Portugal/Grupo de países defensores do oceano pede "travão" na mineração submarina
Bissau, 12 Fev 26(ANG) – O grupo de países que se apresentam como pioneiros da proteção do oceano (Ocean Pioneers) vai apelar aos países que travem a mineração submarina, a exploração de depósitos minerais no fundo oceânico.
O
apelo para que os países adotem uma moratória ou uma pausa na mineração
submarina “poderá ter um papel muito grande, principalmente numa altura em que
a administração norte-americana está a procurar estimular a mineração submarina
no mar internacional, apoiando as poucas empresas que estão interessadas em
desenvolver esta atividade”, afirmou à Lusa Tiago Pitta e Cunha, diretor
executivo da Fundação Oceano Azul, entidade que secretariou a primeira reunião
de trabalho do grupo, que terminou hoje em Lisboa.
“Há
aqui um grande apelo a que se respeite o direito internacional, que se cumpra o
direito do mar internacional e que as coisas sejam todas resolvidas e decididas
dentro da Autoridade Internacional dos Fundos Marinhos. E foi esse o
alinhamento que foi aqui, digamos assim, conseguido”, adiantou.
A
Autoridade Internacional dos Fundos Marinhos é a agência das Nações Unidas que
regula a mineração submarina em águas internacionais, o oceano que fica fora
das áreas sob jurisdição nacional.
O
grupo Ocean Pioneers, constituído por ministros e embaixadores, que se reuniu
em Lisboa de segunda até hoje foi lançado na terceira Conferência do Oceano das
Nações Unidas em junho de 2025 pelo governo francês. Teve a sua primeira
reunião inaugural em setembro deste ano, à margem da Assembleia Geral das
Nações Unidas, em Nova Iorque.
A
primeira reunião de trabalho correu “excecionalmente bem” com a presença de
vários ministros, tendo Portugal sido representado pelo secretário de Estado do
Mar, disse Tiago Pitta e Cunha.
Os
países discutiram ainda o Tratado do Alto Mar (que entrou em vigor a 17 de
janeiro e que visa preservar as áreas marinhas fora da jurisdição nacional) e a
sua implementação e o papel do oceano nas COP do clima (conferências do clima
das Nações Unidas).
“Houve
um terceiro tema, que é um tema que diz muito à Fundação Oceano Azul, uma vez
que nós temos trabalhado muito nesta matéria de conseguir levar o oceano para
dentro das decisões, das deliberações climáticas. Eu acho que a maior parte das
pessoas pode não ter a ideia de que o Acordo de Paris não considera o oceano. O
oceano não existe para o Acordo de Paris, que é extraordinário. É como se nós
vivêssemos num planeta em que só houvesse terra e não houvesse mar”, constatou.
Podem
aderir aos Ocean Pioneers todos os países que tiverem ratificado o Tratado do
Alto Mar, como foi o caso de Portugal, e que tenham também declarado
publicamente apoio à moratória ou à pausa por precaução da mineração submarina.
Nessas condições estão 30 países.
Nesta
reunião de Lisboa, além do Brasil e das Ilhas Marshall que participaram como
observadores, estiveram presentes a Costa Rica, Chile, Fiji, França, Grécia,
Irlanda, Malta, México, Panamá, Portugal, Roménia, Espanha e Tuvalu. ANG/Inforpress/Lusa

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