terça-feira, 21 de março de 2023

Dia Mundial de Poesia/Ator Atchos Press diz haver grandes avanços na  produção litéraria no país

Bissau 22 Mar 23 (ANG) – O poeta, ator  e escritor guineese Jacinto Mango vulgo “Atchós Press” disse hoje que a literatura guineense conseguiu obter grandes avanços na  produção e publicação de livros, sobretudo sobre poesias, nos últimos 10 anos.


Atchos Press  falava em entrevista exclusiva à ANG, por ocasião do  Dia Mundial de Poesia que se assinala hoje, 21 de Março.

Salientou que o dia é de grande importância na vida dos poetas, mas também  de reflexão, tendo pedido mais atenção aos profissionais de arte.

Falando do apoio por parte do Estado aos poetas nacionais,  Jacinto Mango disse que é relativo ou seja segundo ele, ao entrar nesta área a pessoa deve perceber que deve ser da sua boa vontade e ter muita coragem, determinação, não esperando retornos, pelo menos de imediato.

 “Apesar de tudo isso, a literatura nacional e a poesia em particular estão no bom caminho, não só em termos de produção, mas também no que tange a qualidade de obras publicadas, e que contribuem na produção literária do país. Um país sem memória é como uma casa sem pessoas lá dentro “,vincou.

Para o ator, uma obra literária  é imortal  e exemplos disso, diz, são as obras dos poetas José Carlos Schwartz, Armando Salvaterra, Jorge Ampa, Hélder Proença e Vasco Cabral.”Já não estão no  mundo dos vivos mas  as suas obras estão ainda presentes e este é a maior riqueza de um poeta, esta fortuna não acaba”, disse.

Atchós Press pede a nova geração de poetas para continuarem no caminho que estão a trilhar,”porque que estão a fazer um trabalho extraordinário usando as novas técnologias de informação para fazer passar os seus poemas enrequecendo a litératura”.

Mango disse ser admirador do poeta Nelson Medina, com as suas obras em criolo e  portugués e elogiou ainda as poemas do falecido Félix Siga.

Jacinto Mango regressou recentemente ao país após conclusão, em Portugal, do curso de  Mestrado em Teatro de Comunidade. ANG/MSC/ÂC//SG

 

 

Finanças públicas/ FMI classifica de “Bom” o desempenho do governo ao abrigo do programa de Facilidade de Crédito Alargado

Bissau,21 Mar 23(ANG) – A Missão do Corpo Técnico do Fundo Monetário Internacional(FMI), chegou ao acordo com as autoridades do país sobre as políticas económicas e financeiras de apoio à aprovação da primeira avaliação do programa da Facilidade de Crédito Alargado.

A revelação é do chefe da Missão do FMI, José Gijon, em conferência de imprensa realizada segunda-feira, em Bissau.

“A Missão do Corpo Técnico do FMI chegou ao fim esta segunda-feira, com registo de “Bom desempenho”, do governo ao abrigo do programa estabelecido”, disse Gijon.

Aquele responsável sublinhou que, com uma única exceção, foram alcançados todos os critérios quantitativos de desempenho para o final de Janeiro de 2023, e concluídas todas as medidas estruturais para final de Março do ano em curso.

Gijon disse que o acordo está sujeito à aprovação do Conselho de Administração do FMI, provisoriamente agendada para Maio de 2023.

Acrescentou que, após a aprovação da  avaliação pelo Conselho de Administração do FMI, a Guiné-Bissau terá acesso a 2.37 milhões de dólares do Direito Especial de Saque(DES), dos cerca de 3.16 milhões de dólares previstos, perfazendo o total de 4.74 milhões de DES de apoio financeiro já disponibilizado nesse quadro pelo FMI.

“Perante uma conjuntura económica complexa, a avaliação concentrou-se no registo dos  progressos alcançados na implementação do programa, atualização  do quadro macroeconómico e o alcance de entendimentos sobre  um conjunto de medidas robustas que assegurem a continuidade da sustentabilidade orçamental”, salientou Gijon.

Segundo José Gijon,  estima-se que o crescimento macroeconómico da Guiné-Bissau terá abrandado para 3,5 por cento, em 2022, em consequência do nível mais baixo de exportação de castanha de caju registado nesse ano.

 Disse  que a inflação aumentou para 7,9 por cento em 2022, devido, em parte, a escalada dos preços das matérias-primas, associada  a guerra na Ucrânia.

Gijon disse que o défice orçamental geral de 2022 situou-se nos 5,8 por cento do Produto Interno Bruto(PIB),  e que a dívida pública permaneceu elevada  em quase 80 por cento do PIB.

Espera-se, diz Gijon, que o crescimento recupere para 4,5 por cento em 2023, e a inflação média mantenha  em 5,5 por cento.

