segunda-feira, 9 de março de 2026


Dia Internacional da Mulher-Regiões
/ Coordenadora Nacional da WANEP-GB admite haver  retrocesso na aplicação da lei da paridade no país

Mansabá, 09 Mar 26 (ANG) – A coordenadora nacional da Rede da África Ocidental para a Construção da Paz na Guiné-Bissau (WANEP-GB), Denise Cabral dos Santos, disse estar preocupado  com o que considera ser um retrocesso na aplicação da lei da paridade no país, evidenciada com a fraca representação feminina nos órgãos de decisão.

Denise Cabral falava domingo, na secção de Cutia, setor de Mansabá, região de Oio,   nas celebrações do Dia Internacional da Mulher, organizadas pela estrutura regional da Carta21, na região de Oio, em parceria com a WANEP-GB.

Na ocasião, a responsável lamentou o facto de as mulheres não terem conseguido alcançar, pelo menos 36 por cento de representação no parlamento guineense e nos órgãos de decisão política.

 Denise dos Santos destacou que a presença feminina no parlamento tem registado uma tendência de queda.

Segundo explicou, nas eleições legislativas de 2019, após aprovação da Lei de Paridade, as mulheres representavam cerca de 14 por cento dos deputados eleitos, enquanto que em 2023 essa percentagem desceu para cerca de 10 por cento. Acrescentou  que a situação se agravou pelo facto de a maioria dos partidos políticos não ter apresentado mulheres como cabeças de lista.

Apesar das limitações no campo político, Denise Cabral dos Santos        destacou o papel determinante das mulheres no setor económico e social, sobretudo no setor informal, em que  muitas desenvolvem atividades comerciais que contribuem para sustentar as famílias e garantir a educação dos filhos.

“Se a mulher já desempenha um papel importante na sociedade, não há razão para que não possa ocupar cargos na administração do Estado”, afirmou.

Defendeu  maior participação feminina na liderança política e institucional, como forma de promover o acesso à saúde, educação, justiça e ao desenvolvimento.

Considerou  que o Dia Internacional da Mulher deve servir, sobretudo, como um momento de reflexão e análise sobre os desafios enfrentados pelas mulheres e os caminhos a seguir, e não apenas como uma data festiva.

Por sua vez, o coordenador regional da Carta21 na região de  Oio, Siaca Cissé, denunciou a sub-representação das mulheres e raparigas nos espaços de decisão e apelou ao reforço da sua participação em cargos de liderança.

Cissé afirmou que, apesar de alguns progressos registados, a paridade ainda está longe de ser alcançada, defendendo medidas concretas que garantam a presença ativa das mulheres nos processos de tomada de decisão.

Sob o lema “Investir nas mulheres e meninas para uma sociedade mais justa e pacífica para todos”, Siaca Cissé sublinhou que investir nas mulheres não significa apenas apoio financeiro, mas também criar oportunidades, garantir educação para as raparigas, apoiar o empreendedorismo feminino e combater práticas que limitam o seu potencial.

Segundo disse, nas comunidades da região de Oio, as mulheres desempenham um papel central na economia informal, na educação dos filhos e na mediação de conflitos, mas continuam, muitas vezes, afastadas dos cargos de liderança.

Siaca Cissé reafirmou  o compromisso da Carta21 com a promoção da paz,  diálogo e da inclusão, defendendo que uma paz duradoura só será possível com a participação ativa das mulheres.

“A paz não se constrói apenas evitando conflitos, mas também criando oportunidades e promovendo o respeito mútuo”, concluiu Siaca Cissé.

ANG/AD/LPG/ÂC//SG

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