terça-feira, 1 de novembro de 2022

Nova Iorque/Rússia está a recrutar comandos afegãos treinados pelos EUA

Bissau, 01 Nov 22 (ANG) – Soldados das forças especiais afegãs que combateram os talibãs ao lado das tropas norte-americanas e que fugiram para o Irão após a caótica retirada de Cabul em 2021 estão a ser recrutados pela Rússia para combater na Ucrânia.

A garantia foi dada segunda-feira à agência noticiosa norte-americana Associated Press (AP) por três antigos generais afegãos, que adiantaram que os russos estão a contratar “milhares” de antigos militares das forças de elite do Afeganistão, criando desta forma uma “Legião Estrangeira”.

Para os atrair, segundo referem os três generais afegãos, os russos oferecem o pagamento mensal de 1.500 dólares (1.520 euros), além de promessas de proteção, que envolvem também os respectivos familiares, evitando assim uma possível deportação para o Afeganistão, onde poderiam morrer às mãos dos talibãs.

“Eles não querem lutar, mas não têm escolha”, disse um dos generais, Abdul Raof Arghandiwal, acrescentando que doze comandos afegãos no Irão com quem troca mensagens de texto temem mais a deportação.

“Eles perguntam-me: ‘Deem-me uma solução. O que devemos fazer? Se voltarmos ao Afeganistão, os talibãs matar-nos-ão”, disse Arghandiwal, acrescentando que o recrutamento é liderado pela força mercenária russa do Grupo Wagner.

Outro general, Hibatullah Alizai, o último chefe do exército afegão a deixar Cabul quando os talibãs ocuparam a capital e assumiram o controlo do país, disse que o exército russo está a ser ajudado por um outro ex-comandante das forças especiais afegãs que viveu na Rússia e fala a língua.

O recrutamento russo surge após meses de avisos de soldados norte-americanos que lutaram com as forças especiais afegãs de que os talibãs pretendiam matá-los e que os militares poderiam juntar-se aos inimigos dos Estados Unidos para permanecerem vivos.

Um relatório do Congresso em Agosto alertou especificamente para o perigo de que os comandos afegãos – treinados pelas tropas especiais dos Fuzileiros e dos ‘Boinas Verdes’ do Exército dos Estados Unidos – possam acabar por dar informações sobre as tácticas norte-americanas ao grupo Estado Islâmico (EI), ao Irão ou à Rússia, aceitando combater na Ucrânia e noutros locais de conflito.

“Não retiramos esses indivíduos como prometemos e agora está tudo a voltar-se contra nós”, disse a AP Michael Mulroy, um oficial aposentado da CIA que serviu no Afeganistão, acrescentando que os comandos afegãos são combatentes “altamente qualificados e ferozes”.

“Eu não os quero ver em nenhum campo de batalha, francamente, mas certamente não os quero ver a lutar contra os ucranianos”, observou.

No entanto, Mulroy mostrou-se céptico em relação ao acto de os russos conseguirem persuadir muitos comandos afegãos a juntarem-se às tropas da Rússia, porque a maioria que disse conhecer era movida pelo desejo de fazer a democracia funcionar no Afeganistão em vez de servirem como mercenários na Ucrânia.

A AP começou a investigar o recrutamento afegão quando foram divulgadas pela revista Foreign Policy, na semana passada, informações do esforço que os russos estão a fazer para recrutar os comandos afegãos, indicações que têm por base fontes militares e de segurança afegãs não identificadas.

Por outro lado, lembra a AP, o recrutamento ocorre quando as forças russas estão ainda a tentar recuperar dos avanços militares ucranianos e depois de o Presidente russo, Vladimir Putin, ter feito um esforço de mobilização vacilante, que levou quase 200.000 homens russos a fugir do país para escapar do serviço.

O Ministério da Defesa da Rússia não respondeu a um pedido de comentário feito pela AP. Um porta-voz de Yevgeny Prigozhin, que recentemente reconheceu ser o fundador do Grupo Wagner, descartou a ideia de um esforço contínuo para recrutar ex-soldados afegãos como uma “loucura absurda”.

O Departamento de Defesa norte-americano também não respondeu a um pedido de esclarecimentos, mas um alto funcionário admitiu à AP que o recrutamento não é surpreendente, já que o Grupo Wagner está a tentar recrutar soldados em vários outros países.

Não está claro quantos membros das forças especiais afegãs que fugiram para o Irão foram persuadidos pelos russos, mas um disse à AP que está tudo a ser tratado através de mensagens de texto nas redes sociais, sobretudo no WhatsApp, envolvendo pelo menos 400 outros comandos, que estarão atualmente a considerar as ofertas russas.

O comando afegão adiantou que muitos, como ele próprio, temem a deportação do Irão para o Afeganistão e que e estão “zangados” com os Estados Unidos por estes os terem abandonado.

“Pensamos que eles poderiam criar um programa especial para nós, mas ninguém sequer pensou em nós”, disse o ex-comando, que solicitou anonimato à AP, pois teme por si mesmo e pela sua família.

“[Os Estados Unidos] deixaram-nos simplesmente nas mãos dos talibãs”, acrescentou, adiantando ter recebido uma oferta do Grupo Wagner, que inclui vistos para si e para a família, a mulher e três filhos, que ainda se encontram retidos no Afeganistão.

Outros ex-comandos afegãos já receberam extensões dos vistos e permanência no Irão, afirmou, sublinhando que está à espera para ver o que os outros decidirão. “Creio que muitos aceitarão um acordo”.