A Missão do FMI esteve em Bissau entre os passados dias 14 e 20 de Março. ANG//ÂC//SG

Crianças Talibés/ Associação dos Imames acorda colaborar para  pôr fim a mendicidade  nas ruas

Bissau, 21 Mar 23 (ANG) - A Associação dos Imames da Guiné-Bissau acordou  segunda-feira,  coloborar com o Governo para pôr fim as mendicidades praticadas  por crianças Talibés nas ruas do país.

O acordo foi declarado  após uma reunião que decorreu durante mais de quatro horas no Ministério do Interior ,envolvendo membros do governo e  líderes religiosos da Guiné-Bissau, realizada na sequência do recente ultimato dado pelo Presidente da República para se pôr termo à  essa prática feita por crianças que frequentam escolas alcorânicas denominadas de  Talibés.

Umaro Sissoco Embaló numa recente visita  à cidade de Gabú leste do país, deu ao ministro do Interior e da Ordem Pública duas semanas para pôr termo a mendicidade dessas crianças nas de Bissau e do interior.

Segundo  a ministra da Mulher, Família e Solidariedade Social, Maria da Conceição Évora concluiu-se na reunião que a mendicidade praticada pelas crianças nas ruas de Bissau e nos países vizinhos sob o pretexto de  apreender a ler e interpretar o Alcorão (o livro sagrado da religião muçulmana) não consta no islão.

“É a segunda vez que o Presidente da República declara a sua posição pública sobre o assunto , mas, felizmente, este ultimato que deu em   Gabú já tem pernas para andar. Chegamos ao entendimento que a mendicidade é uma prática negativa para as crianças uma vez que isso as priva dos seus direitos”, disse a governante.

Conceição Évora sublinhou que, no caso de haver resistência por parte dos mestres corânicos de prosseguir com a prática,  o Governo terá que adotar  medidas para retirar as crianças dessa situação.

 “Esperemos que não haverá a necessidade de implementar  medidas duras uma vez que já chegamos ao consenso com os imames de que a prática de mendicidade limita o direito dessas crianças. Além de terminar com essa situação no país, devem deixar de enviar as crianças  para os países vizinhos, como por exemplo o Senegal e a Gâmbia”, referiu.

A ministra diz que os imames têm oito dias para convencer os responsáveis das escolas corânicas a retirarem as crianças das ruas, tendo acrescentado que as crianças podem apreender o alcorão sem mendigar

 “Essas crianças passam maior parte do tempo nas ruas a pedir esmola. Qual é o tempo de apreender o alcorão? Porque, de manhã até a tarde estão nas ruas a mendigar. Se verificamos, na realidade tudo isso perde o sentido”, sustentou a governante.

Por sua vez, o porta-voz de União Nacional dos Imames da Guiné-Bissau Bacar Candé disse que a palavra de um Presidente é como se fosse uma Lei.

 “Depois da reunião com os membros do Governo, chegamos à um consenso de que a prática de mendicidade realmente é prejudicial para as crianças. Por isso, as mesmas serão retiradas das ruas”, prometeu Bacar Candé em nome dos imames da Guiné-Bissau.

A mendicidade de crianças talibés no país e nos países vizinhos vem sendo, há muito tempo, reprovada por organizações de defesa dos direitos das crianças, nomeadamente a AMIC que tem difundido casos  de maus tratos aos quais muitas crianças Talibés são submetidas no Senegal.

ANG/AALS/ÂC//SG

Igreja Católica/Bispos dizem que instituições angolanas “estão reféns do partido no poder” e Angola precisa de nova Constituição

Bissau,21 Mar 23 (ANG) – Bispos da Conferência Episcopal de Angola e São Tomé (CEAST) consideram que Angola, após 21 anos de paz, “precisa de uma nova Constituição”, por “na prática” as instituições estarem “reféns do partido no poder”.

A Comissão Episcopal de Justiça e Paz da CEAST, numa mensagem para a Jornada Nacional da Reconciliação e Paz 2023, a que a Lusa teve hoje acesso, recorda que o calendário nacional estabeleceu o 04 de abril como feriado nacional para celebrar os acordos de paz que puseram fim a anos de “guerra intestina”.

Com efeito, sublinha o documento divulgado neste domingo, na abertura da jornada que se prolonga até 04 de abril, passaram 21 anos desde que se calaram as armas, “sendo o mais longo período de ausência de guerra” que Angola registou nos seus quase 48 anos de independência.

Para essa “ingente” tarefa de edificação de “uma paz com conteúdo para todos e cada cidadão deste portentoso país”, Angola “necessita de uma nova Constituição de acordo com as exigências da hora presente”.

Para a CEAST, a “prática atual faz com que as instituições do país sejam reféns do partido no poder", o Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA), no poder desde 1975.

