Côte
D´Ivoire/
BCEAO abre contas em francos CFA para
diáspora a fim de captar fluxos externos
Bissau, 24 Mar 26 (ANG) –
O Banco Central dos Estados da África Ocidental (BCEAO) agora permite que
cidadãos da União Económica e Monetária da África Ocidental (UEMOA) residentes
no exterior abram contas em francos CFA em bancos da União, uma medida que visa
fortalecer a inclusão financeira da diáspora e captar melhor os fluxos
financeiros externos.
Segundo informações divulgadas na segunda-feira, 23 de março de
2026, pela Agence Ecofin e pela Bloomfield Intelligence, essa decisão é regida
pela nota nº 001-03-2026, assinada em 13 de março em Dakar, Senegal. O documento
especifica que qualquer pedido de abertura de conta em francos CFA apresentado
por um cidadão de um Estado-membro da UEMOA residente no exterior receberá o
mesmo tratamento que o de um residente.
Por meio dessa reforma, o BCEAO amplia o acesso ao sistema
bancário regional e reconhece a diáspora como um agente económico pleno. O
objetivo é direcionar melhor as remessas, tradicionalmente feitas por meio de
canais internacionais ou, às vezes, informais, para depósitos bancários mais
estáveis dentro da União.
O sistema simplifica os procedimentos de abertura e operação de
contas para não residentes, mantendo, ao mesmo tempo, a supervisão prudencial.
O acesso ao crédito permanece sujeito à autorização prévia e as transações
devem estar em conformidade com os requisitos de combate à lavagem de dinheiro
e ao financiamento do terrorismo.
Além da inclusão financeira, esta medida visa transformar as
remessas da diáspora em recursos que possam apoiar o financiamento da economia
real. As autoridades monetárias esperam que isso incentive a mobilização de
poupanças e o investimento em projetos produtivos nos países da UEMOA.
Para os bancos comerciais da sub-região, essa mudança
regulatória também pode representar uma oportunidade para fortalecer sua
liquidez e diversificar suas fontes de financiamento. A integração dos ativos
da diáspora em moeda local deve ajudar a ampliar a base de depósitos e reduzir
a dependência de financiamento externo, que geralmente é mais caro.
No entanto, o sucesso desta reforma dependerá em grande parte da
capacidade das instituições bancárias de adaptarem as suas ofertas,
particularmente através de soluções digitais que permitam a abertura remota de
contas e a gestão de poupanças por clientes não residentes.
Esta iniciativa faz parte de uma dinâmica mais ampla de
consolidação da integração financeira na área da UEMOA, num contexto em que as
remessas da diáspora continuam a ser uma importante alavanca para o consumo, o
investimento e o desenvolvimento económico nos países da região.ANG/Faapa

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