segunda-feira, 2 de dezembro de 2024

Regiões/Presidente da República promete concretização de obras de construção da estrada que liga Biombo à Bissau 

Biombo  02 Dez 24 (ANG) - O Presidente da República afirmou que as obras de construção da estrada  que liga Biombo à Bissau, serão uma realidade, porque não faz promessas que não cumpre.

 Umaro Sissoco Embaló falava, em Ondame no ato de lançamento da pedra para a construção da estrada de Biombo/Bissau, uma distância de 20 quilómetros, no âmbito de promoção do desenvolvimento local nas diferentes regiões do país.

O chefe de Estado guineense referiu que já se fez o lançamento da primeira pedra para  reconstrução   das estradas de Gabú e Bafatá, tendo acrescentado que  depois de Biombo, será a vez de Canchungo, Farim e Cacheu.

Adiantou que esta iniciativa vai chegar as ilhas de Bijagós, , no sentido de promover o desenvolvimento para a população local.

“Tomei a nota das dificuldades que o governador da região de Biombo mencionou e  garanto que vamos  instalar mais esquadras, hospitais e escolas na região de Biombo”, prometeu Sissoco Embaló.

Por outro lado, Embaló afirmou que vai se juntar com outras formações políticas no que tange a promoção do bem comum, e destacou o Partido da Renovação Social (PRS), Partido dos Trabalhadores Guineenses (PTG), as individualidades como o antigo Presidente da República José Mário Vaz e o antigo primeiro-ministro e atual líder da Assembleia do Povo Unido (APU) Nuno Gomes Nabiam.

O Presidente encabeçou uma delegação que integrava   o antigo primeiro-ministro Carlos Gomes Júnior vulgo “Cadogo filho”, embaixador da Espanha na Guiné-Bissau, ministro das Obras Públicas José Carlos Esteves, ministro da Comunicação Social Fernando Florentino Dias, antiga Secretária de Estado das Comunidades Salomé Manuel dos Santos Aliuchê e o atual ministro das Finanças, Ilídio Vieira Té.ANG/MN/AALS/ÂC//SG

Brasil/Estudantes brasileiros de medicina na Argentina abandonam país após aumento do preço das faculdades

Bissau, 02 Dez 24 (ANG) - Milhares de estudantes brasileiros que foram morar na Argentina em busca do sonho de cursar faculdade de medicina a um custo razoável foram pegos de surpresa por aumentos acima da inflação anunciados pelo governo Milei.

Alguns são estudantes da faculdade privada mais procurada pelos brasileiros no país vizinho e que agora interrompem o sonho e voltam para o Brasil, outros recomeçam os estudos no Paraguai.

Aos 22 anos, Amanda Mello está no terceiro ano de medicina, ela trocou Cuiabá por Buenos Aires para seguir o sonho de ser médica, mas, na metade do caminho, vieram os aumentos do custo de vida na Argentina e, sobretudo, da mensalidade do ensino.

“Quando saí da minha cidade, eu tinha a intenção de vir para a Argentina para me formar. Atualmente, com a situação que está, a faculdade em particular e o custo de vida em geral, tive de refazer os planos porque aqui não está dando mais para continuar. Tive de conversar muito com a minha família e pensar em outras possibilidades para poder continuar com meu sonho que infelizmente foi interrompido”, lamenta Amanda num desabafo à RFI.

Amanda está de mudança para o Paraguai, onde vai continuar seus estudos de medicina. “O Paraguai conseguiu abrir as portas para mim do mesmo jeito que a Argentina abriu há dois anos, porém com um custo de vida menor e com uma faculdade muito boa”, compara.

Segundo um relatório do Ministério do Capital Humano da Argentina, com base nos números mais atualizados disponíveis de 2022, existem 20.255 estudantes brasileiros de medicina no país, dos quais 12.131 estão matriculados no sistema público de educação. Dos restantes 8.124, cerca de 6 mil estão na universidade Barceló, onde os brasileiros ocupam 75% das vagas, segundo o centro de estudantes da faculdade.

Numa das três sedes da universidade, a situada em Santo Tomé, na fronteira com a cidade gaúcha de São Borja, a Barceló já cobra 25% a mais se o estudante for de nacionalidade brasileira.

A situação chegou ao limite, e, com isso, milhares de estudantes que habitam em Buenos Aires decidiram protestar.

O índice de preços ao consumidor desde janeiro deste ano é 106,98% e deve fechar o ano abaixo de 120%, mas os aumentos na Barceló quase triplicaram essa cifra (325%).

Para muitos, o sonho de ser médico ficou para trás. É o caso do baiano Ario Santos, de 42 anos, que decidiu voltar para Vitória da Conquista, sua cidade natal, depois de três anos de estudos na Argentina.

“O que eu vou fazer agora é trancar minha faculdade aqui, voltar para o Brasil, esperar um pouco mais para ver se melhora a condição cambial daqui e, se isso acontecer, eu volto para continuar a minha faculdade. Porque eu estou no terceiro ano, já é um pouco mais da metade, eu não posso perder o que eu já investi”, explica Ario Santos à RFI.

