Irã/ Governo contesta 'mentiras' de Trump sobre
mísseis capazes de atingir EUA e 'ambições nucleares sombrias'
Bissau, 25 Fev 26 (ANG) - O Irã rejeitou esta quarta‑feira as “grandes mentiras” atribuídas aos Estados Unidos, após Donald Trump acusar Teerã de desenvolver mísseis capazes de atingir em breve o território norte‑americano e de manter “ambições nucleares sombrias”.
Os Estados Unidos, que intensificaram
as ameaças de ataque diante da possibilidade de fracasso da via diplomática nas
negociações de um acordo com as autoridades iranianas, mobilizaram um amplo
dispositivo militar na região do Golfo.
“Tudo o que eles afirmam sobre o programa
nuclear iraniano, os mísseis balísticos do Irã e o número de vítimas durante os
distúrbios de janeiro não passa da repetição de grandes mentiras”, declarou na
rede X o porta-voz do ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmail Baghai.
Horas antes, Trump
havia afirmado, em seu discurso sobre o Estado da União diante do Congresso, em
Washington, que o Irã já havia “desenvolvido mísseis que podem ameaçar a Europa
e nossas bases” militares e trabalhava na concepção de mísseis “que em breve
poderão alcançar os Estados Unidos”.
“Eles (...) continuam atualmente suas sombrias
ambições nucleares”, acrescentou o presidente americano, que tenta obter um
acordo que garanta, em especial, que o Irã não adquira a bomba atómica.
“Minha preferência é
por uma resolução desse problema por meio da diplomacia, mas uma coisa é certa:
nunca permitirei que o principal patrocinador mundial do terrorismo (...)
adquira uma arma nuclear”, prosseguiu. “Eles querem fechar um acordo, mas ainda
não ouvimos estas palavras-chave: ‘Nunca teremos a arma nuclear’”, insistiu.
O ministro das
Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, havia afirmado anteriormente que
seu país estava “determinado a alcançar um acordo justo e equilibrado, o mais
rapidamente possível”. Ele mencionou uma “oportunidade histórica de
concluir um acordo sem precedentes que leve em conta” os interesses mútuos. “Um
acordo está ao alcance, mas somente se a diplomacia for priorizada”,
acrescentou.
Teerã nega ambições nucleares militares, mas insiste em seu direito ao
uso civil da energia nuclear, conforme o Tratado de Não Proliferação (TNP), do
qual é signatário.
Irã e Estados Unidos,
que retomaram o diálogo em 6 de fevereiro, realizaram cinco rodadas de
negociações nucleares no ano passado, interrompidas abruptamente pela guerra de
12 dias desencadeada em junho por um ataque israelense, durante a qual
Washington bombardeou instalações nucleares iranianas.
O presidente
americano também afirmou que as autoridades iranianas mataram 32 mil pessoas na
repressão a uma onda inédita de protestos que atingiu o auge nos dias 8 e 9 de
janeiro.
O governo teocrático
iraniano reconhece mais de 3 mil mortos nessas manifestações, mas atribui a
violência a “atos terroristas” orquestrados pelos Estados Unidos e por Israel.
A organização Human
Rights Activists News Agency (HRANA), sediada nos Estados Unidos, contabilizou
mais de 7 mil mortos, em sua maioria manifestantes, destacando que o número
real provavelmente é muito maior.
No Irã, estudantes das universidades de teerã voltaram a se manifestar
contra o governo desde retomada das aulas no sábado.
A porta-voz do
governo, Fatemeh Mohajerani, reconheceu na terça-feira que eles têm “o direito
de se manifestar”, mas os advertiu para não ultrapassar “linhas vermelhas”.
Vídeos divulgados nas
redes sociais e autenticados pela AFP mostraram estudantes queimando a bandeira
da República Islâmica e gritando, entre outros slogans, “Morte ao ditador”, em
referência ao líder supremo, Ali Khamenei.
Segundo um morador de
Teerã, entrevistado por um jornalista da AFP baseado no exterior, os protestos
se limitam às grandes universidades.
ANG/RFI/ AFP

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