Médio Oriente/Irã e EUA assinam acordo para encerrar guerra e liberar Estreito de Ormuz
Bissau, 18 JN “& (ANG)- Os presidentes dos Estados Unidos e do Irã firmaram, na quarta-feira (17), um acordo para encerrar a guerra no Oriente Médio.
O entendimento foi selado durante um jantar no Palácio
de Versalhes com o presidente francês, Emmanuel Macron, e Donald Trump. O
memorando de 14 pontos, segundo a chancelaria iraniana, foi assinado
eletronicamente pelo presidente Masud Pezeshkian.
O texto do acordo prevê que Washington suspenda, a partir da
assinatura, sanções à venda de petróleo iraniano e o bloqueio a portos do país.
Nos próximos dois meses, os dois países vão discutir um
mecanismo para tratar da estocagem das reservas de urânio enriquecido do Irã,
que prevê a utilização de um método de diluição sob a supervisão da Agência
Internacional de Energia Atómica (AIEA).
O compromisso assinado prevê a abertura imediata do Estreito de
Ormuz, conforme destacou nesta quinta-feira (18) o primeiro-ministro do
Paquistão, Shehbaz Sharif, que atuou como mediador.
Sharif confirmou uma cerimónia na Suíça na próxima sexta-feira
(19) para "comemorar esse evento de destaque e dar o impulso inicial às
negociações técnicas", que devem durar 60 dias.
O Estreito, que deve ser
totalmente liberado num prazo de 30 dias, ficará aberto durante a nova rodada
de negociações. Mas o principal negociador iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf,
disse à TV estatal que a passagem "não voltará à situação anterior à
guerra".
"O Irã tem
direito de soberania sobre Ormuz e certamente cobraremos um pedágio por esses
serviços", ressaltou. Para Ghalibaf, "o acordo atesta o fracasso dos
Estados Unidos". "As pessoas vão conhecê-lo e tirar suas próprias
conclusões."
O governo americano se comprometeu, em caso de acordo
definitivo, a mediar, "com seus parceiros regionais", a
disponibilização de um fundo de US$ 300 bilhões (R$ 1,53 trilhão) para a reconstrução
e o desenvolvimento económico do Irã, sem participação financeira americana.
Para o
secretário-geral do Hezbollah, Naim Qasem, o acordo é ”uma grande vitória” para
Irã.
Ele agradeceu ao país por ter insistido em incluir o Líbano nas negociações. O país entrou no conflito quando o Hezbollah disparou foguetes contra Israel em apoio ao regime iraniano, em 2 de Março.
O chefe do Hezbollah também pediu que o governo libanês encerre as negociações diretas com Israel, iniciadas em Abril e acompanhadas por Washington. O presidente libanês, Joseph Aoun, havia assegurado que esse processo é “independente” do acordo entre Estados Unidos e Irã.
Para a China, a assinatura “tem um significado positivo para apaziguar as tensões e reforçar a dinâmica do cessar-fogo. O país celebra essa evolução e espera que todas as partes envolvidas, incluindo os Estados Unidos e o Irã, respeitem o acordo e honrem escrupulosamente seus compromissos”, afirmou um porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Lin Jian.
“A China espera que tanto os Estados
Unidos quanto o Irã abordem a segunda fase das negociações de maneira racional
e pragmática e façam concessões recíprocas”, acrescentou Jian durante uma
coletiva de imprensa regular em Pequim.
O porta-voz lembrou a ação diplomática
da China e o apoio concedido à mediação paquistanesa. A China “continuará a
desempenhar um papel ativo e construtivo para alcançar uma paz e estabilidade
duradouras no Oriente Médio e na região do Golfo”, afirmou.
“Neste estágio crítico, todas as partes
interessadas, incluindo Israel, devem agir no interesse da paz e da
estabilidade regionais” e em favor da diplomacia “em vez do contrário”,
respondeu, ao ser questionado sobre a continuidade das operações militares de
Israel no Líbano.
A Agência Internacional de Energia Atómica
(AIEA) afirmou nesta quinta estar pronta para definir as “medidas concretas”
que deverão ser adotadas após a assinatura do acordo entre o Irã e os Estados
Unidos. “Agora, cabe a nós nos sentarmos com nossos colegas americanos e
iranianos e começar a definir as medidas adotadas” no âmbito de negociações
previstas para ocorrer dentro de 60 dias, declarou à imprensa, em Genebra, o
diretor-geral da AIEA, Rafael Grossi.
Em declaração conjunta, os membros do G7
(Alemanha, Canadá, Estados Unidos, França, Itália, Japão e Reino Unido)
celebraram o acordo como "uma oportunidade histórica para impedir que o
Irã adquira qualquer arma nuclear e abordar as ameaças relacionadas a suas
atividades regionais e balísticas".
ANG/RFICom agências

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