“Hoje, com R$ 8 mil, está difícil você conseguir pagar tudo. Então, eu creio que aumentou 300% ou até 350%. É uma coisa incrível. Ninguém pode pagar isso. Por isso, a maioria dos brasileiros está voltando”, acrescenta.

A paulista Mikaela Bessa, de 20 anos, indica à RFI que "vai jogar no lixo os dois anos investidos" na universidade privada Barceló, mas não vai desistir do sonho. Como na Argentina, a universidade pública não reconhece o estudo da privada, Mikaela vai recomeçar do zero.

“O impacto desse aumento na minha vida é que eu terei de recomeçar. Vou ter de trancar, parar a faculdade no meu segundo ano. Ou seja: são dois anos que paguei a faculdade, que eu me esforcei, jogados no lixo. E vou recomeçar numa universidade pública aqui na Argentina para continuar o meu sonho e não ter de desistir e voltar para o Brasil”, resigna-se.

A também paulista Iasmin Riboski, de 21 anos, olha ao redor e vê como o sonho se tornou um pesadelo para os brasileiros e para as suas famílias no Brasil que arcam com os custos.

“Eu tenho a minha família no Brasil. Os meus avós, já aposentados, e os meus pais, que também estão dando todo o esforço possível. É muito complicado porque a gente vem com um sonho e volta com uma ilusão de que a vida é barata, de que a faculdade vai nos escutar, mas, infelizmente, esse sentimento de frustração não é somente meu, mas de todos os meus colegas e de todos os estudantes aqui”, aponta Iasmin sobre o caso de brasileiros nas universidades privadas argentinas. ANG/RFI

 

Ambiente/Comitê de negociação do tratado internacional sobre plásticos pede ‘mais tempo’ para alcançar acordo

Bissau, 02 dez 24 (ANG) -  Após uma semana de negociações em Busan, na Coreia do Sul, as autoridades não conseguiram chegar a um acordo para concluir a redação do primeiro tratado internacional sobre plásticos.

A informação foi avançada por Luis Vayas Valdivieso, presidente do comitê de negociação, diplomata que presidiu as negociações no domingo (1º).

Valdivieso pede “mais tempo” e negociações são estendidas para datas ainda não definidas.

Após uma semana de negociações que deveriam concluir dois anos de trabalho em um acordo para reduzir a poluição plástica, ficou claro que as tratativas fracassaram.


Luis Vayas Valdivieso, presidente do comitê de negociação, anunciou na abertura da sessão plenária que era necessário mais tempo para chegar a um acordo.

“Precisamos aproveitar o progresso que foi feito”, referindo-se às conversações durante a semana. “Há um acordo geral para retomar a sessão em uma data posterior”, afirma.

O texto atual ainda é muito vago e indeciso em muitos pontos, impossibilitando que os países membros cheguem a um acordo. Os países reunidos em Busan estão profundamente divididos quanto à questão do limite de produção de plástico.

Essa medida está sendo pressionada pelos países vulneráveis e mais ambiciosos, mas bloqueada pelos países produtores de plástico.

Diante desse fracasso, será necessário reunir-se novamente para uma nova sessão de negociação. A data ainda não foi definida.

As discussões de domingo à noite em Busan deveriam estabelecer a estrutura para futuros acordos. Portanto, é preciso determinar se o texto, embora altamente imperfeito, representa uma base para futuros acordos após as negociações.

“É melhor não ter nada aqui do que um tratado fraco”, disse o representante de Gana, Sam Adu-Kumi. 

“Não vamos nos estressar, (...) vamos parar, adaptar o documento como ele está e agora procurar outra sessão”, recomendou o senegalês Cheikh Sylla. “Nessa próxima sessão (de número 5.2), poderemos chegar a um acordo equilibrado”.

As discussões para a elaboração de um tratado vinculativo contra a poluição plástica estão em andamento há dois anos, com duas sessões de uma semana por ano. Porém, desde o início, um pequeno grupo de países produtores de petróleo, incluindo Arábia saudita, Rússia e Irâ, obstruiu as discussões.

Esses país acreditam que o futuro tratado deve abranger apenas o gerenciamento e a reciclagem de resíduos. Uma possibilidade da qual a maioria não quer ouvir falar. “Ruanda não pode aceitar um tratado sem força”, disse a delegada de Ruanda, Juliet Kabera.

A África faz parte do grupo de países ambiciosos, e agora há cerca de cem deles que querem absolutamente que a redução da produção de plástico seja incluída no tratado, a fim de atacar a raiz do problema. 

Os países africanos também estão pedindo a proibição dos produtos plásticos e aditivos químicos mais prejudiciais à saúde humana e à natureza.

Por fim, eles fizeram ouvir suas vozes sobre a questão da mobilização de fundos e da transferência de tecnologia, que é vital para que o continente possa desenvolver a coleta e o processamento de resíduos plásticos. Esses resíduos se acumulam nos litorais do continente e nas cidades, bloqueando principalmente os sistemas de esgoto. ANG/RFI

sexta-feira, 29 de novembro de 2024

Agricultura/ ONG “Ianda Guiné Horta” promove Feira Agroecológica em Bissau

Bissau, 29 Nov 24 (ANG) – A Organização Não Governamental “Ianda Guiné Horta” promove entre os dias 29 e 30 do corrente mês, no Centro Cultural Franco Bissau Guineense, uma Feira Agroecológica, com produtos frescos e transformados.

