quinta-feira, 30 de novembro de 2023

       Estado Unidos/ Morreu Henry Kissinger: o diplomata do século

Bissau,30 Nov 23(ANG) - Henry Kissinger, antigo secretário de Estado dos Presidentes americanos Richard Nixon e Gerald Ford, morreu nesta quarta-feira, 30 de Novembro, aos 100 anos.

Actor incontornável da diplomacia mundial, durante a Guerra Fria, Kissinger vê a imagem manchada devidos às ligações com o golpe de estado de 1973 no Chile, a invasão de Timor Leste em 1975 e à guerra no Vietname.

Henry Kissinger morreu em casa, no Connecticut e para já não são conhecidas as circunstâncias da morte. Em comunicado a família avança que Kissinger será sepultado numa cerimónia privada da família, seguindo-se posteriormente uma cerimónia pública em Nova Iorque.

Heinz Alfred Kissinger nasceu em Furth, na Baviera, sul da Alemanha, a 27 de maio de 1923, e em 1938 mudou-se para os Estados Unidos com a família, antes da campanha nazi para exterminar os judeus europeus.

Em 1943 naturalizou-se cidadão americano, tendo mudado o nome para Henry. Mais tarde entra para o serviço de contraespionagem e para o exército norte –americano, viajando depois para Europa, durante a segunda Guerra Mundial, como intérprete alemão.

De regresso aos Estados Unidos, inscreve-se em Relações Internacionais, na Universidade de Harvard, antes de aí lecionar e de se tornar um dos seus diretores. É nessa altura que os Presidentes democratas John Kennedy e Lyndon Johnson se começam a aconselhar com Kissinger.

Nos anos 60, Kissinger trabalha como consultor de agências governamentais, actuando como intermediário do Departamento de Estado no Vietname. Utilizou as suas ligações com a administração do presidente Lyndon Johnson para transmitir informações sobre as negociações de paz ao campo de Nixon.

Em 1968, Richard Nixon ganhas as eleições presidenciais com a promessa de acabar com a guerra no Vietname e convida Henry Kissinger como conselheiro de segurança nacional.

Todavia, o processo de transferir o peso da guerra das forças americanas de 500 mil soldados para os sul-vietnamitas – fica marcado por episódios sangrentos  e por bombardeamentos maciços dos Estados Unidos contra o Vietname do Norte, a exploração dos portos do norte e o bombardeamento do Camboja.

Em 1972, Henry Kissinger declara que "a paz está próxima" no Vietname, mas os Acordos de Paz de Paris alcançados em Janeiro de 1973 foram pouco mais do que um prelúdio para a tomada final do sul pelos comunistas dois anos mais tarde.

Um ano mais tarde, para além do seu papel de conselheiro para a segurança nacional, Kissinger foi nomeado secretário de Estado - o que lhe conferiu uma autoridade incontestada na diplomacia norte-americana.

É em 1973 que Henry Kissenger recebe o Nobel da Paz  - atribuído conjuntamente com LeDuc Tho, do Vietname do Norte, que viria a recusá-lo. Na altura, dois membros do Comité Nobel demitiram-se por causa da selecção, quando surgiram questões sobre o bombardeamento secreto do Camboja pelos EUA.

O conflito israelo-árabe implica Kissinger numa diplomacia pessoal, tendo realizado onze viagens entre Israel, a Síria e o Egito até se chegar a um acordo.

Henry Kissinger estabeleceu ainda relações com o principal rival comunista, a China, tendo efectuada duas viagens ao país, incluindo uma secreta para se encontrar com o primeiro-ministro Zhou Enlai.  Os eforços diplomáticos acabaram com a histórica cimeira de Nixon em Pequim com o Presidente Mao Tsé-Tung e a eventual formalização das relações entre os dois países.

A história recorda ainda Kissinger pelo apoio dado a ditaduras como as da Argentina, entre 1976 e 1983, aos últimos anos do regime de Francisco Franco, em Espanha, e ao golpe de Estado contra Salvador Allande, no Chile, em 1973.

Henry Kissinger deslocou-se ainda a Portugal, a 12 de agosto de 1975, para se reunir na com embaixador dos EUA em Lisboa, Frank Carlucci, e vários membros do Departamento de Estado, em Washington, incluindo William Hyland, diretor do Departamento de Informações e Pesquisa do Departamento de Estado.

A deslocação acontece um ano depois do 25 de Abril que derrubou a ditadura e o Governo de Lisboa era liderado por Vasco Gonçalves, o "inimigo número um" dos EUA. Frank Carlucci e William Hyland concluíram que o maior risco para os objetivos norte-americanos eram António de Spínola, o primeiro presidente pós-25 de Abril e que liderou o 11 de março, e a extrema-direita. Na acta da reunião, o ex-secretário de Estado norte-americano defendeu que não era assim "tão contra" um golpe de estado de direita em Portugal durante o processo revolucionário de 1975 e admitiu fornecer armas ao "grupo dos Nove".

Henry Kissinger abandona a administração norte-americana em 1977, o que não o impediu de manter a sua influência na diplomacia internacional. Em Julho de 2023, foi recebido pelo Presidente Xi Jinping, numa altura de relações tensas entre a China e os Estados Unidos. Henry Kissinger, presença habitual na Casa Branco, trabalhou nos bastidores da diplomacia até ao fim.ANG/RFI

 

quarta-feira, 29 de novembro de 2023


Saúde pública
/Ministro defende como prioridade às politicas de saúde centrada no controlo de venda de medicamentos e abertura de clinicas  no país

Bissau, 29 nov 23 (ANG) – O  ministro da Saúde Pública defendeu hoje como prioridade, às politicas de saúde centrada no controlo de venda de medicamentos e abertura de clinicas que se verifica no país

Domingos Malú respondia hoje no parlamento algumas questões levantadas pelos deputados sobre o sector da saúde pública guineense, no âmbito de  interpelação dos alguns membros do governo ,iniciada segunda-feira com ministro da Economia e Finanças, da ministra do Interior sobre algumas situações nas suas áreas de intervenções.

