Economia/Conselho Executivo de FMI aprova pedido das
autoridades guineenses para prorrogação do programa ECF até Dezembro
Bissau, 23 Mar 26 (ANG) - O
Conselho Executivo do Fundo Monetário Internacional (FMI) aprovou, no passado fim-de-semana, o pedido das autoridades
guineenses para a prorrogação do
programa apoiado pelo Acordo de Crédito Ampliado (ECF) até 29 de Dezembro de
2026, com um reescalonamento do acesso para ajudar a consolidar as políticas
económicas e implementação do orçamento do ano em curso.
De acordo com o Comunicado
Final do FMI, a aprovação foi feita numa reunião do Conselho Executivo de FMI,
realizada no âmbito de nona e décima revisões do Acordo de Crédito Ampliado para
Guiné-Bissau.
O Conselho Executivo de FMI aprovou também as solicitações das autoridades de Bissau para
modificações dos critérios de Desempenho e Metas Indicativas, tendo concluído a
revisão das garantias de financiamento.
No mesmo comunicado, o FMI
informa que a implementação do Programa
sofreu atrasos em algumas áreas após a mudança de Governo em Novembro de 2025 e
que apesar disso, o Governo de Transição expressou um forte compromisso com os
objetivos do ECF.
“O acordo de ECF para
Guiné-Bissau durou três anos e tinha como objetivo garantir a sustentabilidade da
dívida, melhorar a governança e reduzir a corrupção ao mesmo tempo que cria
espaço fiscal para fomentar o crescimento inclusivo”, refere o documento.
Ao término da discussão do
Conselho Executivo, o Diretor-geral e Presidente do mesmo conselho, Li, disse
que a economia da Guiné-Bissau tem demonstrado resiliência contínua refletindo
a evolução favorável dos termos de troca e a manutenção de um forte
investimento.
salientou que o desempenho
do programa foi afectado negativamente por falhas nas políticas, bem como pelas
perturbações políticas no final de 2025.
Aquele responsável sublinhou
que as autoridades já tomaram medidas
corretivas para solucionar o problema mencionado no parágrafo anterior, tendo sustentado que existem riscos significativos de deterioração das perspetivas, e
forte apropriação do programa e que o
engajamento com o Fundo continua sendo fundamental.
“O déficit fiscal diminuiu,
significativamente, em 2025, apesar de ter superado as metas do programa. A
continuidade do processo de consolidação fiscal é essencial para sustentar
novas melhorias na sustentabilidade da divida, para tanto, o orçamento de 2026
acelera a consolidação fiscal com o objectivo de manter um superávit no saldo
primário e reduzir o déficit geral para 4,0 % do PIB”, disse Li.
Por outro lado, o Diretor-geral
afirmou que as reformas no sector energético são essenciais, tanto para redução dos riscos
fiscais quanto para impulsionar o potencial de crescimento.
Acrescentou que as recentes
reformas na EAGB, empresa pública geradora de electricidade estancaram as
perdas e garantiram a recuperação de custos, além de promover maior conetividade
para consumidores e indústrias.
“O progresso nas reformas de
governança é encorajador, com maior transparência nas informações sobre
licitações públicas e nos dados sobre beneficiários finais. No entanto, são
necessários esforços mais robustos nessa área, incluindo o aumento da
responsabilização e da transparência e a melhoria do ambiente de negócios”, concluiu.
De acordo com o referido
documento, o crescimento económico em 2025 é estimado em 5,5 % impulsionando
pela forte produção de castanha de caju e pelo desenvolvimento favorável nos
termos de troca, enquanto a inflação média caiu para 0,9%. Estima-se que o
déficit em conta corrente tenha diminuído para 6,2% do PIB em 2025.
“O déficit fiscal foi maior
de que esperado devido ao desempenho mais fraco da receita, aos maiores
pagamentos de juros e ao apoio orçamentário menor que o previsto. Embora a
divida pública tenha caído para cerca de 75,3% do PIB, manter uma trajetória
firme de queda da divida no médio prazo exigirá consolidação fiscal sustentada
e politicas de empréstimo prudentes”, lê-se no comunicado.
O comunicado revela que o conselho executivo concedeu uma
prorrogação do acesso em 29 de Novembro de 2023, a conclusão das revisões
permite desembolso de 2,37 milhões para atender as necessidades de balanço de
pagamentos e financiamento fiscal do país e que isso eleva o total de
desembolsos no âmbito do acordo para 37,41 milhões de DEG (cerca de 50.8
milhões de fcfa).
“O desempenho do programa
desde a Oitava Revisão, em Junho de 2025 tem sido inferior ao esperado em três
dos dez critérios quantitativos de
desempenho (OPCs), que, com vencimento em Junho de 2025, não foram atingidos.
Dos 15 Marcos Estruturais definidos para o período de Junho à Dezembro de 2025,
cinco foram cumpridos, enquanto dez foram implementados com atrasos, e todos os
três Marcos estruturais contínuos não foram atingidos”, refere. ANG/AALS//SG

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