A Feira, de acordo com os organizadores contatados pela ANG, funciona como um espaço de promoção de produtos alimentares  saudáveis e decorre sob o Lema: “Labur Cansado, ma i tene si balur, Viva legumes de terra, viva legumes sem químico, celebrar, demostrar e valorizar o que é nosso”.

A iniciativa reúne mulhere
s produtoras, que  encontram neste espaço uma oportunidade para divulgar os seus produtos, que estão a ser comercializados à  preço que variam entre 300 e 500  francos CFA.

Esta Feira, segundo o coordenador do projecto “Ianda Guiné Horta, financiado pela União Europeia, “no balura labur na Bissau”, marca o fim das ações do programa dessa ONG no país.

Pierre Lepeur disse que a organização da feira tem como objectivo   garantir melhor alimento e combater a insegurança alimentar, oferecendo a população local produtos saudáveis e sustentáveis, assim como despertar a atenção sobre a importância do consumo dos produtos locais.

Acrescenta que visa ainda reconhecer o papel indispensável da horticultura na sociedade e na economia guineense.

O programa envolveu mais de 100 horticultores e famílias no Setor Autónomo de Bissau.

Pierre Lepeu destacou a capacitação dos horticultores por meio de formação  agrícola participativa, durante  o qual conseguiram transmitir aos beneficiários a importância da agroecologia como um modelo sustentável para agricultura urbana.

Disse que o programa teve um  impacto social direto e económico, através da criação do coletivo “Cabaz de Vida”, que comercializa os produtos frescos e transformados, e de  lavradores líderes que garantem as boas práticas agroecológicas.

Em representação da ministra da Agricultura e Desenvolvimento Rural, Ansu Mancal  destacou o facto de a agricultura  familiar ser a forma predominante de fazer agricultura na Guiné-Bissau e   sob princípios da agroecologia.

Afirmou que, do ponto de vista socioeconómico, os produtores guineenses observam os princípios da agroecologia, que é uma forma de produção ambientalmente mais amigável e conservadora do solo e de menor riscos à saúde humana e animal.

“Temos forte dependência alimentar das importações que advêm de sistemas económicos, de produção dominante em termos de escala e por conseguinte  maior volume das nossas aquisições internacionais de alimentos não é  baseado em princípios da agroecologia”, afirmou.

Por isso, encoraja à todos, publico e privados, para redobrarem esforços no apoio a valorização e promoção da produção nacional, em especial por mulheres e jovens.

O Chefe da Equipa da Economia Verde da União Europeia, Jorge Valiente sublinhou na ocasião  que, para além de as actividades agrícolas serem a principal fonte de rendimento da maior parte da população guineense,  também é responsável para a redução da pobreza.

Neste sentido, de acordo com Jorge Valiente, a União Europeia prioriza o apoio ao desenvolvimento do setor agrícola, sempre com uma abordagem sustentável.

O Secretário Executivo da ONG “Asas do Socorro”, Alfredo Cá convidou à todos para uma reflexão sobre o perigo de abastecimento do mercado nacional com  produtos importados.

Por isso convida as Associações de Mulheres Horticultores a produzirem mais para abastecer o mercado nacional.

Alfredo Cá apela  ao Governo e aos parceiros para refletirem sobre as possibilidades de   mecanização da agricultura, para que as mulheres hortícultoras possam  assegurar o fornecimento de produtos ao mercado guineense. ANG/LPG/ÂC//SG

 

 

 

Regiões/Cidadão Vladmir Djú considera de “orgulhoso” assistir ato de lançamento da pedra para construção da estrada de Quinhamel/Biombo

Bissau, 29 Nov 24 (ANG) - O cidadão e filho de Biombo, Vladmir Djú disse ser um orgulho  assistir ao ato de lançamento da 1ª  pedra da construção da estrada que liga Quinhamel à Biombo,  numa distância de 20 quilómetros, a ser feito pelo Presidente da República Umaro Sissoco Embaló, esta sexta-feira.


Vladmir Djú manifestou a sua satisfação em declarações  ao correspondente da ANG em Biombo.

“Nunca na história de Biombo  aconteceu um ato como esse que está por acontecer ainda hoje,por isso só temos que louvar a iniciativa. Soubemos de boatos segundo os quais a estrada de Biombo não pode ser construído devido à contratos  com irãs nos tempos anteriores. Mas cada pessoa é livre de falar o que bem entender. Só sei que esta iniciativa é de suma importância para a nossa região”, disse

Vladmir Djú contou   que na era colonial os seus antepassados terão pedido proteção aos irãs   para que os colonialistas portugueses não tivessem possibilidades de entrar em Biombo com os seus carros, armas de guerras, cavalos entre outros e que isso surtiu efeito.

“Mas isso não significa que a estrada  Bissau/Biombo não pode ser reabilitada uma vez que existe uma pessoa de bom coração como atual ministro das Finanças que é Ilídio Vieira Té. Ou seja, não existe “mandjidura” que possa impedir o Estado de reabilitar a estrada que liga Biombo à Bissau”, afirmou Djú.