“As instituições vão perdendo credibilidade a nível nacional e internacional por causa da corrupção e da impunidade, embora a mídia estatal se esforce em querer mostrar outra imagem de Angola”, referem os bispos na nota.

A mensagem, alusiva à 22ª Jornada Nacional da Reconciliação e Paz, promovida desde 1996 pela Igreja Católica angolana, foi apresentada no domingo, durante uma missa presidida, no Seminário Maior de Luanda, pelo presidente da CEAST, arcebispo José Manuel Imbamba.

“Aprendei a Fazer o Bem e Buscai a Justiça” é o lema das jornadas que, segundo a CEAST, “impelem a buscar o bem e a aprender na escola da Sagrada Escritura, a buscar a justiça em atenção aos mais vulneráveis”.

Nesta jornada da reconciliação, a igreja católica convida “a uma introspeção e reflexão profunda sobre os males" que "afligem: mentalidade feiticista, ódio, intolerância, falta de transparência na gestão da coisa pública, busca incessante do poder a qualquer preço e a instrumentalização dos meios de comunicação públicos”.

A justiça “é como um tesouro que deve ser procurado e desejado", sustenta.

"É o objetivo da nossa ação pastoral. Praticar a justiça ajuda-nos a aprender a fazer o bem. É saber captar a vontade de Deus, que é o nosso bem”, salienta a mensagem.

Angola assinala em 04 de abril os 21 anos de paz e reconciliação nacional, feriado nacional alusivo à assinatura dos acordos de paz em 2002.

A Comissão Episcopal de Justiça e Paz da CEAST reconhece que ao longo deste período “muitas coisas mudaram em Angola”, enaltece as “conquistas alcançadas”, questionando, no entanto, os benefícios atuais da paz na vida dos cidadãos.

“É verdade que a guerra aberta acabou, mas será que pode afirmar que todos os angolanos e angolanas vivem segundo as exigências da dignidade humana? É verdade que o país, em termos económicos, cresceu nos últimos anos, mas podemos dizer que este crescimento afeta, positivamente, todas as classes sociais do nosso país?”, perguntam os bispos.

“Estas interrogações podem ser respondidas com honestidade por cada um de nós”, apontam ainda.

Os bispos católicos angolanos, nesta mensagem assinada pelo arcebispo Gabriel Mbilingi, presidente da Comissão Episcopal de Justiça e Paz da CEAST, propõe também uma jornada que “busque a cura da degradação e da corrupção que o pecado provocou em nós”.

“Por isso, sugerimos que, em cada lugar, se proporcionem momentos de reflexão e de um verdadeiro exercício para a busca da justiça e do bem”, assinala.

O Dia da Paz e da Reconciliação Nacional “deve despertar em nós a consciência de cidadania e a responsabilidade de nos sentirmos construtores da paz. Acreditamos que, recordar este dia, faz com que cada um se comprometa, a partir do âmbito que lhe corresponde”, acrescenta ainda a mensagem. ANG/Lusa


França/Polícia deteve 300 pessoas nos protestos contra a reforma das pensões

Bissau,  21 Mar 23 (ANG) - Cerca de 300 pessoas foram detidas na noite passada em várias cidades de França, sobretudo em Paris, durante as manifestações de protesto contra a reforma das pensões defendida pelo chefe de Estado Emmanuel Macron.

De acordo com a polícia francesa, 243 pessoas foram detidas em Paris e outras 53 em outros pontos da França, durante os protestos que eclodiram no país depois de Macron ter superado - por apenas nove votos - a moção de censura motivada pela polémica reforma das pensões.  

Na capital, várias centenas de pessoas concentraram-se na segunda-feira perto da Assembleia Nacional durante o debate da moção de censura.

Apesar da primeira intervenção da polícia, os manifestantes dispersaram-se mas mantiveram-se nas ruas da capital.

Registaram-se incidentes na Place de l'Opera onde foram incendiadas grandes quantidades de lixo que se amontoam em Paris devido à greve à recolha de resíduos, desde o início de março. 

Paralelamente, o Governo, na tentativa de controlar os diferentes protestos que se registam em todo o país, anunciou hoje de manhã que "vai obrigar os trabalhadores a regressarem ao trabalho" nos depósitos de carburantes do porto de Fos-sur-Mer, Marselha, onde dezenas de postos de gasolina estão sem combustível devido à falta de abastecimento. 

Fontes do Ministério da Transição Energética indicaram que a decisão foi adotada para "fazer face ao agravamento na distribuição de combustíveis" no sudeste de França. 

Em concreto, a medida impõe o regresso de três trabalhadores por turno para que possam operar nos depósitos de combustíveis de Fos-sur-Mer, sem interrupções, durante as próximas 48 horas. 

