Irão/ Líder do FMI diz
que economia mundial volta a ser "posta à prova"
|Bissau, 05 Mar 26 (ANG) – A directora-geral do Fundo Monetário Internacional (FMI), Kristalina Georgieva, afirmou hoje, em Banguecoque, que a economia mundial está "novamente a ser posta à prova", desta vez pela guerra lançada pelos Estados Unidos e Israel contra o Irão.
"Vivemos
num mundo onde os choques são mais frequentes e inesperados, e há algum tempo
que alertamos os nossos membros de que a incerteza é agora a nova norma",
afirmou durante uma conferência que debate a Ásia em 2050, que decorre na
capital tailandesa, de acordo com o portal de notícias económicas FX Street.
"Este
conflito, se vier a prolongar-se, poderá obviamente afectar os preços mundiais
da energia, o sentimento dos mercados e a inflação", acrescentou a
directora-geral do FMI.
Desencadeada
no sábado por uma ofensiva dos Estados Unidos e de Israel contra o Irão, a
guerra alastrou-se rapidamente com a resposta de Teerão aos vários aliados dos
dois países na região, ameaçando igualmente a navegação no Estreito de Ormuz e
Golfo Pérsico, fazendo disparar os preços mundiais do petróleo e mergulhando os
mercados na turbulência.
"Os
mercados têm evoluído como uma montanha-russa nos últimos dias", descreveu
Kristalina Georgieva, sublinhando que "o conflito colocará novas
exigências aos decisores políticos em todo o mundo".
"Quanto
mais cedo esta calamidade terminar, melhor será para o mundo inteiro",
continuou, concedendo porém que o mundo está "potencialmente num período
prolongado de instabilidade".
A Ásia
é o continente mais afectado pela crise no Estreito de Ormuz, uma rota
estratégica por onde passam cerca de 20% do petróleo e do gás natural
liquefeito (GNL) comercializados no mundo.
De
acordo com dados da Kpler e da Administração de Informação Energética dos
Estados Unidos (EIA), entre 84% e 90% do petróleo bruto que passa por Ormuz tem
como destino a Ásia, onde também chega 83% do GNL proveniente dessa rota
crucial, cujos principais compradores são China, Índia, Coreia do Sul e Japão.
Apesar
do contexto de incerteza energética, a Ásia continua a ser um dos grandes
motores da economia mundial, uma vez que a região gera "dois terços do
crescimento global e concentra cerca de 40% do comércio", o que faz com
que "não seja possível falar do futuro económico global sem mencionar a
Ásia", segundo Georgieva.
A
economista também destacou que o continente enfrenta vários desafios
fundamentais para manter essa liderança no crescimento, entre eles, o aumento
da produtividade através do desenvolvimento da inteligência artificial (IA), e
salientou que países como Singapura lideram os índices de preparação para a
adopção desta tecnologia.
Da
mesma forma, Georgieva observou que a China e a Coreia do Sul estão entre os
líderes no desenvolvimento e implementação da IA. A Índia, acrescentou, está a
impulsionar iniciativas para democratizar o acesso à inteligência artificial,
enquanto a Indonésia, Malásia e Tailândia avançam na sua aplicação nos sectores
comerciais.
ANG/Inforpress/Agências

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