segunda-feira, 23 de março de 2026


Recursos Hídricos
/Ministério dos Recursos Naturais lança Jornada Nacional da Água para reforçar acesso e gestão sustentável

Bissau, 23 de Mar 26 (ANG) – O Ministério dos Recursos Naturais acaba de proceder ao lançamento oficial da  Jornada Nacional da Água, com objetivo de promover reflexões, diálogos e ações concretas para uma gestão mais sustentável, inclusiva e equitativa dos recursos hídricos na Guiné-Bissau.

A jornada que decorre desde domingo vai prolongar ao 22 de Abril,  no âmbito das celebrações do Dia Mundial da Água.

Em representação do ministro, a inspetora-geral Aissatu Indjai disse que  a jornada visa reunir instituições públicas, parceiros técnicos, organizações comunitárias, bem como mulheres e jovens, numa análise sobre  desigualdades no acesso à água, para  identificação de obstáculos institucionais e socioculturais,

Indjai disse que o encontro  permitirá ainda formular recomendações para elaboração de uma Política Nacional de Água e Saneamento mais eficaz e adaptada às necessidades da população.

A responsável sublinhou que os debates previstos contribuirão para o reforço das políticas do setor hídrico, orientando ações mais adequadas às realidades locais.

Apesar dos esforços em curso, Aissatu Indjai alertou para os desafios persistentes no país.

Dados disponíveis indicam que atualmente apenas 24% da população tem acesso a água potável gerida de forma segura. Além disso, cerca de metade das bombas manuais encontram-se avariadas e 65% dos poços protegidos estão contaminados, o que expõe a população à riscos sanitários significativos.

Segundo a inspetora-geral, estas dificuldades afetam sobretudo mulheres e raparigas, que dedicam várias horas por dia à recolha de água, prejudicando a sua educação, autonomia económica e participação social.

O tema deste ano, centrado na integração da perspetiva de género nas políticas de água e saneamento, diz Aissatu, reflete a realidade nacional.

 Referiu que 25,7% das mulheres entre os 20 e os 24 anos casaram antes dos 18 anos, enquanto a taxa de mortalidade materna é de 725,1 por 100 mil nados-vivos e a fecundidade adolescente atinge 84,5 por mil.

Para Aissatu Indjai, os referidos indicadores evidenciam desigualdades estruturais que impactam diretamente o acesso à água e ao desenvolvimento.

“A adoção de políticas sensíveis ao género não é uma opção, mas sim uma necessidade para quebrar ciclos de vulnerabilidade e construir uma sociedade mais justa”, afirmou.

A responsável destacou ainda o papel estratégico do Ministério dos Recursos Naturais na definição e implementação da política nacional de gestão hídrica, na coordenação dos diferentes intervenientes do setor e na recolha de dados técnicos.

No que diz respeito à comercialização da água, alertou para a necessidade de maior regulação e fiscalização, sublinhando que a coerência e a orientação estratégica do setor continuam a ser competências do Ministério dos Recursos Naturais,

Apelou ao reforço da cooperação institucional e da articulação entre os diferentes atores, de forma a garantir o fornecimento de água de qualidade às populações, tanto nas zonas rurais como urbanas.

Entre as prioridades, Aissatu Indjai destacou  o reforço da governação do setor, nomeadamente através da atribuição de licenças para a construção de infraestruturas hidráulicas, assegurando o cumprimento das normas e a proteção dos recursos hídricos contra a exploração excessiva e a poluição.

O Governo reiterou o compromisso de melhorar o acesso à água potável e ao saneamento, promover a igualdade de género e fortalecer a cooperação nacional e internacional.

“A água é mais do que um recurso natural: é um direito fundamental, essencial para a saúde, dignidade e desenvolvimento”, concluiu Aissato Indjai..ANG/MI//SG

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