As instalações de Fos-sur-Mer abastecem a região da Provença, Costa Azul e também da Aquitânia, além de garantir o funcionamento do oleoduto de Lyon.  

Todas as refinarias de França estão paradas ou em "processo de suspensão de atividade" por causa das greves contra a reforma das pensões.

O Governo receia que mais postos de abastecimento de combustíveis - a nível nacional - venham a ser afetados. 

Vários setores aderiram às greves como os transportes e a recolha de resíduos em várias cidades, incluindo Paris. 

A paralisação dos controladores aéreos obrigaram várias companhias de aviação a anular hoje e na quarta-feira, 20% dos voos nos aeroportos de Orly (Paris) e de Marselha.

Os sindicatos franceses convocaram uma nova greve para a próxima quinta-feira contra a lei das pensões que pretende mudar a idade mínima da reforma dos 62 anos para os 64 anos.  ANG/Lusa

 

  Rússia/Xi Jinping diz a Putin que maioria dos países apoia alívio das tensões

Bissau, 21 Mar 23 (ANG) - O presidente chinês, Xi Jinping, informou, na segunda-feira, o homólogo russo, Vladimir Putin, que a "maioria dos países apoia um reduzir das tensões" na Ucrânia, segundo um comunicado difundido hoje pela diplomacia do país asiático, citado pela AFP.

Xi enfatizou que "há cada vez mais vozes racionais e pacíficas" e que a "maioria dos países apoia um aliviar das tensões".

Estes países "querem que a paz e as negociações sejam promovidas e opõem-se que seja atirada mais lenha para a fogueira", apontou Xi, durante um encontro de quatro horas e meia com Putin, em Moscovo, de acordo com o comunicado difundido pelo ministério dos Negócios Estrangeiros da China.

Segundo o líder chinês, "historicamente, os conflitos sempre foram resolvidos com base no diálogo e na negociação".

Xi lembrou que a China emitiu um plano para a paz na qual apelou a "uma solução política" e se opôs a sanções unilaterais.

"Acreditamos que quanto mais difícil é, mais espaço deve ser deixado para a paz. Quanto mais complexo o conflito, mais esforços devem ser feitos para não abandonar o diálogo", defendeu Xi.

O líder chinês também enfatizou que a China está disposta a "continuar a desempenhar um papel construtivo na promoção de uma solução política para o conflito".

Num artigo escrito por Xi e publicado por um jornal russo, o líder chinês descreveu a sua deslocação à Rússia como uma "visita de amizade, cooperação e paz".

Após a visita a Moscovo, o Presidente chinês deve falar por telefone com o homólogo ucraniano, Volodymyr Zelensky.

A viagem de Xi segue o anúncio surpresa do reestabelecimento das relações diplomáticas entre o Irão e a Arábia Saudita, após uma reunião, em Beijing, numa vitória diplomática para a China.

O líder chinês mais forte das últimas décadas tem tentado projectar uma imagem de estadista global, à medida que reclama para a China um "papel central" na governação das questões internacionais, em consonância com a ascensão económica e militar do país.

Em particular, Xi propôs a Iniciativa de Segurança Global, que visa construir uma "arquitectura global e regional de segurança equilibrada, eficaz e sustentável", ao "abandonar as teorias de segurança geo-políticas ocidentais".

A China considera a parceria com a Rússia fundamental para contrapor a ordem democrática liberal, numa altura em que a sua relação com os Estados Unidos atravessa também um período de grande tensão, marcada por disputas em torno do comércio e tecnologia ou diferendos em questões de Direitos Humanos, o estatuto de Hong Kong ou Taiwan e a soberania dos mares do Sul e do Leste da China.

Num plano para a paz, proposto no final de Fevereiro, Beijing destacou a importância de "respeitar a soberania de todos os países", numa referência à Ucrânia, mas apelou também para o fim da "mentalidade da Guerra Fria", numa crítica implícita ao alargamento da OTAN.

A China pediu ainda o fim das sanções ocidentais impostas à Rússia.

A República Popular da China foi um dos países que se absteve de votar numa resolução a condenar a invasão russa na Assembleia da ONU.

Putin e Xi já se encontraram cerca de 40 vezes desde que o líder chinês assumiu o poder, em 2012. ANG/Angop

 

Clima/O mundo tem "soluções" para os problemas climáticos, “falta vontade política”

Bissau, 21 Mar 23 (ANG) - Um resumo de milhares de páginas sobre o aquecimento global do planeta e as suas consequências, as formas de atenuar os seus efeitos e de adaptação foi apresentado segunda-feira.


Trata-se do sexto relatório do Painel Intergovernamental sobre Alterações Climáticas(IPCC).