Questionado se as  especulações a volta da região de Biombo não está por detrás do atraso da região, respondeu que sim,  porque, diz, que é impossível desenvolver uma localidade sem que haja vias de acesso em  condições,” motiva o retrocesso da região”.

Vladimir disse ter a esperança de que se a reabilitação da estrada se concretizar, Biombo vai se desenvolver de uma vez por todas , porque  vários projetos vão ser desenvolvidos na  zona Norte do país.

Vladmir disse que muitas pessoas acusam o povo de Biombo de ser difícil em termos de convivência humana, mas diz que isso não  corresponde a verdade, porque na convivem diferentes etnias da  Guiné-Bissau.

Djú lançou um apelo aos populares de Biombo no sentido de saírem em massa para  receber a comitiva do Presidente da República. “O lançamento de pedra para reconstrução de estrada de Biombo é  momento de glória para Biombo e  não deve ser misturado com  assuntos políticos”, disse Djú. ANG/AALS/ÂC//SG

       Genebra/Nigeriana Ngozi Okonjo-Iweala reconduzida na OMC

Bissau, 29 Nov 24 (ANG) – A nigeriana Ngozi Okonjo-Iweala foi reconduzida na sexta-feira para um segundo mandato à frente da Organização Mundial do Comércio (OMC), anunciou a OMC nesta sexta-feira.

O Conselho Geral da OMC decidiu por consenso renovar o mandato da Sra. Okonjo-Iweala como Diretora-Geral para um segundo mandato de quatro anos, a partir de 1 de setembro de 2025, disse a organização com sede em Genebra num comunicado de imprensa.

“Esta decisão reflete o amplo reconhecimento da sua liderança excecional e da sua visão estratégica para o futuro da OMC”, sublinha a mesma fonte.

Como não foram apresentadas candidaturas adicionais até ao prazo de 8 de Novembro, a Sra. Okonjo-Iweala apresentou-se como única candidata. O processo foi realizado de forma totalmente aberta e transparente, de acordo com os “Procedimentos para a Nomeação de Diretores-Gerais” da OMC, especifica-se.

Numa reunião especial do Conselho Geral realizada de 28 a 29 de novembro de 2024, a Sra. Okonjo-Iweala descreveu a sua visão prospectiva para a OMC. Após sua apresentação e uma sessão de perguntas e respostas com os membros, o Conselho aprovou oficialmente sua renomeação por consenso.

“O Conselho Geral elogia a Sra. Ngozi Okonjo-Iweala pela sua liderança excepcional durante o seu primeiro mandato. Num contexto de desafios económicos globais significativos, reforçou a capacidade da OMC para apoiar os seus membros e definir uma agenda voltada para o futuro para a organização”, afirmou o Embaixador Petter Ølberg da Noruega, na sua qualidade de presidente do Conselho Geral.

“A sua liderança foi fundamental para alcançar resultados significativos em momentos cruciais, nomeadamente durante as 12ª e 13ª Conferências Ministeriais (MC12 e MC13), onde foram alcançados marcos importantes”, acrescentou.

A Sra. Okonjo-Iweala assumiu o cargo de Diretora-Geral em 1 de março de 2021, tornando-se a primeira mulher e a primeira africana a chefiar a OMC. Seu primeiro mandato terminará em 31 de agosto de 2025.ANG/FAAPA

 

Regiões/Juventude da povoação de Dorse decide desencadear rusgas noturnas para combater  roubos naquela localidade

Quinhamel, 29 Nov 24(ANG) – A juventude da povoação de Dorse, setor de Quinhamel, região de Biombo, decidiu, quinta-feira, numa reunião, a realização de rusgas noturnas para combater as sucessivas ondas de roubos de gados e agressões físicas que têm sido recorrentes naquela localidade.

Para o efeito, segundo um despacho do  Correspondente regional da  ANG em Biombo, que cita o Vice Presidente da União da Comunidade de Dorse, Domingos Cá , a juventude de Dorse vai dirigir uma carta ao Governo solicitando autorização e apoios para a constituição de grupos de jovens que deverão levar a cabo essas rusgas noturnas naquela povoação.

A representante das mulheres nessa reunião de Dorse, Zinaida Ambana Sá, lamentou a  intranquilidade que se vive atualmente naquela comunidade.

“Para pernoitarmos nas nossas casas, precisamos de colocar as tampas de caçarolas nas portas e janelas , para, em caso de qualquer tentativa, ouvir-mos o barulho da presença estranha em casa”, disse Ambana Sá.

Dorse é a povoação de onde é natural o antigo Régulo de Biombo, Casma Có, falecido em 2023.ANG/MN/ÂC//SG

Regiões/Um total de 332 finalistas do Liceu Regional “Hô-Chi-Minh”  de Canchungo  recebem sábado seus  diplomas

Canchungo, 29 Nov 24 (ANG) – O Presidente da Comissão Organizadora da cerimónia de entrega de Diplomas ao XII Grupo dos 332 finalistas do Liceu Regional “Hô-Chi-Minh”, de Canchungo, garantiu quinta-feira, que os preparativos para o esperado evento estão num bom caminho.

