quinta-feira, 19 de março de 2020

Costa do Marfim


                   Guillaume Soro acusa Ouattara de preparar golpe

Bissau, 19 mar 20 (ANG) - O opositor e candidato à Presidência da Côte d'Ivoire, Guillaume Soro, acusou o actual chefe de Estado, Alassane Ouattara, de estar a preparar um golpe digno de Vladimir Putin ao promover a candidatura do actual primeiro-ministro.

"Alassane Ouattara está a preparar um golpe baixo digno de Vladimir Putin quando, em 2008, se fez substituir por Dmitry Medvedev à frente da Rússia, antes de voltar à Presidência em 2012", disse Guillaume Soro, em entrevista ao jornal francês Le Fígaro.
Antigo líder rebelde, ex-primeiro-ministro e ex-presidente da Assembleia Nacional, Guillaume Soro, 47 anos, está exilado em Paris desde Dezembro por ser alvo de um mandado de detenção na Côte d’Ivoire.
Em tempos aliado do presidente Alassane Ouattara, o actual líder do partido "Générations et Peuples Solidaires" (GPS) entrou em ruptura com o chefe de Estado, tendo anunciado a sua candidatura às eleições presidenciais no país, marcadas para Outubro.
Na quinta-feira, o actual primeiro-ministro da Côte d’Ivoire, Amadou Gon Coulibaly, foi nomeado candidato do partido do Governo, depois do presidente Alassane Ouattara ter renunciado à candidatura a um terceiro mandato.
Alassane Ouattara, que presidiu à reunião do Conselho Político da União dos Houphouëtistas pela Paz e Democracia (RHDP, na sigla em francês) saudou a escolha do partido e prometeu apoio à candidatura.
Com 78 anos, Ouattara está a cumprir o seu segundo mandato, depois de ter sido eleito para presidente da República em 2010 e reeleito em 2015.
Chefe de Governo desde 2017, Gon Coulibaly, com 61 anos, fez toda a sua carreira política à sombra do presidente Ouattara, tendo sido secretário-geral da Presidência da República até ser nomeado primeiro-ministro.
Nas fileiras do RHDP, a escolha de Gon Coulibaly não foi consensual, com alguns membros do partido, à coberto do anonimato, a questionarem a pertinência da candidatura e a assinalarem a falta de carisma do candidato.
"Alassane Ouattara quer catapultar o seu actual primeiro-ministro Amadou Gon Coulibaly para a presidência e reservar a possibilidade de que este o nomeie vice-presidente, cargo criado pela revisão constitucional", acusou Soro.
O candidato opositor acredita que nem os antigos presidentes Henri Konan Bedié, 86 anos, e Laurent Gbagbo, 75 anos, nem qualquer líder da oposição quererão ser "cúmplices" do que considera "uma manobra grosseira", uma vez que o partido de Ouattara não tem maioria qualificada no parlamento.
Alassane Ouattara, que promoveu alterações à Constituição em 2016, acredita ser legítima a sua candidatura a um terceiro mandato, mas optou por não avançar, uma decisão que está a ser encarada pela oposição como uma manobra que permitirá ao actual chefe de Estado continuar a exercer o poder na retaguarda.
Guillaume Soro compara ainda a intenção anunciada por Ouattara de promover novas alterações à Constituição por via parlamentar a "um golpe".
"Em primeiro lugar, tal reforma requer normalmente um longo diálogo prévio com as populações e a formação de uma assembleia constituinte para trabalhar na elaboração de uma nova lei fundamental", disse Soro.
Apontou, por outro lado, que os regulamentos da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO), à qual a Côte d’Ivoire pertence, proíbem a alteração de uma Constituição seis meses antes da data das eleições presidenciais.
"Será esse o caso uma vez que a nova lei deverá ser adoptada pelo parlamento da Côte d’Ivoire na primavera e as eleições estão previstas, em princípio, para 31 de Outubro", disse.
Guillaume Soro, que é apontado pelos analistas políticos como um sério candidato às presidenciais por causa da sua popularidade entre os jovens, é acusado pela justiça da Côte d’Ivoire de ter preparado "uma insurreição civil para tomar o poder".
Num caso separado, foi também acusado de desvio de fundos públicos, ocultação dos fundos desviados e lavagem de dinheiro.
As forças de segurança detiveram familiares e apoiantes de Soro, incluindo cinco deputados, a quem foi levantada a imunidade parlamentar.
Entretanto, o  senado e a Assembleia Nacional ivoirienses reunidos terça-feira, 17, em congresso, aprovaram por 246 votos e dois contra, a revisão constitucional proposta pelo Presidente da República, Alassane Ouattara.
O projecto, criticado pela oposição, foi adoptado por uma maioria de dois terços dos 344 deputados e senadores , prevendo, entre outras alterações, que o vice-presidente da República não seja eleito mas sim indigitado pelo Presidente da República eleito.
Com um clima político tenso, as eleições presidenciais realizam-se quando passam 10 anos da crise pós-eleitoral de 2010-2011, que causou 3.000 mortos.ANG/Angop