Veteranos norte-americanos que lutaram ao lado das forças especiais afegãs descreveram à AP quase uma dúzia de casos, nenhum confirmado independentemente, de talibãs que vão de porta em porta à procura de antigos comandos ainda no país, torturando ou matando-os, ou fazendo o mesmo com membros da família se eles estão em parte incerta.

A organização Human Rights Watch (HRW) disse que mais de 100 ex-soldados afegãos, agentes dos serviços secretos a e polícias foram mortos ou “desapareceram” à força apenas três meses depois de os talibãs terem assumido o poder, apesar das promessas de amnistia.

As Nações Unidas, num relatório divulgado em meados deste mês, documentaram 160 execuções extrajudiciais e 178 prisões de ex-funcionários do governo e militares. ANG/Inforpress/Lusa

 

   Portugal/Cientistas  descobrem molécula eficaz no combate ao cancro

Bissau, 01 Nov 22 (ANG) - Três investigadoras portuguesas (Rita Acúrcio, Rita Guedes e Helena Florindo) do Instituto de Investigação do Medicamento, da Faculdade de Farmácia da Universidade de Lisboa, e uma investigadora israelita, Ronit Satchi-Fainaro, da Universidade de Telaviv, descobriram uma molécula capaz de estimular o sistema imunitário a combater vários tipos de cancro. 

"Estamos a falar de uma molécula pequena, basicamente é um composto químico, como muitos outros que já existem. No nosso caso, nós quisemos que fosse uma alternativa a anticorpos, que já são administrados na clínica, mas que têm um custo muito elevado e que são administrados por injecção", começou por referir a cientista portuguesa,Helena Florindo, uma das autoras do Estudo em declarações a RFI.

O objectivo desta equipa de investigação é criar um comprimido, que possa ser mais eficaz e que produza menos efeitos secundários do que as terapias que existem actualmente na luta contra o cancro.

"O que queríamos com esta molécula era depois administrá-la, sob a forma de um comprimido, por via oral. O que ela faz é diminuir o bloqueio que o cancro desenvolve à resposta, à protecção que o nosso organismo normalmente desenvolve, que o tumor, ao longo da sua progressão, acaba por ultrapassar e bloquear. O que esta molécula faz é eliminar esses bloqueios", acrescentou.

Esta molécula poderá vir a ser uma alternativa mais acessível e eficaz à terapia de anticorpos, utilizada actualmente na luta contra o cancro, conforme explicou a investigadora.

"Estamos a falar de uma molécula pequena, que se produz por uma síntese química simples. Por exemplo, nós fazemo-la no nosso laboratório, mas é claro que para depois sintetizar e para administração aos doentes tem de ser em fábricas especializadas e em condições especializadas, enquanto que os anticorpos são moléculas biológicas. É uma produção diferente, mais complexa", referiu ainda.

De acordo com Helena Florindo, esta molécula poderá ser eficaz no combate a vários tipos de cancro, entre eles o cancro da mama ou do pulmão.

"Estamos a falar, por exemplo de melanoma metastático, de fases muito agressivas deste tumor, cancro do pulmão, da bexiga ou da mama. Já existem vários tipos de tumores a quem este tipo de anticorpos estão aprovados para tratamento. Às vezes, o que acontece é que alguns doentes não conseguem completar a terapêutica (com anticorpos) por causa de alguns efeitos adversos. Nós esperamos que esta pequena molécula possa ser utilizada por esses doentes pela indução de menores efeitos adversos", acrescentou.

Até ao momento, os testes produziram efeitos positivos nos ratos de laboratório e o próximo passo assenta no ensaio clínico, nos testes em seres humanos, que poderão demorar cerca de dois anos. Antes disso, a equipa está a tentar optimizar a molécula para que o efeito no tratamento dos tumores possa ser superior àquele que acontece no tratamento com anticorpos.ANG/RFI

 

Brasil/Protestos de camionistas pró-Bolsonaro bloqueiam estradas em todo o país

Bissau, 01 Nov 22 (ANG) - Dois dias depois das eleições no Brasil, o presidente Jair Bolsonaro ainda não reconheceu a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva e os seus apoiantes promoveram centenas de bloqueios nas estradas do país.

Segunda-feira à noite, passageiros tiveram que caminhar a pé até ao Aeroporto de Guarulhos em São Paulo. Dezenas de apoiantes de Jair Bolsonaro, que não aceitam a sua derrota nas urnas, restringiram o acesso à área. Vários voos internacionais foram cancelados.

Em todo o país, são mais de 270 bloqueios de estradas ainda em curso, principalmente no Sul, e no Centro-Oeste do país, onde o presidente cessante foi o mais votado.

O Supremo Tribunal Federal determinou o desbloqueio dos eixos rodoviários. Nalguns pontos, polícias foram filmados confraternizando com os manifestantes. Entre eles, circula o boato que Jair Bolsonaro deve esperar 72 horas depois do resultado do escrutínio para denunciar uma fraude.

O presidente derrotado mantém o silêncio e ainda não reconheceu a vitória de Lula da Silva. Há meses que ele denuncia a falta de transparência do sistema eleitoral, deixando a dúvida se aceitará o resultado. ANG/RFI

 


Desporto
/Ministro da Cultura, Juventude e Desportos garante apoio do Governo para  desenvolvimento do sector

Bissau, 01 Nov 22 (ANG) – O ministro da Cultura, Juventude e dos Desportos (MCJD), declarou, no último fim-de-semana,  no encerramento da “Conferência do Diálogo Nacional Sobre Desporto Federado na Guiné-Bissau”, que o Governo vai continuar a prestar apoio necessário ao desenvolvimento do sector desportivo no país.


Augusto Gomes acrescentou  que, com o Director-geral do Desporto vão trabalhar de mãos dadas para juntos poderem mudar o paradigma na senda do desporto federado na Guiné-Bissau.