Na apresentação do documento, Hoesung Lee, presidente do IPCC sublinhou tratar-se de "uma mensagem de esperança” e diz que  o mundo tem "soluções" para os problemas climáticos, mas que todavia “falta vontade política forte”.

Fruto de anos de trabalho, realizado por centenas de cientistas do mundo inteiro, o documento agora publicado reitera, mais uma vez, que é a acção humana a grande culpada pelo aquecimento global do planeta. Um planeta que está cada vez mais à beira do abismo. 

secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, apresentou o relatório como “um guia de sobrevivência para a humanidade”. 

Por seu lado, o presidente do Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas,  Hoesung Lee, sublinhou tratar-se de "uma mensagem de esperança”. Lembrou o economista coreano que “a mensagem mais importante é que temos soluções. (...) sabemos como nos adaptar, como fomentar a redução de emissões. Temos o conhecimento, a tecnologia, os meios, os recursos financeiros e tudo o que é necessário para ultrapassar os problemas climáticos identificados”, todavia “o que falta é uma vontade política forte de forma a resolver o problema de uma vez por todas”. 

Após uma semana de debates em Interlaken, na Suíça, as principais conclusões do grupo de peritos são: 

A temperatura média do planeta vai aumentar 1,5ºC, em comparação com a era pré-industrial, até 2030-2035, devido à actividade humana. A projecção é válida em quase todos os cenários de emissões de gases com efeito estufa, porém "reduções profundas, rápidas e prolongadas das emissões (...) levariam a uma desaceleração do aquecimento do planeta em aproximadamente duas décadas".

Os riscos climáticos são mais graves que o previsto: "Com o aumento inevitável do nível de água dos oceanos, os riscos para os ecossistemas costeiros, as pessoas e as infra-estruturas continuarão a aumentar após 2100".

A questão das "perdas e danos" provocados por episódios meteorológicos extremos e da justiça climática são os temas mais delicados das negociações do clima a decorrer na COP 28, em Dezembro, no Dubai.

Os anos mais quentes que vivemos na actualidade, serão os mais frescos no futuro próximo. Os últimos oito anos foram os mais quentes registados até hoje.

Os benefícios de limitar o aquecimento global a +2ºC superam os custos: "Adiar as medidas de mitigação e adaptação (...) reduz a sua viabilidade, e as perdas e danos aumentam".

Acelerar a neutralidade de carbono. Os países ricos devem antecipar suas metas de neutralidade do carbono "o mais próximo possível de 2040", em vez de 2050. Acelerar o objectivo é imprescindível para "desactivar a bomba climática", explicou António Guterres. ANG/RFI


        Rússia/Vladimir Putin diz dar prioridade às relações com África

Bissau, 21 Mar 23 (ANG) - O presidente russo, Vladimir Putin, disse hoje dar prioridade às relações com os países africanos enquanto Moscovo procura novos parceiros para lidar com as sanções internacionais pelo conflito na Ucrânia.

Durante um discurso perante representantes africanos, Putin disse que o seu país sempre deu e continuará a dar prioridade à cooperação com os Estados africanos.

"O nosso país está determinado a continuar a construir uma parceria estratégica no sentido pleno da palavra com os nossos amigos africanos, e estamos prontos a dar forma à agenda global em conjunto", prosseguiu o presidente russo.

Putin disse que a Rússia, tal como África, "defende os valores morais tradicionais" ao "resistir à ideologia neocolonial imposta a partir do estrangeiro".

Também prometeu fornecer cereais aos "países mais necessitados de África" se o importante acordo de exportação ucraniano não for renovado no prazo de dois meses.

Segundo Putin, a Rússia planeia aumentar a cooperação com países africanos no domínio da energia, medicina e duplicar a quota de estudantes africanos nas universidades russas.

Contra o pano de fundo das sanções ocidentais sobre a sua ofensiva na Ucrânia, Moscovo procura actualmente apoio na Ásia e em África, onde muitos Estados não condenaram abertamente a intervenção militar russa.

Nos últimos anos, a Rússia já tinha multiplicado as suas iniciativas no continente africano, com o objectivo de se estabelecer como uma alternativa às antigas potências coloniais.

Assinou numerosas parcerias económicas e militares e o grupo paramilitar russo Wagner estabeleceu-se em vários países, nomeadamente na República Centro-Africana, onde tem ajudado a corroer a influência francesa.

A próxima cimeira Rússia-África, a segunda a realizar-se, deverá ter lugar de 26 a 29 de Julho em São Petersburgo.

Putin garantiu que está a preparar-se "muito seriamente" para esta reunião e convidou os líderes africanos e as organizações regionais a participar.

Na primeira cimeira em 2019, Vladimir Putin congratulou-se por ter aberto "uma nova página" nas relações com África, um continente do qual a Rússia se tinha retirado em grande parte após a queda da URSS.