África/Coronavírus


                       OMS apela continente a se preparar para o “pior”

Bissau, 19 mar 20 (ANG) - A Organização Mundial da Saúde (OMS) apelou terça-feira, a África a “acordar” face a ameaça do  novo coronavirus, sublinhando que o continente deve preparar-se para o “pior”.
“O melhor conselho para a África é preparar-se para o pior, a partir de agora”, disse o director-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, durante uma conferência de imprensa virtual.
Segunda-feira, 15, a secretária executiva da Comissão Económica da ONU para a África (CEA), Vera Songwe, alertou sobre os riscos de penúrias de medicamentos e alimentos no continente africano, por causa do Coronavirus.
Em entrevista ao jornal francês “Le Monde Afrique”, a camaronesa ao serviço da ONU explicou que um estudo recente feito pela instituição que dirige indica que em 2020 o crescimento vai baixar.
“Em 2020, o crescimento económico africano vai baixar de 3,2 % para 1,8 %, essencialmente por causa das interrupções nas relações comerciais”, explicou.
África importa quase 94 por cento de medicamentos, 55 por cento dos quais da Europa, cinco  por cento da China, além dos 70 por cento de bens alimentares de primeira necessidade, argumentou.
Em África, referiu, as infecções do Coronavirus passaram de 60 para 300 casos confirmados.
Calcula-se que em 2020, o OGE da Nigéria, cujo petróleo representa 91por cento das exportações e que previa a venda do baril a 57 dólares, perca 19 mil milhões de dólares.
Da lista constam também a Guiné Equatorial, onde o petróleo representa 96 por cento das exportações e 38 por cento do PIB, bem como a Líbia e o Gabão que dependem do crude, mas que não investiram na diversificação das economias.ANG/Angop

Covid-19


         Quase metade da população escolar mundial está sem aulas
Bissau, 19 mar 20 (ANG) - Mais de 850 milhões de crianças e jovens em todo o mundo, quase metade da população escolar mundial, estão sem aulas devido às medidas de contenção para travar a propagação do novo coronavírus, anunciou hoje a UNESCO.
Segundo a Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO), estes dados são relativos a terça-feira, com a agência internacional a estimar que os números vão continuar a aumentar, à semelhança do que tem acontecido nos últimos dias.
Em declarações feitas na terça-feira ao serviço de notícias ONU News, o representante da UNESCO, Vincent Defourny, referiu que os números disponíveis até então apontavam que mais de 776,7 milhões de crianças e jovens em todo o mundo estavam fora das salas de aulas por causa do novo coronavírus.
Os números divulgados  pela UNESCO referem que, até terça-feira, 102 países tinham todos os estabelecimentos de ensino (incluindo universidades) encerrados a nível nacional. E outros 11 países tinham encerramentos parciais, em zonas específicas dos respectivos territórios.
A UNESCO frisou que a actual situação representa "um desafio sem precedentes" para o sector da educação.
Nas declarações feitas na terça-feira, Vincent Defourny disse que a UNESCO está a trabalhar, juntamente com as autoridades dos países, para procurar soluções que permitam uma aprendizagem à distância e inclusiva.
A UNESCO tem destacado que o encerramento dos estabelecimentos de ensino, mesmo que seja temporário, representa um custo social e económico alto, lembrando, por exemplo, questões relacionadas com a alimentação das crianças, uma vez que muitos menores ficam sem alimentos a que têm acesso na escola.
O coronavírus responsável pela pandemia da Covid-19 infectou, até à data, mais de 194 mil pessoas, das quais mais de 7.800 morreram.
Das pessoas infectadas em todo o mundo, mais de 81 mil recuperaram da doença.
O surto começou na China, em Dezembro, e espalhou-se por mais de 150 países e territórios, o que levou a Organização Mundial da Saúde (OMS) a declarar uma situação de pandemia.
Depois da China, a Europa tornou-se o epicentro da pandemia. ANG/Angop