Os deputados interpelaram hoje o ministro da Saúde sobre a isenção de pagamento de consultas para as crianças de zero à cinco anos, das gràvidas e idosos, situação que não se verifica nas regiões.

Abordaram ainda o governante sobre, a  dificuldade na obtenção da junta médica, da situação disfuncionamento do Laboratório Nacional, a colocação de aparelhos de raio X nos hospitais regionais e dos fundos e materiais doados ao governo no quadro de combate a Covid-19.

Sobre a situação de precariedades das farmácias, o ministro da Saúde disse que após ter assumido a função percebeu que é preciso melhor ainda alguma coisa, para o efeito reuniu-se com os proprietários das Farmácias, na qual acordaram que até final deste mês, todas elas serão inspecionados e aquele não que reunir condições exigidas, em termos de conservação de medicamentos e de edifício para funcionamento vão ser fechados.

Em relação as clinicas informou que não existe no Ministério da Saúde nenhuma disposição legal que estabelece as condições em que se pode abrir uma clinica ou consultoria médica no país.

Situação que o ministro da Saúde Pública diz merecer a sua preocupação, porque as clinicas são abertas sem  parecer dos serviço de inspeção para o efeito, por isso prometeu trabalhar para  elaboração de estratégias para definir as condições de atribuição de licença para abertura de uma clinica ou consultoria médica.

Relativamente a nomeação dos delegados regionais de saúde, justificou a mudança de alguns com a necessidade de obtenção dos resultados na missão que lhes foram confiadas.

“Durante a visita que efectuamos  alguns centros de saúde regionais constatamos que os utentes pagam em algumas zonas, 19 mil francos por uma garrafa de soro canalizado”, informou.

A título de exemplo, Domingos Malú disse ter constatado esta prática no sector de Bigene, região de Cacheu e perguntou  o delegado regional se sabe desta situação e a resposta é não,  frisando que, o mesmo acontece no centro de saúde de Biombo, com o teto a desabar nos olhos do delegado de saúde e sem nenhuma nota informativa sobre situação.

Quanto a redução da morte materna infantil, através da isenção de pagamento de consulta para as crianças de zero à cinco anos, grávidas e dos idosos, o ministro da Saúde reconheceu que não está a ser observada na totalidade, mas garantiu aos deputados de que está em condições de controlar a situação, com medidas sérias.

Em relação aos aparelhos de Raio X e de ecografia nos hospitais regionais, o ministro da Saúde Pública informou que no momento os aparelhos de Raio X estão instalados em todos os hospitais regionais, mas o problema tem a ver com a insuficiência dos técnicos, porque no mínimo é necessário 4 técnicos por cada aparelho.

Sobre alegada dificuldade na obtenção da junta médica nacional para Portugal admite que sempre constitui problemas.

“Antes o processo da junta não era escaneada, mas agora o processo é escaneado graças uma parceria com Direção de saúde de Portugal, através de uma plataforma que foi criada para controlar os processos médico, porque existe uma intervenção muito forte não só aqui no país, mas assim como em P Portugal”, explicou.

Para além disso, Domingos Malú  revelou que existe outro processo de junta médica privada e quando o seu requerente não consegue obter visto na Embaixada recorre ao Ministério para efeito, alegando serem aqueles que se queixam da morosidade dos processos.

Domingos Malú afirmou que a junta médica nacional tem a ver com Estado e que não é o ministro que concede junta, mas sim o médico através da história clínico do doentes que será submetida a apreciação de uma comissão conjunta para  validação e só com confirmação de marcação de consulta em Portugal é que o ministro assina os documentos.

Informou que, o Laboratório Nacional de Saúde, foi criado desde 1978, através da cooperação sueca e deixou de funcionar durante guerra de 07 de junho, adiantando que, no final desse conflito em 1999 o Laboratório foi recuperado é único momento que beneficiou de alguns parceiras pontuais, até porque o OGE não prestava nada para o seu funcionamento.

“O nosso Laboratório é reconhecido a nível internacional, porque a título de exemplo, Canada, África de Sul entre outros países mais avançados enviam para o país alguns resultados de análise para serem confirmados no nosso Laboratório”, enalteceu.

Para depois, lamentar o facto de, durante o combate a covid-19 não terem beneficiado de nenhum apoio financeiro ou material em detrimento dos privados, até porque o primeiro caso foi detetado no Laboratório. Razão pela qual disse que é necessário criar condições em termos de  meios para continuar com o processo de analisar as mostras que são recolhidas.

“É um laboratório com capacidade de controlar qualquer tipos de vírus no país, porque a sua avaliação subiu em termos de qualidade de 29 para 60 por cento de credibilidade em termos de produção de resultados de analise”, revelou Domingos Malú.

Situação que, Domingos Malú prometeu inteirar-se junto do responsável máximo do Laboratório para saber dos motivos de não concessão de fundos e materiais ao laboratório nacional de análise clinica.

Em relação ao financiamento no momento de covid-19, informou que as contas da Célula de Combate a covid-19 foi auditada e que o relatório já foi publicado, porque o período de contraditório, tanto individual, assim como colectiva da parte do gestor terminou, mas sem nenhuma contestação da direção da Célula.ANG/LPG/ÂC

      Justiça /PJ deteve luso-guineense com um quilograma de cocaína 

Bissau, 29 nov 23 (ANG) - A Polícia Judiciária detém recentemente um cidadão luso-guineense com mais de um quilograma de cocaína no aeroporto Internacional Osvaldo Vieira. 

