quarta-feira, 17 de junho de 2026

Dia da Criança Africana/”O Estado deve atribuir maior prioridade aos setores sociais, particularmente à educação e saúde”, diz Formador da Aldeia SOS

Bissau, 17 Jun 26 (ANG) – O Colaborador e Formador na Área dos Direitos da Criança, da Aldeia SOS-GB, defendeu, terça-feira, que o Estado deve dar   prioridade aos setores sociais, particularmente à educação e saúde.

Silvano Braba, falava  durante uma Edição Especial de debate dedicada à quinzena dos Direitos das Crianças, e da celebração do Dia  da Criança Africana.

Silvano Braba defendeu que a Aldeia das Crianças Guiné-Bissau (SOS-GB) está preocupada com cerca de 150 mil crianças que de momento se encontram fora do sistema educativo nacional, e com aproximadamente 250 mil das mesmas que não possuem documentos de identificação civil.

Segundo Braba, os investimentos continuam insuficientes para responder às necessidades das crianças guineenses, “pois o Estado  investe pouco nos serviços sociais básicos, e limita-se em grande parte, ao pagamento de salário”.

Aquele responsável destacou ainda que, muitas famílias percorrem entre 10 e 20 quilómetros para chegar á uma unidade sanitária.

“Estas dificuldades levam muitas pessoas a recorrer à medicina tradicional, em detrimento da medicina convencional, situação que  acaba por agravar os desafios relacionados com a saúde materno-infantil”, disse Braba.

Para Adulciana dos Santos,  agente da Polícia Judiciária (PJ) da Brigada de Combate aos Crimes Contra Mulheres e Crianças é preocupante a persistência dos abusos sexuais contra menores, sobretudo no seio familiar.

“A Brigada regista semanalmente entre três e quatro processos relacionados com abusos sexuais de crianças, por isso, pedimos o reforço das ações de prevenção, denuncias e proteção das vitimas”, disse Adulciana.

Sublinhou  que, embora o assédio sexual não esteja especificamente tipificado como crime na legislação guineense,  trata-se de uma conduta que pode abrir caminho para a prática de crimes sexuais mais grave.

O  debate realizado no quadro da celebração da Quinzena dos Direitos da Criança e do Dia da Criança Africana  teve a duração de um dia, e serviu para os participantes refletirem sobre os principais desafios enfrentados pelas crianças na Guiné-Bissau, principalmente as relacionadas ao  acesso à educação, saúde e à  documentação civil. ANG/LLA/ÂC//SG

  

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