EUA/Plano dos Estados Unidos para
reabrir o Estreito de Ormuz poderia levar semanas, segundo
Israel
Bissau, 23 Mar 26 (ANG) - O prazo estabelecido pelo
presidente americano Donald Trump para que o governo do Irã volte a abrir o
Estreito de Ormuz termina na noite desta segunda-feira.
Caso isso não aconteça, Trump ameaçou atacar toda as
centrais energéticas iranianas.
Em Israel, segundo a
imprensa local, a mensagem de Washington ao governo israelense é que o plano
operacional dos Estados Unidos para liberar a passagem estratégica deve levar
mais tempo do que o esperado, podendo chegar a semanas. Se isso se
confirmar, a guerra deve se prolongar, de acordo com avaliação
transmitida pelos EUA a Israel.
Durante a madrugada, os Estados Unidos realizaram ataques contra
alvos no litoral do Irã. A avaliação israelense é que essas ações tiveram como
objetivo enfraquecer as defesas iranianas no Estreito de Ormuz, passagem
estratégica por onde circula cerca de 20% do petróleo mundial.
Já na manhã desta segunda, a imprensa iraniana informou que uma
pessoa morreu em um ataque contra uma estação de rádio. No noroeste do país, um
prédio residencial foi atingido e desabou, deixando moradores sob os escombros.
As autoridades locais seguem tentando localizar sobreviventes.
A RFI esteve em Arad, no sul de Israel,
onde um míssil iraniano com 450 quilos de explosivos atingiu diretamente um
conjunto de prédios onde viviam 800 pessoas. A destruição é extensa, mas não
houve mortos. Os ataques iranianos a Arad e Dimona, também no sul, deixaram
quase 200 feridos, 12 deles em estado grave, segundo a Estrela de David
Vermelha.
Autoridades do Exército têm buscado preparar
a população para a continuidade do conflito. Em pronunciamento, o chefe do
Estado-Maior, Eyal Zamir, disse que a guerra deve prosseguir até Pessach, a
Páscoa judaica, que começa em 1º de abril e vai até o dia 8.
O porta-voz do Exército, Effie Defrin,
afirmou que a expectativa é de “mais semanas de combates contra o Irã e o
Hezbollah”. A RFI apurou que a avaliação militar de Israel é que o confronto no
Líbano contra o Hezbollah deve se estender por mais tempo do que a guerra
contra o Irã. O objetivo israelense é eliminar de forma definitiva todas as
capacidades militares da milícia xiita libanesa.
A situação no Estreito de Ormuz e a
crise de energia levaram o diretor da AIE (Agência Internacional de Energia),
Fatih Birol, a alertar sobre a gravidade da situação. Segundo ele, “até agora,
perdemos 11 milhões de barris por dia, mais do que as duas grandes crises do
petróleo dos anos 1970 somadas”.
Na prática, o Estreito de Ormuz está
praticamente fechado desde o início da guerra, com o trânsito de mercadorias
tendo caído 95%, de acordo com a empresa de análise Kpler. Apenas um pequeno
número de cargueiros e petroleiros conseguiu atravessá-lo. Normalmente, 20% da
produção mundial de hidrocarbonetos passa pelo local.
“Nenhum país ficará imune aos efeitos desta
crise se ela continuar nesse caminho. É, portanto, necessário agir em escala
mundial”, declarou Birol, classificando a situação como uma “ameaça maior” para
a economia global.
Na tentativa de conter a disparada do
preço do petróleo, os Estados Unidos autorizaram na sexta-feira, por um mês, a
venda e a entrega do petróleo iraniano que estava a bordo de navios. Mas Teerã
afirmou não ter nenhum excedente de petróleo bruto no mar.
Além do
bloqueio do estreito e do fato de Teerã atacar navios que cruzam o Golfo,
diversos pontos de infraestrutura energética dos países da região estão sob
fogo iraniano. Segundo o chefe da AIE, ao menos 40 instalações energéticas
foram “gravemente ou muito gravemente danificadas” em nove países devido à
guerra desencadeada em 28 de fevereiro pelos ataques americano-israelenses
contra o Irã. ANG/RFI/Com agências

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