Na nota da PJ publicada na sua pagina oficial, lê-se que o cidadão luso-guineense foi detido pela Unidade Nacional de Combate a Drogas, na posse de 98 cápsulas de cocaína, que correspondem a 1063.7 gramas. 

O suspeito segunda a nota, foi apresentado  ao Ministério Público para a aplicação das medidas de coação que se julgarem cabíveis ao caso.

“As cápsulas foram dissimuladas num saco plástico, sendo que o suspeito que transportava a referida droga preparava-se para embarcar no voo da companhia aérea EuroAtlantic com o destino para Lisboa, capital de Portugal, quando foi interceptado pelos agentes da Polícia Judiciária”,
explicou a PJ.ANG/LPG/ÂC

Justiça/PJ detém três kg de drogas e três agentes das forças de segurança por facilitarem  a fuga de suspeito

Bissau,29 nov 23 (ANG) - A Unidade de Combate à droga da Polícia Judiciária(PJ), sediada no aeroporto Internacional Osvaldo Vieira, procedeu recentemente à apreensão de três quilogramas de drogas, como também detiveram  três Agentes de Serviços das Forças de Segurança, por terem facilitado a fuga do suspeito de tráfico. 

 De acordo com a informação veiculada na página oficial da PJ guineense, os três agentes de Serviços das Forças de Segurança, foram incumbidos antes de operar no aparelho de Raio-X de bagagens no Aeroporto Internacional Osvaldo Vieira.

Adiantou que, um vídeo da câmara de segurança do Aeroporto mostra os três agentes de segurança junto do suspeito de tráfico, que circulava à vontade nos seus postos de trabalho, numa altura em que já se tinha detectado drogas na sua mala de mão, pelo que dispunham de competências para realizar a detenção e não o fizeram.

Os agentes envolvidos na fuga do suspeito são, um Subinspetor do Ministério do Interior, um Agente da Brigada de Ação Fiscal (BAF) e um Agente de Migração e Fronteiras.

A droga apreendida tinha como destino Lisboa (Portugal), verificado que o suspeito de tráfico ia num voo da companhia aérea portuguesa (TAP).

Os três Agentes das forças de Segurança detidos já foram apresentados ao Ministério Público na semana passada e aguardam em regime de prisão preventiva os ulteriores termos do processo. ANG/JD/ÂC

 


Política/
Juventude de APU-PDGB exige demissão do Governo liderado por Geraldo João Martins

Bissau, 29 Nov 23 (ANG) – A Juventude do Partido Assembleia de Povo Unido Partido Democrático da Guiné-Bissau (APU-PDGB), exigiu hoje a demissão do Governo liderado por Geraldo João Martins, por motivo do que considera da sua  “caducidade e  escândalo financeiro de 6 mil milhões de FCFA”.

Em conferência de imprensa, o Presidente da Juventude de APU-PDGB, Caustar Dafa, responsabilizou ao actual Presidente da Assembleia Nacional Popular (ANP) Domingos Simões Pereira, pela boicotar o Primeiro-ministro de se apresentar o seu programa do Governo no prazo de quinze dias, como tinha anunciado.

Realçou ainda que, o Primeiro-ministro Geraldo Martins tinha dito que apesar da lei lhe permite apresentar o seu programa do Governo num prazo de 60 dias, mas estaria em condições de o ter pronto dentro de 15 dias para apresentar a plenária, mas não foi o caso, até passar 60 dias que a lei lhe dá, tudo por algum motivo de interesse de Domingos Simões Pereira.

Acrescentou por outro lado que, no que toca com 6 mil milhões de FCFA pago às empresas credores do Estado, afirmou que, isso não passa de manobras de tentar tirar o seu proveito juntamente com os seus amigos.

“Sendo assim, apelamos ao Presidente da República Umaro Sissoco Embaló a assumir a sua responsabilidade enquanto primeiro magistrado da nação, uma vez que já está provado que o actual Governo não tem moral de governar o país”, sustentou Cautar Dafa.

Segundo o Presidente da Juventude Apuano, os 6 mil milhões distinado as empresas credores do Estado, podia ser investido em outras área prioritárias para colmatar as revindicações salarial que os técnicos de saúde estão a exigir no momento.

“O mesmo montante, também podia ser aplicado no setor da educação ou na compra de restantes castanhas de caju nas mãos de produtores que não conseguiram vender o produto até a data presente”, salientou.

Aquele responsável, disse que, todos os erros cometido  pelo actual Governo, provam claramente que não reúnem condições de continuar a frente de ninguém, por isso, convido-os a pediar dimissão perante ao Chefe de Estado”, alertou Dafa.ANG/LLA/ÂC

 

    

Vaticano/Papa admitiu que não se sente bem mas participou na audiência semanal

Bissau, 29 nov 23 (ANG) – O Papa Francisco presidiu hoje à sua audiência semanal com o público no Vaticano, mas disse que ainda não se sente bem e pediu a um assessor que lesse as suas observações, já que apenas consegue falar num sussurro.

Francisco, que completará 87 anos em 17 de dezembro e teve de remover parte de um pulmão quando era jovem, tossiu perto do final da audiência de uma hora quando fazia alguns comentários finais, apesar de se ter levantado da sua cadeira para dar as bênçãos.

Com uma voz suave, pouco acima de um sussurro, Francisco disse ao público que “não estava bem”, pelo que a leitura do seu discurso não ia “soar bem”.

Ainda assim, Francisco falou no final da audiência, expressando o seu contentamento com a trégua nos combates entre Israel e o Hamas, e dizendo que espera que a pausa continue “para que todos os reféns sejam libertados” e para que haja acesso à ajuda humanitária necessária em Gaza.

“Falta-lhes pão, água, as pessoas estão a sofrer”, lamentou Francisco.

