ONU/Fraudes digitais e drogas sustentam “economia criminosa multinacional” na Ásia
Bissau, 23 Jul 26 (ANG) – O crime organizado no Sudeste Asiático transformou‑se em "economia multinacional" capaz de desafiar Estados, com perdas anuais superiores a 100 mil milhões de dólares (91 mil milhões de euros) em fraudes, alertou um novo relatório das Nações Unidas.
“Estamos
a assistir a uma mudança em que grupos que antes atuavam apenas nos seus
territórios e especialidades criminais operam agora em múltiplos mercados
ilícitos ao mesmo tempo, recorrendo às mesmas cadeias de serviços”, disse a
representante regional do Gabinete das Nações Unidas contra a Droga e o Crime
(UNODC), Delphine Schantz, num comunicado.
O
estudo, intitulado ‘Um Ecossistema Criminal Interconectado: Avaliação da Ameaça
do Crime Organizado Transnacional no Sudeste Asiático 2026’, descreve como
diferentes atividades ilícitas — do tráfico de pessoas à fraude cibernética —
estão a ser integradas numa infraestrutura financeira e operacional comum.
Segundo
o relatório, o crime organizado está a deslocar-se do tráfico de bens físicos
para a venda de serviços digitais, como fraudes online e liquidações
financeiras em plataformas, difíceis de rastrear.
As
perdas anuais com esquemas fraudulentos em 2025 foram estimadas entre 88,3 mil
milhões e 114,1 mil milhões de dólares (80 a 103 mil milhões de euros),
superando o PIB de vários países da região.
A
expansão levou ao aumento do tráfico de pessoas para atividades criminosas
forçadas, com vítimas de, pelo menos, 80 países, identificadas em complexos de
fraude na região, com redes de recrutamento que procuram alargar o alcance à
Europa e América do Norte.
O
relatório sublinha que o Triângulo Dourado continua a ser o principal centro de
produção de metanfetaminas, quetamina e heroína, com um valor anual estimado
entre 75 mil milhões e 109,7 mil milhões de dólares (68 a 99 mil milhões de
euros).
O
texto destaca também o Triângulo Sulu-Celebes, entre Indonésia, Malásia e
Filipinas, como novo corredor estratégico para contrabando marítimo, incluindo
tecnologia usada em operações de fraude.
Entre
os mercados emergentes, a investigação da ONU aponta para o risco crescente da
convergência entre jogos online e apostas ilegais, que torna os jovens
particularmente vulneráveis.
“A
linha entre jogo digital e jogo de azar está cada vez mais difusa”, alertou
Schantz.
O
relatório identifica ainda tendências tecnológicas como inteligência artificial
generativa, ‘deep fakes’ e fraudes automatizadas, incluindo “malvertising“, que
explora redes de publicidade legítimas para disseminar malware.
“Uma
estratégia centrada apenas na disrupção não funciona”, disse Schantz. “É
preciso atacar os motores do crime, prevenir e seguir o dinheiro. A apreensão
de lucros ilícitos enfraquece estas redes e protege potenciais vítimas”,
concluiu.
ANG/Inforpress/Lusa

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