Médio Oriente/Cessar‑fogo frágil e impasses ameaçam negociações entre EUA e Irã no Paquistão
Bissau, 10 Abr 26 (ANG) - O Paquistão deverá receber delegações iranianas e americanas para negociações nesta sexta-feira (10), mas a participação de Teerã é incerta após os ataques aéreos israelenses que mataram mais de 300 pessoas no Líbano na quarta-feira (8).
Os bombardeios ocorreram horas após a entrada em vigor
de um cessar-fogo negociado com os Estados Unidos (EUA), na noite de
terça-feira (7).
Os ataques ao
Líbano, onde Israel combate o grupo Hezbola, aliado do regime iraniano, foram
os mais agressivos desde o início da guerra de Estados Unidos e Israel
contra o Irã, em 28 de Fevereiro.
“A realização de negociações com o objetivo de pôr fim à guerra
depende do respeito dos Estados Unidos aos seus compromissos de cessar-fogo em
todas as frentes, particularmente no Líbano", disse o porta-voz do
Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmail Baghai, conforme relatado
pela agência de notícias ISNA.
No anúncio da trégua, o
Paquistão, que atua como mediador das conversas no conflito, afirmou
que o acordo se aplicaria "em todos os lugares, incluindo o
Líbano” – o que foi negado tanto por israelenses quanto por americanos.
Em Islamabad, as negociações previstas para este sábado (11) serão realizadas em um hotel de luxo, sob forte esquema de segurança. O vice-presidente dos EUA, JD Vance, deverá chefiar a delegação americana, ao lado do enviado especial Steve Witkoff e de Jared Kushner, genro de Donald Trump, anunciou a Casa Branca.
O presidente dos Estados Unidos disse
à NBC News que estava "muito otimista" quanto à
possibilidade de se chegar a um acordo de paz, apesar das divergências com o
Irã.
O desfecho das negociações é incerto,
entre um acordo real, o prolongamento estratégico das conversas ou uma
nova crise. Em editorial, o jornal francês Les Echos lembra
que o presidente americano costuma adiar decisões e evitar resolver
questões centrais, além de ter o histórico de abandonar acordos internacionais
importantes.
O lado iraniano demonstra menos otimismo
do que Trump: pouco depois de anunciar na rede social X a chegada de
uma delegação iraniana ao Paquistão, na noite de quinta-feira, o embaixador
iraniano em Islamabad apagou a publicação. No Irã, o primeiro grande
jornal da televisão estatal não mencionou as negociações, na manhã desta
sexta-feira.
"As notícias veiculadas por alguns
meios de comunicação de que uma equipe de negociadores iranianos teria chegado
a Islamabad, no Paquistão, para negociar com os americanos são completamente
falsas", informou a agência de notícias iraniana Tasnim, citando uma fonte
anónima.
"Enquanto os Estados Unidos não
respeitarem seu compromisso de cessar-fogo no Líbano e o regime sionista
continuar seus ataques, as negociações serão suspensas”, completou o texto.
No Paquistão, o ministro da Defesa,
Khawaja Asif, chamou Israel de "maligno" na noite de quinta-feira, no
X, e acusou o país de cometer crimes de guerra no Líbano, antes de apagar
sua publicação.
O Líbano foi arrastado para o conflito
pela atuação do Hezbollah, que atacou Israel em retaliação ao assassinato
do líder supremo iraniano, Ali Khamenei, no primeiro dia da guerra.
A ONU expressou séria preocupação com a
continuidade da campanha israelense, enquanto Paris, Londres e Ancara pediram a
inclusão do Líbano no cessar-fogo.
O Libération afirma
em manchete que o Estreito de Ormuz é a principal carta do Irã nas
negociações. O tráfego marítimo nessa passagem estratégica para o comércio
mundial continua quase paralisado.
O
regime iraniano tenta manter o controle do estreito, mesmo contrariando o
direito internacional marítimo.
Poucos navios atravessaram a região após
o anúncio da trégua, o que contradiz o discurso americano e reforça a percepção
de que o cessar‑fogo é pouco convincente.
As regras de circulação no estreito,
acrescenta o Libération, seguem confusas e contraditórias.
O
diário Le Figaro salienta que o presidente americano demonstra
impaciência crescente e passou a responsabilizar os aliados da Otan pelo
fracasso da ofensiva contra o regime iraniano.
Na madrugada de sexta-feira, sirenes de alerta aéreo soaram em Israel, inclusive em Tel Aviv, informou o exército israelense, após o lançamento de foguetes do Líbano.ANG/RFI
Depois da meia-noite, o Hezbollah
reivindicou a autoria de diversos ataques com foguetes e drones, incluindo
disparos contra "grupos de soldados" em ambos os lados da fronteira
entre o Líbano e Israel, e outro contra uma cidade fronteiriça israelense.
Em resposta à escalada das tensões, um
oficial americano afirmou que conversas entre o Líbano e Israel também estão
agendadas para a próxima semana em Washington. O Hezbollah rejeitou a iniciativa.
O primeiro-ministro israelense, Benjamin
Netanyahu, ordenou seu gabinete a iniciar "negociações diretas" com
Beirute. Mas o Líbano insiste em "um cessar-fogo antes do início de
qualquer negociação", disse à AFP um oficial libanês, falando
sob condição de anonimato. ANG/RFI/AFP

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