 Augusto Gomes disse que  a sua Instituição está de portas abertas para colaborar com todas as federações desportivas existentes no país.

segundo aquele responsável, a referida Conferência, que juntou diferentes profissionais que actuam na área desportiva do país, foi o primeiro de vários outros encontros que o executivo irá realizar nos próximos tempos.

“Através da primeira Conferência do Diálogo Nacional sobre Desporto Federado na Guiné-Bissau  assistimos discussões sobe assuntos  que ao longo dos anos, têm ensombrado o setor”, disse Gomes.

Recentemente, o Governo através do Ministério da Cultura Juventude e dos Desportos (MCJD), promoveu uma Conferência “de Diálogo Nacional Sobre Desporto Federado no país, envolvendo diferentes Federações desportivas do país, e assim como alguns profissionais que também trabalham ligados ao desporto. ANG/LLA/ÂC//SG

 

 

UNTG/Júlio Mendonça diz que recurso interposto pelo advogado de Laureano Pereira não tem a ver nem com a organização nem  com sua reeleição

Bissau, 01 Nov 22 (ANG) - O Secretário-geral da União Nacional dos Trabalhadores da Guiné (UNTG) reeleito no Vº Congresso disse que o recurso interposto pelo advogado do candidato derrotado Laureano Pereira da Costa não tem nada a ver com a organização, nem põe em causa a sua reeleição para o cargo.

Em entrevista ao jornal o “Democrata”, Júlio António Mendonça, afirmou que os assuntos do Congresso da Central Sindical estão encerrados e que a UNTG vai, em breve, começar a trabalhar na preparação das suas estruturas e na difusão do código de trabalho, que irá beneficiar tanto o setor público quanto ao privado.

“O recurso tem a ver com a decisão do Tribunal sobre a legitimidade das partes no processo, mas  não tem nada a ver com a UNTG e nem põe em causa a minha reeleição ao cargo”, afirmou.

Segundo Mendonça, as partes que o advogado indicou no processo não são legítimas, nomeadamente a Comissão Organizadora do Congresso, por não ser parte interessada no processo e não tem capacidade, nem personalidade jurídica, apenas foi  criada no âmbito da deliberação de um órgão da UNTG, Conselho Central, que tem essas duas valências jurídicas.

“Infelizmente, o advogado não foi capaz de mostrar ao seu cliente e identificar as partes que teriam legitimidade no processo. Falhou, sim. Nem a Comissão, nem Júlio Mendonça é parte legítima do processo”, indicou.

Júlio Mendonça admitiu terem sido notificados da decisão, porque era uma ação principal que sustentava a providência cautelar que levou à suspensão dos trabalhos do congresso, indiciados a 10 de Maio de 2022, que depois caiu por falta da legitimidade dos réus e, em consequência, decidiu-se a absolvição dos réus da instância.

 “Os membros da Comissão Organizadora e eu não fomos notificados para eventualmente contestarmos alguma coisa e a juíza concluiu que havia falta de legitimidade e decidiu liminarmente”, frisou, dizendo que depois da decisão do Tribunal, a Comissão decidiu avançar para conclusão do processo, embora tenha havido uma “ordem superior” a cancelar os trabalhos, e “o congresso da UNTG terminou.

O sindicalista disse que o formato encontrado pelo Presidente da mesa da reunião magna dos trabalhadores guineenses é “legitimo”.

 “O congresso é o órgão máximo, que decide a vida e faz a revisão dos estatutos da organização, mesmo no quadro das leis internas e as leis de liberdade sindical, é óbvio e perfeitamente admissível”, precisou Júlio Mendonça.

Para depois, afirmar que “foi nessa circunstância que foi permitido legalmente ao congresso para se pronunciar e os congressistas decidiram adotar aquele modelo de voto e votaram por unanimidade em mim, porque a UNTG não pode continuar parada por caprichos de alguns políticos.

Disse que o recurso do seu adversário sobre a decisão do Tribunal que os absolveu da instância está no cartório, não nas mãos de juiz, acrescentando  que só a partir de 24 de outubro, dois dias depois do congresso ter sido concluído, que o recurso chegou ao Tribunal de Círculo e foi aceite porque era tempestivo, tendo manifestado abertura para responder à justiça caso seja notificado a contrariar alguma coisa à volta do processo.

“Os assuntos do congresso estão encerrados. A nova ação tratará da legitimidade das partes no Tribunal de Círculo. O nosso agravo sobre a providência cautelar com todas as alegações e contra-alegações está lá, no mesmo Tribunal, há cinco meses”, assegurou.

Júlio Mendonça disse que nenhum recurso colocará em causa a sua escolha, porque foi uma escolha legítima e que, para além da decisão da juíza do dia 13 de Outubro não há mais outra.

Segundo o jornal O Democrata, Edmundo Mendes, advogado do candidato Laureano Pereira da Costa, chama a decisão da juíza do Tribunal Regional de Bissau de “banditismo” por ter julgado “improcedente” a ação judicial intentada pelo seu cliente em maio, requerendo a anulação dos trabalhos preparatórias do Vº Congresso, que culminaram com a escolha do Secretário-geral da maior central sindical do país.

Edmundo Mendes  alega adulteração de autos do processo contra a UNTG e da Comissão Organizadora do Congresso feita pela juíza e diz que é “extremamente grave” e prometeu apresentar uma queixa junto do Conselho Superior da Magistratura sobre o que diz ser  “crime cometido pela juíza” do referido Tribunal.

Afirmou que depois da providência cautelar intentada contra a Comissão, o Tribunal decidiu suspender os órgãos da Comissão.