quarta-feira, 18 de março de 2020

Covib-19


             África toma fortes medidas para conter propagação do vírus

Bissau, 18 mar 20 (ANG) - Muitos países africanos tomaram fortes medidas nos últimos dias para evitar que a Covid-19 se espalhe incontrolavelmente pelo continente, que até agora é o menos afectado pela epidemia, com 400 casos de infecção registados e apenas dez mortes.
"Esperamos não atingir o número de infecções registadas na Europa. Os sistemas de saúde em África são muito frágeis e seria desastroso", disse à agência espanhola, Efe, por telefone, o director do Centro de Controlo e Prevenção de Doenças em África (CDC), Ahmed Ogwell.
"É verdade que o número de infecções está a aumentar, mas em geral é um ou dois por dia, não demasiados ao mesmo tempo", continua Ogwell, chefe desta instituição da União Africana com sede em Addis Abeba, Etiópia.
Tal como Orgwel, vários especialistas esperam que o ataque da Covid-19 em África seja menos duro do que noutros continentes, em primeiro lugar porque o tráfego aéreo para aquela zona do globo é menor em comparação com o resto do mundo, e depois pela experiência que o continente africano tem em conter epidemias como a de Ébola, cólera ou febre de Lassa, entre outras.
"Mas é verdade que ninguém sabe o que vai acontecer amanhã" em relação a uma epidemia que já gerou mais de 7.000 mortes - quase metade delas na China, a origem da doença - e mais de 180 mil pessoas infectadas em todo o mundo", admitiu aquele responsável.
Em contraste, os 54 países africanos registam pouco mais de 400 casos e dez mortes confirmadas oficialmente, apesar de muitos suspeitarem que os números reais poderão ser bem mais elevados, dada a escassez de testes e o controlo de informação por parte dos governos.
"Nós não temos mais casos porque não estamos a testar. Não vamos retardar a propagação a menos que tomemos medidas radicais", afirmou a médica etíope Senait Fisseha, conselheira do director-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS).
Em caso de dúvida, as grandes potências africanas - vibrantes pontos de tráfego com a Europa e a Ásia - tomaram medidas drásticas nas últimas 48 horas, incluindo proibições de viagens, revogações de vistos ou encerramento de locais de culto religioso.
O Quénia, com três casos confirmados, proibiu no domingo a entrada de viajantes de qualquer país afectado pela Covid-19, e juntamente com o Ghana, Senegal, Ruanda e Etiópia - entre outros países - ordenou o encerramento de escolas e proibiu qualquer reunião pública.
Até hoje, a Covid-19 chegou a 30 países africanos, com quatro casos recentes confirmados na segunda-feira na Somália, Libéria, Tanzânia e Benim, que, como quase todos os anteriores, trata-se de pessoas oriundas da Europa e da Ásia ou africanos que visitaram recentemente aqueles continentes.
O Presidente sul-africano, Cyril Ramaphosa, decretou no domingo o estado de calamidade nacional e anunciou - a partir de quarta-feira - a proibição de visitantes dos EUA, Reino Unido, Itália e outros países de alto risco, bem como o encerramento de escolas e a proibição de concentrações de mais de 100 pessoas, a fim de evitar um aumento dos 62 casos de infecção registados até agora no país, o maior número no continente, só ultrapassado pelo Egipto (mais de 160).
Outros países também impuseram medidas rigorosas para combater o vírus, como Marrocos, que decretou o encerramento do espaço aéreo e o fim dos voos comerciais para todos os destinos do mundo, além do encerramento de escolas, cafés, restaurantes, cinemas, teatros e todos os locais de entretenimento, ou a Argélia, que na segunda-feira suspendeu as ligações aéreas e marítimas com todos os países europeus.
Se a situação piorasse drasticamente nas próximas semanas, como aconteceu na Europa, os funcionários e o pessoal médico receiam que o sistema de saúde, já precário em muito dos países, se desmorone e que as mortes se multipliquem.
No total, são 43 os países do continente capazes de realizar um número muito limitado de testes de coronavírus, de acordo com dados do CDC africano, que no último mês deu formação em muitos Estados africanos sobre vigilância, prevenção e gestão clínica.
No entanto, o secretário-geral da União Nacional de Enfermeiros do Quénia, Seth Panyako, disse à agência espanhola Efe que os enfermeiros, profissionais na primeira linha de contacto com casos suspeitos de coronavírus, não dispõem de equipamento de protecção adequado.
 Além disso, o facto de mais de 60% dos 1,2 mil milhões de africanos viverem em bairros clandestinos, segundo dados da UN-Habitat, significa que uma grande parte da população urbana pode ter dificuldade em implementar medidas de quarentena ou de distanciamento social.
Um medo que se estende a áreas de conflito - como o centro e sul da Somália sob o controlo do grupo jihadista 'Al Shabab' - campos de refugiados no Sudão do Sul, na Bacia do Lago Tchad ou no norte do Quénia e, em geral, em qualquer lugar onde "ficar em casa" é quase uma quimera.ANG/Angop

