Nuno Melo respondeu: “O que se espera, porque é o normal, é que o futuro da Gronelândia esteja nas mãos do seu povo e do povo dinamarquês. A Dinamarca é um país membro da União Europeia e fundador da NATO, a par de Portugal.”

A primeira-ministra da Dinamarca - país a que pertence a Gronelândia, com estatuto autónomo - tinha reagido à hipótese de uma invasão armada americana e avisou que "se os Estados Unidos optarem por atacar militarmente outro país da NATO, será o fim de tudo, incluindo da NATO e da segurança implementada desde o fim da Segunda Guerra Mundial”.

Por outro lado, o primeiro-ministro da Gronelândia recusou ceder ao "pânico" perante as ameaças de anexação dos EUA.

Esta quarta-feira, o Comissário Europeu para a Defesa e Espaço, Andrius Kubilius, visita Portugal, nomeadamente, “várias instituições das Forças Armadas, relacionadas também com a NATO”, de acordo com Nuno Melo que falou em “visita normal num contexto sensível”.

A Lusa escreve que, na nota de imprensa, se lê que o comissário reunirá com Nuno Melo para debater a prontidão da defesa europeia, a implementação do Instrumento de Acção para a Segurança da Europa (SAFE) e o reforço do apoio à Ucrânia. Andrius Kubilius participará, depois, no Seminário Diplomático 2026 organizado pelo ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel.

O comunicado diz, também, que o comissário abordará o futuro da defesa europeia com com o ministro Nuno Melo e a Secretária-Geral-Adjunta da NATO, Radmila Shekerinska. À tarde, acompanhado pelo ministro da Educação, Ciência e Inovação, Fernando Alexandre, o comissário visitará o Centro de Engenharia e Desenvolvimento (CEiiA) que desenvolve produtos inovadores em indústrias como a aeronáutica, a mobilidade e o espaço.ANG/RFI

 

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