A reunião contou com a participação de representantes de 54 países africanos, incluindo 43 chefes de Estado. A declaração conjunta adoptada no final da reunião denunciou "'diktats' políticos e chantagem monetária".ANG/Angop

 

segunda-feira, 20 de março de 2023

Caju/Responsável para Comércio e Promoção do projeto “Lifft Cashew”  considera positivo o balanço da campanha de comercialização de 2022

Bissau, 20 Mar 23 (ANG) – O Responsável para  Comércio e Promoção do Projeto “Lifft Cashew” na Guiné-Bissau considerou hoje de positivo o balanço da campanha de comercialização de caju de  2022, realçando que as cooperativas das zonas de intervenção do projeto    exportaram 63 mil toneladas de castanhas.


Em entrevista exclusiva à Agência de Notícias da Guiné (ANG), Mário Alfredo Mendonça disse que a quantidade da castanha de caju exportada pelas suas cooperativas  rendeu 48 mil milhões de francos cfa.

Lifft Cashew apoia pequenos agricultores na  comercialização das suas castanhas.

“O nosso projeto também  apoia as pessoas carenciadas e prejudicadas pela  guerra, apoia na construção das suas casas”, acrescentou Mário Alfredo Mendonça.

Segundo Mendonça,  o projeto também trabalha na  ligação entre agricultores e infraestruturas, e neste quadro já construiu cerca de 66 quilómetros de estradas, a nível nacional, nas zonas de dificil acesso, para  facilitar a evacuação da castanha de caju e permitir aos investidores terem  acesso às zonas de pomares.

De acordo com o Responsável de Comércio e Promoção do  “Lifft Cashew”, alguns países africanos exportadores da castanha de caju ,inclisivé a Guiné-Bissau, têm perdido muito dinheiro por  não reunirem as  condições para transformação interna do caju antes de exportação.

“A Índia ganha muito com isso, porque, para além de ser produtor, compra castanha em África, juntando com a tonelada produzida internamente, faz a transformação local para depois comercializar no mercado externo. Isso lhe rende muito dinheiro, e os países africanos devem adotar o mesmo método para obterem mais lucros ”, disse Mário Alfredo Mendonça.  

Falando da  campanha do ano em curso,Mendonça disse o projeto peprspectiva a exportação de 70 mil toneladas de caju.

 “Para alcançarmos este objectivo já estamos em contacto com os grandes compradores, e também já estamos a capacitar os produtores nacionais no terreno, e ofrecemos motocarros aos produtores com que trabalhamos para facilitar o trabalho no campo”, disse o responsável.ANG/LLA//SG        

Política /Presidente da República condecora Teodora Gomes e Francisca Pereira com medalha Amilcar Cabral

Francisca Pereira
Bissau, 20 Mar 23 (ANG) – O Presidente da República, Umaro Sissoco Embaló condecorou esta segunda-feira  duas antigas combatentes guineenses,  Francisca Pereira e Teodora Inácia Gomes com Medalha Amilcar Cabral , a mais alta distinção do Estado.

Ao falar no ato, Umaro Sissoco Embaló disse ter condecorado  as duas combatentes em reconhecimento  ao trabalho que tenham feito pela pátria de Amilcar Cabral.

Disse que, com as suas idades as condecoradas continuam úteis  para dar conselhos e que todos esses conselhos são e serão válidos.

As duas individualidades foram convidadas pelo Chefe de Estado para, cada vez for necessário, se deslocarem a Presidência da República para dar lhe conselhos  de interesse do país.

Francisca Pereira agradeceu o gesto e pediu a Deus que dê a paz e tranquilidade ao país para que os guineenses possam viver o que Cabral perspetivou.

Teodora I. Gomes

Pereira diz ter a  esperança de que a Guiné-Bissau vai ter a paz e vai desenvolver-se um dia.

Por sua vez, Teodora Inácia Gomes disse que a sua missão de  combatente é  aconselhar para que todas as coisas possam ir bem, para que as pessoas que deram as suas vidas possam descansar  e para que o país tenha a paz.

“Porque,  se os corações dos combatentes não estão frios, a terra não vai estar fria”, disse, pedindo que sejam reconhecidas as datas históricas, principalmente, 30 de Janeiro, a data que assinala a morte da combatente Titina Sila, no rio de Farim.

Teodora Gomes sustentou  que 52% da população guineense são mulheres mas há apenas um dia dedicado  às mulhere

Admite que o Presidente vai reagir favoravelmente à muitas solicitações feitas na carta que as duas  entregaram. ANG/DMG//SG

Caju/Presidente da ANIE-GB diz ser “um perigo” abrir nova campanha de comercialização  com caju do ano passado  no país

Bissau,20 Mar 23(ANG) – O Presidente da Associação Nacional dos Importadores e Exportadores da Guiné-Bissau(ANIE-GB), diz ser um “perigo” abrir nova campanha de comercialização de caju com a castanha de caju de ano passado no país.


