ONU/Debate em Nova York abre nova etapa da sucessão de António Guterres
Bissau, 23 Jul 26 (ANG) - A ONU realiza, nesta quinta-feira (23), um debate público com os candidatos ao cargo de secretário-geral na sede das Nações Unidas, em Nova York.
O encontro terá transmissão ao vivo pela UN Web TV e pela Bloomberg. Ao todo, seis candidatos disputam a sucessão de António Guterres, cujo segundo mandato termina em 31 de Dezembro de 2026.
Após uma década à frente das Nações
Unidas, Guterres deixa o cargo ao fim do último mandato permitido. Os seis
concorrentes à sucessão apresentam, nesta semana, suas propostas em debates
públicos promovidos pela organização.
O próximo secretário-geral assumirá em
um dos momentos mais delicados da história recente da ONU. Além de lidar com um
número crescente de conflitos internacionais e com sucessivas violações do
direito internacional, terá de enfrentar uma grave crise financeira, agravada
pela redução das contribuições de grandes doadores e por cerca de US$ 4
bilhões, aproximadamente R$ 20 bilhões, em pagamentos atrasados dos Estados
Unidos.
A escolha começa no Conselho de
Segurança, onde os cinco membros permanentes – Estados Unidos, China, Rússia,
França e Reino Unido – têm poder de veto. Apenas o candidato aprovado pelo
Conselho segue para a votação final na Assembleia Geral da ONU, que faz a
nomeação oficial.
A América Latina é a região com maior
representação na disputa, com três dos seis candidatos: a ex-presidente chilena
Michelle Bachelet, o diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atómica
(AIEA), o argentino Rafael Grossi, e a costa-riquenha Rebeca Grynspan, atual
secretária-geral da Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e
Desenvolvimento (UNCTAD).
Bachelet tenta se tornar a primeira
mulher a comandar a ONU e defende uma organização mais firme na defesa dos
direitos humanos. Grossi aposta na experiência acumulada à frente da agência
nuclear da ONU para lidar com crises internacionais e propõe uma reforma
administrativa para tornar a organização mais eficiente. Já Grynspan defende
uma ONU mais ousada e um Conselho de Segurança mais representativo, com maior
participação de países da África e da América Latina.
Essa ampla presença latino-americana
reforça o peso político da região na disputa, embora a decisão final dependa,
sobretudo, do aval dos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança, que
têm poder de veto.
Além dos representantes latino-americanos,
a disputa conta com outros dois nomes de destaque. Um deles é o ex-presidente
do Senegal Macky Sall, que governou o país entre 2012 e 2024 e aposta na
experiência política e na defesa de uma maior presença africana nas instâncias
de decisão global.
A outra candidata é a diplomata Carolyn
Rodrigues-Birkett, da Guiana, atual representante permanente do país na ONU. De
origem indígena ameríndia, ela entrou mais recentemente na disputa e defende o
fortalecimento do multilateralismo, uma ONU mais eficiente e capaz de responder
aos desafios contemporâneos.
Em Fevereiro,
o presidente Luiz Inácio Lula da Silva declarou que o Brasil apoiará a
candidatura de Michelle Bachelet, assim
como o México..
A principal mudança em relação às eleições anteriores é o aumento da transparência. Desde 2016, a ONU passou a adotar um processo mais aberto para a escolha do secretário-geral, e as regras foram reforçadas por uma resolução aprovada no ano passado.
Agora,
as candidaturas são divulgadas oficialmente, junto com os currículos, as
propostas de cada concorrente e informações sobre o financiamento das
campanhas.Outra novidade é a realização de debates e diálogos públicos, como o
desta quinta-feira, em que os candidatos apresentam suas prioridades e
respondem a perguntas de representantes dos Estados-membros e da sociedade
civil.
Embora a decisão continue nas mãos do
Conselho de Segurança e da Assembleia Geral, o processo se tornou mais
transparente e permite um escrutínio muito maior por parte da comunidade
internacional.
Findada a etapa de debates públicos, o
processo entra na fase de negociações diplomáticas. A escolha passa para o
Conselho de Segurança, onde o candidato precisa obter pelo menos nove votos
favoráveis e, principalmente, não ser vetado por nenhum dos cinco membros
permanentes: Estados Unidos, China, Rússia, França e Reino Unido.
Só depois dessa recomendação é que o
nome segue para a Assembleia Geral da ONU, formada pelos 193 Estados-membros,
responsável pela nomeação oficial. O mandato é de cinco anos, com possibilidade
de uma recondução.
A eleição deste ano também pode marcar um momento histórico. Se Michelle Bachelet ou Rebeca Grynspan forem escolhidas, a organização terá, pela primeira vez em seus 80 anos, uma mulher no comando das Nações Unidas.ANG/RFI

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