EUA/Israel é responsável por 2/3 das mortes de
jornalistas em 2025, aponta ONG norte-americana
Bissau, 25 Fev 26 (ANG) - Um número recorde de 129 jornalistas e profissionais da mídia foi morto em todo o mundo em 2025, informou nesta quarta-feira (25) o Comitê para a Proteção dos Jornalistas (CPJ), atribuindo a Israel dois terços das mortes.
Foi o segundo recorde anual
consecutivo de mortes na imprensa e o ano mais letal desde que esta ONG
norte-americana, sediada em Nova York, começou a coletar dados, há mais de três
décadas.
“Os jornalistas estão
sendo mortos em números recordes num momento em que o acesso à informação é
mais importante do que nunca”, afirmou a diretora-executiva Jodie Ginsberg em
comunicado. “Todos nós estamos em risco quando jornalistas são mortos por
reportar as notícias.”
O relatório do CPJ
mostra que a violência contra profissionais da imprensa voltou a se concentrar
sobretudo em zonas de conflito. Mais de três quartos das mortes registradas ao
longo de 2025 ocorreram em cenários de guerra ou de forte instabilidade,
segundo a organização.
O impacto do conflito
em Gaza foi particularmente devastador. Entre os 86 jornalistas mortos por
disparos israelenses ao longo do ano, mais de 60% eram palestinos que
trabalhavam dentro do enclave, segundo o relatório. As autoridades israelenses
reiteram que não miram deliberadamente profissionais de imprensa, embora os números
levantados pela ONG sugiram um risco cada vez maior para quem cobre a guerra no
terreno.
Outros conflitos
também se agravaram para a imprensa. Ucrânia e Sudão, que já figuravam entre os
países mais perigosos para jornalistas desde 2022, registraram aumento no
número de mortes em 2025, mantendo um ambiente hostil para a cobertura
independente dos confrontos.
O CPJ também chamou
atenção para o uso crescente de drones em ataques contra profissionais da
imprensa. A ONG documentou 39 ocorrências ao longo de 2025, entre elas 28
mortes atribuídas a Israel em Gaza e cinco às Forças de Apoio Rápido, o grupo
paramilitar que atua no Sudão.
Na Ucrânia, o relatório regista que quatro jornalistas perderam a vida após
ataques de drones militares russos, número que representa o pior balanço anual
no país desde 2022, quando 15 profissionais foram mortos durante a cobertura da
guerra.
A organização alerta
ainda para o avanço de uma cultura de impunidade, que deixa repórteres
especialmente expostos. Segundo o CPJ, a ausência de investigações
transparentes sobre assassinatos continua a alimentar o ciclo de violência
contra a imprensa.
Essa falta de
responsabilização aparece de forma evidente em países como o México, onde seis
jornalistas foram mortos em 2025 sem que qualquer um dos casos tenha sido
esclarecido, e nas Filipinas, que registraram três repórteres assassinados a
tiros ao longo do ano.
O relatório também
destaca episódios motivados por coberturas de suspeita de corrupção. Em
Bangladesh, por exemplo, um jornalista foi morto a golpes por suspeitos ligados
a um esquema de fraude que ele investigava. Situações semelhantes, relacionadas
ao crime organizado, apareceram ainda na Índia e no Peru.
No Oriente Médio, o
documento aponta para um caso particularmente grave: o do colunista Turki al‑Jasser,
executado pelo Estado saudita após ser condenado, de acordo com a ONG,
com base em “acusações espúrias de segurança nacional e crimes financeiros”,
usadas para punir repórteres. Trata‑se do primeiro assassinato de um jornalista
documentado na Arábia Saudita desde o caso de Jamal Khashoggi, em 2018.ANG/RFI

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