Na terça-feira, o Vaticano anunciou que os médicos pediram ao Papa, que tem uma inflamação pulmonar que causa problemas respiratórios, para não fazer a viagem de três dias que estava programada para estar presente na conferência climática da ONU, conhecida como COP28, no Dubai.

A viagem teria começado na sexta-feira e o Papa regressaria a Roma no domingo.

O anúncio da Santa Sé sobre o cancelamento da viagem adiantava que a condição médica do Papa melhorou, mas observava que Francisco está com gripe e uma “inflamação das vias respiratórias”.

O Papa, que fez do cuidado com o ambiente uma prioridade de seu papado, quer, no entanto, participar de alguma forma nos debates da COP28 a realizar nos Emirados Árabes Unidos, segundo a Santa Sé.

Não ficou claro se Francisco poderia ler o seu discurso na conferência sobre o clima por videoconferência ou participar de alguma outra forma.

O Vaticano disse que o Papa concordou com o pedido dos médicos “com grande pesar”.

Perto do final da audiência de hoje, artistas de circo subiram ao palco para entreter o Papa com um ato acrobático, o que pareceu divertir Francisco, tendo mesmo posado com o grupo para uma foto.

"Quero agradecer por este momento de alegria”, disse, acrescentando que o circo expressa a dimensão humana da “simples alegria” e pedindo ao público que aplaudisse.

Francisco esteve hospitalizado no início deste ano durante três dias para tratamento intravenoso com antibióticos do que o Vaticano disse então ser uma bronquite.

O Vaticano acrescentou que o pontífice também está atualmente a receber antibióticos por via intravenosa.

Uma tomografia computadorizada, realizada num hospital de Roma em 25 de novembro, descartou pneumonia, segundo o Vaticano.ANG/Lusa

 

Conflito Médio Oriente/Guterres defende solução de dois Estados no Dia de Solidariedade com Povo Palestiniano

Bissau, 29 nov 23 (ANG) – O secretário-geral da ONU defendeu hoje o direito do povo palestiniano de viver em paz, em plena “catástrofe humanitária” em Gaza na sequência do conflito em curso com Israel, e reiterou o apoio à solução de dois Estados.

A mensagem de António Guterres surge no Dia Internacional de Solidariedade com o Povo Palestiniano, hoje assinalado, e na qual o líder da ONU refere que a data deve reafirmar a solidariedade internacional para com os palestinianos.

Segundo o secretário-geral das Nações Unidas, a resolução do conflito em curso entre Israel e o grupo islamita palestiniano Hamas, que controla a Faixa de Gaza desde 2007, “deve começar com um cessar-fogo humanitário de longo prazo, acesso irrestrito à ajuda, libertação de todos os reféns, proteção de civis e o fim das violações do direito humanitário internacional”.

Mas a resolução deste conflito, mas também do clima de tensão vivido no Médio Oriente, deve ir além disto, segundo afirmou o ex-primeiro-ministro português.

“Já está mais do que na altura de avançar de forma determinada e irreversível para uma solução de dois Estados”, disse Guterres, citado na página ‘online’ do serviço ONU News.

O acordo, alegou, deve ter como base as resoluções das Nações Unidas e o Direito Internacional, e permitir que “Israel e Palestina vivam lado a lado em paz e segurança, com Jerusalém como capital de ambos os Estados”.

Sublinhando que a data hoje assinalada acontece “durante um dos capítulos mais sombrios da história do povo palestiniano”, Guterres lembrou que quase 1,7 milhões de pessoas foram obrigadas a deixar as suas casas e que a situação na Cisjordânia ocupada, incluindo Jerusalém Oriental, também “corre o risco de explodir”.

O líder da ONU voltou a expressar condolências aos milhares de famílias que estão de luto, incluindo aos familiares dos funcionários das Nações Unidas mortos em Gaza, naquela que foi a maior perda de pessoal da história da organização, e reiterou a condenação aos ataques terroristas do Hamas de 07 de outubro.

No entanto, frisou, os atos do Hamas não podem justificar o “castigo coletivo do povo palestiniano”.

As Nações Unidas, garantiu ainda Guterres, reafirmam o compromisso para com o povo palestiniano de defender “os seus direitos inalienáveis e construir um futuro de paz, justiça, segurança e dignidade para todos”.

Recentemente, Guterres foi alvo de fortes críticas por parte de Israel após ter afirmado que o ataque do Hamas de 07 de outubro “não aconteceu do nada” e que o povo palestiniano "foi submetido a 56 anos de ocupação sufocante".

O Dia Internacional de Solidariedade com o Povo Palestiniano é celebrado desde 1977, na sequência da resolução 181ª. sobre a Partilha da Palestina, adotada pela Assembleia-Geral da ONU em 1947.

A data será assinalada nos complexos da ONU em Genebra, Nairobi, Viena e Nova Iorque, sendo que nesta última cidade (na qual fica localizada a sede da organização) a organização da comemoração estará a cabo do Comité das Nações Unidas para o Exercício dos Direitos Inalienáveis do Povo Palestiniano e da Divisão de Direitos Palestinianos do Departamento de Assuntos Políticos e de Consolidação da Paz.

Além disso, será lançada uma exposição designada “Palestina: Uma Terra com um Povo”, que conta a história palestiniana antes, durante e depois da ‘Nakba’, palavra árabe que designa o êxodo palestiniano de 1948, quando a crise teve início.

A exposição retrata, de acordo com a ONU, “experiências de deslocamento e desapropriação, de esperança de alcançar justiça e aspirações de vida em liberdade, estabilidade, dignidade e paz na terra natal”.

A atual guerra começou em 07 de outubro, quando o grupo islamita Hamas atacou de surpresa Israel, matando mais de 1.200 pessoas, segundo as autoridades israelitas. O grupo islamita palestiniano fez também mais de 200 reféns.

