Timor-Leste/Ramos-Horta defende sede da ONU nos Emirados Árabes Unidos
Bissau, 06 Fev 26 (ANG) – O Presidente de Timor-Leste, José Ramos-Horta, defendeu que a sede das Nações Unidas deveria ser nos Emirados Árabes Unidos, onde foi proclamada a Declaração sobre Fraternidade Humana para a Paz Mundial e a Convivência.
O
também prémio Nobel da Paz discursava quinta-feira durante a Cimeira Mundial de
Governos 2026, que decorreu no Dubai, após ter participado em Abu Dhabi
nas cerimónias da Fraternidade Humana.
O
Documento sobre a Fraternidade Humana para a Paz Mundial e a Convivência Comum
foi assinado em fevereiro de 2009 pelo Papa Francisco e pelo Grão Imã de
Al-Azhar, Ahmad Al-Tayyeb e representa um marco para a promoção da paz e a
convivência entre pessoas de diferentes religiões.
O
evento "consolidou o papel único que os Emirados Árabes Unidos passaram a
ter: um refúgio de paz, espaço de encontros entre inimigos, senhores da guerra
e diferentes fações políticas e tribais", afirmou o Presidente
timorense.
José
Ramos-Horta disse que talvez seja nos Emirados Árabes Unidos que uma nova ordem
mundial, baseada no espírito da Declaração sobre a Fraternidade Humana,
"emerja do caos moral da desordem global atual".
"Ao
imaginarmos esta nova ordem mundial, devemos começar a imaginar também uma nova
sede das Nações Unidas mais próxima dos dois terços da humanidade que vivem no
sul global, mais próxima geograficamente e com histórias partilhadas de
colonização e de lutas pela liberdade e dignidade", salientou o Presidente
timorense.
Ramos-Horta
considerou que a tolerância, a mediação e a solidariedade humanitária são três
princípios "indispensáveis à paz e estabilidade internacional" e que
a experiência dos Emirados Árabes Unidos merece destaque.
"Os
Emirados Árabes Unidos têm apresentado consistentemente tolerância, não apenas
como valor social, mas como quadro prático de convivência num mundo
diverso", disse o chefe de Estado.
Por
outro lado, afirmou José Ramos-Horta, têm demonstrado que o respeito pela
diversidade pode promover a coesão social e a estabilidade, além de se
posicionarem como "mediadores credíveis e pragmáticos", apesar de
discretos, e da assistência humanitária que têm disponibilizado.
"Tolerância,
mediação e ação humanitária estão profundamente interligadas. A tolerância
reduz as raízes do conflito, a mediação limita a sua escalada, e a assistência
humanitária aborda o custo humano", salientou.
"À
medida que os desafios globais se tornam mais complexos, esses exemplos
lembram-nos que diálogo, compaixão e engajamento internacional responsável
continuam a ser ferramentas essenciais para construir um mundo mais pacífico e
humano", acrescentou. ANG/Inforpress/Lusa

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