“A previdência cautelar ordena a suspensão do  congresso e a pessoa que a intentou deve entrar com uma ação principal, pedindo ao Tribunal o que quer. Foi nessa base que, na qualidade de advogado pedi à instância judicial para declarar a caducidade de todos os órgãos sociais da UNTG e, consequentemente, dos titulares dos mesmos”, salientou Edmundo Mendes.

Segundo  o advogado, a intenção era permitir que se fizesse um exercício estritamente necessário em harmonia com o conselho de gestão corrente, a declaração da inexistência da convocatória para realização do Vº Congresso, assim como a nulidade de todos os atos realizados pelo Conselho Central e a Comissão Organizadora e em consequência, condenar os réus a respeitarem escrupulosamente os estatutos.

Afirmou que a juíza, depois de todos procedimentos, sabia que não tinha condições objetivas para rejeitar aquilo que foi pedido no processo,  violou e “criou uma exceção dilatória, alegando que a queixa não foi intentada contra a UNTG, mas sim, contra pessoas singulares, o que Edmundo diz “não  corresponde minimamente à verdade”.

Edmundo Mendes negou que a queixa tenha sido intentada contra pessoas singulares, mas sim contra a atuação dos órgãos sociais da Central sindical, neste caso, o Secretário-geral cessante, Júlio Mendonça, enquanto titular do órgão, e a Comissão Organizadora.

O advogado Acrescentou que intentou queixa contra os membros da Comissão Organizadora do Vº congresso, nomeadamente Alves Té, Presidente da Comissão, Maria Olívia Ferrage Brito Almeida Vice-Presidente, Malam Injai, Epifânia Sousa Rodrigues e Sancidim Seide, ambos membros da Comissão, e o secretário-geral cessante Júlio Mendonça.

“O processo judicial foi movido contra a UNTG, mas como a juíza quer fazer banditismo no processo resolveu pura e simplesmente no seu relatório de fundamentação argumentar que a queixa foi movida contra pessoas singulares. Como é possível uma juíza ter coragem de modificar partes no processo para depois invocar a ilegitimidade da queixa, isso é grave para a justiça guineense”, lamentou Edmundo Mendes.

O advogado acusou a juíza do processo  de tentativa de “favorecimento forçado, desvirtuando os autos daquela maneira”.

Sobre o processo de votação realizada no passado sábado que legitimou Júlio Mendonça como secretário geral da UNTG, Edmundo Mendes revelou que foram notificados sobre o requerimento de interrupção de recurso de agravo, porque o despacho foi suspenso, de maneira que “não houve nenhuma realização de congresso, ainda que a votação tenha decorrido em cinco minutos”.

ANG/LPG/ÂC//SG

 

 

Justiça/Lider do MDG pede prorrogação do prazo dado aos partidos políticos para “darem sinal de vida”

Bissau,01 Nov 22(ANG) - O líder do partido Movimento Democrático Guineense (MDG), Silvestre Alves, disse esperar  que o prazo dado às formações políticas pelo Supremo Tribunal de Justiça(STJ)  para provarem suas existências seja prorrogado.

"Agora que está mais claro de que as eleições legislativas não terão lugar a 18 de dezembro, naturalmente que este prazo de 30 dias dado pelo Supremo Tribunal de Justiça deverá ser prorrogado, e é o que nós esperamos na nossa leitura jurídico-política da situação",disse Alves, em declarações a DW África.

Para Silvestre Alves esta é a única forma que os partidos políticos têm para conseguir reunir as condições básicas, dentro do prazo, para provar ao STJ a sua condição de pessoa coletiva.

O prazo de 30 dias dado pelo Supremo Tribunal de Justiça (STJ), aos partidos políticos, para provarem um conjunto de situações, entre elas a sua existência, terminou segunda-feira(31).

No país, as opiniões divergem em relação à posição assumida pela instância judicial.

Segundo o despacho da máxima instância de justiça guineense, datado de 24 de setembro, os partidos deviam, até  segunda-feira, apresentar-se ao STJ com documentos que comprovem que possuem uma sede própria, que tenham atualizado os seus órgãos, referindo-se à realização do congresso, e provarem que têm pelo menos mil militantes inscritos.

No mesmo documento, o STJ referiu que várias formações políticas não registaram qualquer atividade cuja anotação se impõe nos termos da Lei-Quadro dos partidos políticos, em vigor na Guiné-Bissau.

Segundo a DW África, entre os poucos partidos que aceitaram falar  sobre a matéria, está o Partido Social Democrata (PSD).

O seu líder António Samba Baldé não se opôs à posição do STJ, mas considera que a própria instituição não conseguiu, em devida altura, orientar os partidos políticos sobre como se elabora o processo de reconhecimento, nem como se faz a preparação do dossiê desses mil militantes.

Apesar da aceitação, por parte dos  partidos políticos, da decisão do Supremo Tribunal de Justiça, há também várias opiniões críticas sobre o despacho daquela instância judicial, que acusam o órgão de ter um posicionamento político e parcial, numa altura em que várias formações políticas não podem realizar o seu congresso, por várias razões.

Ouvido pela DW África, o jurista Cabi Sanhá defendeu que "as instituições judiciárias têm que estar equidistantes da política partidária''.

"Os partidos que não provarem a sua existência e não realizarem os seus congressos para a renovação dos órgãos, naturalmente que não podem participar nas eleições. Mas com todo esse cenário político e com todas essas circunstâncias, quando o Supremo Tribunal de Justiça assume o presente posicionamento, parece que está a prestar vassalagem a alguém", referiu.


