EUA/Morre aos 84 anos pastor
Jesse Jackson, ícone da luta pelos direitos civis
Bissau, 18 Fev 26 (ANG) - O pastor norte-americano Jesse Jackson, importante defensor dos direitos dos afro-americanos e aliado de Martin Luther King, morreu aos 84 anos, informou sua família em um comunicado divulgado nesta terça-feira (17).
“Seu compromisso inabalável com a justiça, a igualdade e os direitos humanos ajudou a moldar um movimento global pela liberdade e pela dignidade”, acrescentou a família.Jesse Jackson morreu “em paz, cercado
por seus familiares”, depois de uma longa batalha contra a doença de Parkinson,
anunciou ainda sua família no Instagram.
“Incansável artesão da mudança, ele deu
voz aos que não tinham voz [...] deixando uma marca indelével na história”,
afirmou o comunicado.
Ele nasceu quando os Estados Unidos
ainda eram marcados pela segregação racial e, durante sua vida, participou de
episódios decisivos na luta pela igualdade de direitos no país.
O
pastor estava em Memphis com Martin Luther King em 1968, quando o líder do
movimento pelos direitos civis foi assassinado. Também estava entre a multidão
que comemorava a vitória de Barack Obama em 2008. Em 2021, assistiu
ao lado da família de George Floyd o veredito histórico que condenou o
policial branco Derek Chauvin pelo assassinato do afro-americano.
Jackson
ganhou notoriedade nos anos 1960 ao trabalhar sob a liderança de Martin
Luther King na Southern Christian Leadership Conference, organização que
defendia os direitos civis com base na não-violência. Depois, fundou seu
próprio movimento, a Operation Push, hoje rebatizada Rainbow Push. A
organização defende os direitos das minorias, incluindo o direito ao voto, além
de prestar apoio financeiro a famílias negras em situação de vulnerabilidade e
ajudar a custear os estudos de milhares de crianças.
Muito antes de Barack Obama, Jesse
Jackson disputou as primárias democratas para as eleições presidenciais de 1984
e 1988. Foi o primeiro afro-americano a alcançar uma votação expressiva,
obtendo 20% e 30% dos votos, respectivamente. “Meu eleitorado é formado pelos
desesperados, os deserdados, os rejeitados, os desprezados”, declarou o pastor
batista na convenção democrata de 1984.
Com essas duas campanhas, ampliou sua
influência nacional e expandiu a agenda política do Partido Democrata para
incluir mais diretamente as lutas dos afro-americanos.
Em 1988, marcou o debate com um discurso
sobre o “ponto comum”, conclamando os americanos à união. “A ala esquerda, a
ala direita [...] são necessárias duas asas para voar.” Criticando a política
de Ronald Reagan, Jackson denunciou as desigualdades de um sistema que
descreveu como um “Robin Hood às avessas”, que favorecia os mais ricos e
abandonava os mais pobres.
Em 1992, pronunciou um discurso
emocionante na Convenção Nacional Democrata para apoiar a candidatura de Bill
Clinton. Ele convocou o partido a enfrentar os males sociais dos Estados
Unidos.
“Nem todos nascem abastados, com uma
colher de prata na boca e sapatinhos de cetim nos pés. Alguns de nós nascem
desamparados, sem esperança, sem chance alguma, abandonados, negligenciados,
sem teto, órfãos com dentes estragados, vesgos sem ilusões, feridos além do que
se pode medir. Mas alguém precisa reconhecer sua grandeza. Não podemos
abandoná-los, mas devemos ira até eles. Agora! Amando-os, cuidando deles.
Democratas, é esse o caminho. Venceremos. Merecemos vencer. Ergam-se. Não
desistam!”, afirmou.
O discurso foi concluído com o slogan:
“Mantenham a esperança viva!”. A convenção terminaria com a adoção de uma
plataforma que incluía a promessa de ampliar a cobertura de saúde.
Sua carreira também foi marcada por polémicas,
como o uso de um termo antissemita para se referir a Nova York em 1984, ou seu
apoio a Michael Jackson durante o julgamento do músico por abuso sexual de
menor em 2005.
O pastor também atuou como mediador e
enviado especial em diversos conflitos internacionais importantes. Em 1983, na
Síria, negociou com sucesso a libertação de um piloto da Marinha dos EUA detido
no país. Em 1990, no Iraque, pouco antes da Guerra do Golfo, pediu diretamente
a Saddam Hussein a libertação de dezenas de reféns americanos.
A partir de 1993, atuou como emissário
do presidente Bill Clinton para assuntos africanos, visitando Quénia, Zâmbia,
Libéria, Guiné, Serra Leoa, Gana e Nigéria, promovendo o processo democrático,
o diálogo e a reconciliação — pilares essenciais para a paz e o
desenvolvimento. Em 1999, após se reunir com o presidente iugoslavo
Slobodan Milosevic, contribuiu para a libertação de três prisioneiros de guerra
americanos.
Ferrenho opositor do apartheid na África do Sul, esteve presente no centenário do Congresso Nacional Africano “Podemos nos orgulhar do ANC. Mas há desafios. Um deles é que o apartheid não acabou. Eliminamos o apartheid humilhante baseado na cor da pele, mas não o das terras, das minas, dos bancos, das fábricas, das infraestruturas. Há liberdade na África do Sul, mas não há igualdade. Esse será o próximo desafio, e estou certo de que a África do Sul será capaz de enfrentá-lo”, declarou. ANG/RFI/AFP

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