Médio Oriente/Irã nega negociações diretas com EUA para fim de conflito; ataques se espalham no Oriente Médio
Bissau, 24 Mar 26 (ANG) - A
guerra no Oriente Médio entrou em seu 25º dia com uma nova escalada de
violência e um cenário diplomático incerto.
Nesta terça-feira (24), o Irã
lançou mísseis em direção a Israel, horas depois de o exército israelense
confirmar ao menos um ataque no norte do país durante a madrugada. Trump diz
estar em negociações com Teerã para o fim do conflito, mas o Irã nega.
Uma forte explosão
foi registada em Tel Aviv, segundo relatos de jornalistas da AFP. Teerã
anunciou, por meio de sua televisão estatal, o lançamento de uma "nova onda
de mísseis" contra seu inimigo durante a madrugada, enquanto a tensão na
região atingia níveis críticos.
O conflito, que já
deixou milhares de mortos e deslocados, ganhou novos contornos após o
presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciar na segunda-feira (23) um
adiamento de cinco dias em possíveis ataques às infraestruturas energéticas
iranianas. A decisão, divulgada em um momento de alta volatilidade nos mercados
financeiros, ocorreu após Trump afirmar que Washington mantinha "conversas
muito boas e produtivas" para encerrar a guerra.
Na pista do aerporto
de Palm Beach (Flórida), o presidente declarou que seu genro, Jared Kushner, e
seu enviado especial, Steve Witkoff, estavam conduzindo as negociações com o
Irã
"Tivemos
discussões muito, muito sólidas. Veremos aonde isso nos levará. Temos vários
pontos de acordo", disse Trump.
No entanto, o Irã
negou veementemente qualquer diálogo com os EUA. O porta-voz do ministério das
Relações Exteriores iraniano, Esmaeil Baqaei, afirmou que mensagens de
"países amigos" haviam sido recebidas com pedidos americanos para
negociações, mas garantiu que nenhuma conversa direta ocorreu.
Já o presidente do
parlamento iraniano, Mohammad Baqer Qalibaf, classificou as declarações de
Trump como uma tentativa de "manipular os mercados financeiros e
petrolíferos".
No entanto, a
informação de que um processo de diálogo está em curso foi confirmada por
fontes americanas e iranianas ao The New York Times. De acordo
com o jornal, o interlocutor é Abbas Araghchi, Ministro das Relações Exteriores
do Irã. Steve Witkoff, enviado da Casa Branca, teria entrado em contato direto
com ele nos últimos dias.
Mas, por ora, as
discussões estariam em um estágio muito menos avançado do que vem divulgando
publicamente Donald Trump. De acordo com o The New York
Times o Irã não quer um cessar fogo temporario e exige uma paz durável
ou a garantia de que Israel e Estados Unidos nao retomarãoo seus bombardeios,
uma vez as hostilidades suspensas. Enquanto isso Teerã ameaça manter a pressão
no Estreito de Ormuz.
Apossibilidade de uma trégua temporária trouxe alívio aos mercados globais. Após uma queda de mais de 10% no preço do
petróleo na segunda-feira, o barril do Brent, referência mundial, registou alta
de 3,96% na manhã desta terça, cotado a US$ 103,90. O petróleo americano WTI
também subiu 3,86%, alcançando US$ 91,53. As bolsas asiáticas acompanharam o
movimento: o índice Nikkei, de Tóquio, avançou 0,77%, enquanto o Kospi, de
Seul, subiu 1,94%.
A presidente da
Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, pediu o fim das hostilidades durante
visita à Austrália, alertando para os impactos económicos globais,
especialmente nos preços do gás e do petróleo.
A situação no Golfo
Pérsico segue tensa. A Arábia Saudita anunciou ter destruído ao menos 20 drones
em seu território na manhã desta terça, enquanto o Kuwait informou estar respondendo
a "ameaças de drones e mísseis hostis". O ministro de Energia do Irã,
Abbas Aliabadi, havia declarado em entrevista à televisão estatal que o país
estava menos vulnerável a ataques em sua infraestrutura energética do que seus
vizinhos do Golfo ou Israel.
Segundo ele, o Irã
possui mais de 150 usinas espalhadas pelo território, ao contrário de países
como Arábia Saudita e Israel, onde a produção é centralizada e, portanto, mais
exposta a ataques. As declarações ocorreram dias após Trump ameaçar atingir
instalações energéticas iranianas caso o Estreito de Ormuz, por onde passa um
quinto do petróleo mundial, não fosse reaberto.
No Líbano, os bombardeios israelenses contra alvos do Hezbollah na
periferia sul de Beirute se intensificaram.
Na segunda à noite, imagens da AFPTV mostraram grossas colunas de fumaça
sobre a região, que não era atingida desde sexta-feira.
Uma pessoa morreu em um ataque israelense a um apartamento em Hazmieh, nos
arredores da capital libanesa, onde, segundo Israel, estaria um membro da
Guarda Revolucionária iraniana.
O exército israelense
também anunciou a captura de dois combatentes de elite do Hezbollah no sul do
Líbano, acusados de planejar um ataque com mísseis antitanque contra suas
tropas.
Enquanto isso, o
primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, afirmou ter conversado com
Trump e reiterou que seu país continuaria atacando o Irã e o Líbano para
"proteger seus interesses vitais". Netanyahu reconheceu que os EUA
acreditam ser possível alcançar os objetivos da guerra por meio de um acordo,
mas deixou claro que as operações militares não seriam interrompidas.
O premiê paquistanês,
Shehbaz Sharif, por sua vez, prometeu apoio a Teerã para mediar a paz na região
após conversa com o presidente iraniano, Massoud Pezeshkian.
A guerra também se
estendeu para outros países da região. No Iraque, uma suposta ação americana
matou sete combatentes do grupo paramilitar Hachd al-Chaabi, incluindo um alto
comandante, em uma base na província de Al-Anbar. Treze pessoas ficaram
feridas, e outras ainda estariam presas sob os escombros.
Na Síria, uma base
militar na província de Hassaké foi alvo de mísseis disparados do Iraque,
segundo o Exército sírio, que acusou uma facção pró-Irã pelo ataque. A base
havia sido recentemente abandonada por forças americanas da coalizão
antijihadista.
O diretor da Agência
Internacional de Energia (AIE), Fatih Birol, alertou que a prolongação do
conflito poderia desencadear uma crise petrolífera sem precedentes, superando
os choques dos anos 1970 e a invasão da Ucrânia pela Rússia. "A economia
mundial enfrenta uma ameaça muito, muito grave", declarou.
Diante das ameaças de
Trump, o Irã prometeu fechar completamente o Estreito de Ormuz e atacar
infraestruturas americanas, incluindo usinas de dessalinização e tecnologia da
informação, caso os EUA cumprissem suas advertências. Meios de comunicação
iranianos chegaram a divulgar uma lista de possíveis alvos em Israel, como as
usinas elétricas Orot Rabin e Rutenberg.
ANG/RFI/Com agências

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