Em entrevista exclusiva concedida ao correspondente regional da Agência de Notícias da Guiné (ANG) em Cacheu, Nanze Agostinho da Costa disse que o evento de sábado vai decorrer  no Estádio “Saco Vaz”, de Canchungo, sob o lema “A Nossa maior preocupação assenta-se em fazer boas obras”.

Acrescentou  que os certificados, os diplomas e assim como os vestuários dos respetivos finalistas já estão prontas para o referido evento.

Agostinho da Costa disse ainda que já foram destruídas por parte da Comissão Organizadora, convites para diferentes entidades que marcarão presença nesta cerimónia de graduação dos 332 finalistas do ano letivo 2023/24.

Dos 332 finalistas, 166 são rapazes e 166 raparigas.ANG/AG/LLA/ÂC//SG

Regiões/ Técnicos da Saúde de Tombali beneficiam de três dias de formação em matéria de administração de Sarampo

Catió, 29 Nov 24 (ANG) - Vinte e seis (26) técnicos de Saúde de diferentes estruturas sanitárias da região de Tombali, sul do país, beneficiam de três dias de formação dos formadores  em matéria de  administração do  Sarampo, Rubéola, Vitima-A e Mebendazol.

Ao presidir o ato de enceramento, na quinta-feira, o Diretor Regional de Saúde da Região de Tombali, Patrício Dingana Sanhá realçou que esta formação é importante para a  Campanha Nacional Integrada de Vacinação que  inicia no próximo dia  06 de Dezembro .

De acordo com Patrício, a referida ação de formação vai permitir que restantes  técnicos de saúde da região de Tombali possam beneficiar de partilhas de conhecimentos sobre essas matérias.

A Campanha Nacional Integrada de Vacinação terá uma duração de 10 dias e  decorrerá de 06 à 15 do Dezembro, devendo abranger crianças de  de seis à 14 anos de idade.

Por outro lado, o Diretor Regional de Saúde de Tombali lançou um apelo aos populares daquela zona no sentido de colaborarem com técnicos de Saúde para alcançar  resultados positivos da campanha.

A  formação é organizada pelo Ministério de Saúde Pública através do Programa Alargado de Vacinação (PAV).ANG/JQ/AALS/ÂC//SG

                        Regiões/Projeto PESIDE lançado em  Biombo

Quinhamel, 29 Nov 24(ANG) – O projeto  Planeamento Estatísticas e Sistemas do Desenvolvimento da Educação na Guiné-Bissau(PESIDE)acaba de ser lançado em Biombo, norte do país, no âmbito de uma sessão de formação realizada para o efeito.

Na abertura do evento, o representante da ONG Fundação Fê e Cooperação(FEC), Victor Santos citado pelo corresponde da ANG em Biombo, disse que o projeto visa  a disponibilização ao Ministério da Educação Nacional informações que lhe permita a recolha, tratamento e divulgação  de dados estatísticos sobre  sistema educativo do país.

O Director Regional de Educação de Biombo, Francisco Có, louvou a iniciativa do lançamento do  projeto naquela região nortenha, e disse que vai ajudar muito na recolha de informações e dados estatísticos para o desenvolvimento do sistema educativo local.

O projeto PESIDE  que opera no país desde 2021  deve terminar  em 2026.

ANG/MN/ÂC//SG

 

Política /Governo aprova com alterações Orçamento Geral de Estado para  2025

Bissau, 29 Nov 24 (ANG) – O Orçamento Geral de Estado (OGE) para o exercício Económico de 2025, com receitas estimadas de 404.762 milhões de FCFA (Quatrocentos e quatro mil milhões, setecentos e sessenta e dois mil Francos CFA) e e mesmo valor para as despesas estimadas foi aprovado com alterações em Conselho de Ministros reunido na quinta-feira.

A informação consta no comunicado final do Conselho de Ministros,  à que a ANG teve acesso hoje.

O documento indica que o OGE apresenta um défice total de 85. 849 milhões FCFA (Oitenta e cinco mil milhões e oitocentos e quarenta e nove  francos CFA).

O Conselho de Ministros na sua trigésima sétima sessão ordinária, no Palácio do Governo, aprovou ainda a Proposta de Lei relativa à luta contra o Branqueamento de Capitais, Financiamento de Terrorismo e Proliferação de Armas de Destruição em Massa.

No capítulo de nomeações, o elenco governamental deu anuência a que, por Despacho do Primeiro-ministro, se efetue o movimento do Pessoal Dirigente da Administração Pública, nomeadamente no Ministério da Administração Pública, Reforma Administrativa, Emprego, Formação Profissional e Segurança Social, da Mulher, Família e da Solidariedade Social e no Ministério da Comunicação Social.

No Ministério da Administração Pública, Reforma Administrativa, Emprego, Formação Profissional e Segurança Social, o executivo deu por finda a comissão de serviço do Inspetor Geral.

No Ministério da Mulher, Família e da Solidariedade Social aceitou a nomeação de Maria Vitória Correia Teixeira como nova Diretora-geral da Família e Promoção da Mulher, sendo, em consequência, dada por finda a comissão de serviço do anterior titular.