 Amadu Iero Djamanca  falava à imprensa à saída de um encontro que o sector privado guineense manteve com o ministro gambiano do Comércio, Indústria, Integração Regional e Emprego que se encontra no país, em visita de amizade e de trabalho de cinco dias.

“Abrir nova campanha de comercialização da castanha com o caju velho do ano passado e sobretudo se não existir mecanismo de controlo, para separa-lo do novo, constitui um perigo”, disse.

Iero Djamanca disse entretanto que esta situação está a ser trabalhada no sentido de se encontrar uma solução no mais curto de espaço de tempo possível, de forma a se poder dar abertura a campanha de caju do ano em curso.

Calcula-se que ainda se encontra no país entre 40 à 45 mil toneladas da castanha de caju do ano passado, em Bissau e no interior.

Em relação a visita do governante gambiano, disse tratar-se de uma visita de prospecção do mercado para efeitos de se lançar ao processamento interno da castanha.

“O governante gambiano veio inteirar-se da experiência da Guiné-Bissau no aspecto do processamento da castanha de caju, para ver as possibilidades de criar as parcerias  para que as futuras explorações de caju possam ser feitas em duas partes ou seja entre empresários dos dois países”, disse.

Amadu Iero Djamanca disse que após reunião de equipas técnicas dos dois países será produzido um documento sobre o estabelecimento de parcerias sobre o sector de caju. ANG/ÂC//SG

 

 

 

 

 

Cooperação/Guiné-Bissau e Gâmbia definem estratégias para fortalecimento das relações comerciais

Bissau,20 Mar 23(ANG) – O ministro do Comércio e Indústria disse que a visita ao país do seu homólogo gambiano se enquadra nas orientações dos respetivos chefes de Estado dos dois países,  Umaro Sissoco Embaló e Adama Baró, visando estabelecer uma aproximação comercial entre os dois Estados.


Abás Djaló falava hoje à imprensa depois de um encontro mantido com o ministro gambiano do Comércio, Indústria, Integração Regional e Emprego, Baboucar O. Joof que se encontra no país para uma visita de amizade e de trabalho de cinco dias ao país.

“A Guiné-Bissau e a Gâmbia são  dois países irmãos e têm as mesmas características geográficas e potencialidades económicas. A questão é de colocar em evidências tudo aquilo que os dois países podem oferecer mutuamente”, salientou.

O governante guineense disse que durante a estada no país, o seu homólogo gambiano irá manter vários encontros de trabalho, dentre os quais com o ministro da Administração Pública, Trabalho, Emprego e Segurança Social, bem como com os responsáveis da indústria para adquirir algumas experiências da Guiné-Bissau nesses domínios.

Djaló afirmou que no final da semana serão assinados vários acordos de cooperação entre os dois países, acrescentando que os técnicos vão reunir para definir as áreas concretas que serão privilegiadas.

Por sua vez, o ministro do Comércio, Indústria, Integração Regional e Emprego da Gâmbia disse que veio a Bissau  discutir com o seu homólogo guineense as possibilidades de  fortalecimento das relações bilaterais entre os dois países em particular sobre o  setor de Caju.

Baboucar O. Joof sublinhou que a Gâmbia pretende estabelecer e fortificar o seu negócio no sector de caju, frisando que a Guiné-Bissau como país vizinho e potencial produtor da castanha pode ajudar grandemente nesse sentido. ANG/ÂC//SG

China/ Pequim volta a negar intenção de fornecer armas à Rússia

 

Bissau, 20 Mar 23(ANG) – A China voltou hoje a negar que tencione fornecer armamento à Rússia, depois de a imprensa norte-americana ter indicado que Pequim está a considerar enviar artilharia e munições para Moscovo.


O porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros chinês, Wang Wenbin, afirmou que “não é a China” que fornece armas, mas sim os Estados Unidos, e aconselhou Washington a “parar de colocar lenha na fogueira e apontar o dedo a outros países e coagi-los”.

As declarações do porta-voz surgem no mesmo dia em que o presidente chinês, Xi Jinping, chega a Moscovo para uma visita de três dias. Xi vai reunir-se com o homólogo russo, Vladimir Putin.

A cadeia de televisão norte-americana CNN avançou que soldados ucranianos encontraram no seu território os restos do que aparentemente é um drone de uso civil fabricado por uma empresa chinesa.

A publicação POLITICO alegou que empresas chinesas, incluindo uma “ligada ao governo de Pequim”, enviaram 1.000 fuzis de assalto e outros equipamentos que podem ser usados para fins militares.

