EUA/Visita de Netanyahu a Washington expõe divergências com Trump sobre o futuro de Gaza
Bissau, 28 Jul 26(ANG) - O primeiro-ministro de
Israel, Benjamin Netanyahu, iniciou, segunda-feira (27) uma visita de três dias
a Washington.
Segundo a televisão israelense,
Netanyahu afirmou durante uma reunião de governo realizada em um bunker que
resistirá firmemente às pressões americanas para uma retirada das tropas
israelenses dessas três frentes.
A posição gera aparente contradição, já
que o Gabinete de Segurança de Israel aprovou o marco legal para o envio de uma
Força Internacional de Estabilização à Faixa de Gaza, inicialmente em uma zona
humanitária-piloto em Rafah.
Trata-se
da primeira participação oficial de Israel num mecanismo internacional
destinado a preparar o período pós-conflito no território palestino. A decisão
também prevê as etapas iniciais da implantação de uma força multinacional de
estabilização em Gaza.
Longe de ser um simples gesto diplomático, o acordo valida o projeto-piloto em Rafah, com o envio inicial de cerca de 200 soldados de países parceiros, como Marrocos e Uganda. Os militares da Força Internacional teriam a missão de proteger uma zona humanitária fora do controle do Hamas.
Embora
o ministro da Segurança Nacional, Itamar Bem Gvir, da extrema direita, tenha se
oposto à iniciativa, o governo israelense tenta demonstrar boa vontade à
aliança com os Estados Unidos.
Israel, no entanto, mantém uma linha vermelha: o Exército continuará presente no terreno e não haverá novas retiradas enquanto o Hamas não estiver completamente desarmado.
O encontro ocorre em um momento em que Netanyahu busca um novo
mandato nas eleições legislativas marcadas para 27 de Outubro.
Tanto a imprensa israelense quanto a americana noticiaram que,
há várias semanas, o premiê tentava obter uma nova reunião com Trump,
alimentando especulações sobre possíveis atritos entre os dois líderes.
Quando Trump voltou à Casa Branca, os dois governantes
demonstravam forte alinhamento político. Netanyahu chegou a afirmar que Trump
era "o melhor amigo que Israel já teve na Casa Branca". No entanto,
após a guerra lançada contra o Irã em 28 de Fevereiro, surgiram divergências
sobre a estratégia a ser adotada diante de Teerã: manter a pressão militar ou
privilegiar uma solução diplomática.
“Nos entendemos muito bem. Ele sabe quem manda”, declarou Donald
Trump ao site americano Axios no
início de Julho.
As tensões ficaram ainda
mais visíveis durante as negociações de cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã
realizadas em abril, que já não estão mais em vigor. Segundo o New York Post, Trump teria
demonstrado irritação com Netanyahu ao considerar que a continuidade das
operações israelenses contra o Hezbollah pró-Irã no Líbano dificultava as
conversas com Teerã.
“Você está completamente louco? O que diabos está fazendo?”,
teria dito o presidente americano ao premiê israelense.
Trump também classificou Netanyahu como um líder "muito
difícil" e acrescentou que Israel deveria ser grato aos Estados Unidos.
“Se o Irã tivesse uma arma nuclear, Israel não duraria duas horas”, afirmou.
Por sua vez, Netanyahu minimizou as divergências. Ele reconheceu
a existência de desacordos, mas insistiu que ambos continuam compartilhando os
mesmos objetivos estratégicos: desarmar o Hezbollah e impedir que o Irã obtenha
armas nucleares.
“Podemos discordar pela manhã e agir juntos à tarde”, declarou.
Durante sua visita aos
Estados Unidos, Netanyahu também participará das cerimónias fúnebres do senador
republicano Lindsey Graham, figura influente nas relações entre Washington e
Israel que morreu em 11 de Julho.
Considerado um “amigo de
Israel”, Graham era um dos principais aliados do governo israelense no
Congresso americano. A presença de Netanyahu nas homenagens busca reforçar a
proximidade entre os dois países, apesar das tensões recentes. ANG/RFI

Sem comentários:
Enviar um comentário