A Guiné-Bissau, com menos de dois milhões de habitantes, conta com mais de 50 partidos políticos legalizados.
ANG/DW

 

         Diplomacia/Presidente da República do Togo  visita Guiné-Bissau

Bissau, 01 Nov 22(ANG) – O Presidente da República de Togo, Faure Essozimna Gnassingbé efetuou uma visita de trabalho de algumas horas na segunda-feira à   Guiné-Bissau, no decurso da qual manteve um encontro de trabalho com o chefe de Estado guineense, Umaro Sissoco Embaló.

Faure Essozimna Gnassingbé foi acolhido no Aeroporto Osvaldo Vieira pelo seu homólo guineense, e prestadas as honras devidas ao ilustre visitante, os dois Chefes de Estado realizaram um encontro de trabalho, restrito, no Palácio da República

Segundo uma nota da Presidência da República, os dois Chefes de Estados apreciaram, à luz das deliberações tomadas nas últimas sessões da Conferência dos Chefes de Estado e de Governo da CEDEAO, a evolução da conjuntura política e de segurança na  sub-região, em particular no Mali. Avaliaram, nomeadamente, a consistência das respostas, das autoridades malianas de Transição com vista a restauração do Estado de Direito Democrático no Mali, nos termos do Protocolo Adicional sobre Democracia e Boa Governação e das pertinentes decisões da conferência dos chefes de Estados e de Governo da CEDEAO.

Ainda passaram em revista as relações bilaterais entre a Guiné-Bissau e o Togo, congratulando-se com os progressos já alcançados, nomeadamente na concertação diplomática entre as autoridades dos dois países, um mecanismo que dizem ser importante para potenciar as relações de cooperação entre a Guiné-Bissau e o Togo. 

Cumprido o programa da sua visita de trabalho, o Chefe de Estado do Togo expressou o seu agradecimento ao Presidente Sissoco Embaló, Presidente da Conferência dos Chefes de Estado e de Governo da CEDEAO pela receção calorosa e hospitalidade reservada a si e à delegação que o acompanhou. ANG/JD//SG

  

segunda-feira, 31 de outubro de 2022


Comunicação social
/Nova direção do Sindicato de Base do Jornal Nô Pintcha toma posse

Bissau,  31 Out 22 (ANG) -  A nova direção do Comité Sindical de Base do Jornal Nô Pintcha, eleita numa Assembleia Geral realizada no passado dia 14 do corrente mês, foi hoje empossada.

Ao presidir o acto, o Presidente de Sindicato Nacional dos Orgãos Públicos de Comunicação Social (SINPOPUCS), Domingos José Gomes disse que a direção do Jornal e o sindicato devem ser parceiros inquestionáveis  e trabalharem juntos para atingirem objetivos para O bem do Jornal.

"Estamos aqui para assistir e conferir posse a nova direção do sindicato de base do Jornal Nô Pintcha, um ato que é para nós bastante importante tanto para os trabalhadores como para a direção do Jornal”, salientou.

Para aquele responsável, o sindicato deve trabalhar sempre em parceria com a direção do jornal e não se transformar num opositor levando o tempo inteiro nas lutas cíclicas que em nada ajudam.

Disse que estão muito indignados com a forma como o Governo está a tratar os funcionários recem efetivados na função pública e exige o executivo a pagar o salário destes trabalhadores que constituem a maioria dos funcionários, que sem a qual os órgãos de comunicação social de Estado não estariam a trabalhar.

Domingos Gomes frisou que hoje está no ato de posse dos novos orgãos de sindicato de base de Jornal Nô Pintcha e que amanhã a Televisão da Guiné-Bissau (TGB) vai votar para escolher a nova direção do sindicato.

Exortou os sindicatos de base da Rádio Difusão Nacional (RDN) e da Agência de Noticias da Guiné (ANG) no sentido de renovarem os seus orgãos, a fim de poderem estar competentes para resolver problemas que lhes dizem respeito.

Por seu turno, Seco Baldé Vieira, presidente eleito para dirigir o sindicato de base de Jornal Nô Pintcha promete que, na base da lei, vai saber defender e fazer respeitar, a todo o custo, os direitos laborais no Jornal.

"Temos a consciência clara sobre o risco e as consequências de assumção deste desafio, mas nunca daremos costas às responsabilidades que pendem sobre nós , pelo fato de todos acreditarem e depositarem suas esperanças em nós , para, em conjunto, resgatamos os valores do nosso Jornal, que ao longo dos últimos anos foram postos em causa, em troca de interesses ainda por confessar”, disse.

Seco Baldé defendeu que vai ser intransigente na defesa dos direitos dos trabalhadores, assim como no cumprimento dos seus deveres e obrigações como funcionários públicos, para não serem incoerentes com seus propósitos enquanto sindicalista.

Para Baldé Vieira, o desafio do momento exige esforços e compromissos sérios de cada um para poderem invertir o atual estado de coisas no Jornal e enfrentar o sistema imposto, assente na falta de diálogo e colaboração .

O novo lider sindical do jornal estatal  exige  a disponibilização do valor de um milhão de francos cfa assumido pela direção do Nô Pintcha para constituição do capital de um fundo social, aprovado  numa reunião geral convocada para o efeito.

Denunciou  que num universo de 34 funcionários, o  Jornal Nô Pintcha dispõe de cinco viaturas, nomeadamente duas ambulâncias para o transporte do pessoal e três automóveis executivos mas que  os trabalhadores são obrigados a se deslocar  para o serviço com seus parcos meios económicos, enquanto viaturas são ocupadas com serviços às vezes alheios e sem alguma explicação.

