França/Ataques a redes de água
triplicam em zonas de conflito e Gaza e Burkina Faso estão entre as mais
afetadas
Bissau, 06 Nov 26 (ANG) - O
número de ataques que danificaram ou destruíram sistemas de abastecimento de
água e saneamento em zonas de conflito triplicou entre 2021 e 2025, segundo um
relatório do Unicef, divulgado nesta quinta-feira (5).
A agência da ONU alerta que
esses ataques expõem ainda mais as crianças a epidemias, à desnutrição e à
violência.
Realizado em 23 países e territórios
entre Janeiro de 2021 e Junho de 2026, o relatório destaca a multiplicação dos
ataques, que se tornaram mais frequentes, mais diversificados e atingem áreas
geográficas cada vez mais amplas em todo o mundo.
“Os trabalhadores humanitários fazem
tudo o que podem para manter o abastecimento de água apesar da multiplicação
dos ataques.
No entanto, os reparos não podem
substituir a proteção dessas instalações, exigida pelo direito internacional
humanitário”, afirmou Catherine Russell, diretora-executiva do Unicef.
O
relatório menciona sete tipos de ataques,entre eles bombardeios contra estações
de tratamento, tubulações e poços, contaminação de fontes de água e restrições
ao acesso a peças de reposição e produtos químicos necessários para o
tratamento da água.
O Unicef cita o caso de Burkina Faso, onde mais de 145 pontos de abastecimento de água foram destruídos em ataques entre 2020 e 2025. Segundo o relatório, cerca de 830 mil pessoas ficaram sem acesso à água, mais da metade delas crianças.
A situação também preocupa em Gaza. Desde Outubro de 2023, mais de 130 quilómetros de tubulações de esgoto foram danificados no território palestino.
Nos campos de refugiados do leste do Chade que acolhem pessoas que fugiram da guerra no Sudão, a Organização Mundial da Saúde (OMS) associou um surto de hepatite E à falta de acesso à água potável e ao saneamento. Metade dos 2.092 casos suspeitos registados entre Janeiro e Abril de 2024 envolvia crianças e adolescentes de 6 a 17 anos.
O relatório também documenta casos de
crianças mortas, feridas ou vítimas de outros tipos de violência enquanto
aguardavam em filas para buscar água, incluindo diversos episódios registados
em Gaza.
Diante
desse cenário, o Unicef pede a todas as partes envolvidas em conflitos, bem
como a governos, financiadores e organizações humanitárias, que considerem os
sistemas de abastecimento de água, saneamento e higiene em áreas de conflito
como infraestruturas indispensáveis à sobrevivência da população civil,
especialmente das crianças.
A agência também defende que seja garantido acesso seguro, rápido e sem restrições para trabalhadores humanitários e para o transporte de equipamentos e insumos essenciais ao funcionamento dos sistemas de água e energia. ANG/RFI/Com Franceinfo

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