quarta-feira, 17 de junho de 2026

França/G7 amplia pressão sobre Rússia e Trump promete agir por acordo para encerrar guerra na Ucrânia

Bissau, 17 Jun 26 (ANG) - Os líderes do G7 defenderam  terça-feira (16) em Evian, na França, o aumento da pressão sobre a Rússia para encerrar a guerra na Ucrânia, com novas sanções e reforço militar a Kiev.

O presidente norte-americano, Donald Trump, prometeu intensificar sua atuação para um acordo e se reuniu com Volodymyr Zelensky. O grupo discute atingir receitas energéticas russas e ampliar apoio à defesa ucraniana, enquanto avalia possíveis caminhos diplomáticos.

Os líderes do G7 reunidos em Evian, nos Alpes franceses, sinalizaram nesta terça-feira (16) uma disposição comum de ampliar a pressão sobre Moscou para interromper a guerra na Ucrânia, combinando novas sanções econômicas com reforço ao apoio militar a Kiev.

 A iniciativa ganhou impulso com a participação do presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, e com uma mudança de tom do presidente norte-americano, Donald Trump. 

Durante o encontro, Trump afirmou que pretende “fazer tudo o que puder” para pôr fim ao conflito e declarou que “a Rússia deveria concluir um acordo”. O presidente disse estar motivado pelo número elevado de vítimas.

“A única razão pela qual me envolvo é que não gosto de ver 25.000 jovens morrerem todos os meses”, afirmou, ao mencionar perdas tanto do lado russo quanto do ucraniano.

Os Estados Unidos estavam "focados no Irã", reconheceu o presidente americano. Mas "isso ficará para trás", garantiu, após o protocolo de entendimento firmado com o Irã no domingo.

Além disso, o presidente norte-americano afirmou, em sessão dedicada à “consolidação da paz na Ucrânia”, que tanto Zelensky quanto o presidente russo,Vladimir Putin,desejam uma saída para o conflito, sinalizando expectativa de abertura para negociações, apesar do impasse atual.

O encontro entre Trump e Zelensky ocorreu na manhã desta terça-feira e durou cerca de 20 minutos, com previsão de nova conversa ao longo do dia.

 A relação entre os dois vinha sendo marcada por atritos, e a última reunião havia ocorrido no fim de Dezembro, na residência do presidente norte-americano em Mar-a-Lago, na Flórida.

Zelensky chegou a Evian com a meta de obter apoio unificado das principais economias industrializadas – Alemanha, Canadá, Estados Unidos, França, Itália, Japão e Reino Unido – a uma linha mais dura contra Moscou. Ele foi recebido pelo presidente francês, Emmanuel Macron, antes de uma reunião bilateral reservada.

Na véspera, após novos bombardeios russos com vítimas civis na Ucrânia, o líder ucraniano havia reiterado o pedido por “mais pressão sobre o agressor e mais apoio à defesa aérea da Ucrânia”, reforçando a urgência de medidas práticas no encontro.

Segundo uma fonte diplomática francesa, todos os líderes do G7 expressaram apoio à Ucrânia, que deve se traduzir no envio adicional de equipamento militar, dentro de um esforço mais coordenado para sustentar a capacidade defensiva de Kiev.

Os países também concordaram em “aumentar a pressão” sobre a Rússia por meio de sanções direcionadas ao setor de hidrocarbonetos, principal fonte de financiamento do esforço militar russo, incluindo petróleo e gás natural.

Além disso, os líderes discutem ampliar o fornecimento de equipamentos militares à Ucrânia, com foco em sistemas de defesa antiaérea e capacidades destinadas a consolidar posições já conquistadas no campo de batalha.

Zelensky reagiu positivamente à sinalização de união demonstrada pelos países. “É fundamental que todos compreendam que a Rússia não vencerá e que devemos pressionar Putin para que coloque fim a esta guerra”, afirmou. O presidente ucraniano foi convidado por Macron a permanecer até o encerramento da cúpula, na quarta-feira.

Nos últimos meses, o apoio dentro do G7 vinha sendo liderado sobretudo por países europeus e pelo Canadá.

Agora, há indicação de maior alinhamento com Washington, o que pode alterar o equilíbrio de forças nas negociações internacionais sobre o conflito.

O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, anunciou que o Reino Unido fornecerá urânio enriquecido à Ucrânia para abastecer suas usinas nucleares civis, além de impor novas sanções à Rússia.

 Já o primeiro-ministro canadense, Mark Carney, detalhou medidas contra a chamada “frota fantasma” usada por Moscou para contornar sanções, bem como contra receitas energéticas, a indústria de defesa e redes de desinformação.

No campo militar, recentes ataques de drones ucranianos em território russo colocaram Vladimir Putin em posição defensiva, segundo avaliação de fontes diplomáticas, em um momento de intensificação das operações dos dois lados.

Na segunda-feira, o chanceler alemão, Friedrich Merz afirmou, de forma cautelosa, que “pela primeira vez, uma janela pode lentamente se abrir para a diplomacia”, indicando expectativa moderada de avanço em negociações.

Também na segunda-feira, o presidente do Conselho Europeu, António Costa, ressaltou que “a unidade e a determinação do G7 são essenciais” para encerrar o conflito. A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, afirmou que a Rússia apresenta fragilidade crescente, dizendo que sua “economia de guerra nunca foi tão fraca”.

Apesar dessas avaliações, o presidente russo tem mantido posição rígida em relação às condições para qualquer acordo. Não há, até o momento, indicações concretas de concessões por parte de Moscou.

Zelensky revelou ter discutido com Trump a possibilidade de um encontro direto com Putin em território norte-americano. “Falamos sobre a organização de uma reunião nos Estados Unidos, em um formato que seria mais difícil para Putin recusar”, escreveu o presidente ucraniano na rede X. “Veremos no que isso dará.”

Zelensky participou de uma série de reuniões com os líderes do G7 ao longo do encontro, numa tentativa de reativar o diálogo diplomático e, ao mesmo tempo, reforçar o papel dos países europeus na busca por uma saída para a guerra.

O conflito, que já dura mais de quatro anos, permanece marcado por elevada letalidade e por sucessivos impasses nas tentativas de negociação entre Kiev e Moscou.

Além da guerra na Ucrânia, o G7 mantém o Oriente Médio como tema central da agenda. Os líderes discutiram a situação regional com representantes do Egito, do Catar e dos Emirados Árabes Unidos, convidados a participar das conversas em Evian.

O encontro na cidade francesa, iniciado na segunda-feira e com duração de três dias, ocorre em um contexto de acúmulo de crises internacionais simultâneas, o que aumenta a pressão sobre as grandes potências por respostas coordenadas.

Ao final da cúpula, a expectativa é a formalização de medidas que combinem sanções ampliadas, reforço militar à Ucrânia e esforços diplomáticos ainda incipientes para tentar encerrar o conflito. ANG/RFI/AFP

 

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