Irã/ Governo diz agir em ‘legítima defesa’ e
amplia tensão com ataques a alvos americanos no Golfo
Bissau, 31 Ago 26 (ANG) - O Irã
afirmou nesta segunda-feira (31) ter atacado, em "legítima defesa",
alvos militares americanos na Jordânia e nos Emirados Árabes Unidos, em
resposta a bombardeios realizados pelos Estados Unidos.
Os últimos ataques americanos
contra o Irã haviam ocorrido no fim de Julho, quando Washington afirmou estar
reagindo a ações iranianas.
O conflito entra em
seu sétimo mês e os esforços diplomáticos para encerrá-lo seguem sem avanços.
Os novos ataques contrastam com declarações recentes do governo de Donald
Trump, que dizia priorizar a pressão económica sobre Teerã.
Após o anúncio dos
novos bombardeios, os preços do petróleo voltaram a subir. O barril do Brent,
referência internacional, ultrapassou a marca simbólica de US$ 90.
“As forças americanas
atingiram dois lançadores iranianos na ilha de Larak”, localizada no
estratégico Estreito de Ormuz, declarou Tim Hawkins, porta-voz do Comando
Militar dos Estados Unidos para o Oriente Médio (Centcom), em comunicado
enviado à AFP.
Segundo ele, os
ataques ocorreram após “forças da Guarda Revolucionária Islâmica terem sido
observadas em preparação para lançar foguetes carregados com minas marítimas”
no Estreito de Ormuz.
O ataque americano
deixou dois mortos e dois feridos, de acordo com a agência de notícias iraniana
Tasnim.
Em represália, a
Guarda Revolucionária, força militar iraniana, afirmou ter atacado instalações
do Exército americano em duas bases aéreas na Jordânia com mísseis balísticos e
drones.
As Forças Armadas
jordanianas informaram ter interceptado oito mísseis que entraram em seu espaço
aéreo, sem especificar a origem dos projéteis.
Teerã afirmou ainda ter atacado com drones uma base nos Emirados
Árabes Unidos, “onde estão estacionados helicópteros e tropas americanas”, e
disse ter derrubado um drone dos Estados Unidos no Estreito de Ormuz.
Os Emirados Árabes
Unidos confirmaram ter “reagido” a um drone proveniente do Irã detectado sobre
suas águas territoriais após Teerã declarar ter atacado uma base utilizada
pelos Estados Unidos no país. Mas o Ministério da Defesa emiradense negou
que tenha havido ataque com mísseis contra a base aérea de Al-Minhad.
Nas últimas semanas,
o Oriente Médio vivia um período de relativa calma, embora disparos esporádicos
continuassem sendo registados, principalmente no Estreito de Ormuz e em suas
proximidades.
Essa passagem marítima, por onde normalmente transitava cerca de um quinto
dos hidrocarbonetos consumidos no mundo, está no centro do conflito. Desde o
início da guerra, desencadeada por um ataque israelense-americano contra o
Irã em 28 de Fevereiro, Teerã tem restringido quase continuamente a navegação
na região.
Em resposta, os EUA impuseram um bloqueio aos portos iranianos e afirmam estar prontos para “proteger a livre circulação do comércio”.
O Centcom declarou ter “concluído a remoção de minas das rotas marítimas internacionais”.
No entanto, nesta segunda-feira, a Marinha da Guarda Revolucionária afirmou que um “superpetroleiro fora da lei” atingiu duas minas navais ao tentar atravessar o estreito de forma “ilegal”, provocando um incêndio a bordo.
As negociações para
encerrar o conflito permanecem em impasse após o fracasso de um protocolo de
acordo firmado em junho.
“Não buscamos a
guerra”, declarou o presidente iraniano, Massoud Pezeshkian. “No entanto,
diante de qualquer agressão, jamais ficaremos de braços cruzados”, acrescentou,
segundo a imprensa estatal, antes de embarcar para o Quirguistão.
Pezeshkian
participará de uma cúpula da Organização para Cooperação de Xangai (OCX), que
também deverá reunir o presidente chinês, Xi Jinping, o presidente russo,
Vladimir Putin, e o primeiro-ministro paquistanês, Shehbaz Sharif. O Paquistão
tem atuado como mediador no conflito.
Diante da
impopularidade da guerra e da proximidade das eleições de meio de mandato nos
Estados Unidos, o governo Trump vinha afirmando que privilegiaria a “guerra
económica” contra o Irã, país já submetido a sanções internacionais.
Umnovo pacote de sanções “secundárias” foi apresentado. As medidas não
atingem diretamente o Irã, mas seus parceiros comerciais, abrangendo setores
como ouro, tecnologia, ativos digitais, aviação e transporte marítimo.
O secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, presidirá nesta segunda e terça-feira uma reunião com seus homólogos dos países do G20.
Entre eles está a
China, principal parceiro económico de Teerã, que já declarou a intenção de
defender “firmemente” seus interesses e sua cooperação com o Irã. ANG/RFI/AFP

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