terça-feira, 22 de outubro de 2024

França/Plano de divisão do Saara Ocidental na ONU é rejeitado pela Frente Polisário e Marrocos

Bissau, 22 Out 24 (ANG) - Um plano de divisão do Saara Ocidental foi submetido ao Conselho de Segurança da ONU na semana passada, mas categóricamente rejeitado pelas duas partes em conflito.

Marrocos e os independentistas sarauís da Frente Polisário disputam o território há cinquenta anos.  

A questão do Saara Ocidental, antiga colónia espanhola considerada pela ONU como um "território não autónomo, opõe há 50 anos o Estado marroquino aos independentistas sarauís da Frente Polisário, apoiados pela vizinha Argélia. 

O Saara ocidental, a norte da Mauritânia, é o único território do continente africano cujo estatuto pós-colonial não foi regularizado. Marrocos controla mais de 80% do território, o resto é controlado pela Frente Polisário e uma zona tampão ocupada pelos capacetes azuis da ONU separa as duas áreas.

Durante um Conselho à porta fechada, a 16 de Outubro, o emissário da ONU para o Saara ocidental, Staffan de Mistura, diplomata ítalo-sueco, terá dito, em privado, que "retomou, em toda a discrição, o conceito de divisão do território com todas as partes envolvidas", de acordo com a agência France Presse. 

De acordo com o diplomata, este plano de divisão permitiria por um lado "criar um Estado independente na zona Sul do território" e, por outro lado, integrar o resto do território como parte integrante de Marrocos onde a sua soberania seria internacionalmente reconhecida". Staffan de Misturo lamentou no entanto que "nem Marrocos nem a Frente Polisário" tenham mostrado "o menor sinal de ambição" para prosseguir as negociações. 

De facto, no dia seguinte, a Frente Polisário reagiu, em comunicado publicado nas redes sociais pelo seu representantes diplomático na ONU, Sidi Omar, afirmando a sua "recusa total e categórica de qualquer iniciativa que não consagre plenamente o direito do povo sarauí à autodeterminação e que não respeite a integridade territorial do Saara Ocidental". 

Poucos dias depois o chefe da diplomacia de Marrocos, Nasser Bourita, considerou o plano de divisão como "inaceitável", alegando que "Marrocos não negociará o seu Saara, não negociará a sua soberania no Saara e não negociará a sua integridade nacional". 

Desde 2007, Rabat propõe um plano de autonomia sob a sua soberania. Por seu lado, os independentistas do Polisário exigem um referendo de autodeterminação, previsto pela ONU no acordo de cessar-fogo de 1977, mas nunca concretizado. 

As hostilidades, de baixa intensidade, recomeçaram em 2020 entre a Frente Polisário e Marrocos, na sequência do destacamento de tropas de Rabat na zona tampão para expulsar os independentistas.   

No próximo Conselho da ONU sobre o Saara Ocidental, a 30 de Outubro, o mandato local da missão das Nações Unidas deverá ser renovado até Outubro de 2025. ANG/RFI

        COP16/ O Mundo reunido na Colômbia em prol da biodiversidade

Bissau, 22 Out 24(ANG) – Menos conhecida do que a sua “irmã mais velha” sobre as alterações climáticas, a COP 16 Biodiversidade tem atraído um interesse crescente.

Este ano, vão estar representados 193 países para promover estratégias e leis que reforcem a protecção ambiental, definidas há dois anos. É esperada a presença de vários chefes de Estado da América Latina, África e Ásia.

A 16ª Conferência sobre a Diversidade Biológica, que começou esta segunda-feira e termina no dia 1 de Novembro, foi organizada pela Colômbia, um actor dinâmico nas conferências sobre o clima.

A biodiversidade do país, segundo o Fundo Mundial para a Natureza (WWF), alberga uma em cada dez espécies terrestres, ou seja, mais de 56.000.

A “missão” do encontro pode ser resumida num número-chave: 23. Este é o número de “objectivos” que os países estabeleceram colectivamente para tentar travar o colapso dos organismos vivos. Estes objectivos estão definidos no Quadro Global para a Biodiversidade, ou Acordo de Kunming-Montreal, assinado em Dezembro de 2022 no Canadá sob a presidência chinesa. A tarefa da COP16 é planear a implementação e avaliar os primeiros marcos.

A primeira ordem de trabalhos deste texto fundador é proteger (objectivo 3) 30% da terra e do mar até 2030 e recuperar (objectivo 2) 30% das zonas naturais degradadas.

A meta 18 exige a redução dos subsídios prejudiciais à natureza, que actualmente ascendem a 500 mil milhões de dólares por ano. Um estudo da WWF, publicado em Maio, indica que os Estados-Membros da UE “gastam todos os anos entre 34 e 48 mil milhões de euros de subsídios europeus em actividades que são prejudiciais à natureza”.

A lista de 23 propostas apela igualmente à redução para metade dos pesticidas e para a mesma percentagem de redução da introdução de espécies invasoras. Os consumidores são também convidados a fazer um esforço através do objectivo 16, que visa reduzir o desperdício de alimentos e a produção de resíduos.

Depois de Montreal, cada país teve de traduzir os compromissos numa estratégia nacional. Estas duas semanas de negociações serão uma oportunidade para fazer o ponto da situação.

Desde a COP15, apenas 32 dos 196 países actualizaram a sua estratégia de biodiversidade. Além disso, 100 países entregaram os chamados “objectivos nacionais” (o que significa que apenas realizaram parte do trabalho), incluindo vários nos últimos dias. A COP16 deve servir de trampolim para acelerar este movimento. Dentro de dois anos, será efectuada uma avaliação oficial.