Justiça


Jornalista Sabino Santos ouvido hoje no Ministério Público no âmbito da queixa de um dirigente do Madem-G15

Bissau,18 Mar 20(ANG) – O jornalista da Rádio Capital FM, Sabino Santos foi hoje ouvido no Ministério Público no âmbito de uma queixa apresentada por Doménico Sanca, dirigente do Movimento para Alternância Democrática Madem G15, em medos de fevereiro findo.
Sabino Santos

Sanca terá movido a queixa porque o seu nome fora referenciado como um dos envolvidos  à um alegado plano de Golpe de Estado descoberto  em Fevereiro.

Em declarações à imprensa, à saída de audição, o advogado do jornalista, Fodé Mané disse estar-se  perante dois pesos e duas medidas no que toca a justiça, porque recentemente a Rádio Capital FM foi objecto de ameaça e precisamente a queixa foi apresentado no Ministério Público e o processo foi arquivado.

“Devo dizer que existem todas as provas, porque as referidas ameaças foram feitas por alguém numa  conferência de imprensa e depois existem ainda outras situações de ameaças de destruição da Rádio Capital FM e que foi objecto de tratamento no Ministério Público, e o processo nunca chegou e avançar”, explicou.

Fodé Mané informou que essas situações são lamentáveis, acrescentando que sempre encorajam as pessoas à recorreram as vias judiciais, mas a justiça deve tratar as pessoas de forma igual e não se deve depender da personalidade.

“A queixa contra o jornalista Sabino Santos foi apresentado no mesmo mês de Fevereiro e hoje já estamos aqui para prestar declarações e ainda o meu constituinte não foi ouvido como declarante para depois ser constituído suspeito”, explicou.

O advogado afirmou que o jornalista Sabono Santos foi de imediato tratado como um suspeito.

O secretário geral do Sindicato dos Jornalistas e Técnicos de Comunicação Social(Sinjotecs), Diamantino Domingos Lopes lamentou o ocorrido, afirmando que o país está a ser caracterizado por um simbolismo.

“É uma situação preocupante para nós na medida em que o país está a ser tratado por simbolismo, em que se reclama a justiça num contexto em que o Supremo Tribunal de Justiça existe simbolicamente e praticamente inoperacional”, disse.

Aquele sindicalista sublinhou que o acelerar um processo dessa natureza, deixa-lhe alguma preocupação, salientando que recorrendo a história recorda-se do caso em que a Rádio Capital FM interferiu uma queixa crime contra o dirigente do Madem G15 Bamba Banjai depois da ameaça contra a referida estação e depois de dois anos, nada aconteceu.

Disse que ao contrário deste do jornalista Sabino Santos, que aconteceu em meados de Fevereiro do ano em curso, mas que já foi levado para audição.

Por sua vez, Victor Imbana advogado de um dos painelista do Programa Matinal de Capital FM, Silvestre Alves, que igualmente foi ouvido  hoje no Ministério Público, no âmbito da mesma queixa de Doménico Sanca, disse que o processo não tem pernas para andar.

Em causa está um alegado audio vazado nas redes sociais, objecto de comentário na Capital FM, em que os dois: Sabino e Silvestre ,alegadamente, se terão referido ao nome de Doménico, em como ele terá sido ouvido em conversas que pareceram traduzir um plano para golpe de Estado contra o governo de Aristides Gomes.ANG/ÂC//SG

