Médio Oriente/Houthis atacam dois navios sauditas no Mar Vermelho e abrem nova frente
Bissau, 23 Jul 26 (ANG) - Os rebeldes houthis do Iêmen
reivindicaram na quarta-feira (22) ataques contra dois navios petroleiros
sauditas no Mar Vermelho.
Em comunicado publicado no Telegram, os
houthis, aliados do Irã, indicaram ter realizado "uma operação militar de
grande impacto contra dois petroleiros sauditas que violaram o bloqueio",
identificando as embarcações como Encelia e Layla. Segundo a agência de
notícias estatal da Arábia Saudita, a tripulação saiu ilesa.
Desde o
início desta semana, os insurgentes do Iémen tomaram o controle do Estreito de
Bab el-Mandeb , ao sul do Mar Vermelho, rota tão crucial para o transporte
de energia como o Estreito de Ormuz. A passagem no sudoeste do Iêmen é
obrigatória para os navios que seguem em direção ao Canal de Suez, que leva à
Europa.
Em crítica à atuação militar da Arábia
Saudita no Iémen, onde Riad lidera há anos uma intervenção contra o movimento
armado xiita houthi, os rebeldes já haviam manifestado, no início desta semana,
a intenção de bloquear as exportações de petróleo saudita que transitam pelo
Estreito de Bab el-Mandeb. Paralelamente, o Irã solicitou aos houthis que se mantivessem
prontos para fechar a passagem caso os Estados Unidos concretizassem a ameaça
de destruir a infraestrutura energética iraniana.
Antes dos ataques de quarta-feira, cinco
petroleiros tiveram de alterar suas rotas para evitar a passagem pelo Mar Vermelho,
a exemplo de outras embarcações na terça-feira (21).
Os
ataques contra os petroleiros sauditas ocorreram no momento em que os estados
Unidos lançaram uma nova onda de bombardeamentos contra alvos militares
iranianos, na décima segunda noite consecutiva de hostilidades contra Irã. As
forças americanas bombardearam com mísseis a cidade de Bushehr, onde fica a
única usina nuclear iraniana em funcionamento.
Além disso, duas pessoas foram mortas e 11 ficaram feridas por um ataque americano em Shalamcheh, na fronteira com o Iraque. Outros bombardeios foram registrados em Ahvaz, assim como explosões em Sirik, próximo ao Estreito de Ormuz, de acordo com a mídia estatal iraniana.
A Guarda Revolucionária, o exército
ideológico da República Islâmica do Irã, afirmou nesta quinta-feira (23) ter
destruído, na Jordânia, um radar americano associado ao sistema antimísseis
THAAD (Terminal High Altitude Area Defense), além de provocar um
incêndio em um hangar de manutenção de helicópteros. Desenvolvido pelos Estados
Unidos para interceptar mísseis balísticos, o THAAD integra, ao lado do sistema
Patriot, a rede de defesa aérea americana na região.
No Kuwait, o Exército iraniano afirmou
ter atacado, com drones, três alvos americanos: os depósitos de munição e
logística do acampamento Doha, os reservatórios de combustível da base Ali
al-Salem e o depósito de munições do acampamento Arifjan.
A
ampliação do conflito reforça a preocupação com o fornecimento de petróleo e
gás no mundo. O bloqueio do Estreito de Bab el-Mandeb elevou os preços do
petróleo e aumenta a pressão sobre o presidente americano, Donald Trump, para
encontrar uma saída para o conflituantes das disputadas eleições antes das
disputadas eleições legislativas de meio de mandato nos Estados Unidos, em Novembro.
Na rede social Truth Social, o líder republicano reforçou suas ameaças. "Toda vez que a República Islâmica do Irã atacar uma embarcação no Estreito de Ormuz, seja com mísseis, drones ou qualquer outro tipo de arma ou munição, os Estados Unidos bombardearão e destruirão uma ponte ou uma usina de energia", escreveu.
O ministro das Relações Exteriores do
Irã, Abbas Araghchi, respondeu que seu país dará uma resposta contundente caso
suas infraestruturas civis sejam atacadas. "Nossa doutrina de defesa é
clara: olho por olho. Qualquer ataque contra o Irã, incluindo nossas
infraestruturas, provocará uma resposta contundente e decisiva", afirmou
Araghchi na rede social X.
No entanto, o secretário de Estado
americano, Marco Rubio, assegurou que Washington continua disposto a buscar uma
solução diplomática com o Irã. "Continuamos abertos a resolver isso por
meio da negociação. Mas, por enquanto, eles não parecem interessados",
declarou Rubio durante uma reunião de ministros do Sudeste Asiático, em Manila.
O porta-voz do Ministério das Relações
Exteriores do Irã, Esmaeil Baqaei, confirmou que os contatos diplomáticos com
Washington continuam.
ANG/RFI com agências

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