Para que todos os países possam concretizar as suas ambições a favor da flora e da fauna, é necessário que disponham de recursos equivalentes.

Em Montreal, os países desenvolvidos comprometeram-se a pagar pelo menos 20 mil milhões por ano até 2025 aos países em desenvolvimento. Em 2022, esse valor tinha baixado para 15 mil milhões por ano. Mas as necessidades são da ordem das centenas de milhares de milhões por ano.

Por último, os negociadores irão trabalhar na forma de partilhar os benefícios económicos derivados dos recursos genéticos de plantas, animais e microrganismos. Todo este material vivo é utilizado para fabricar medicamentos e cosméticos. Mas a maior parte foi retirada do hemisfério sul, sem remuneração. Também aqui se pode falar de uma dívida ecológica. A redistribuição será objecto de um debate aceso com vista a uma resolução que não foi alcançada em Montreal.

Umaro Sissoco Embaló, Presidente da Guiné-Bissau é um dos chefes de Estado presentes no encontro. Em declarações à RFI, Viriato Cassamá, ministro do Ambiente que também fará a deslocação até à América do Sul, reforçou a ideia de que esta deve ser a COP da concretização dos compromissos assumidos em prol da preservação da natureza.

"O planeta já está saturado e temos que trabalhar no sentido de permitir à natureza reagir por si mesma. E é por isso é que é preciso trabalharmos em prol da paz para com a natureza. Porque esta, sem sombra de dúvida, deverá ser a COP da concretização. Todas as promessas devem ser cumpridas para poder permitir à natureza reagir e readaptar-se aos novos desafios que lhes são impostos. Esperemos que a parte do financiamento seja uma realidade. Vamos conseguir atingir esta meta do quadro global da biodiversidade de Montréal -Kunming. Porque neste momento, nós estamos a contar com 26,3% do território nacional como áreas protegidas. E estamos em crer que, com a candidatura apresentada no mês de Fevereiro deste ano do arquipélago dos Bijagós como património Natural Mundial da UNESCO, a criação do Santuário Ecológico nos Bijagós e a criação do novo Complexo de Cacheu e as ilhas costeiras de Jeta e Pecixe que vai cobrir, mais ou menos, 11,7% do território nacional vamos ultrapassar largamente esta meta 30X30 [conservação de 30% do planeta até 2030]", disse Cassamá.

O Presidente Filip Nyusi também vai participar na COP16. Moçambique é dos poucos países que submeteu um Plano Nacional para a Biodiversidade. Numa entrevista à RFI, Afonso Madope, director da Wild Life Conservation Society-Moçambique, ONG que participou na elaboração do Plano, explicou os três pilares principais do documento. 

" Reconhece e consolida a necessidade de continuar a proteger a natureza, usando os instrumentos já estabelecidos. Amplia e melhora estes instrumentos que nos permitem a proclamação e consolidação das áreas de conservação da natureza. Moçambique tem uma superfície na ordem de cerca de 25% do país proclamado área de conservação. O segundo pilar tem a ver com a necessidade de expansão das áreas protegidas marinhas para alcançar entre 10 a 12% até 2030. O terceiro pilar é a consolidação institucional". ANG/RFI

Transporte marítimo/”A segurança marítima é uma ferramenta que deve ser utilizada para prevenir acidentes  no mar”, diz Marcelino Mendes Pereira

Bissau,22 Out 24(ANG) – O Secretário-geral do Ministério dos Transportes, das Telecomunicações e Economia Digital disse que a segurança marítima é uma ferramenta que deve ser utilizada com o objetivo principal de prevenir acidentes e oferecer segurança e conforto aos trabalhadores e passageiros em todos os meios e zonas marítimas.

Marcelino Mendes Pereira falava hoje na abertura do curso sobre  “Introdução à Gestão de Portos e Segurança”, organizado pelo Instituto Marítimo Portuário, com apoio financeiro do Instituto Português do Mar e Atmosfera(IPMA), e que envolve 35 técnicos.

Destacou que a iniciativa visa a capacitação dos profissionais para a condução e operação de Portos, e aborda conceitos de logística, transporte marítimo, legislação portuária, gestão de recursos humanos tecnologias entre outros aspectos.

Marcelino Mendes Pereira frisou na ocasião que a gestão portuária envolve a colaboração com várias instituições, tais como Autoridades Marítimas Reguladoras,  funcionários portuários,  empresas de transportes e de pescas e “daí a multiplicidade dos formandos ou beneficiários desta importante e oportuna formação”.

Aquele responsável disse que, o curso além de ter impactos nos oceanos e mares, a segurança marítima também abrange o espaço terrestre, aéreo, o ciberespaço e o exterior.

“Como tal, a formação reveste-se de especial interesse estratégico do Governo e desempenha um papel fundamental na promoção dos seus interesses eonómicos, sócio-ambientais e em matéria da segurança em geral”, frisou o secretário geral Ministério dos Transportes, dsas Telecomunicações e Economia Digital.

No curso com a duração de três dias, os participantes serão facultados  conhecimentos sobre a “Compreensão da Estrutura e o Funcionamento dos Portos na Guiné-Bissau”, “Conceitos Básicos de Segurança Portuária”, Conhecimentos sobre Operações Específicas de Embarcações de Contentores” entre outros. ANG/ÂC//SG

  Desporto/ Guiné-Bissau vai continuar no torneio UFOA Sub'17 Zona A

Bissau, 22 out 24 (ANG) – A Federeção de Futebol da Guiné-Bissau(FFGB), informou que a equipa nacional de futebol de Sub-17 continua no Torneio da UFOA a decorrer na República do Senegal contrariamente ao que foi divulgado  domingo pela CAF, citando uma decisão da Comissão organizadora do evento.