Costa do Marfim


           Parlamento adopta revisão  constitucional sem a oposição
Bissau, 18 mar 20 (ANG) - O senado e a Assembleia Nacional ivoirienses reunidos terça-feira, 17, em congresso, aprovaram por 246 votos e dois contra, a revisão constitucional proposta pelo Presidente da República,
Alassane Ouattara.
O projecto, criticado pela oposição, foi adoptado por uma maioria de dois terços dos 344 deputados e senadores.
A 05 de Março, o chefe de Estado ivoiriense que anunciou que não brigaria um terceiro mandato, revelou várias modificações na Constituição, adoptada em 2016.  
Entre elas, constam a não eleição do vice-presidente, devendo ser nomeado pelo Presidente, depois do pleito, pelo vencedor. Suprimiu-se também o Tribunal supremo, institucionalizou-se o Conselho de Estado e o Tribunal de Contas, ou ainda prolongou-se “sine die” o mandato dos deputados, no caso da impossibilidade de se organizarem eleições na data prevista.
A oposição boicotou o voto, justificando que é contra a retirada de qualquer vírgula da Constituição, alguns meses antes da eleição presidencial de 31 de Outubro próximo.
NGoran Djedri, do Partido Democrático da Côte d’Ivoire (PDCI), considerou a revisão como “uma mascarada”, denunciando o facto de não ter sido respeitada nenhuma regra elementar, para a referida modificação.
Na Côte d’Ivoire, o clima político é tenso, na véspera da eleição presidencial que terá lugar 10 anos depois da crise pós eleitoral de 2010-2011, provocada pela recusa do então Presidente Laurent Gbagbo, reconhecer a vitória de Alassane Ouattara, causando a morte a mais de três mil pessoas.
Na semana passada, o partido de Ouattara indicou como seu candidato presidencial, o Primeiro-ministro Amadou Gon Coulibaly.
O antigo Primeiro-ministro, Guillaume Soro, de 47 anos, ex-chefe da rebelião pró Ouattara, agora um dos seus ferronhos opositores, é o único da oposição que se já se declarou candidato.
Acusado de conspiração, e sob um mandado de captura na Côte d’Ivoire, o mesmo vive actualmente em França.
O antigo Presidente da República, Henri Konan Bédié, 86 anos, embora se tenha pronunciado várias vezes sobre uma possível candidatura sua, ainda mantém um mutismo. ANG/Angop

Coronavírus


   União Africana aconselhada a cancelar eventos com mais de mil pessoas

Bissau, 18 mar 20 (ANG) - O Centro para Prevenção e Controlo de Doenças (CDC) em África aconselhou terça-feira a União Africana a cancelar ou adiar todos os eventos com mais de mil pessoas e os que tenham mais de 50 participantes internacionais.
Presidente da Comissão da União Africana
De acordo com as recomendações desta agência da União Africana para a realização de iniciativas durante a pandemia Covid-19, divulgadas terça-feira, os organizadores devem sempre equacionar se os objectivos do evento podem ser alcançados com a sua realização virtual.
A União Africana é uma estrutura homóloga da União Europeia, com sede em Adis Abeba, na Etiópia, e que reúne 55 países africanos, realizando reuniões, conferências e outros encontros regulares com grande número de participantes.
De acordo com as orientações do CDC, durante este período, a organização deve adiar a realização de eventos com mais de 1.000 participantes, o mesmo se aplicando aos encontros com mais de 50 pessoas desde que incluam participantes internacionais, ou seja, pessoas que tiveram de atravessar uma ou mais fronteiras para chegar ao país.
O CDC admite "raras excepções" para encontros "importantes e urgentes" cujo adiamento venha a ter impactos negativos em questões de saúde ou segurança, aconselhando, nestes casos, a implementação de medidas para prevenção e controlo de infecções.
Para os eventos com mais de 50 pessoas, mas sem participantes internacionais é apenas recomendada a aplicação destas medidas de saúde pública, que prevêem, entre outras coisas, que os participantes se sentem com pelo menos um metro de distância, haja instalações sanitárias com água e sabão abundantes e um espaço para isolamento de pacientes em caso de necessidade.
Prevêem igualmente que os participantes contactem os organizadores após a realização do evento no caso de terem alguns dos sintomas da doença.
O CDC elaborou também um conjunto de recomendações para funcionários e outros membros da União Africana que estejam em viagem em países onde existe transmissão local pelo novo coronavírus, devendo estes, no regresso, ficar de quarentena durante 14 dias e contactar as autoridades de saúde se tiverem tosse, febre ou dificuldades respiratórias.
O continente africano tem sido o menos afectado pela pandemia de coronavírus, registando actualmente 418 casos em 30 países.
Egipto, com 150 casos, a África do Sul, com 62, e a Argélia, com 60, são os países mais afectados.
A Etiópia, onde se encontra a sede da União Africana, regista quatro casos.
O coronavírus responsável pela pandemia da Covid-19 infectou mais de 180 mil pessoas em todo o mundo, das quais mais de 7.000 morreram e 75 mil recuperaram da doença.ANG/Angop