E no Ministério da Comunicação Social, o Conselho de Ministros deu por finda a comissão de serviço do Diretor-geral da Comunicação Social e a dos membros do Conselho de Administração da Imprensa Nacional INACEP, EP., a saber: Presidente do Conselho de Administração, 1º e 2º Vogais.ANG/L
PG/ÂC//SG

Justiça/Cinco latino-americanos suspeitos de  tráfico de 2,6 toneladas de drogas   começam a ser julgados em Dezembro

Bissau, 29 Nov 24 (ANG) - O Tribunal Regional de Bissau começa a julgar em 2 de Dezembro cinco estrangeiros detidos em setembro com mais de duas toneladas de cocaína no aeroporto de Bissau.

Eles estavam em um avião que transportava a droga. Os suspeitos são todos latino-americanos; um deles é brasileiro.

O advogado brasileiro Marlos Alberto de Paula Balcaçar, ex-gerente de Receitas e Tributos de Coxim, no Mato Grosso do Sul, foi preso em flagrante no Aeroporto Internacional Osvaldo Vieira em 7 de setembro, a bordo de uma aeronave proveniente da Venezuela. Ele e outros quatros suspeitos – dois mexicanos, um colombiano e um equatoriano – foram detidos após a polícia encontrar no jato no qual viajavam 2,6 toneladas de cocaína.

Fotos da polícia local mostram o interior da aeronave repleto de imensos fardos de entorpecentes envoltos em plásticos sobre os assentos. O carregamento foi incinerado duas semanas após a apreensão.

Uma fonte ligada ao processo indicou que os suspeitos não fizeram nenhuma declaração e que, até agora, as autoridades não conseguiram identificar quem seria o dono do carregamento. Os cinco homens são acusados de tráfico internacional de drogas formação de quadrilha e pouso ilegal em um aeroporto. A Justiça não divulgou informações sobre as penas possíveis para esses crimes.  

 

De acordo com a imprensa sul-mato-grossense, Marlos Alberto de Paula Balcaçar estaria morando no México há vários anos. Mas antes de deixar o Brasil, ele chegou a ficar conhecido em seu estado por ter denunciado uma tentativa suborno que teria sofrido. Em 2009, quando ainda era gerente de Receitas e Tributos de Coxim, ele acusou um fazendeiro de ter lhe proposto dinheiro em troca de uma redução ilegal de impostos.

A prisão do brasileiro e dos outros quatro latino-americanos em Bissau ocorreu como parte da operação “Landing”, uma cooperação internacional envolvendo as autoridades portuguesas, colombianas, norte-americanas e o Centro de Análises e Operações Marítimas – Narcóticos (Maoc-N), uma iniciativa de seis países membros da União Europeia e do Reino Unido. A Interpol e o escritório das Nações para Drogas e Crime (ONUDC) também participaram da investigação.

Segundo especialistas, essa região do oeste da África, tem se tornado um ponto estratégico cada vez mais usado para o tráfico global de entorpecentes.ANG/RFI

Suécia/Criminosos recrutam pelas redes menores de 15 anos para matar rivais

Bissau, 29 Nov 24 (ANG) - Gangues na Suécia têm recrutado menores que recém entraram na adolescência, ao abrigo de sanções criminais, para matar rivais.

 A polícia tem interceptado um número crescente de trocas de mensagens criptografadas entre jovens criminosos e crianças.

 “Irmão, estou esperando impacientemente pelo meu primeiro corpo”, escreveu um menino de 11 anos no Instagram. “Continue motivado. Esse dia virá”, respondeu seu interlocutor, de 19 anos.

Nesta troca de mensagens, com a data de 16 de dezembro de 2023 e consultada pela AFP, o jovem adulto prometeu 150 mil coroas suecas (R$ 82,2 mil) à criança para cometer um homicídio, fornecendo-lhe roupa e transporte até ao local do crime, segundo um relatório de investigação preliminar da polícia de Värmland, no centro-oeste do país.

Neste caso, quatro homens de 18 a 20 anos são acusados ​​de recrutar quatro crianças e adolescentes de 11 a 17 anos para uma gangue. Todos foram presos antes de agir.

O relatório preliminar está repleto de capturas de tela de jovens adolescentes atirando uns nos outros com armas de fogo, alguns sem camisa, outros encapuzados. Questionada pela polícia, a criança admitiu ter escrito a mensagem para parecer “legal” e “para não demonstrar medo”.

Mas este caso não é isolado. A Suécia tem lutado há vários anos para conter a violência entre gangues que disputam o controle do tráfico de drogas e que se enfrentam com tiroteios e ataques com explosivos caseiros. No ano passado, 53 pessoas foram mortas em trocas de tiros, incluindo vítimas inocentes, neste país de 10,5 milhões de habitantes.

A organização das gangues na Suécia tornou-se mais complexa: os líderes operam a partir do exterior através de intermediários, que recrutam pelas redes sociais adolescentes com menos de 15 anos – a idade da maioridade penal no país. “Está organizado numa espécie de mercado. As missões são publicadas em fóruns de discussão e onde os interessados são cada vez mais jovens”, sublinhou o chefe da polícia nacional, Johan Olsson, durante uma coletiva de imprensa em outubro.

Existem também influenciadores do crime, como os “crimefluencers” no TikTok, que, além de exibirem a sua vida criminosa, facilitam os contatos entre mandantes e assassinos, explica à AFP Sven Granath, professor de criminologia na Universidade de Estocolmo.