Segundo a FFGB,  a decisão da Comissão Organizadora do Torneio teria sido baseada  na averiguação da equipa médica da Confederação Africana de Futebol CAF.

Após um segundo exame IRM de ressonância magnética nuclear dos átomos de hidrogênio no corpo, efetuado , segunda-feira, aos 05 jogadores numa outra clínica à luz da nova regra apurou-se que apenas 03 jogadores estão inelegíveis.

A FFGB disse que, concluído o processo de exame, a  CAF  enviou uma carta a FFGB a confirmar a continuidade da Guiné-Bissau no torneio, porque  os resultados apontam que apenas 03 jogadores estão inelegíveis.

O artigo 27.4 da nova regra da Copa da África das Nações sub'17, diz que se não ultrapassar 03 jogadores inelegíveis é permitido a participação na competição.

Entretanto, o artigo 27.5 estabelece  que os 03 jogadores inelegíveis não podem ser utilizados ou substituídos por outros durante a competição.

No domingo a CAF divulgou que a Guiné, Guiné-Bissau e Serra Leoa ficariam fora do torneio de futebol sub-17 da União das Federações de Futebol da África Ocidental (UFOA-A), por terem ultrapassado o número de jogadores inelegíveis após Testes de ressonância magnética.

ANG/LPG/ÂC/SG

Desporto/Presidente da FFGB e o 1° vice presidente participam no Congresso  Ordinário da CAF

Bissau, 22 out 24 (ANG) - O Presidente da Federação de Futebol da Guiné-Bissau, Carlos Alberto Mendes Teixeira, e o seu primeiro vice-Presidente, Rivaldo Cá, participam na 46ª Assembleia Geral Ordinária, da Confederação Africana de Futebol (CAF) que decorre durante todo o dia de hoje  em Adis Abeba, capital da Etiópia.

A participação dos dois na Assembleia Geral da CAF foi divulgada na página oficial da FFGB da Facebook , consultada hoje pela Agência de Notícias da Guiné.

A mesma publicação refere  que os trabalhos da 46ª AG da CAF iniciam com a comunicação do presidente da organização Patrice Motsepe, e a confirmação dos delegados presentes.

Na reunião estão em cima da mesa vários pontos sobre o  futebol Africano, com destaque para apresentação do relatório de atividades,  incluindo o relatório de atividades dos sindicatos zonais, a aprovação do relatório de contas da organização e do relatório da comissão da auditoria.

A Guiné-Bissau está representada no encontro pelas figuras máximas do futebol nacional, " Caito Teixeira e Rivaldo Cá".

ANG/LPG/ÂC//SG

Energia elétrica/Ministro reitera empenho do  Governo na procura de  soluções para elevar a taxa de acesso à energia elétrica no país

Bissau, 22 Out 24 (ANG) - O ministro da Energia José Carlos Varela Casimiro reitera empenho do  Governo na procurar  de soluções apropriadas para solucionar a situação de baixa taxa da cobertura em energia elétrica que se vive no país.

O governante falava na cerimónia de abertura do ateliê de lançamento do Projeto de Acesso e Desenvolvimento de Energia Solar na Guiné-Bissau (SESAP).

SESAP é um projeto  aprovado em Maio do ano em curso, pela administração executiva do Banco Mundial e conta com uma subvenção de 35 milhões de dólares  para investir na produção da energia solar no país.

“A energia solar tem bastante vantagens em relação à outras fontes de energia, porque o seu custo é muito baixo, de modo que tornará mais acessível para os populares que vivem nas zonas pré-urbanas e rurais do país”,disse Varela Casimiro.

O governante pediu a colaboração da  Empresa de Eletricidade e Águas da Guiné-Bissau (EAGB) no sentido de trabalharem de mãos dadas com unidades de gestão do projeto SESAP, com os consultores, Gabinetes e empresas que serão mobilizados para  a materialização  do SESAP.

segundo Yuri Handem, que representou o Banco Mundial na cerimónia, o SESAP lançado para um período de cinco anos consistirá no desenvolvimento da produção de energia solar e na melhoria dos serviços de rede da EAGB.

“O acesso à energia fiável, acessível e sustentável é fundamental na missão do Banco Mundial para alcançar um mundo livre de pobreza”, disse aquele responsável.

Sustentou que a eletricidade garante o funcionamento de escolas, hospitais, cria a oportunidade de emprego, promove investimentos e comércio, transforma  economias e permite alcançar objetivos de desenvolvimento.

“No entanto, quase 600 milhões de pessoas em África subsariana vivem ainda sem acesso à energia elétrica. Na Guiné-Bissau apenas  33 por cento da população tem acesso à electricidade. Ou seja, os populares da Capital Bissau é que beneficiam mais da energia elétrica no país”, afirmou.

Yuri Handem garantiu que o Banco Mundial não poupará  esforços para que  o povo guineense em geral beneficiasse da energia elétrica de forma sustentável. ANG/AALS/ÂC//SG

segunda-feira, 21 de outubro de 2024

Cooperação/França disponibiliza seis milhões de euros para sectores sociais prioritários guineense  

Bissau, 21 Out 24 (ANG) - O Governo francês disponibilizou uma subvenção para promoção do desenvolvimento social na Guiné-Bissau, no valor de 06 milhões de euros com o objetivo de apoiar a concretização das  prioridades que podem beneficiar o povo de forma direta.