Em retaliação, Israel declarou guerra ao Hamas e passou a bombardear diariamente a Faixa de Gaza, além de bloquear a entrada de bens essenciais como água, combustível e medicamentos.

Com a mediação dos Estados Unidos, Qatar e Egito, as duas partes acordaram fazer uma trégua no conflito para permitir acesso a ajuda humanitária e troca de reféns e prisioneiros, que começou na sexta-feira e termina oficialmente hoje, após ter sido prolongada por mais dois dias.

Até ao início da trégua, os ataques do exército israelita na Faixa de Gaza tinham matado mais de 14 mil pessoas, segundo o Hamas.ANG/Lusa

COP 28/ Financiamento climático deve depender de “fontes previsíveis e reguladas" - Carlos Lopes

Bissau, 29 Nov 23(ANG) - Arranca esta quinta-feira no Dubai, Emirados Árabes Unidos, a Conferência das Partes sobre o Clima, COP 28. Uma edição que conta com a participação de cerca de 70.000 pessoas provenientes de todo o mundo. 

O economista guineense Carlos Lopes defende a consolidação do financiamento climático que deve depender de “fontes previsíveis e reguladas" .

Na agenda da COP 28 estarão temas como o financiamento dos diferentes fundos de ajuda, a redução gradual da dependência das energias fósseis e a transição energética.

Outro ponto importante será a avaliação global dos progressos realizados no âmbito do Acordo de Paris, desde a sua entrada em vigor em 2015.

África contribui com menos de 3% das emissões globais de gases de efeito estufa, de acordo com os dados do Banco Africano de Desenvolvimento, mas o continente é fortemente afectado pelos seus efeitos devastadores das alterações climáticas. Nove dos dez países mais vulneráveis às alterações climáticas são africanos.

O economista guineense Carlos Lopes integra o comité consultivo da COP 28, de orientação e aconselhamento à presidência do evento. Em entrevista à RFI, defendeu a consolidação do financiamento climático que deve depender de “fontes previsíveis e reguladas" .

O docente na Universidade do Cabo, África do Sul, sublinhou ainda a preparação e organização do continente africano para a Cimeira do Clima, onde se apresenta “com uma pauta muito mais clara, que tem até propostas a nível global, como por exemplo, a introdução de taxas e uma nova fiscalidade que penalize as emissões da indústria marítima, da indústria da aviação e também das transacções financeiras internacionais”.

O que é que o continente africano pode esperar desta COP 28?

O continente africano, pela primeira vez, fez uma cimeira do clima antes da COP.

Normalmente tem reuniões de consulta, mas desta vez foi um pouco além e tentou organizar-se com uma pauta muito mais clara, que tem até propostas a nível global, como por exemplo, a introdução de taxas e uma nova fiscalidade que penalize as emissões da indústria marítima, da indústria da aviação e também das transacções financeiras internacionais.

Não são ideias completamente novas, mas é a primeira vez que um grupo de países tenta, de forma organizada, fazer a relação dessas questões com o clima.

Acho, também, que estamos com uma grande expectativa de poder aumentar o financiamento para as energias renováveis e transição energética.

Mas os países africanos também estão muito interessados em manter a distância sobre aquilo que devem ser as responsabilidades do norte e as responsabilidades dos países que não tiveram culpa pela situação actual do clima, por exemplo, através da utilização das novas explorações de gás e outras energias fósseis que os africanos estão com a intenção de poder explorar durante um tempo de transição.

Esse peso de África se apresentar nesta COP 28 unida, a uma só voz, acaba por fazer com que África seja um interveniente diferente no Dubai?

Considero que a África tem demonstrado, apesar dos seus problemas internos, a nível de cada país, uma certa capacidade de entrar nos debates globais de uma forma bastante contundente.

Vimos isso nas negociações sobre a Agenda 2030, onde a África foi o primeiro continente e região a propor aquilo que deveria ser a agenda das Nações Unidas pós-2015 e acabou por ter a vantagem de ser o primeiro e, portanto, todas as suas propostas foram aceites na agenda final, porque África já tinha a sua agenda 2033 e estava a tentar empurrar os mesmos princípios a nível global.

Depois, vimos na pandemia que a África se uniu, fez compras agrupadas de medicamentos, fez todo um forcing [esforço] para que se introduzisse a ideia de fabricação de vacinas no continente e, também, negociou a nível do FMI, uma dotação especial para a questão da dívida.

A seguir vimos outra vez durante o período em que os produtos alimentares, sobretudo o trigo, começaram a subir por causa do conflito na Ucrânia, que a África também fez as suas démarches [procedimentos] a nível organizado.

Da semana passada, temos um exemplo extraordinário que foi a aceitação por parte das Nações Unidas, da Assembleia Geral, de uma proposta africana para que o debate sobre taxas e fiscalidade internacional seja centrado na ONU. Até aqui, era um privilégio da organização OCDE, que é o clube dos países ricos.

Já para não mencionar o facto de que a África acaba de ser admitida no G20. Portanto, tudo isto são manifestações de uma certa capacidade de se apresentar de forma organizada nas grandes agendas globais.

Faz parte do Comité consultivo da COP 28, um grupo de orientação e aconselhamento à presidência do evento. No que toca ao continente africano, que tónica colocou em cima da mesa?

Sobretudo a questão de que precisamos de entender que se estamos a falar de financiamento climático, não podemos resolver com atitudes voluntárias e, sobretudo, com promessas de que se vai conseguir mais dinheiro para a transição climática, através, por exemplo, dos mercados de carbono. 

A minha grande luta é mostrar que se nós estamos a fazer isso e estamos a exigir condições especiais, é porque aquilo que é a atitude normal, o ‘business as usual’ na linguagem dos negociadores, é, de facto, continuar com os combustíveis fósseis.

