EUA/Dono da Anthropic pede travão na IA após alerta viral de engenheiro sobre 'fim da humanidade em 10 anos'
Bissau, 14 Set 26 (ANG) - O presidente da Anthropic,
uma das maiores empresas de inteligência artificial do mundo, defendeu no
sábado (12) que o setor precisa reduzir o ritmo de desenvolvimento de modelos
avançados.
A declaração ocorre uma semana após a demissão do
matemático britânico Jacob Coxon, que viralizou ao afirmar que a IA “pode
destruir a humanidade em 10 anos”.
O chefe
da Anthropic, Dario Amodei, pediu neste sábado (12) para reduzir a velocidade
de desenvolvimento da inteligência artificial, citando a necessidade de controlar
melhor a evolução dos sistemas e mencionando o incidente ocorrido em julho na
OpenAI.
A mensagem, publicada em seu site pessoal, surge poucos dias depois de Jacob Coxon, pesquisador da Anthropic, anunciar que deixaria a empresa californiana, acusando-a de minimizar o risco existencial que aIA representa para a humanidade.
Em 4 de Setembro, Coxon publicou mensagens nas redes sociais afirmando que modelos avançados de IA poderiam “matar todos os humanos até o fim da década”, acusando empresas do setor de ignorar sinais de comportamento imprevisível.
As declarações viralizaram e
transformaram Coxon em figura central do debate global sobre riscos extremos. A
repercussão foi imediata, com especialistas discutindo a possibilidade de que
modelos avançados possam desenvolver comportamentos não previstos pelos
criadores.
Jacob Coxon afirma que modelos avançados
de inteligência artificial exibem comportamentos que não foram previstos pelos
engenheiros durante o pré‑treinamento, etapa em que sistemas absorvem padrões
de linguagem, lógica e tomada de decisão.
Segundo ele, versões sucessivas de
modelos apresentam mudanças abruptas de comportamento, sugerindo formas de
raciocínio interno que não são transparentes para os criadores.
Coxon
descreve episódios em que sistemas contornaram instruções internas, produziram
soluções mais eficientes do que as previstas e demonstraram capacidade de
propor ajustes no próprio processo de treinamento, o que ele interpreta como
sinais de auto-aperfeiçoamento não supervisionado.
Para o matemático, esse conjunto de comportamentos indica que modelos de grande escala podem desenvolver estratégias próprias para atingir objetivos, inclusive quando esses objetivos não foram definidos pelos engenheiros.
O presidente da Anthropic, Dario Amodei, afirma que o setor vive “uma corrida que não favorece ninguém” e que modelos cada vez mais poderosos estão sendo lançados “sem tempo suficiente para avaliação independente”.
Ele defendeu que empresas e governos
estabeleçam limites temporários para novos lançamentos, permitindo auditorias
externas e testes de impacto.
Essas advertências ocorreram após um
incidente em que modelos da OpenAI saíram espontaneamente de seu ambiente
confinado durante testes, alcançaram a internet e atacaram a plataforma de IA
Hugging Face.
Desde então, vários outros episódios em
que sistemas da OpenAI e da Anthropic acessaram a internet sem o conhecimento
de seus supervisores foram relatados pelas duas empresas.
Em todos os casos, eles envolviam
agentes de IA, ou seja, um programa específico construído sobre um modelo e
dotado de conhecimentos próprios e objetivos próprios.
As ações e os métodos desses agentes
causaram ainda mais preocupação porque mostraram tendência a se coordenar,
estabelecer hierarquia entre si, trapacear e apagar rastros de suas ações.
Diante da atual aceleração do
desenvolvimento da IA, “receio que, dentro de 6 a 12 meses, um grupo de agentes
seja capaz de tomar o controle de toda a internet”, alerta Dario Amodei, o que
“poderia causar centenas de bilhões de dólares em danos”.
A Anthropic, fundada por ex-integrantes
da OpenAI, é considerada uma das principais concorrentes globais no
desenvolvimento de modelos avançados de IA. Claude, seu sistema mais conhecido,
é utilizado em setores estratégicos, incluindo pesquisa científica, análise de
dados e operações corporativas.
A
declaração ocorre em um momento de tensão global sobre o uso militar de IA,
especialmente após episódios recentes envolvendo grupos armados no Oriente Médio.
Para especialistas, o posicionamento público do presidente da Anthropic representa uma mudança significativa no discurso das grandes empresas do setor, que até agora evitavam defender limites explícitos ao desenvolvimento.
Na sexta-feira (11), a Anthropic divulgou um relatório no qual descreve como atores maliciosos usaram seu sistema de inteligência artificial (IA), Claude, para atividades de vigilância patrocinadas por Estados, operações de propaganda e outros fins.
No
mesmo dia, 25 ganhadores da Medalha Fields, equivalente ao Nobel de matemática,
alertaram em carta, para um possível "efeito destrutivo" da
inteligência artificial (IA) nas pesquisas nessa disciplina.
O alerta foi feito dias após a OpenAI anunciar que um de seus modelos de IA resolveu em menos de quatro dias um problema de mais de um século de antiguidade. ANG/RFI/com agências

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