A informação consta numa nota informativa da Embaixada de França na Guiné-Bissau à que a ANG teve acesso hoje.

“O Governo da República da Guiné-Bissau beneficiará de um grande apoio para melhorar o acesso aos serviços de base nas áreas de Saúde e da Educação. Este ajuda da Direção Geral de Tesouro francês visa responder as necessidades sociais mais urgentes do país, de modo a consolidar o desenvolvimento durável”, lê-se no documento.

De acordo com a nota, o referido financiamento permitirá reforçar o acesso aos medicamentos através do Central de Comercialização dos Medicamentos Essenciais (CECOME), de forma a melhorar o acesso aos cuidados com saúde para população, principalmente nas regiões mais regulamentadas.

Com este financiamento será atribuído um apoio aos profissionais de Saúde e de Educação para garantir o pagamento de salário, manter qualidade dos profissionais de modo a ter serviço mais qualificados, e melhorar as infraestruturas educativas.

Segundo o documento, parte do mesmo fundo será dedicado para redução do défice do Orçamento Geral de Estado, reforçar a capacidade do Governo para responder as necessidades da população no sentido de favorecer a estabilidade económica.

A França, refere a Nota, promete acompanhar a Guiné-Bissau a alcançar os seus objetivos de reformas do Programa Económica e Financeiro suportado pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) e garante o reforço de parceria entre os dois  países com a finalidade de promover o progresso comum. ANG/AALS/ÂC//SG

Reino Unido/Início de processo contra BHP sobre desastre de Mariana coloca Brasil na vanguarda do direito ambiental global


Bissau, 21 Out 24 (ANG) - Começa nesta segunda-feira (21), em Londres, Inglaterra, o julgamento sobre o rompimento da barragem de Fundão, em Mariana, Minas Gerais, ocorrido em 2015, no Brasil.

 A mineradora BHP pode ser responsabilizada pelo maior desastre ambiental do Brasil na ação coletiva que representa 620 mil vítimas do desastre. 

O valor das indenizações reivindicadas na Corte de Londres promete ser gigantesco: é estimado em £ 36 bilhões, cerca de R$ 265 bilhões, mas o veredito final só deve sair em meados de 2025.

Depois de nove anos do crime, os advogados do caso estão otimistas com o julgamento da maior ação coletiva do mundo movida contra uma mineradora multinacional, a anglo-australiana BHP. A empresa e a Vale, que fez um acordo e ficou de fora do processo, são donas da Samarco que operava a barragem de Fundão em Mariana, Minas Gerais.

Os advogados do caso vão argumentar  na corte inglesa que a BHP controlava e tomava decisões operacionais sobre a atividade mineradora em Mariana e inclusive sabia do relatório sobre os riscos do rompimento da barragem e, portanto, pode ser responsabilizada por negligência, imprudência e descaso.

 

 Segundo Ana Carolina Salomão, sócia e advogada do escritório Pogust Goodhead, que defende os atingidos no julgamento na Corte de Londres, o rompimento não pegou a mineradora de surpresa. Em entrevista à RFI, ela citou vários fatores que mostram o envolvimento de executivos da BHP no rompimento da barragem.

“Eles participaram de reuniões do conselho da Samarco, aprovaram financiamento de projetos relevantes para Samarco relacionados à própria barragem que rompeu, aprovaram aumento de produção que antecedeu o rompimento, além disso, declarações dos executivos feita após o desastre já demonstravam que a empresa havia identificado a possibilidade de rompimento da barragem”, relata.

A corte de Londres reconheceu que é a jurisdição certa para julgar esse caso, vai aplicar o direito processual inglês, mas com base na legislação ambiental brasileira que foi onde o crime aconteceu. O rompimento matou 19 pessoas, e espalhou 13 mil piscinas olímpicas de lama tóxica e rejeitos por 675 quilômetros, matou também o rio Doce, sagrado para povos indígenas, e chegou ao Oceano Atlântico. 

Ana Carolina Salomão acredita que o caso é uma oportunidade de expos a nossa lei considerada exemplar num momento em que o planeta está vivendo uma catástrofe climática.

 

Para a advogada, o caso tem a capacidade de impor novas práticas corporativas, e julgar a conduta criminosa, irresponsável e negligente de multinacionais quando operavam em outros países, especialmente do hemisfério sul.

“Ao utilizarmos a legislação ambiental brasileira na ação na Inglaterra, acabamos por reafirmar a posição do Brasil como um dos polos mais importantes, se não o mais importante na vanguarda do direito ambiental global, exportando termos jurídicos que vão ser tão importantes considerando as mudanças climáticas e a necessidade de responsabilizar aqueles que são responsáveis por elas”, aponta a advogada.

Pelo menos sete vítimas vão acompanhar a primeira semana de julgamento entre representantes dos povos indígenas Krenak e Pataxó, , líder quilombola, mães que perderam filhos, prefeitos e procuradores. O caso representa 620 mil pessoas e 46 municípios contra uma gigante multinacional. Ana Carolina Salomão diz que esse caso é uma luta de Davi contra Golias.

“Nós estamos lutando contra um gigante, e quando digo nós, é o coletivo de vítimas de desastres ambientais juntas, reunidas, pescadores, quilombolas, indígenas, indivíduos, pequenos municípios lutando contra a maior mineradora do mundo. Quando a gente pensa no poderio econômico, a gente está em desvantagem, mas quando a gente pensa na quantidade de pessoas, no tamanho do grupo, na força que este grupo unido tem, nos vejo, com muita sinceridade, o lado mais forte. Eu tenho muita confiança disso”, afirma ela.