Obituário


Presidente da República considera morte de Serifo Nhamadjo  “perda irreparável” para Guiné-Bissau

Bissau, 18 Mar 20 (ANG) – O Presidente da República considerou esta terça-feira o falecimento do ex-Presidente de Transição, Manuel Serifo Nhamadjo de uma “perda irreparável” para o país ,frisando que neste triste momento endereça em nome do Povo da Guiné-Bissau e em seu nome pessoal os sentimentos de pesar e solidariedade para com a família enlutada.
O malogrado Manuel Serifo Nhamadjo

De acordo com uma nota de mensagem de condolências do Chefe de Estado enviada à ANG, Sissoco Embalo disse que o país acordou no dia 17 de Março com a notícia triste do desaparecimento fisíco do antigo Presidente da República de Transição que considera de um estadista cujo destino relegou para dirigir a Nação guineense durante o período sensível de 2012 à 2014.

“Considerado por todos um político exemplar que conduziu o país num momento excepcional da história recente, bem como foi um dirigente desportivo de renome que,dedicou a sua vida ao serviço da sua pátria”,frisa a nota.

Em nome do Povo e em seu nome pessoal, Umaro Sissoco Embaló endereçou à família os sentimentos de profundo pesar e a expressão de solidariedade, acrescentando que o país está de luto e por isso o pensamento está com a família do malogrado, à quem por esta via se endereça as mais sentidas condolências, desejando que  o malogrado  tenha eternamente a mais elevada consideração do Povo e do Presidente da República.

Por outro lado, o Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC) formação política a qual pertence o malogrado, diz ser  com muita dor que informa aos dirigentes, militantes e simpatizantes sobre a morte daquele que é dirigente e deputado da Nação pela bancada parlamentar dos libertadores, onde desempenhou as funções do 1º Vice-Presidente da Assembleia Nacional Popular.

“É com grande dor e consternação que o PAIGC regista este falecimento e em nome do seu Presidente e da Direcção Nacional, são endereçados os mais respeitosos e sentidos pêsames à família enlutada”, salienta a nota do partido de Cabral.

O ex-Presidente da República de Transição faleceu esta terça-feira, em Lisboa, Portugal, vítima de doença prolongada.

Manuel Serifo Nhamadjo, nasceu a 25 de Março de 1958, é um político guineense muito activo, militante do Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC). Foi presidente da República de Transição, de 2012 até 2014.

Concorreu às Eleições presidenciais na Guiné-Bissau em 2012, obtendo 15,75% dos votos na 1ª volta.

Foi vice-presidente do parlamento até ao golpe de Estado de 12 de Abril e assumiu o cargo de Presidente de Transição em 11 de maio de 2012.

Serifo Nhamadjo, um apaixonado pelo futebol, e chegou a dirigir o Sport Bissau e Benfica  e o Desportivo de Mansabá. ANG/MSC/ÂC//SG

