Politica/Governo rejeita interferência da missão de CEDEAO nos assuntos internos da Guiné-Bissau
Bissau, 01 Jun 26 (ANG) - O Governo repudia, em comunicado, interpretações de que a recente missão militar da CEDEAO tenha interferido em assuntos internos da Guiné-Bissau ou ter tentado contra a soberana nacional.
O
Executivo de Transição diz que a atuação
da Missão militar da CEDEAO decorreu em
estrita observância do seu mandato regional e em respeito pelos princípios da soberania, independência e integridade territorial do Estado guineense.
A
diretoria de campanha do ex-candidato presidencial, Fernando da Costa acusou a
mais recente missão da CEDEAO ao pais, de interferência em assuntos internos da
Guiné-Bissau, por o chefe dessa missão militar ter declarado, no fim da missão,
que a revisão constitucional feita pelo Conselho Nacional de Transição(actual
parlamento) vai ser submetida ao referendo popular para sua validação.
O
Governo reafirma que a Missão da CEDEAO foi recebida oficialmente pelas
autoridades nacionais no quadro do mandato conferido pela Autoridade dos Chefes
de Estado e de Governo da Organização, visando apoiar os esforços nacionais
para a consolidação da paz, estabilidade
política, ordem constitucional e preparação do processo de transição.
Acrescenta
que durante as consultas realizadas, a Missão limitou-se a partilhar e discutir
com as autoridades competentes da República, diferentes opções inscritos do
roteiro politico em apreciação, sem que, em momento algum, tenha procurado
substituir as instituições nacionais ou tomar decisões em nome do Estado da
Guiné-Bissau.
“O
Governo esclarece, por conseguinte, que qualquer referência a um eventual
processo de revisão constitucional ou realização de um referendo deve ser entendida
exclusivamente como parte das opções políticas discutidas no âmbito do diálogo
institucional entre as partes, não constituindo uma decisão imposta ou anunciada
pela CEDEAO”, refere o comunicado.
O
Governo reafirma ainda que, qualquer alteração da Constituição da República ou
qualquer outra decisão relativa à organização constitucional do Estado apenas
poderá resultar de mecanismos previstos no ordenamento jurídico nacional e da
vontade soberana do povo guineense, expressa através das instituições
constitucionalmente competentes.
De
acordo com comunicado, a República da Guiné-Bissau mantém uma relação de
confiança e cooperação com a CEDEAO, reconhecendo o importante papel
desempenhado pela Organização na promoção da paz, da estabilidade, da
democracia e da integração regional, sempre no respeito pela soberania dos seus
Estados-Membros
"Neste momento
particularmente sensível da vida nacional, o Governo apela a todos os atores
políticos, sociais e institucionais para que privilegiassem a responsabilidade,
contenção e o diálogo construtivo,
evitando declarações suscetíveis de gerar interpretações erróneas, alimentar
tensões desnecessárias ou comprometer os esforços coletivos de consolidação da
paz e da estabilidade,"
lê-se no comunicado.
O
Executivo declara que continuará a
trabalhar, em estreita colaboração com os parceiros nacionais e internacionais,
para assegurar uma transição política inclusiva, pacífica e transparente,
garantindo que todas as decisões estruturantes para o futuro da República sejam
tomadas, exclusivamente, em respeito à Constituição, às leis da República e vontade soberana do povo guineense. ANG/MI/ÂC//SG

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