O julgamento, que começou nesta segunda-feira, vai se arrastar por 12 semanas. Até o dia 5 de março do próximo ano, a juíza inglesa irá ouvir depoimentos, evidências e testemunhos de especialistas. O veredito só deve sair três meses depois, em meados de 2025. Já o valor indenizatório, se a BHP for considerada culpada, só será definido mais tarde, apesar das especulações sobre valor bilionário. ANG/RFI

Israel/Após novos ataques de Israel contra o Hezbollah no Líbano, EUA negociam fim do conflito em Beirute

Bissau, 21 Out 24 (ANG) - Israel realizou ataques aéreos contra uma empresa financeira ligada ao Hezbollah no Líbano na segunda-feira (21), enquanto o exército amplia sua ofensiva contra o movimento islâmico apoiado pelo Irã após quase um mês de guerra.

O enviado especial dos Estados Unidos, Amos Hochstein, chegou ao Líbano, onde negoceia com o presidente do parlamento, Nabih Berri, um influente aliado do Hezbollah e responsável pela negociação de um cessar-fogo.

Bombardeios na segunda-feira em Tyre e Nabatiyeh, duas cidades no sul do líbano tiveram como alvo os escritórios da empresa financeira Al-Qard al-Hassan, que está sujeita às sanções dos Estados Unidos, causando “danos imensos”, de acordo com a agência de notícias libanesa Ani. 

Relatando “violentos confrontos” entre soldados israelenses e combatentes do Hezbollah, a agência acrescentou que “o inimigo está tentando avançar na frente de Aita el-Chaab”, um vilarejo no sul do Líbano na fronteira com Israel. O canal Al-Jazeera transmitiu imagens mostrando tanques israelenses nos arredores do vilarejo. 

No fim de semana, aForça Aérea israelense havia aumentado seus ataques em todo o Líbano, atingindo pela primeira vez os escritórios da mesma empresa nos subúrbios ao sul de Beirute, um dos redutos do movimento xiita, e em Baalbeck, no leste do Líbano. 

 

Ampliando sua ofensiva para além dos alvos militares que visava até agora, o exército anunciou na segunda-feira que tinha realizado ataques “em dezenas de instalações usadas” pelo  Hezbollah “para financiar suas atividades terroristas contra o Estado de Israel”, especificando que tinha como alvo os setores de Beirute e do sul do Líbano e que tinha “atacado profundamente o território libanês”. 

No local do ataque, próximo a Beirute, os fotógrafos da AFP viram uma pilha de escombros e metal retorcido. 

A Al-Qard Al-Hassan é uma instituição financeira ligada ao Hezbollah que concede microcréditos em um país onde o sistema bancário tradicional entrou em colapso devido à crise econômica. Ela faz parte de uma rede de associações, escolas e hospitais que ajudaram a formar sua população. 

Amos Hochstein, emissário dos Estados Unidos, chegou ao Líbano na segunda-feira, onde deve se reúne com o presidente do parlamento, Nabih Berri, um influente aliado do Hezbollah e responsável pela negociação de um cessar-fogo em nome do movimento, que tem sido alvo de intensos bombardeios israelenses. 

A autoridade americana iniciou sua visita à capital libanesa na residência do presidente do Parlamento, Nabih Berri, conforme relatado por um correspondente da AFP. O emissário dos Estados Unidos também deve conversar com o primeiro-ministro, Najib Mikati. Hochstein afirmou que Washington quer pôr fim ao conflito entre o Hezbollah e Israel “o mais rápido possível”.

Os bombardeios israelenses que começaram em 23 de setembro se transformaram em uma guerra aberta com o Hezbollah. O  líder do movimento islâmico xiita, Hasssan Nasrallah, foi morto quatro dias depois em bombardeios de violência sem precedentes, reduzindo vários edifícios a escombros.

A Alemanha espera que o governo israelense “esclareça todos os incidentes” que afetam a missão de paz da ONU no Líbano (Unifil) e “pediu” na segunda-feira que esclareça a destruição de uma torre de observação e de uma cerca no sul do país.

De acordo com a Unifil, uma “escavadeira” do exército israelense “demoliu deliberadamente” uma “torre de observação e uma cerca” em uma posição dos missionários humanitários no domingo (20), o que causou “a maior preocupação” em Berlim, disse uma porta-voz do Ministério das Relações Exteriores em uma coletiva de imprensa.

No campo econômico, o dólar e o ouro se fortaleceram na segunda-feira, com a intensificação dos ataques israelenses no Líbano e a “cooperação da Coreia do Norte com a Rússia, reforçando a escolha dos mercados por portos seguros. 

“As tensões geopolíticas continuam a estimular o interesse em portos seguros”, explicou Frank Watson, analista da Kinesis Money. 

O mercado também espera uma resposta de Israel ao ataque com mísseis realizado pelo Irã em 1º de outubro.  ANG/RFI/AFP e agências.

Desporto/ PR promete autocarros à todas as equipas da I divisão nacional de futebol

Bissau, 21 Out 24 (ANG) – O Presidente da República(PR) prometeu oferecer autocarros à todas as equipas da primeira divisão nacional de futebol e à Direção da Liga de Clubes da Guiné-Bissau.

A promessa de Umaro Sissoco Embaló foi feita hoje no ato da entrega de viaturas à três das 16 equipas da primeira liga de futebol, nomeadamente, Futebol Clube de Sporting de Bafatá, Canchungo e Pelundo.

Na ocasião, o chefe de Estado guineense recomendou cuidados e manutenção  atempada das viaturas para garantir as suas durabilidades.

