Líbano/ Governo apresentará queixa na ONU contra Israel, acusado de pulverizar pesticida em seu território
Bissau, 206 Fev 26 (ANG) - Beirute anunciou na quinta-feira (5) que pretende apresentar uma queixa às Nações Unidas contra Israel, acusado de ter pulverizado substâncias químicas sobre vários vilarejos fronteiriços no sul do Líbano em 1° de Fevereiro.
A força da ONU que atua no país
lamenta uma atividade inaceitável e contrária à resolução que prevê o fim dos
conflitos entre as duas nações.
Mais de um ano após a conclusão de uma trégua entre Israel e o movimento
armado Hezbollah, as áreas fronteiriças do lado libanês continuam vazias, mas a
situação ainda continua tensa entre os dois países. Amostras de terra e água
coletadas pelo Exército libanês e analisadas em laboratórios especializados
mostram uma quantidade elevada de glifosato, herbicida que provoca graves danos
à flora e à fauna e é potencialmente cancerígeno.
Em um comunicado, os ministérios da Agricultura e do Meio Ambiente do
Líbano informam que algumas amostras apresentam uma concentração de pesticida
entre 20 e 30 vezes superior aos níveis normalmente aceitos pelas normas
internacionais. A nota afirma que a substância poe “danificar a cobertura
vegetal nas áreas atingidas”, com repercussões diretas sobre a produção
agrícola, a fertilidade do solo e o equilíbrio ecológico.
As duas pastas
denunciam ainda um "ecocídio" e alertam para "os potenciais
riscos sanitários e ambientais capazes de afetar a água, o solo e a cadeia
alimentar" do Líbano. Já o presidente libanês, Joseph Aoun, aponta
"uma violação flagrante da soberania libanesa e um crime ambiental e
sanitário". Para ele, o incidente é uma "continuação dos repetidos
ataques israelenses contra o Líbano e seu povo". Até o momento, Israel não
se pronunciou sobre as acusações.
Na segunda-feira (2),
a Força Interina das Nações Unidas no Líbano (Finul) informou, por meio de um
comunicado, ter sido notificada na véspera pelo Exército israelense sobre uma
operação destinada a pulverizar "uma substância química não tóxica"
perto da fronteira. Israel recomendou que os capacetes azuis se afastassem da
região e buscassem abrigo, "forçando-os a cancelar mais de uma dezena de
operações", relatou a Finul.
"Não é a
primeira vez que o Exército israelense pulveriza substâncias químicas
desconhecidas a partir de aviões sobre o Líbano", denunciou a força da
ONU, qualificando a operação israelense como “inaceitável”. “Isso levanta
preocupações quanto aos efeitos desse produto químico desconhecido sobre as
terras agrícolas locais e seu impacto no retorno de longo prazo dos civis e em
seus meios de subsistência”, reitera a nota.
As lideranças israelenses não escondem o objetivo de criar uma zona tampão
na fronteira entre os dois países. Dentro desta mesma lógica, o Exército
israelense utilizou, durante a guerra, bombas de fragmentação efósforo branco
nessas mesmas regiões.
Os vilarejos
atingidos pelas pulverizações estão quase totalmente destruídos e foram
abandonados pela população, o que é considerado por Israel como o meio mais
eficaz de afastar o Hezbollah da fronteira.
Segundo
especialistas, o uso de potentes herbicidas também tem como meta romper de
forma duradoura o vínculo entre o habitante e sua terra. No entanto, a
estratégia não impediu muitos moradores de seguir trabalhando nos campos, na
tentativa de continuar cultivando o solo.
Um relatório da
Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), em
colaboração com o Ministério da Agricultura e o Conselho Nacional para a
Pesquisa Científica do Líbano, apontou recentemente os prejuízos dos ataques
israelenses entre Outubro de 2023 e novembro de 2024. O balanço afirma que o
setor agrícola libanês sofreu danos diretos em suas plantações, pecuária e
pesca estimados em cerca de US$ 118 milhões, além de perdas económicas
indiretas de aproximadamente US$ 586 milhões.
Segundo o documento,
a reconstrução e a reabilitação do setor agrícola exigirão um financiamento de
cerca de US$ 263 milhões até 2026.ANG/RFI

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