E a África não pode ser aquela que faz primeiro, visto que está em atraso em relação às várias propostas de transformação económica. 

Portanto, a mitigação é responsabilidade dos outros. A nossa responsabilidade é de adaptação e de sermos compensados pelas perdas e danos que é justamente o fundo que foi lançado na COP de África [COP 27] de Sharm-el-Sheik [Egipto] e que agora precisa de ser consolidado em termos de financiamento concreto.

O financiamento é vital, é considerado por muitos até moral e eticamente necessário. Mas este financiamento vem sempre a conta-gotas. Falamos do financiamento para o Fundo Verde para o Clima, financiamento para o Fundo de Adaptação, o Fundo de perdas e danos… mas de ano para ano, os passos dados são sempre muito pequeninos.

Precisamente por isso é que precisamos dessa taxação que foi proposta na Cimeira Africana do Clima. Nós temos que ter fontes de financiamento previsíveis e reguladas. Que não seja apenas a vontade dos países em ajudar, porque já vimos que isso não leva a nada. 

Temos um acumular de quase um trilião de dólares de promessas não cumpridas nos últimos 14 anos em matéria de clima e, portanto, já ninguém acredita nas promessas. 

É preciso que as fontes de financiamento sejam previsíveis. 

O que está a acontecer, cada vez mais, é que a ajuda ao desenvolvimento está a ser organizada e vendida como luta contra o clima. Portanto, é apenas uma questão de etiqueta e não uma questão de dinheiro adicional. Isso vê-se através das estatísticas sobre as tendências da ajuda internacional.

Portanto, África, como é o conjunto de países que deve receber mais dessas compensações, de não ter contribuído para o problema climático, acaba por ser aquele que sofre desta situação que é baseada no voluntarismo. O voluntarismo não nos leva a nada, porque já vimos que em 14 anos não saímos da estaca zero.

Neste momento crucial a COP 28 não vai contar com a presença nem do presidente norte-americano [Joe Biden] nem do presidente chinês [Xi Jinping], que são também duas peças importantes nessa engrenagem. Estas ausências não acabam por deitar por terra, algumas esperanças que poderiam existir?

É claro que os países que têm a maior responsabilidade de emissão [de gases com efeito de estufa] não estarem presentes ao mais alto nível, é sempre uma indicação de que não há vontade política suficiente para entrarmos já na transição urgente que é necessária. 

Temos que ter em conta que estamos a viver um momento geopolítico muito particular, onde as grandes potências estão sempre a olhar-se ao espelho e, ao mesmo tempo, a olhar também quem está do outro lado. Têm que responder a muitas pressões internas e têm também que responder aquilo que os seus compositores fazem.

Podemos falar mesmo de opositores, porque a linguagem é muito tensa e estamos a viver no multilateralismo uma retrocedência de muitas das actividades, ideias, conceitos, programas, objectivos que tinham sido aprovados e que agora começam a ser postos em causa.

O facto da COP 28 se realizar no Dubai e ter como presidente o líder da gigante petrolífera estatal dos Emirados Árabes Unidos [Ahmed al-Jaber], não pode significar que o peso do petróleo vai sentir-se nas negociações?

Seguramente que os activistas do meio-ambiente vão dizer isso, mas também é preciso ver o outro lado da moeda : não podemos fazer esta transição sem que as grandes companhias petrolíferas e os grandes países produtores de petróleo entrem nesta discussão. Eles não podem ser marginalizados completamente, porque sem mobilizar a sua vontade própria, vai ser muito mais difícil. 

O que os Emirados Árabes Unidos nos prometem – mas tem que ser verificado - é de que vão ser os maiores investidores em matéria de energias renováveis. Segundo um artigo do Financial Times fala-se mesmo que podem vir a contribuir com 200 bilhões de dólares, muito para além de tudo o que os países ricos fizeram até agora. 

Os últimos relatórios sobre o aquecimento global do planeta dizem que o aquecimento acelerou em 2023 e que este ano poderá ser o mais quente desde que há registo. O mundo ainda vai a tempo de cumprir as metas do Acordo de Paris, metas essas que são de extrema importância para o continente africano.

As metas do acordo de Paris, para além daquelas que foram acordadas a nível global - que é de reduzir as emissões para que nós possamos reduzir o aumento da temperatura - são metas nacionais e são metas voluntárias. São os países que dizem o que querem fazer.

É evidente que nós vimos que entre o que eles disseram e o que estão a fazer, há uma distância colossal.

Neste momento em que estamos a fazer aquilo que em inglês chamamos de Global Stocktake, o primeiro apanhado de todas as promessas e quanto o mundo progrediu em matéria de combate às mudanças climáticas, chega-se facilmente à conclusão de que há um problema de confiança que se instalou, porque de facto, as promessas agora servem apenas para camuflar uma continuidade de determinadas tendências. 

Isto não quer dizer que não tenha havido nenhum progresso. Há alguns progressos porque no princípio desta caminhada, há cerca de 15 anos, estávamos a contar com um aumento das temperaturas até 3°C e agora, segundo os estudos científicos, fala-se de 2,4° a 2,9°.

Mas temos que admitir que entre 2,4° e 2,9°C e 1,5°, que é o objectivo, ainda há uma distância muito grande e, portanto, não há, ainda, parece, entre os principais actores, o sentido de urgência, que a situação exige.ANG/RFI

 

Guerra Médio Oriente/Continuam negociações para prolongar trégua entre Israel e o Hamas

Bissau,29 Nov 23(ANG) - A trégua entre Israel e o Hamas entra, esta quarta-feira, no sexto dia e espera-se nova troca de reféns israelitas por prisioneiros palestinianos. Os mediadores internacionais continuam as conversações para prolongar o cessar-fogo temporário.