Umaro Sissoco Embaló expressou ainda a sua admiração  pela equipa de Sporting Clube de Bafatá, porque na referida região toda a população apoia a equipa, incluindo os anciões.

O Presidente da Liga de Clubes, Dembo Sissé pediu ao chefe de Estado para estender o gesto para as restantes equipas, que muitas das vezes não conseguem realizar uma partida de futebol, por causa da avaria das viaturas, ao longo do percurso.

Disse que essas situações são  provocadas pelas más condições das via rodoviárias, pelo que exortou ao Umaro Sissoco Embaló a usar a sua influência junto do Governo para melhorar as condições das estradas no interior do país.

O Presidente do Futebol de Clube  de Pelundo, Nino Kao disse que a viatura  recebida, para além de facilitar a deslocação que equipa, será igualmente utilizada para evacuação dos doentes e até dos estudantes para fins de intercâmbio acadêmico.

O Vice Presidente de Sporting de Bafatà Tcherno Sado Djaló  e o de Canchungo agradeceram o apoio do Presidente da República e disseram que as respetivas viaturas irão minimizar as dificuldades com que se deparam nas deslocações para o cumprimento do calendários desportivo. ANG/LPG/ÂC//SG

Frente Social/7ª Vaga de greve com influência negativa nos doentes que procuram HNSM

Bissau, 21 Out 24 (ANG) – A sétima vaga de greve decretada pela Frente Social, entidade que integra sindicatos da saúde e educação, está a ter, mais uma vez, um impacto  negativo na saúde dos doentes que procuram o Hospital Nacional Simão Mendes(HNSM) para consultas.

Foi o que a ANG apurou hoje junto daquele que é o maior centro hospitalar do país, que entretanto está a ter uma procura normal, sobretudo nos serviços da Pediatria, Maternidade e Serviços de Urgência, em que os utentes estão a queixar-se de um atendimento muito lento.

Idrissa Djalo, por exemplo, queixa-se de que procura, há três dias, uma vacina para o seu bebé mas que até hoje não conseguiu.

Contou que já entregou o cartão da criança e está a espera do possível atendimento.

“Cheguei e percebi que havia greve, não sabia de nada, mas vou continuar a esperar e, se Deus quiser, vou conseguir uma vez que não estou em condições de ir a clinica neste momento”, disse.

Aua Sané que acompanhou o seu vizinho que sofre  dores no estômago, lamentou mais uma paralisação na saúde, frisando que os mais pobres são os que mais sofrem.

Segundo Sané  apesar dos avisos dos técnicos de que vão atender só os doentes mais graves, vão continuar a insistir para que o rapaz que não consegue injerir nada desde domingo seja atendido.

Para Binta Nanque, grávida de cinco meses, as sucessivas greves demonstram o desinteresse dos governantes guineenses aos  sectores chaves do país, “porque  os seus filhos não estudam e nem frequentam escolas ou hospitais públicos, só lembram do povo nas eleições”.

“Já estamos cansados de apelar para que haja um entendimento entre os sindicatos e o Governo, mas parece que ninguém quer saber do outro e um país assim esta a caminhar para a desordem”, disse.

A ANG falou sob anonimato com uma técnica de saúde afeta a Pediatria do HNSM que confirmou a paralisação deste serviço e diz que os Serviços Mínimos traduzem-se no atendimento de  casos considerados  greves.

A sétima vaga da greve  de 03 dias que iniciou hoje prolonga até a próxima quarta-feira.

A Frente Social exige o pagamento de retroativos aos professores reclassificados, a criação de um Gabinete de Apoio e Seguimento aos profissionais de saúde em caso de doença, pagamentos de dívidas aos professores contratados e novos ingressos de 2020 à 2022 e a conclusão do processo de efetivação dos profissionais de saúde colocados no ano 2014/2015 cujo o processo, diz, se encontra no gabinete do Primeiro-Ministro. ANG/MSC/ÂC//SG

Senegal-torneio UFOA-A-sub-17/Guiné,Guiné-Bissau e Serra Leoa desclassificadas após exames de ressonância magnética

Bissau, 21 Out 24 (ANG) - Guiné, Guiné Bissau e Serra Leoa foram desclassificadas do torneio de futebol sub-17 da União das Federações de Futebol da África Ocidental (UFOA-A), por terem ultrapassado o número de jogadores inelegíveis após Testes de ressonância magnética, sabe-se no domingo.

 “A equipa médica da Confederação Africana de Futebol (CAF) notificou-nos dos resultados dos exames de ressonância magnética das equipas participantes no torneio de qualificação U17 CAN UFOA A. Os exames de ressonância magnética realizados revelam que três (03) equipas ultrapassaram. o número de jogadores inelegíveis”, diz um comunicado de imprensa do departamento de competição do UFOA-A.

O texto lembra que, segundo o regulamento da CAF, uma equipe é desclassificada se “quatro ou mais de seus jogadores forem considerados inelegíveis”, após o teste de elegibilidade por ressonância magnética.

Em conclusão, as seleções sub-17 da Guiné, Guiné Bissau e Serra Leoa estão desclassificadas do torneio que deveria começar no domingo em Thiès, no Senegal.

A seleção da Gâmbia também viu a “desistência de dois dos seus jogadores considerados inelegíveis”, indica a mesma fonte.

Após estas desclassificações, a CAF reorganizou o calendário da competição que deveria começar no domingo, com oito equipes.

A partir de agora, cinco nações participarão do torneio que começará finalmente na segunda-feira, em Thiès, com o Senegal enfrentando o Mali às 15h GMT.