Entre janeiro e agosto de 2023 e este mesmo período de 2024, o número de casos em que crianças menores de 15 anos são suspeitas de homicídio, tentativa de homicídio e preparação para homicídio aumentou de 31 para 102, segundo números do Ministério Público.

Estes jovens têm, com frequência, dificuldades na escola, problemas de atenção, problemas de dependência ou já infringiram a lei, explica o professor. “São recrutados em conflitos com os quais não têm qualquer ligação, como mercenários” e sem necessariamente terem pertencido a uma gangue antes, sublinha.

As próprias crianças às vezes se candidatam para essas missões, aponta relatório do Conselho Nacional de Prevenção ao Crime (BRA, na sigla em sueco). "Hoje, todo mundo quer se tornar um assassino. É incrivelmente triste ver que é isso que os jovens [nestes círculos] aspiram", disse à AFP Viktor Grewe, 25 anos, um ex-criminoso. Ele próprio esteve pela primeira vez em contato com a polícia aos 13 anos.

Os jovens glorificam a vida criminosa, amplamente divulgada no TikTok, afirma Grewe. As motivações são diversas: adrenalina, sentimento de pertencimento ao grupo, remuneração generosa.

Para Tony Quiroga, policial encontrado pela AFP em Örebro, cidade 200 quilômetros a oeste de Estocolmo, trata-se de uma “exploração implacável dos jovens que estão apenas começando suas vidas”. Os líderes de gangues e intermediários “não querem arriscar nada. Eles se escondem atrás de pseudônimos nas redes sociais e criam vários filtros" entre eles e os jovens assassinos, disse o policial.

Na Suécia, as crianças com menos de 15 anos não podem ser condenadas criminalmente. Em caso de crimes, elas são acolhidas por serviços sociais.

Em Örebro, voluntários viajam pelos subúrbios à noite para alertar os jovens sobre o risco de ficarem sob a influência de gangues. Viktor Grewe, que decidiu abandonar o crime aos 22 anos, explica que estes jovens não acreditam no futuro, convencidos de que não viverão além dos 25 anos.

Segundo o relatório do BRA, o recrutamento responde à lógica empresarial. Para subir na hierarquia de uma rede criminosa, os adolescentes de 15 anos devem ter os "seus pequeninos”.

Para atraí-los, exibem camaradagem, roupas de marca e promessas de recompensas, e alegam lealdade inabalável.

A criança primeiro será utilizada para entregar uma sacola em algum lugar, e aos poucos é conduzida para tarefas mais sérias, sublinha o relatório.ANG/RFI/AFP


Quénia
/ Associação das zonas económicas africanas e ONUDI assinam memorando de entendimento

Bissau, 29 Nov 24 (ANG) - A Associação das Zonas Económicas Africanas (AEZO) e a Organização das Nações Unidas para o Desenvolvimento Industrial (UNIDO) assinaram na quinta-feira em Nairobi um memorando que visa desenvolver as capacidades das zonas económicas especiais (ZEE). ).

A assinatura deste memorando à margem da 9ª reunião anual das Zonas Económicas Especiais Africanas (28 a 29 de Novembro), insere-se na perspectiva de reforçar a colaboração e desenvolver as capacidades das ZEE para gerar resultados económicos significativos à escala continental.

Rubricado pelo Presidente da AEZO e CEO do Grupo Tanger-Med, Sr. Mehdi Tazi RiffI e pelo Diretor Geral da Direção de Inovação e Transformação Económica dos ODS da ONUDI, Sr. e liderança como modelo de sucesso dentro da comunidade africana da ZEE.

Visa também formalizar a cooperação entre as duas partes e alinhar os esforços com as ambições de industrialização do continente africano.

Neste sentido, as duas partes identificaram diversas áreas de colaboração, como o desenvolvimento de cadeias de valor continentais e regionais, a mobilização de recursos para a realização de estudos de viabilidade e a proposta de modelos inovadores de gestão de ZEE, dando prioridade às parcerias público-privadas.

O apoio a iniciativas destinadas ao reforço de capacidades e à criação de redes de zonas económicas especiais em África também está entre os principais eixos identificados.

Esta sessão foi também marcada pela apresentação de um relatório conjunto produzido pela ONUDI e AEZO, que analisa a situação actual, tendências e perspectivas das Zonas Económicas Especiais em África.

Com base em dados recolhidos de cerca de sessenta ZEE em 26 países africanos, o relatório oferece uma visão geral concreta do desempenho, dos desafios e das oportunidades de desenvolvimento das ZEE no continente.

O documento visa, em particular, avaliar as ZEE actuais, identificar alavancas para melhoria e propor recomendações, oferecendo orientações estratégicas para reforçar a sua eficácia e impacto.

Falando nesta ocasião, o Sr. Ahmed Bennis, Secretário Geral da AEZO e Diretor Geral das Zonas Tanger Med, indicou que este relatório consolida uma parceria de longa data entre a AEZO e a UNIDO.

O documento fornece uma análise detalhada do estado actual e do potencial das ZEE africanas, disse ele, acrescentando que pretende contribuir para uma melhor compreensão de como as ZEE estão a moldar o futuro económico de África, fornecendo informações e perspectivas valiosas para orientar a tomada de decisões. fazendo.