Outros órgãos de comunicação norte-americanos, incluindo o The Wall Street Journal e a NBC News, garantiram que, de acordo com fontes do governo dos EUA, as autoridades chinesas estão a considerar fornecer assistência militar à Rússia.

As fontes citadas indicaram que ainda não ocorreram embarques.

“Os Estados Unidos devem desempenhar um papel construtivo para encontrar uma solução política para o conflito na Ucrânia”, disse Wang, acrescentando que a “China sempre manteve uma posição objetiva e imparcial sobre a ‘questão’ ucraniana: exortar à paz e ao diálogo”.

Pequim acusou os EUA de “alimentar as chamas da guerra” ao “enviar armas letais para a Ucrânia”, depois de o secretário de Estado norte-americano, Antony Blinken, ter assegurado que a China “não pode apresentar propostas para a paz enquanto alimenta o fogo aceso pela Rússia”.

Num plano para a paz proposto no final de fevereiro, Pequim destacou a importância de “respeitar a soberania de todos os países”, numa referência à Ucrânia, mas apelou também para o fim da “mentalidade da Guerra Fria”, numa crítica implícita ao alargamento da NATO. A China pediu ainda o fim das sanções ocidentais impostas à Rússia. ANG/Inforpress/Lusa

 

França/Parlamento  vota moções de censura contra executivo de Emmanuel Macron

Bissau, 20 Mar 23 (ANG) - O Parlamento francês vota esta tarde de segunda-feira, 20 de Março, duas moções de censura contra o governo,  em causa está a aprovação do governo da reforma do sistema de pensões sem submeter um voto à Assembleia da República e usando o artigo 49.3.


Uma das moções foi apresentada pelos centristas e regionalistas do LIOT, apoiados pela coligação de esquerda NUPES, liderada por Jean-Luc Melénchon. 

A segunda moção é da iniciativa da União Nacional, partido de extrema-direita francês. As iniciativas vão ser debatidas e votadas no Parlamento esta segunda-feira, a partir das 16h00.

As duas moções têm pouca probabilidade de serem aprovadas caso o Partido de direita Os Republicanos - que apoia o actual executivo de Elisabeth Borne - consiga manter a disciplina de voto. Feitas as contas, seriam necessários 27 votos "contra" dos Republicanos, mas apenas 10 deputados garantem, por enquanto, decidir nesse sentido.

O artigo constitucional 49.3 foi activado por falta de garantias de um voto em bloco d"Os Republicanos sobre a reforma do sistema de pensões. O governo francês viu-se obrigado a esta arma constitucional, que permitiu aprovar a lei sem votação na Assembleia, minutos antes do início da sessão parlamentar, na qual não tinha uma maioria clara.

Para que o projecto de lei seja travado, levando à queda do executivo francês, a moção de censura deve ser votada pela maioria absoluta no Parlamento, contabilizando 287 votos. Em dois meses, a Primeira-ministra Elisabeth Borne foi alvo de 12 moções de censura, nomeadamente para validar o orçamento de estado para 2023. ANG/RFI

 

 Moçambique/Freddy fez 86 mortos  e quase 500 em toda a África Austral

Bissau, 20 Mar 23 (ANG) - As autoridades moçambicanas dão conta de pelo menos 86 mortos no país devido à passagem do cicloce Freddy, com este fenómeno climático extremo a fazer quase 500 vítimas mortais em toda a Àfrica Austral.


O Governo está agora preocupado com o surto de cólera em Quelimane, na Zambézia.

O desabamento de casas, afogamentos e a morte por descargas atmosféricas são alguns dos factores.

As chuvas, que agravaram o já deficitário sistema de saneamento existente na cidade, resultaram na eclosão em Quelimane, província da Zambézia, de uma epidemia de cólera.

Eduardo Samo Gudo, director do Instituto Nacional de Saúde, revela que a doença já matou 12 pessoas e estão internadas outras 400, num total de 900 casos detectados até agora. 

"Há um bairro em particular, que é o bairro de Icidua. De todos os casos diários, ele reporta cerca de um terço em toda a cidade de Quelimane que estão internados nos dois centros de tratamento. Já visitámos este bairro e eu diria que a situação é muito preocupante. A questão da água será um desafio nas próximas horas, devido às restrições e nós não podemos controlar a cólera sem água", afirmou Eduardo Samo Gudo.

No Malaui, continuam também a fazer sentir-se as consequência do ciclone Freddy, com 360 mortos e mais de 500 mil pessoas afectadas pelas consequências deste fenómeno natural e mais de 183 mil deslocadas, segundo as Nações Unidas. A UNICEF lembra que devido ao ciclone Freddy, há 280 mil crianças em urgência extrema no Malaui. Também neste país há um grande risco de cólera e de outras doenças associadas. ANG/RFI