quarta-feira, 5 de agosto de 2026

EUA/Imprensa americana revela detalhes de acordo entre Irã e Omã para reabrir o Estreito de Ormuz

Bissau, 05 Ago 26 (ANG) - Segundo o site de notícias Axios, está em discussão um acordo entre o Irã e Omã com a duração de 60 dias com o objetivo de organizar o tráfego marítimo no Estreito de Ormuz.

O presidente norte-americano, Donald Trump, garantiu na terça-feira (4) que um compromisso pode ser anunciado nas próximas horas.

Citando duas "fontes regionais", o Axios indica que o acordo, embora temporário, pode ser renovado, passado o prazo de 60 dias.

O compromisso prevê que todo navio que entrar no Estreito de Ormuz utilizará uma rota ao norte, em águas iranianas. Já as embarcações que deixaram o local utilizarão uma trajetória ao sul, em águas controladas por Omã. 

"Nenhum pedágio ou taxa seria cobrado durante o período de 60 dias", diz a matéria. Durante este período de 60 dias, enquanto se aguarda um acordo definitivo, a via central do Estreito de Ormuz seria desminada. O Axios indica, no entanto, que o compromisso ainda não está finalizado.

De acordo com o site, além das negociações entre Omã e Irã nos últimos dias, autoridades do Catar, do Paquistão e da Arábia Saudita também participaram dos esforços de mediação.

As fontes entrevistadas pelo Axios indicam que a Casa Branca esteve ativamente envolvida nas negociações, com várias ligações entre o enviado de Trump, Steve Witkoff, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, e o chanceler de Omã, Badr al‑Busaidi.

Araghchi teria concordado com o texto no fim de semana, mas ainda precisaria da aprovação do líder supremo do Irã, Mojtaba Khamenei, e do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã.

Donald Trump, voltou a insistir, na terça-feira (4) que negociações com o Irã estão ocorrendo, embora o regime islâmico tenha rejeitado suas afirmações nos últimos dias. Segundo o líder republicano, o Estreito de Ormuz deve ser reaberto até quinta-feira (6).

Os comentários foram feitos em uma entrevista concedida durante um programa noturno da emissora Fox News. Trump garante que conversas com representantes iranianos ocorreram "durante todo o dia" de terça-feira e que foram "muito positivas". No entanto,voltou a ameaçar bombardear o Irã “de forma muito dura” caso nenhum compromisso seja firmado.

Segundo o presidente americano, o Irã deseja fechar um acordo. "Tenho tempo", declarou ainda o o chefe da Casa Branca sobre o conflito que já dura mais de cinco meses.

O secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, também confirmou na terça‑feira que houve "progressos" nas negociações com o Irã e Omã. "Ainda não foi concluído nenhum acordo definitivo. Esperamos que isso aconteça muito em breve", afirmou.

As declarações foram reforçadas pelo secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, em entrevista ao canal CNBC. Segundo ele, há chances de que um compromisso seja anunciado nas próximas horas "para reabrir o estreito e avançar rumo a uma normalização".

Nos últimos dias, Trump conversou com vários dirigentes no Oriente Médio, entre eles o emir do Catar, xeque Tamim bin Hamad al‑Thani, na terça‑feira. Em comunicado, Doha declarou que os dois líderes abordaram os esforços "para aliviar as tensões" entre Washington e Teerã e "aproximar as duas partes".

No sábado (1°),o presidente norte-americano falou com o príncipe herdeiro Mohammed bin Salman, aliado-chave dos Estados Unidos. Por telefone, o dirigente saudita defendeu a necessidade de privilegiar o diálogo para reduzir as tensões e a importância de realizar todos os esforços possíveis para uma trégua. 

Diante da expectativa de reabertura do Estreito de Ormuz, os preços do petróleo despencaram na terça-feira. Na manhã desta quarta-feira o valor do produto voltou a registar uma leve alta.

O preço do barril de Brent do Mar do Norte, para entrega em Outubro, avançava 1,34%, cotado a US$ 80,42. Seu equivalente americano, o barril de West Texas Intermediate (WTI), para entrega em Setembro, subia 0,70%, sendo comercializado a US$ 76,30.

Mais de cinco meses após o início da guerra, que já custou bilhões de dólares a Washington, o Irã continua capaz de lançar mísseis e drones contra alvos americanos e de seus aliados na região, além de navios comerciais. O Estreito de Ormuz, passagem crucial para o abastecimento mundial de petróleo e gás, foi o estopim para a retomada dos combates em Julho, após um protocolo de acordo assinado em Junho.

Teerã insiste em controlar essa via marítima e ameaça cobrar pedágios pela travessia, algo que não fazia antes da guerra e condição à qual Washington se opõe firmemente. Além da reabertura do Estreito de Ormuz, os objetivos diplomáticos dos Estados Unidos incluem a desnuclearização do Irã, algo que até mesmo Trump reconheceu que pode "levar algum tempo".

ANG/RFI com agências

 

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