As Zonas Económicas Especiais desempenham um papel fundamental na industrialização, diversificação económica e integração de África nas cadeias de valor globais, sublinhou o Sr. Bennis, observando que estas estruturas se alinham com a missão do AEZO que visa o desenvolvimento inclusivo e resiliente das ZEE em África

Segundo ele, as ZEE africanas resilientes e inclusivas dependem necessariamente de infraestruturas de qualidade, de uma força de trabalho abundante e qualificada, de um modelo de governação que combine políticas públicas e investimentos privados e de acesso estratégico aos mercados globais.

Apelando para que o relatório seja visto como um ponto de partida para a industrialização de África, sublinhou a importância de uma colaboração estreita entre as ZEE, os decisores políticos e parceiros como a ONUDI para concretizar esta visão.

Os trabalhos da 9ª reunião anual 2024 das Zonas Económicas Especiais Africanas (ZEE) começaram quinta-feira em Nairobi, com a participação de Marrocos. ANG/FAAPA

  

Reino Unido/Legalização do direito de morrer para pacientes terminais divide Parlamento

Bissau, 29 Nov 24 (ANG) - O Reino Unido vota nesta sexta-feira (29) a legalização do suicídio assistido para pacientes com doenças terminais.

 Apesar de dois terços dos britânicos serem do projeto de lei, o texto divide os políticos independentemente do partido.

A legalização do direito de escolher quando morrer dignamente está nas mãos do Parlamento em Londres e conta com apoio de quase 80% dos britânicos. Apesar disso, os políticos conservadores e liberais estão divididos.

O projeto de lei impõe uma série de critérios rigorosos: o paciente deve ter mais de 18 anos e menos de seis meses de expectativa de vida, estar consciente de sua escolha, sem ter sido coagido a tomar a decisão, expressar seu desejo de morrer por escrito em documento assinado por duas testemunhas. Além disso, também precisa da opinião clínica de dois médicos a favor da sua decisão, que deve ter o acordo e a autorização de um juiz. 

Neste caso, o fim de vida é assistido pelo sistema único de saúde britânico, mas os medicamentos letais controlados são administrados pelo próprio paciente quando ele bem entender.

O direto de morrer assistido é diferente da eutanásia, que é um ato deliberado de colocar fim a vida de uma pessoa, com ou sem seu consentimento, por exemplo, no caso de pacientes em coma.

As pesquisas de opinião pública não mudaram nos últimos 40 anos e indicam que quase 80% dos britânicos apoiam o direito assistido de morrer em princípio e na prática. A variação é pequena entre eleitores liberais e conservadores. Mas isso não se reflete no Parlamento britânico que está muito dividido.  Há conservadores inclinados a votar a favor do projeto e liberais contra, ou vice-versa, ou seja, a decisão é pessoal e entra no campo da ética, independentemente do partido político. O primeiro-ministro trabalhista Keir Starmer, inclusive, liberou seu partido a votar como quiser. Um projeto similar já foi votado e rejeitado em 2015.

Um importante argumento contra a proposta é que o foco deveria ser a melhoria dos cuidados paliativos oferecidos a pacientes terminais pelo sistema de saúde pública. Segundo os opositores do projeto, esses serviços foram sucateados por mais de uma década de redução do orçamento da saúde, fazendo com que os últimos meses ou dias de vida sejam de muito sofrimento e dor para o paciente.

Os grupos contra o projeto de lei também se preocupam com a coerção de pessoas, que podem se sentir pressionadas ou tomar a decisão por acharem que se tornaram um peso para a família. Outro argumento é que a previsão médica de expectativa de vida para ter acesso ao direito, de 6 meses, é muito imprecisa.

A associação médica britânica e o colegiado de enfermeiros permaneceram neutros sobre o assunto. Os grupos religiosos, como era de se esperar, são contra a morte assistida, no entanto, uma pesquisa do Instituto de política do King’s College de Londres do ano passado indicou que hoje menos da metade dos britânicos acredita em Deus ou vida após a morte.

Quem é favorável diz que essa é uma oportunidade única no país em gerações. O projeto de lei é comparado à legalização do aborto em 1967, ao fim da pena capital, à descriminalização, por lei, da homossexualidade e à introdução do casamento de pessoas no mesmo sexo.

O grupo Dignity in dying, (morte digna em tradução livre), diz que hoje mais de 300 milhões de pessoas no mundo vivem em países onde a morte assistida ou a eutanásia são legalmente asseguradas. Na Suíça, por exemplo, o procedimento é legal desde 1942. A organização Dignitas que presta assistência a pacientes estrangeiros que querem terminar suas vidas em território suíço, acolheu 1.900 britânicos em 2023, um aumento de 24% comparado ao ano anterior.

Espanha e Áustria também legalizaram a morte assistida na Europa. Na Bélgica, Luxemburgo e Holanda nem é preciso ser diagnosticado com doença terminal para se ter o direito digno de morrer. 

O canadá e 11 estados americanos também legalizaram a morte assistida. Na América Latina, colombianos têm o direito ao suicídio assistido desde 2015. A França debate uma nova lei sobre a “ajuda para morrer”. ANG/RFI