Seco Baldé Vieira, em nome dos trabalhadores do Jornal Nô Pintcha felicitou o Sindicato Nacional dos Orgãos Públicos de Comunicação Social (SINPOPUCS) pelas suas diligências que culminaram na  efetivação de 100 jornalistas e técnicos dos orgãos públicos , inclusive alguns funcionários administrativos do Ministério da Comunicação Social.  

Seco Baldé Vieira substitui Julciano Baldé que  havia colocado  o cargo a disposição dos trabalhadores.ANG/MI/ÂC//SG 

    Brasil/ Felicitações do mundo pelo regresso de Lula à presidência do país

Bissau, 31 Out 22 (ANG) - Lula da Silva reencontra-se com a História ao regressar à Presidência do Brasil, após vencer domingo (30) a segunda volta das presidenciais brasileiras, derrotando Jair Bolsonaro pela mais curta margem de sempre das eleições no país sul-americano.


A vitória de Lula, que obteve 60.329.149 votos (50,90%) enquanto Jair Bolsonaro se ficou pelos 58.197.923 votos (49,10%), numa altura em que encontram apuradas 99,97% das secções de voto, começou a desenhar-se quando o Tribunal Superior Eleitoral do Brasil tinha concluído o escrutínio em 67,76% das secções.

Com este resultado, Jair Bolsonaro não conseguiu evitar a derrota nas eleições presidenciais de domingo, perdendo na segunda volta contra o ex-chefe de Estado Lula da Silva, tornando-se no primeiro presidente brasileiro a não ganhar uma reeleição.

Lula da Silva, que já cumpriu dois mandatos entre 2003 e 2011, terá como vice-presidente Geraldo Alckmin, do Partido Socialista Brasileiro (PSB), que já havia sido seu opositor nas eleições presidenciais de 2006, então pelo Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB).

O chefe de Estado português, Marcelo Rebelo de Sousa, foi o primeiro a felicitar o presidente eleito do Brasil, Lula da Silva, e manifestou-se certo de que o seu mandato corresponderá a um período promissor nas relações com Portugal.

"O Presidente da República felicita o presidente Luiz Inácio Lula da Silva pela eleição como presidente da República Federativa do Brasil, com a certeza de que o mandato, que vai iniciar em Janeiro próximo, corresponderá a um período promissor nas relações fraternais entre os povos brasileiro e português e por isso também entre os dois Estados", lê-se numa mensagem publicada no portal oficial da Presidência da República Portuguesa na Internet.

Marcelo Rebelo de Sousa já anunciou a intenção de estar presente na posse de Lula da Silva, em 1 de Janeiro de 2023, em Brasília.

Sucederam-se muitas mensagens de felicitações, designadamente do primeiro-ministro de Portugal, António Costa, que enquanto secretário-geral do PS, tinha manifestado dias antes do escrutínio apoio a Lula da Silva.

Na sua mensagem, António Costa afirmou que já teve a oportunidade de "felicitar calorosamente" Lula da Silva pela sua eleição como presidente do Brasil e manifestou "grande entusiasmo" com a perspectiva de trabalho conjunto nos próximos anos.

"Já tive a oportunidade de felicitar calorosamente Lula da Silva pela sua eleição como presidente da República do Brasil. Encaro com grande entusiasmo o nosso trabalho conjunto nos próximos anos, em prol de Portugal e do Brasil, mas também em torno das grandes causas globais", escreveu António Costa na sua conta na rede social Twitter.

Outras mensagens de felicitações pela eleição vieram dos mandatários dos países do continente americano, como Argentina, Cuba, Bolívia, Chile, México e também da Europa, como do primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, e do presidente francês, Emmanuel Macron.

O presidente norte-americano, Joe Biden, também se associou às felicitações a Lula da Silva, manifestando empenho em "continuar a cooperação" entre os dois países.

"Envio as minhas felicitações a Luiz Inácio Lula da Silva pela sua eleição para ser o próximo presidente do Brasil, após eleições livres, justas e credíveis", afirma o chefe de Estado norte-americano, na declaração, acrescentando: "Estou ansioso por trabalhamos juntos para continuar a cooperação entre os nossos dois países nos próximos meses e anos".

O primeiro-ministro do Canadá, Justin Trudeau, felicitou igualmente a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva, com quem está "ansioso por trabalhar", nomeadamente em temas que ambos consideram prioritários como "a proteção do ambiente".

O primeiro-ministro canadiano utilizou a rede social Twitter para demonstrar o seu apoio a Lula da Silva, presidente eleito no Brasil. "O povo do Brasil falou. Estou ansioso por trabalhar com @LulaOficial", afirmou.

Na sua primeira declaração após ser anunciada a vitória, Lula da Silva disse que o povo brasileiro é "o grande vencedor" das eleições e declarou-se pronto para governar o país "numa situação muito difícil", após terem tentado enterrá-lo "vivo".

"Hoje chegamos ao final de uma das eleições mais importantes. Hoje tem um único e grande vencedor, o povo brasileiro", declarou Luiz Inácio Lula da Silva, na sua sede de candidatura, em São Paulo.

Nas suas primeiras palavras após a confirmação da sua eleição como presidente da República do Brasil, Lula da Silva afirmou-se como "um cidadão que teve um processo de ressurreição na política brasileira".

“Tentaram encontrar-me vivo e eu estou aqui”, disse, perante apoiantes.

O processo judicial que marcou Lula da Silva foi referido pelo presidente de Timor-Leste, José Ramos-Horta, que na sua mensagem de felicitações considera que a vitória de Lula da Silva significa ter sido "feita justiça ao restaurar-se a vibrante democracia brasileira".