Os Leões Sub-17 enfrentarão a Gâmbia na quarta-feira, no mesmo horário, antes de enfrentar a Libéria no dia 27 de outubro, às 18h GMT, para sua terceira partida.

O Senegal finalmente encontrará a Mauritânia no dia 2 de novembro, às 18h GMT.

Todas as partidas serão realizadas no estádio Lat-Dior, em Thiès.ANG/FAAPA

Brasil/Lula é o segundo líder de peso a cancelar presença na cúpula do Brics na Rússia

Bissau, 21 Out 24 (ANG) - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva cancelou sua viagem à Rússia neste domingo (20) para a cúpula do Brics após sofrer um acidente doméstico, mas participará da reunião por videoconferência, informou a Presidência. 

Lula escorregou no banheiro na noite de sábado (19) e bateu a cabeça. Ele recebeu atendimento no hospital Sírio-Libanês de Brasília e precisou receber pontos na nuca. Além do líder brasileiro, o príncipe herdeiro da Arábia Saudita também não participará do encontro em Kazan.

O presidente Lula permanece em observação, segundo informações da imprensa brasileira. Depois de retornar ao hospital para novos exames, no domingo (20), ele recebeu orientação para não fazer a longa viagem de avião até Kazan, onde o presidente russo, Vladimir Putin, reunirá entre 22 e 24 de outubro diversos líderes mundiais. 

Ao lado dos parceiros comerciais do Brics e aliados, Putin busca demonstrar o poderio russo e o fracasso da política de isolamento do Ocidente pela guerra na Ucrânia.   

"O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, por orientação médica, não viajará para a Cúpula dos Brics, em Kazan, devido a um impedimento temporário para viagens de avião de longa duração", disse o Palácio do Planalto, sem detalhar os ferimentos na cabeça de Lula. O presidente, porém, participará por videoconferência das deliberações e manterá sua agenda de trabalho esta semana em Brasília, acrescentou a nota.

 O Itamaraty anunciou que o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, irá liderar a delegação brasileira, que voará para Kazan na noite deste domingo.

O Hospital Sírio-Libanês informou que Lula deu entrada no hospital no sábado (19) "após acidente doméstico, com ferimento corto-contuso na região occipital". 

Segundo a colunista Mônica Bergamo, da Folha de S.Paulo, a queda aconteceu quando o presidente e a primeira-dama Rosângela da Silva, a Janja, finalizavam os preparativos para a viagem à Kazan. O voo para a Rússia estava marcado para as 17h de domingo. 

A cúpula do Brics seria o primeiro encontro entre Lula e Putin neste terceiro mandato. Em setembro, os dois conversaram por telefone sobre uma proposta conjunta do Brasil e China para encerrar a guerra na Ucrània. 

No ano passado, Putin desistiu de ir à cúpula do Brics na África do Sul porque é alvo de uma ordem de prisão emitida pelo Tribunal penal Intrnacional , em março de 2023, pela deportação de crianças ucranianas. A denúncia, feita por Kiev, é investigada como crimes de guerra pelo TPI.  

Na sexta-feira, o dirigente russo anunciou que não virá ao Rio de Janeiro para participar da cúpula presidencial do G20 em 18 e 19 de novembro, para não "perturbá-la".

A cúpula de Kazan, às margens do rio Volga, contará com a presença de diversos líderes estrangeiros e o secretário-geral da ONU, António Guterres, informou o Kremlin, saudando-a como "o evento diplomático mais importante organizado na Rússia".

A reunião ocorre no momento em que Moscou ganha terreno na Ucrânia e forja alianças com os principais adversários dos Estados Unidos, como a China, o Irã e a Coreia do Norte. O Kremlin também conseguiu garantir alianças com países que têm laços com o Ocidente.

O presidente chinês, Xi Jinping, e o presidente iraniano, Masud Pezeshkian, devem comparecer. Moscou também está contando com a presença de Narendra Modi, da Índia, e Recep Tayyip Erdogan, da Turquia.

Com a presença do iraniano Pezeshkian, em meio à escalada com Israel, os participantes da cúpula também discutirão as guerras na Faixa de Gaza e no Líbano. No entanto, a Rússia parece querer manter uma certa distância desses conflitos, limitando-se, por enquanto, a pedir moderação às partes envolvidas.

Moscou insiste em apresentar sua invasão na Ucrânia não como uma guerra de conquista – apesar de ter declarado a anexação de quatro regiões ucranianas –, mas como um conflito provocado pela hegemonia dos EUA.

"A Rússia (...) busca relações baseadas no direito internacional e não nas regras estabelecidas por determinados países, especialmente os Estados Unidos", disse o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, reivindicando o apoio da 'esmagadora maioria dos países'.  

Ao reunir o "Sul e o Leste globais" para contrabalançar o Ocidente, de acordo com a Rússia, o Brics deve "construir, tijolo por tijolo, uma ponte para uma ordem mundial mais justa", disse o conselheiro diplomático do Kremlin, Iuri Uchakov.

O Ocidente, por outro lado, considera que a Rússia está buscando dominar seus vizinhos e impor uma lei da selva no cenário internacional.

Nos últimos dias, ao apresentar seu "plano para a vitória", o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, alertou que outros países poderiam tentar imitar a Rússia em caso de vitória. "Se Putin atingir seus objetivos rebuscados – geopolíticos, militares, ideológicos e econômicos –, outros agressores em potencial sentirão que as guerras de agressão podem beneficiá-los", alertou Zelensky.