Covid-19


     Corrida  mundial para descobrir vacina ou remédio contra pandemia
Bissau, 18 mar 20 (ANG) - Começou uma autêntica corrida a nível mundial para se encontrar um remédio ou vacina contra o coronavírus, estando em curso um primeiro ensaio clínico nos Estados Unidos.
"Vai haver uma série de ensaios, muitos erros, mas temos muitas opções a testar declarou Benjamim Neuman, virólogo da Universidade Texarkana no Texas. 
O presidente americano, Danald Trump, exortou os cientistas e a indústria farmacêutica a acelerar o processo, mas especialistas pensam que ainda há pouca margem de manobra para se conseguir um medicamento ou vacina contra a epidemia do coronavírus.
Até agora nunca houve uma vacina muito eficaz contra um membro da família do coronavírus, mas de todo o modo, neste momento há uma correria desenfreada para se obter medicamentos.
Assim, a vacina mRNA-1273 foi desenvolvida por cientistas dos Institutos nacionais de Saúde dos Estados Unidos e da empresa de biotecnologias Moderna de Cambridge no Estado de Massachusetts.
Mas há que passar por diferentes fases a fim de determinar se a vacina é eficaz e segura. Se toda a informação genética do vírus e as moléculas de proteínas do código genético do DNA das células forem bem sucedidas há fortes probabilidade de termos a vacina dentro de um ano e meio, segundo especialistas.  
De todos os medicamentos na corrida para combater o Covid-19, de destacar o remdesivir do grupo americano, Gilead, que poderia chegar ao mercado dentro de um ano. 
O antiviral foi desenvolvido contra outros vírus como ébola, mas não foi eficaz e nunca foi provado em lado nenhum do mundo. Mas deu esperanças no tratamento de doentes atingidos com o coronavírus na China, e foi utilizado para tratar dois pacientes nos Estados Unidos e em França.
Segundo o director do Instituto nacional americano das doenças infecciosas, Anthony Fauci, perito de Donald Trump sobre o coronavírus, este antiviral poderia ficar disponível nos próximos meses.
Há ainda a empresa farmacêutica americana, Johnson & Johnson que estuda a hipótese de utilizar certos dos seus medicamentos passíveis de ajudar a tartar sintomas em pacientes já infectados pelo vírus.
Também a empresa Regeneron desenvolveu o ano passado um medicamento aplicado por via intravenosa e conhecido pelo nome de anticorpos monoclonais que permitiu melhorar de modo significativo a taxa de sobrevivência de doentes atingidos pelo virus ébola.
O remédio poderia funcionar como tratamento e vacina aplicado a pessoas antes que fiquem expostas mesmo se os efeitos serão temporários tendo em conta que os anticorpos não farão parte da memória do sistema imunitário dos indivíduos.
O grupo Regeneron tenta também lutar contra a inflamação dos pulmões que se desenvolve por ocasião de formas severas do novo coronavírus utilizando outro medicamento, Kevzara, destinado a tratar inflamações derivadas de artrites.
O grupo britânico, GlaxoSmithKline colabora com uma biotecnologia chinesa para colocar à disposição a sua tecnologia de fabrico de componentes para vacinas contra epidemias de vírus.
Em França, o grupo farmacêutico, Sanofi trabalha com a secretaria americana para a Saúde no desenvolvimento duma potencial vacina utilizando uma tecnologia de recombinação do DNA. 
Tal consiste numa combinação do DNA do vírus com o DNA doutro vírus inofensivo a fim de criar uma nova entidade celular passível de provocar uma resposta imunitária.
Esta tecnologia já está na base da vacina de Sanofi contra a gripe e graças aos testes sobre um candidato a vacina do Sras, a empresa acredita que está no bom caminho para obter uma vacina contra o coronavírus.
David Loew, vice-préesidente e responsável de Sanofi Pasteur, considerou poder dispor de um candidato a vacina do coronavírus dentro de 6 messes e potencialmente entrar em experimentação clínica dentro de um a um ano e meio.
Entre vários outros grupos sobretudo americanos, de destacar ainda aqui na Europa, o grupo alemão CureVac, um dos laboratórios a trabalhar numa vacina contra o Covid-19. O grupo afirma poder apresentar um projecto da vacina para validade clínica dentro de alguns meses.
O grupo teria mesmo sido contactado pelo governo americano de Donald Trump que queria comprar a exclusividade, mas os seus dirigentes já vieram a público desmentir. 
O certo é que a própria chanceler alemã, Angela Merkel, foi obrigada a declarar que tudo estava "claro e solucionado" com os Estados Unidos e que a empresa alemã tinha todo o apoio financeiro necessário para desenvolver os seus estudos cientítificos.
E como se não bastasse, a Comissão europeia anunciou o desbloqueio de 80 milhões de euros para o laboratório alemão.
"Nesta crise é de suprema importância que apoiemos os nossos investigadores e empresas de ponta. Estamos determinados a fornecer ao grupo CureVac o financiamento necessário para desenvolver e produzir rapidamente uma vacina contra o coronavírus, sublinhou a presidente da Comissão europeia, a alemã, Ursula von der Leyen.
Por último na Rússia, Moscovo anunciou ter começado testar em animais uma vacina contra o coronavírus e espera ter resultados prometedores em junho. ANG/RFI

Coronavirus




Bissau, 18 mar 20 (ANG) ) - O Presidente da República anunciou terça-feira o encerramento das fronteiras terrestres e o cancelamento das aterragens no Aeroporto de Bissau à partir desta quarta-feira, no âmbito das medidas de prevenção para o combate a pandemia do novo coronavirus.