"Parabéns Amigo Lula! Parabéns Povo Brasileiro! Justiça foi feita ao restaurar-se a vibrante democracia brasileira e assim corrigirem-se os graves atropelos ao Estado de Direito, as graves injustiças na perseguição e manipulação do poder judicial contra Lula", escreve Ramos-Horta na sua mensagem de felicitações.

Também o presidente da Guiné-Bissau, Umaro Sissoco Embaló, felicitou Lula da Silva pela sua vitória e desejou o reforço das relações bilaterais.

"Umaro Sissoco Embaló deseja que o Brasil e a Guiné-Bissau trabalhem juntos e fortaleçam as excelentes relações bilaterais existentes entre os dois países", refere uma mensagem na página oficial da Presidência guineense na rede social Facebook.

O chefe da diplomacia da União Europeia, Josep Borrell, deu os parabéns a Lula da Silva, e considerou que as eleições deste domingo, "pacíficas e bem organizadas", demonstraram "a solidez das instituições brasileiras e da sua democracia".

"A União Europeia elogia em particular o Tribunal Eleitoral pela forma eficaz e transparente como conduziu o seu mandato constitucional ao longo de todas as fases do processo eleitoral, demonstrando mais uma vez a solidez das instituições brasileiras e da sua democracia", lê-se na declaração de Borrell.

O derrotado Jair Bolsonaro ainda não comentou a vitória de Lula da Silva.ANG/Angop


Guerra/Ucrânia acusa Rússia por tornar "impossível" a exportação de cereais

Bissau, 31 Out 22 (ANG) - A Rússia anunciou no sábado (29) a suspensão do acordo que permitia o escoamento de cereais ucranianos negociado em Julho sob os auspícios das Nações Unidas e da Turquia, como resposta ao ataque com drones à frota russa do Mar Negro.

A suspensão do acordo que facilitava a exportação de cereais ucranianos no Mar Negro, assinado em Julho entre a Ucrânia e a Rússia, sob os auspícios das Nações Unidas e da Turquia, teve um efeito imediato. Nenhum navio foi autorizado a circular no dia de hoje.

Amir Mahmoud Abdulla, coordenador da “Iniciativa Grãos do Mar Negro”, assinada em Istanbul com a presença das Nações Unidas confirmou que "não foi alcançado um acordo no Centro de Coordenação Conjunta para a movimentação de embarcações de entrada e saída para 30 de Outubro".

O coordenador afirma num comunicado de imprensa que nove navios puderam transitar ontem pelo corredor marítimo humanitário e que de dez navios estão actualmente à espera de uma autorização.

Esta decisão foi tomada horas após um ataque maciço com drones ter visado a frota russa do Mar Negro. O embaixador russo nos Estados Unidos, Anatoly Antonov, alegou que "a preparação deste ato terrorista e o treinamento dos militares do 73º centro de operações marítimas especiais da Ucrânia foram realizados por especialistas britânicos baseados em Ochakov, na região de Mykolaiv, na Ucrânia".  Londres por sua vez nega a acusação.

Enquanto o secretário-geral das Nações Unidas afirmou estar preocupado com a situação, em Washington, o presidente norte-americano Joe Biden e o secretário de Estado Antony Blinken condenaram energicamente a decisão de Moscovo. O chefe da diplomacia da União Europeia, Josep Borrell pediu à Rússia para que voltasse ao acordo, estimando que a decisão coloca em perigo a “principal via de exportação de cereais ucranianos (…) indispensáveis para conter a crise alimentar mundial provocada pela guerra na Ucrânia”.

O ministro da Infraestrutura da Ucrânia, Oleksander Kubrakov acusou a Rússia pelo bloqueio cereais. "Esses alimentos eram destinados aos etíopes, que estão à beira da fome. Mas devido ao bloqueio da Rússia ao 'corredor de grãos', a exportação é impossível", continuou. Esta fala recebeu o respaldo do Ministro das Relações Exteriores, Dmytro Kuleba.

Por sua vez o ministro da Defesa turco, indicou que as inspecções em Istambul de navios com grãos ucranianos devem continuar "hoje e amanhã". ANG/Angop

 

     Portugal/ SEF abriu mais de 60.000 vagas de atendimento para imigrantes

Bissau, 31 Out 22(ANG) – O SEF abriu mais de 60.000 vagas de atendimento para imigrantes, o que vai permitir reduzir os prazos para obtenção e renovação de autorizações de residência, revelou, no domingo, o Ministério da Administração Interna (MAI) de Portugal.

Segundo a Lusa que cita uma nota , o MAI precisou que “a abertura de mais de 60.000 vagas para atendimento no Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF), já iniciada, é uma das medidas em curso para reduzir os prazos existentes por força da pandemia e do aumento exponencial de novos pedidos”.

Nos últimos dias tem sido notícia que milhares de imigrantes, a maioria brasileiros, estão, já há algum tempo, sem conseguir renovar as suas autorizações de residência, entretanto expiradas, ficando assim impossibilitados de sair de Portugal e, muitos, impedidos de encontrar trabalho ou abrir uma conta bancária.

Os estrangeiros que estão nesta situação, segundo o SEF, “estão acautelados” no decreto-lei aprovado em Março de 2020, devido à pandemia, que “assegura a validade dos documentos e vistos relativos à permanência em território nacional até 31 de Dezembro de 2022”.

Há ainda milhares de outros imigrantes que apresentaram uma manifestação de interesse junto do SEF e aguardam um contacto deste serviço de segurança para obter uma autorização de residência.

Segundo o MAI, o SEF abriu, a 14 de Outubro, 13.624 vagas para concessão de cartão de residência de familiar de cidadão da União Europeia e 15.184 vagas para reagrupamento familiar, tendo sido disponibilizadas, quatro dias depois, 13.624 vagas para concessão de título de residência.