De acordo com Uchakov, todos os países membros do Brics serão representados em Kazan, com exceção do Brasil e da Arábia Saudita, que também enviará seu ministro das Relações Exteriores.

A ausência do príncipe herdeiro Mohammed bin Salman, governante de fato da Arábia Saudita, que viajou para Bruxelas nesta semana, provocou especulações sobre possíveis desentendimentos entre os dois pesos pesados da energia mundial.ANG/RFI/AFP

         Moçambique/ O espectro da violência eleitoral ressurge no país

Bissau, 21 Out 24 (ANG) - Os moçambicanos aguardam com impaciência e entusiasmo o anúncio pela Comissão Nacional Eleitoral (CNE) dos resultados oficiais finais das eleições gerais de 9 de Outubro, num contexto de agravamento das tensões entre o partido no poder, a Frelimo e os partidos da oposição.

Desde a introdução do sistema multipartidário através da Constituição de 1990, Moçambique realiza eleições gerais de cinco em cinco anos: assembleias presidenciais, legislativas e provinciais.

Um dos destaques destas eleições é que, apesar dos protestos isolados, a operação eleitoral decorreu num ambiente de paz, tolerância, respeito pelas diferenças e compromisso com o bem comum, como também atestam os observadores eleitorais.

Mas o espectro da violência pós-eleitoral ressurgiu logo após o anúncio dos resultados parciais destas eleições, o que deu uma clara liderança à Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo), o partido no poder desde a independência do país em 1975, e ao seu presidente. candidato, Daniel Chapo.

Na sequência de disputas políticas, alguns opositores expressaram a sua rejeição dos resultados parciais destas eleições e fizeram declarações públicas um tanto horríveis. Outros ainda se proclamaram vencedores e incitaram os cidadãos à vingança e à violência para, dizem, “mudar a ordem política e social no país”.

O medo de nova violência tornou-se ainda mais persistente com o assassinato de dois opositores: Elvino Dias, advogado do candidato presidencial da oposição, Venâncio Mondlane, e Paulo Guambe, porta-voz do partido da oposição “Podemos”. Milímetros. Dias e Guambe foram mortos a tiro no seu carro durante a noite de sexta-feira para sábado na capital Maputo.

Estes assassinatos suscitaram a indignação não só dos partidos políticos concorrentes nestas eleições, mas também da comunidade internacional.

Em reacção, levantaram-se várias vozes no país e até no estrangeiro, apelando à calma e à contenção, para preservar o funcionamento eleitoral, a ordem pública e evitar a violência pós-eleitoral. Este é particularmente o caso da União Europeia, que apelou, através da sua chefe da Missão de Observação Eleitoral em Moçambique, Laura Ballarín, e do seu Alto Representante Josep Borrell, “à máxima contenção da participação de todos e ao respeito pelas liberdades fundamentais e políticas direitos.

O mesmo se aplica aos Estados Unidos, Canadá, Noruega, Suíça e Reino Unido, que condenaram, numa Declaração Conjunta, “qualquer ato de violência política” no país.

Até o candidato do partido no poder, Daniel Chapo, tomou posição sobre o assassinato destes dois opositores, descrevendo esta tragédia como uma “afronta” à democracia em Moçambique.

No entanto, uma coisa é certa: estes últimos desenvolvimentos irão inevitavelmente agravar as já elevadas tensões neste país da África Austral, rico em gás, especialmente no período que antecede uma greve nacional convocada para esta Segunda-feira pelo candidato da oposição Mondlane para protestar contra o que ele fez. descreve como “fraude durante as eleições de 9 de outubro”.

“O sangue de Dias e Guambe será vingado e este é o início de uma etapa que só Deus sabe como vai terminar”, alertou Mondlane.

Temendo uma espiral de violência no país, diversas sensibilidades têm apelado aos partidos políticos e aos seus candidatos à calma e serenidade, lembrando que apenas a Comissão Nacional Eleitoral tem autoridade legal para anunciar os resultados da votação. Exortaram os diferentes grupos políticos a transcenderem os conflitos políticos, a garantirem que a paz, a tranquilidade e a harmonia prevaleçam e a recorrerem aos órgãos apropriados e à justiça para exigirem indemnizações caso sintam que os seus direitos foram violados.

Vários actores e apoiantes políticos manifestaram assim a sua rejeição categórica à repetição dos episódios de violência que marcaram as eleições anteriores, apelando à construção de uma cultura de inclusão e de respeito pelos princípios democráticos, deixando que os órgãos competentes o façam. para que as eleições sejam consideradas verdadeiramente livres e justas.

“A violência pós-eleitoral não deve ocorrer no país e aqueles que a promovem devem ser responsabilizados”, sustentam ainda.

É claro que trinta e dois anos após a assinatura do Acordo Geral de Paz, que pôs fim a 16 anos de guerra liderada pelos antigos guerrilheiros da Renamo contra o governo, Moçambique ainda enfrenta muitos desafios. Assim, em vez de motins e violência, a classe política deve contribuir, através da educação cívica e patriótica, para a paz e estabilidade do país, mas também para o desenvolvimento das suas instituições.

Só assim será possível identificar soluções para os muitos problemas que ainda afligem este país da África Austral, liderado pela insurgência armada na província do norte do país, Cabo Delgado.

Enquanto todos os olhares estão voltados para a Comissão Nacional Eleitoral, que deve anunciar os resultados finais das eleições gerais até 24 de Outubro, os moçambicanos devem gritar, de mãos dadas e em uníssono, não à violência pós-eleitorais. Sim à paz, à unidade e ao desenvolvimento.ANG/FAAPA