Senegal/Primeiro-ministro apela à preservação da paz em Casamance
Bissau, 23 Mar 26 (ANG) – O primeiro-ministro senegalês, Ousmane
Sonko, apresentou suas condolências neste sábado em Ziguinchor (sul do país) às
famílias dos soldados que morreram recentemente na região, e fez um apelo à
preservação da paz nesta parte do país.
As autoridades senegalesas defendem "consenso e paz",
afirmou ele.
Em 12 de março, a Direção de Informação e Relações Públicas das
Forças Armadas (DIRPA) do Senegal anunciou a morte de um soldado e informou que
outros seis ficaram feridos durante a destruição de plantações de cânhamo em
Kadialock, na região de Ziguinchor.
Cinco dias depois, três soldados morreram em uma "explosão
acidental" no norte de Sindian (região de Ziguinchor), segundo a DIRPA
(Diretoria de Informação e Relações Públicas das Forças Armadas). A DIRPA
também anunciou que outros três soldados ficaram feridos na mesma explosão.
As três regiões que compõem Casamance são palco de um dos
conflitos mais antigos da África. Os combatentes independentistas do Movimento
das Forças Democráticas de Casamance refugiaram-se na mata após a repressão de
uma marcha pelas autoridades públicas senegalesas em dezembro de 1982.
Após ter ceifado milhares de vidas e devastado a economia desta
região do Senegal, o conflito tem diminuído de intensidade de forma constante
ao longo de vários anos. Em 2020, o exército nacional realizou operações em
larga escala para neutralizar bases rebeldes e facilitar o retorno dos
deslocados internos às suas casas.
Segundo Ousmane Sonko, a violência relatada nesta parte do país
já não decorre de reivindicações separatistas, mas sim de atividades
relacionadas com o cultivo ilícito de cannabis.
Ele garante que as forças de defesa e segurança continuarão as
operações para desmantelar as quadrilhas responsáveis por essas atividades.
O primeiro-ministro apelou aos grupos armados para que
abandonassem as suas atividades nas montanhas e regressassem à vida civil.
Ele também recomenda que o povo senegalês "construa uma
economia soberana, reduza a dependência [de outros países para certos produtos
de consumo] e garanta que o crescimento beneficie mais o país".ANG/Faapa
A dívida externa do país, que corresponde a 132% do produto
interno bruto, reduz a margem de manobra do Estado, lembrou o Sr. Sonko,
assegurando, porém, que foram envidados esforços significativos para
estabilizar as finanças públicas e melhorar as condições de vida do povo
senegalês.
Ele defende uma aplicação "justa e transparente" da
lei, sem a qual, em sua opinião, não pode haver desenvolvimento econômico e
atratividade.

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