Esta quarta-feira é o sexto dia da trégua acordada entre o Hamas e Israel, que já tinha sido prolongada dois dias. Os mediadores estão reunidos no Qatar para tentar estender a trégua para além de quinta-feira e uma fonte próxima do movimento islamista afirmou à AFP que o Hamas aceita prolongar o cessar-fogo temporário por mais quatro dias.

Até às 05h00 GMT desta quinta-feira, deverão ser libertados 20 reféns do Hamas e 60 prisioneiros palestinianos, de acordo com o Qatar, o principal mediador nas negociações. Os jornais israelitas dizem que o gabinete do primeiro-ministro já recebeu a lista com os reféns que o Hamas pretende libertar esta quarta-feira.

A agência de notícias France Presse informou, esta manhã, que uma fonte próxima do Hamas indicou que o movimento islamista aceita prolongar o cessar-fogo temporário por mais quatro dias.

Na terça-feira, ao quinta-dia da trégua, Israel libertou 30 prisioneiros palestinianos, enquanto o Hamas libertou 12 reféns que mantinha em cativeiro desde os ataques de 7 de Outubro.

O acordo da trégua, negociado com o apoio também do Egipto e dos Estados Unidos, permitiu, até agora, a libertação de 60 reféns israelitas e de 180 palestinianos encarcerados em prisões israelitas. Vinte e um reféns estrangeiros, a maioria tailandeses que vivem em Israel, também foram libertados fora do âmbito deste acordo.

O governo israelita estima em cerca de 240 o número de pessoas raptadas e levadas para Gaza a 7 de Outubro, depois do ataque do Hamas que matou cerca de 1.200 pessoas em Israel, a grande maioria civis. Em resposta, Israel prometeu “aniquilar” o Hamas e tem bombardeado a Faixa de Gaza desde então, numa operação que fez, até agora, quase 15.000 mortos, incluindo acima de 6.000 crianças.

Nos bastidores, os mediadores estão a trabalhar para prolongar a trégua para além de quinta-feira. O porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros do Qatar, Majed Al Ansari, disse que “o principal objectivo neste momento é conseguir uma trégua duradoura que conduza a novas negociações e, em última análise, ao fim da guerra”. O secretário de Estado dos EUA, Antony Blinken, deve voltar a Israel e à Cisjordânia esta semana.

A extensão da trégua permitiu a entrada de novos camiões de ajuda humanitária na Faixa de Gaza, sitiada e bombardeada há sete semanas pelo exército israelita. Apesar da chegada de centenas de camiões desde 24 de Novembro, a situação continua “catastrófica”, informou o Programa Alimentar Mundial, alertando para “risco de fome”. A Organização Mundial da Saúde afirmou ter observado um “aumento maciço” de algumas doenças contagiosas, numa altura em que a maioria dos hospitais na Faixa de Gaza estão paralisados.

A Faixa de Gaza estava já sujeita a um bloqueio terrestre, marítimo e aéreo israelita desde 2007 e foi colocado sob cerco total a 9 de Outubro. Cerca de 1,7 dos 2,4 milhões de habitantes são agora deslocados de guerra. Mais de metade das casas na Faixa de Gaza foram danificadas ou destruídas, segundo a ONU.ANG/RFI

Irão/ONU denuncia novas execuções no Irão e reclama que Teerão acabe com pena de morte

Bissau,29 Nov 23(ANG) - A ONU denunciou terça-feira as execuções pelo regime iraniano dos jovens Hamidreza Azari, 17 anos, e de Milad Zohrevand, 22 anos, e reclamaram que Teerão deixe imediatamente de aplicar a pena de morte.

"A execução de Hamidreza Azari, que foi acusado de assassinato, é a primeira execução relatada de um presumível delinquente menor de idade no Irão este ano", disse em comunicado Elizabeth Throssell, porta-voz do gabinete dos Direitos Humanos da ONU, ao recordar que Teerão tem a obrigação, em virtude de convenções internacionais, de proibir as condenações à morte de pessoas menores de 18 anos.

"Também estamos preocupados com a execução, no mesmo dia, de Milad Zohrevand, de 22 anos, a oitava pessoa executada em elo com os protestos de Setembro de 2022", acrescentou a responsável ao sublinhar ter indicação de que "o seu julgamento não respeitou os requisitos fundamentais de um processo legal ao abrigo do direito internacional dos Direitos Humanos. Informações perturbadoras também indicam que os pais de Zohrevand foram presos depois da sua execução. Lamentamos essas execuções".

Recorde-se que o Irão lançou desde o ano passado uma vasta operação de repressão dos protestos populares despoletados pela morte em detenção no dia 16 de Setembro de 2022 de Mahsa Amini, uma jovem curda que tinha sido presa três dias antes por alegadamente não ter respeitado o uso do véu islâmico.

Ao lembrar que o Irão é um dos países com o maior número de condenações à morte a nível mundial, Elizabeth Throssell exortou este país a acabar imediatamente com esta prática.

De acordo com a Iran Human Rights, ONG baseada na Noruega, mais de 600 pessoas foram executadas no Irão desde o começo do ano, este sendo o número mais elevado de execuções em oito anos naquele país.ANG/RFI

 

                   Serra Leoa/Confrontos fazem 13 mortos no Exército

Bissau,29 Nov 23(ANG) - Os confrontos de domingo na capital da Serra Leoa, Freetown, resultaram em 13 mortos no lado do Exército e ainda oito feridos, com a cidade a amanhecer hoje mais calma.

Freetown amanheceu num clima de acalmia, com o fim do recolher obrigatório a ser decretado esta madrugada. No domingo, um grupo de desconhecidos tentou tomar de assalto um depósito de armas do Exército e prisões, levando à fuga de vários detidos.

Nestes confrontos morreram pelo menos 13 soldados e oito ficaram feridos, segundo um coronel do Exército da Serra Leoa relatou à AFP.