“Falei com o Governo no sentido de encerrarmos todas as vendas nos mercados, com excepção dos produtos da primeira necessidade ao nível nacional à partir de hoje( quarta-feira) e além de mais, vamos encerrar as nossas fronteiras e não haverá nenhum voo a não ser casos execpcionais”, afirmou o Presidente da Repúbica numa mensagem dirigida terça-feira à Nação.

Umaro Sissoco Embalo disse que as autoridades da Guiné-Bissau estão muito preocupadas com a pandemia do novo coronavirus que é um flagelo mundial, por isso apelou a unidade nacional e para que cada qual faça o que é necessário para o seu combate.

“Não vamos declarar que o país está em guerra, mas é uma situação que deve preocupar todos os guineenses e a comunidade internacional”, disse o chefe de Estado.

Acrescentou que o país deve estar em estado de alerta, acrescentando que, por isso pede a colaboração de todos os guineenses no combate ao inimigo comum neste momento que é o coronavirus.

Na semana passada, as autoridades já tinham mandado suspender atividades com aglomeração de pessoas, incluindo concertos e algumas cerimónias religiosas e tradicionais.

A Guiné-Bissau não tem, até ao momento, registo de qualquer caso da Covid-19, mas os países fronteiriços como o Senegal e a Guiné-Conacri já têm infeções confirmadas. ANG/ÂC//SG





ONU/Covid-19 e DH


“Medidas de emergência não devem suprimir Direitos Humanos”, dizem relatores

Bissau, 18 mar 20 (ANG) - Novos limites foram impostos aos bares e restaurantes de Nova Iorque para controlar o surto.

Especialistas afirmam que uso de poderes extraordinários em tempos de crise deve ser proporcional e que restrições durante surto de   novo coronavírus não podem ser usadas para controlar dissidência política.

Um grupo de 18 relatores* e especialistas em direitos humanos da ONU** pediu aos Estados-membros que evitem o excesso de medidas de segurança na resposta ao covid-19 .
Em nota publicada  segunda-feira, os especialistas afirmam que os poderes de emergência não devem ser usados ​​para reprimir a dissidência. 

 O grupo reconhece “a gravidade da atual crise de saúde” e lembra que “o uso de poderes de emergência é permitido pelo direito internacional em resposta a ameaças significativas.” Apesar disso, “qualquer resposta de emergência deve ser proporcional, necessária e não-discriminatória." 

O apelo endossa a alta comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Michelle Bachelet, que pediu recentemente para se colocar os direitos humanos no centro da resposta ao coronavírus. 

O direito internacional tem orientações claras sobre declarações de estados de emergência, por razões de saúde ou segurança. O uso destes poderes deve ser declarado, publicamente, e notificado aos órgãos relevantes sempre que os direitos fundamentais, como movimento e associação, forem limitados de forma significativa.  

Os especialistas dizem que a situação “não deve ser usada para atingir grupos, minorias ou indivíduos.” Também não deve servir de cobertura para ações repressivas nem para silenciar o trabalho dos defensores dos direitos humanos. 

O grupo afirma que existe o risco de Estados e instituições de segurança usarem estes poderes como um atalho, criando ligações com os sistemas legais e políticos. 

Para evitar essa situação, “as restrições devem ser implementadas de forma única e devem ser o meio menos invasivo de se proteger a saúde pública." 

Nos países onde o surto já está diminuindo, as autoridades devem tentar voltar à vida normal e evitar o uso destes poderes para controlar, indefinidamente, a vida das populações.  

Por fim, os especialistas encorajam “os Estados a permanecerem firmes na manutenção de uma abordagem com base nos direitos humanos para facilitar o surgimento de sociedades saudáveis ​​com Estado de Direito e direitos humanos protegidos.”  ANG/ONU News

Óbito


       Antigo Presidente da República,Serifo Nhamadjo, morre em Lisboa

Bissau, 18 mar 20 (ANG) -  O Antigo Presidente da República de Transição, Manuel Serifo Nhamadjo falaceu esta terça-feira em Lisboa, Portugal, aos 61 anos de idade, vítima de doença prolongada.

A notícia da morte do dirigente do PAIGC veio nas redes sociais, com assinatura  de várias individualidades  do mundo da comunicação social, de familiares,amigos e conhecidos.
Serifo Nhamado foi presidente da República de Transição entre 2012 e 2014, na sequência do golpe de Estado ocorrido em abril de 2012.

Antes desempenhara  as funções de vice-presidente da Assembleia Nacional Popular. ANG//SG