Médio
Oriente/EUA
intensificam ataques contra o Irã, que reage com bombardeios a aliados de
Washington
Bissau, 20 Jul 26 (ANG) - Os Estados Unidos intensificaram os ataques em diversas regiões do Irã, que respondeu voltando a atingir países aliados de Washington.
O regime iraniano afirmou nesta segunda-feira (20) que as negociações para encerrar a guerraDesde a retomada dos combates, em 7 de Julho, os EUA
concentravam seus bombardeios no sul do país, próximo ao Golfo Pérsico. Mas, na
última semana, o conflito se expandiu e passou a atingir o centro e o noroeste
do território iraniano, segundo autoridades locais.
Nesta segunda-feira (20), uma pessoa morreu e várias ficaram
feridas em bombardeios americanos contra Tabriz, no noroeste do Irã, a
mais de mil quilómetros do Golfo. Outras ficaram feridas em ataques à cidade
de Orumieh, na província vizinha.
Washington afirma ter como alvo instalações militares, mas,
segundo Teerã, os bombardeios atingiram áreas urbanas, incluindo Bushehr,
onde fica a única usina nuclear em funcionamento no país. A central
de Darkhovin, ainda em construção, também foi atingida no domingo, segundo
o governo iraniano.
O Irã pediu que a Agência Internacional de Energia Atómica
(AIEA) condene os bombardeios americanos contra a central de Darkhovin, de
acordo com um comunicado divulgado pelo porta-voz da diplomacia
iraniana, Esmaïl Baghaï.
“O Irã espera que o Conselho de Governadores da AIEA e seu
diretor-geral, Rafael Grossi, que se pronunciam regularmente sobre a questão
nuclear iraniana, esclareçam sua posição sobre esse assunto e condenem o crime
perpetrado pelos Estados Unidos”, afirmou.
Em resposta aos ataques
americanos, Teerã atingiu Kuwait e Bahrein, aliados dos Estados Unidos na
região do Golfo, mas garantiu nesta segunda-feira que as negociações indiretas
com Washington seguem em andamento.
De acordo com o porta-voz iraniano, a diplomacia esteve ativa
nos últimos dias. Paquistão, Catar e Omã participam dos esforços de
mediação. O Exército do Kuwait informou que enfrenta uma nova ofensiva de
drones iranianos.
A Guarda Revolucionária, força ideológica da República Islâmica,
afirmou no domingo ter destruído aeronaves americanas em Aqaba, na Jordânia, e
realizado um “ataque surpresa” contra infraestruturas militares dos EUA
em Al-Tanf, na Síria.
Três militares
americanos morreram recentemente no Oriente Médio: dois na sexta-feira, em
ataques iranianos na Jordânia. Outro soldado continua desaparecido, e um
terceiro morreu no Iraque durante a destruição de munições inimigas.
Segundo Donald Trump, os
recentes ataques americanos foram realizados “em homenagem” aos militares
mortos. Ao todo, 17 militares americanos morreram desde o início da
guerra, em 28 de Fevereiro.
Do lado iraniano, o
último balanço oficial, divulgado na sexta-feira, regista 50 mortos e mais de
500 feridos desde a retomada dos combates.
O Irã também reforçou o controle sobre o estreito de
Ormuz, passagem estratégica para o comércio mundial. A Guarda Revolucionária
anunciou nesta segunda-feira a interceptação de dois petroleiros que teriam
explodido ao tentar atravessar o estreito, após a imobilização de outros quatro
navios no domingo.
A agência britânica de segurança
marítima UKMTO relatou que um navio atingido por um “projétil” pegou fogo a
cerca de 15 quilómetros a noroeste da localidade omanense de Kumzar.
“Não devemos permitir que essa via marítima
volte a ser desviada de sua finalidade principal para ameaçar a segurança e os
interesses nacionais do Irã”, afirmou Baghaï, acrescentando que seu país
está “determinado a tomar as medidas necessárias” para garantir sua
soberania.
No
domingo à noite, o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, pediu à
comunidade internacional que se una a Washington para “proteger a navegação
marítima” no estreito de Ormuz.
Antes da guerra, cerca de um quinto do comércio mundial de hidrocarbonetos passava pelo estreito. Desde a retomada das hostilidades com os Estados Unidos, a passagem voltou a ser controlada pelo Irã. ANG/RFI/Com agências

Sem comentários:
Enviar um comentário