"Nós lançámos uma caça ao homem para encontrar todas as pessoas implicadas neste ataque e sabemos que entre elas estão soldados no activo e na reserva", declarou o coronel Issa Bangura.

Esta manhã Freetown retomou alguma da sua actividade, com as lojas e os bancos a abrirem normalmente, assim como os carros voltaram a ser permitidos nas ruas da cidades. No entanto, como medida preventiva, as escolas permanecem fechadas.

De forma a controlar as entradas e saídas da cidade, foram instalados pontos de controlo do trânsito onde as forças de segurança revistavam vários veículos como constatou a AFP.

O recolher obrigatório terminou às 6 da manhã de segunda-feira, hora local, mas deve manter-se por tempo indeterminado das 21:00 às 06:00, segundo anunciou o Ministério da Comunicação.ANG/RFI

 

terça-feira, 28 de novembro de 2023

Desporto/Federação Real Marroquina de Futebol vai colocar nos próximos tempos relvado sintético no Estádio "Corca Sow"
de Mansoa

Bissau, 28 Nov 23 (ANG) – Uma delegação da Federação Real Maroquina de Futebol que se encontra de visita ao país, ao convite do Presidente da Federação de Futebol da Guiné-Bissau (FFGB) Carlos Mendes Teixeira, promete colocar nos próximos tempos, relvado sintético, no Estádio Corca Sow de Mansoa.

Em conferência de imprensa conjunta, realizada segunda-feira, o Presidente da FFGB Carlos Alberto Mendes Teixeira disse que o país não tem nada a perder com a parceria estabelecida com Marrocos no domínio de futebol.

“O Marrocos é uma potência em termos de futebol Africano, e a sua Federação está com portas abertas para apoiar o país, na capacitação dos seus agentes, estágio e assim como nos outros domínios de futebol”, esclareceu Mendes Teixeira.

Segundo o responsável, o apoio que futuramente será dado por parte da Federação Real Marroquina de Futebol (FRMF) no domínio da colocação de relvado sintético no Estádio Corca Sow de Mansoa, será mais uma valia para o futebol nacional, depois de Canchungo e Bafatá, Mansoa será o próximo a beneficiar desse apoio.

“Isso fará com que os nossos atletas, começassem habituar a jogar num bom campo, evitando assim pequenas lesões que anteriormente são vítimas devido o mau estado do campo”, alertou o Presidente da FFGB.

Avançou por outro lado que, a ambição da FFGB é conseguir colocar relvados sintéticos em todas as regiões do país, frisando que a zona Norte, Leste  do país, já se despõe de Estádios equipados com relvado sintético e novas  bancadas.

Adiantou que, a zona da região de Oio, concretamente Mansoa, está quase a beneficiar do mesmo, frisando que assim que sairem de lá, farão o mesmo no Sul e Bissau.

A Delegação chefiada por Omar Khyani, Conselheiro Principal do Presidente da Real Marroquina de Futebol que se encontra no país,  chefiada pelo  já efetuou visita ao Estádio Corca Sow de Mansoa, e promete para breve iniciar os trabalhos de colocação de relvado sintético no referido, e também apoiar a FFGB noutras problemáticas que o setor de desporto enfrenta.ANG/LLA/ÂC 

Cooperação/ Reino da Espanha apoia Guiné-Bissau com um  milhão de euros para sector da educação

Bissau, 28 Nov 23(ANG) – O Reino de Espanha vai apoiar Guiné-Bissau num valor de um milhão de euros para o sector da Educação, destinado a assegurar o  pagamento dos salários correntes aos professores.

A informação consta na página do facebook do Ministério das Finanças, consultada hoje pela ANG.

Segunda a mesma fonte, o anúncio foi feita pelo embaixador da Espanha residente no país, Antonio González-Lavada durante um encontro com o ministro da Economia e finanças, Suleimane Seidi.

No encontro, foi discutido a questão de aprofundamento das relações nas áreas sociais, onde a Guiné-Bissau apresenta maior fragilidade.

A nota indica que, o Reino da Espanha tem dado apoios e empréstimos a título de ajuda no âmbito bilateral a Guiné-Bissau para desenvolvimento, desde 1998.ANG/JD/ÂC

 

Cooperação/Delegação do BAD encontra-se no país para intensificar intervenção nos sectores da água e saneamento

Bissau ,28 Nov 23 (ANG) – Uma missão do Banco Africano do Desenvolvimento (BAD),vai estar no país entre os dias  27 de Novembro à 01 de Dezembro com objectivo de indentificar os desafios que se impóe nos sectores da “Água e Saneamento “.

De acordo com uma nota do Ministério da Economia e Finanças a que a ANG teve acesso hoje, a comitiva do BAD chefiada por Chefe de Divisão de Coordenação e Parceria  Água e Saneamento, Jeanne Astrid Ngako de Foki manteve esta terça-feira um encontro como o Secretário de Estado do Orçamento e Assuntos Fiscais, Augusto Manjur, na presença do Secretário de Estado do Plano e Integração Regional, Mussubá Canté.

Durante a reunião, segundo a nota, Menjur reiterou a disponibilidade do Governo em “acompanhar e dar seguimento “, aos projectos do BAD no país ,designadamente nos sectores da Água e Saneamento.

“O Banco Africano do Desenvolvimento é um parceiro importante da Guiné-Bissau em matéria de desenvolvimento, lembrando que o Governo já elegeu esses dois sectores como sendo prioridades da governação”,disse.

A missiva do Ministério da Economia e Finanças frisa que a missão do BAD vai analisar com autoridades nacionais, o contexto dos sectores da água e saneamento, o quadro da participação do Banco no diálogo sectorial com vista aos eventuais apoios, entre outros.ANG/MSC/ÂC