O Ministério tutelado por José Luís Carneiro avança também que, a 26 de Outubro, ficou acessível a funcionalidade de renovação automática para os cerca de 33.500 cidadãos estrangeiros cujas autorizações de residência caducam até 31 de Dezembro de 2022.

De acordo com o MAI, o Centro de Contacto do SEF tem 50 funcionários que atendem mais de 3.000 chamadas diárias, de segunda a sexta-feira e com tempo médio de espera de 10 minutos, num horário alargado (08:00 às 20:00) e em 21 línguas, designadamente português, alemão, amharic, árabe, cazaque, crioulo de Cabo Verde, crioulo de São Tomé Príncipe, espanhol, francês, georgiano, hindi, húngaro, inglês, nepali, persa, romeno, russo, tigre, turco, ucraniano e uzbeque.

O MAI sublinha ainda que “a recente conclusão do concurso de admissão de 116 novos assistentes técnicos, a adopção de um novo procedimento simplificado de instrução dos pedidos de concessão de residência, bem como a reativação do programa ‘SEF vai à escola’ são outras das medidas que vão ajudar a corrigir essa situação”.

O programa “SEF vai à Escola” foi lançado em 2009 no âmbito de um protocolo entre o MAI (representado pelo SEF) e o Ministério da Educação para regularização documental dos menores estrangeiros em situação irregular que frequentam a escola.

Dados divulgados pelo SEF dão conta que o número de novos imigrantes em Portugal ultrapassou, no primeiro semestre do ano, o total de 2021 ao serem atribuídos cerca de 133.000 novos títulos de residência.

Em 2020 e 2021, dois anos considerados atípicos devido à pandemia de covid-19, os novos títulos de residência emitidos pelo SEF diminuíram, 118.124 e 111.311 respectivamente, mas os novos imigrantes no primeiro semestre ultrapassaram o total do ano de 2019, que chegaram aos 129.155.

Dos 133.000 novos títulos de residência, 48.000 foram atribuídos a brasileiros (mais de um terço), que são a maior comunidade residente no país.

A população estrangeira residente em Portugal ultrapassa 800.000 pessoas, sendo a brasileira a maioria comunidade, com mais de 250 mil. ANG/Inforpress/Lusa

 

       Burkina Faso/ Presidente reforça intenção de realizar eleições em 2024

Bissau, 31 Out 22 (ANG) -O Presidente transitório do Burkina Faso, Ibrahim Traoré, reforçou, recentemente, junto da União Europeia (UE) a sua intenção de respeitar o calendário de transição e de realizar eleições no país em 2024, afirmou um porta-voz comunitário.

"A UE teve contacto com o capitão Traoré, tanto bilateralmente como no corpo diplomático internacional, que confirmou durante estas reuniões a sua vontade de cooperar com todos os parceiros do Burkina Faso", explicou o porta-voz.

O líder do golpe militar de setembro no Burkina Faso nomeou um novo Governo na terça-feira, depois de o advogado Apolinaire Joachim Kyelem de Tambela ter sido nomeado primeiro-ministro transitório no fim-de-semana.

O país foi palco de dois golpes de Estado em menos de um ano, sendo que o primeiro foi em janeiro, e o capitão Troré depôs em Setembro Paul-Henri Sandaogo Damiba, o agora ex-presidente de quem De Tambela era crítico. 

Em Bruxelas, foram tomadas notas dos compromissos assumidos pela nova junta militar, incluindo o respeito pelo calendário de transição e a realização de eleições em 2024, tal como acordado com a Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) durante uma visita realizada na semana após o golpe militar.

Em termos de financiamento europeu para o Burkina Faso, a UE está empenhada em apoiar a população burquinabê afectada pelos dois golpes sucessivos e pela actual crise alimentar, e a continuar a prestar apoio directo à população na medida do possível.

No total, a UE tem 384 milhões de euros destinados ao Burkina Faso até 2024 para fomentar a paz, a coesão social, a boa governação, o desenvolvimento local, o desenvolvimento humano inclusivo e a promoção de uma economia verde e resiliente. 

Parte deste envelope já tinha sido autorizado até ao final de 2021, num montante total de 200 milhões de euros, não tendo sido processadas novas transferências desde o golpe em Janeiro.

Sobre a cooperação com as novas autoridades, o porta-voz insistiu que a instituição "segue de perto a evolução da transição para a restauração das instituições democráticas".

"As próximas semanas e meses serão cruciais", sublinhou o representante dos 27.

No seu discurso de tomada de posse, Traoré prometeu defender a Constituição e a carta de transição, agir como garante da segurança nacional e pôr fim aos meses tumultuosos no Burkina Faso. 

O golpe, considerado um "golpe palaciano" (um golpe de Estado pelo qual um governante ou é removido por forças pertencentes ao mesmo governo, sem seguir as normas legais estabelecidas para a substituição das autoridades) por uma secção da junta militar contrária a Damiba - que fugiu para o Togo - teve lugar face à contínua deterioração da situação de segurança e aos ataques dos grupos terroristas.

Empossado em 21 de Outubro como Presidente da transição pelo Conselho Constitucional, o capitão Traoré assegurou que os seus "objetivos não são outros que a reconquista do território ocupado pelas hordas de terroristas".

Os grupos extremistas controlam aproximadamente 40 por cento do território burquinabê.

O país está mergulhado numa espiral de violência desde 2015, cujos principais actores são movimentos extremistas ligados à Al-Qaida e ao grupo extremista Estado Islâmico. ANG/Angop