Bruxelas/Parlamento Europeu valida novas regras para
deportações e centros de migrantes fora da UE
Bissau, 27 Mar 26 (ANG) - O Parlamento Europeu aprovou , quinta-feira (26) um significativo endurecimento da política migratória do bloco e endossou o conceito de “centros de retorno”, locais para onde migrantes seriam enviados fora da União Europeia.
A medida foi exigida pela maioria dos Estados-membros e por eurodeputados de direita e extrema-direita, que celebraram o resultado da votação com aplausos.
Atualmente, apenas
cerca de 20% das ordens de expulsão emitidas na União Europeia são realmente
executadas, um índice frequentemente criticado por defensores de políticas
migratórias mais rígidas.
Sob pressão para endurecer a legislação, a
Comissão Europeia apresentou, há um ano, uma proposta destinada a aumentar o
número de deportações.
Na manhã desta quinta‑feira,
essa medida foi aprovada por ampla maioria no Parlamento Europeu, com o apoio
de eurodeputados da direita, da extrema‑direita e do centro reunidos em sessão
plenária em Bruxelas.
“O texto simplesmente
garantirá este princípio básico: se você vier para a Europa ilegalmente, tenha
certeza de que não ficará”, afirmou o eurodeputado de direita François‑Xavier
Bellamy.
A proposta
autorizaria os Estados‑membros a criar centros de acolhimento para migrantes em
países fora da UE, para enviar — e, possivelmente, deter — pessoas cujos
pedidos de asilo foram rejeitados e que enfrentam ordens de deportação. São os
chamados “centros de retorno”.
A ideia de criar polos para deter migrantes antes ou depois da análise de
seus pedidos de asilo não é nova. A Itália já a testou na Albânia, mas o
centro instalado em território albanês permaneceu praticamente vazio durante
muito tempo devido a uma série de contestações judiciais.
Em Fevereiro, ele abrigava cerca de 90 pessoas, segundo uma fonte das autoridades italianas.
Um acordo semelhante havia sido firmado entre o Reino Unido e Ruanda, mas Londres acabou abandonando rapidamente o projeto, novamente por causa de obstáculos legais. Os dois países agora travam uma batalha judicial sobre o tema.
Nas últimas semanas, um pequeno grupo de Estados-membros da UE —Dinamarca, Áustria, Grécia, Alemanha e Países Baixos — se formou para estudar esses dois modelos e aprender com seus “erros”, segundo um diplomata. O objetivo é concluir, até o fim do ano, acordos “com países terceiros para avançarmos para a próxima etapa: o estabelecimento desses centros de retorno”, explicou o ministro do Interior alemão, Alexander Dobrindt.
Outros países, incluindo França e Espanha, demonstram ceticismo quanto
à eficácia dessas estruturas e permaneceram à margem das discussões.
O texto aprovado também prevê regras e sanções mais rígidas para requerentes de asilo rejeitados que se recusam a deixar o território da UE, incluindo confisco de documentos de identidade, detenção e proibição prolongada de entrada.
Por fim, estabelece o
reconhecimento mútuo das decisões tomadas por qualquer Estado-membro. Assim,
ordens de expulsão decretadas na França devem ser aplicadas na Espanha e vice‑versa.
Essa votação
representa “um retrocesso histórico para os direitos dos refugiados”, alertou
Marta Welander, do Comité Internacional de Resgate, expressando preocupação com
o aumento das “detenções de pessoas vulneráveis, incluindo crianças”.
Assim como outras
medidas migratórias, o texto avançou no Parlamento graças à colaboração
reforçada entre deputados de direita e extrema‑direita — uma aliança que gerou
reações na Alemanha e foi duramente criticada pelo chanceler Friedrich Merz. ANG/RFI/Com
AFP

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