Dia
Internacional da Mulher-Regiões/
Coordenadora Nacional da WANEP-GB admite haver retrocesso na aplicação da lei da paridade no
país
Mansabá, 09
Mar 26 (ANG) – A coordenadora nacional da Rede da África Ocidental para a
Construção da Paz na Guiné-Bissau (WANEP-GB), Denise Cabral dos Santos, disse
estar preocupado com o que considera ser
um retrocesso na aplicação da lei da paridade no país, evidenciada com a fraca
representação feminina nos órgãos de decisão.
Denise
Cabral falava domingo, na secção de Cutia, setor de Mansabá, região de Oio, nas
celebrações do Dia Internacional da Mulher, organizadas pela estrutura regional
da Carta21, na região de Oio, em parceria com a WANEP-GB.
Na ocasião,
a responsável lamentou o facto de as mulheres não terem conseguido alcançar, pelo
menos 36 por cento de representação no parlamento guineense e nos órgãos de
decisão política.
Denise dos Santos destacou que a presença
feminina no parlamento tem registado uma tendência de queda.
Segundo
explicou, nas eleições legislativas de 2019, após aprovação da Lei de Paridade,
as mulheres representavam cerca de 14 por cento dos deputados eleitos, enquanto
que em 2023 essa percentagem desceu para cerca de 10 por cento. Acrescentou que a situação se agravou pelo facto de a
maioria dos partidos políticos não ter apresentado mulheres como cabeças de
lista.
Apesar das
limitações no campo político, Denise Cabral dos Santos destacou
o papel determinante das mulheres no setor económico e social, sobretudo no
setor informal, em que muitas
desenvolvem atividades comerciais que contribuem para sustentar as famílias e
garantir a educação dos filhos.
“Se a mulher
já desempenha um papel importante na sociedade, não há razão para que não possa
ocupar cargos na administração do Estado”, afirmou.
Defendeu maior participação feminina na liderança
política e institucional, como forma de promover o acesso à saúde, educação,
justiça e ao desenvolvimento.
Considerou que o Dia Internacional da Mulher deve servir,
sobretudo, como um momento de reflexão e análise sobre os desafios enfrentados
pelas mulheres e os caminhos a seguir, e não apenas como uma data festiva.
Por sua vez,
o coordenador regional da Carta21 na região de Oio, Siaca Cissé, denunciou a
sub-representação das mulheres e raparigas nos espaços de decisão e apelou ao
reforço da sua participação em cargos de liderança.
Cissé
afirmou que, apesar de alguns progressos registados, a paridade ainda está
longe de ser alcançada, defendendo medidas concretas que garantam a presença
ativa das mulheres nos processos de tomada de decisão.
Sob o lema
“Investir nas mulheres e meninas para uma sociedade mais justa e pacífica para
todos”, Siaca Cissé sublinhou que investir nas mulheres não significa apenas
apoio financeiro, mas também criar oportunidades, garantir educação para as
raparigas, apoiar o empreendedorismo feminino e combater práticas que limitam o
seu potencial.
Segundo
disse, nas comunidades da região de Oio, as mulheres desempenham um papel
central na economia informal, na educação dos filhos e na mediação de
conflitos, mas continuam, muitas vezes, afastadas dos cargos de liderança.
Siaca Cissé
reafirmou o compromisso da Carta21 com a
promoção da paz, diálogo e da inclusão,
defendendo que uma paz duradoura só será possível com a participação ativa das
mulheres.
“A paz não
se constrói apenas evitando conflitos, mas também criando oportunidades e
promovendo o respeito mútuo”, concluiu Siaca Cissé.
ANG/AD/LPG/ÂC//SG

Sem comentários:
Enviar um comentário