Índia/Brics encerram cúpula na Índia com defesa do crescimento global e posição comum sobre Oriente Médio
Bissau, 14 Set 26 (ANG) - Os líderes dos Brics encerraram no domingo (13), em Nova Délhi, dois dias de reuniões marcados pela defesa do multilateralismo, do crescimento económico inclusivo e da cooperação entre os países do chamado Sul Global.
Reunindo
Brasil, Rússia, Índia, China, África do Sul e os novos integrantes do bloco, a
cúpula também registou um avanço diplomático ao produzir uma posição comum
sobre a guerra no Oriente Médio.
No último dia de trabalhos, os chefes de Estado e de governo
concentraram as discussões nos desafios da economia mundial, no fortalecimento
da cooperação entre os países emergentes e na defesa do sistema multilateral de
comércio. Anfitrião do encontro, o primeiro-ministro indiano Narendra Modi
destacou o peso crescente do grupo na economia internacional.
“Nossa força está na diversidade e na cooperação”, afirmou Modi,
lembrando que os membros do Brics respondem por cerca de 40% da riqueza
produzida no planeta.
O líder indiano convidou os parceiros a promoverem um
crescimento econômico global mais inclusivo e afirmou que o bloco representa um
“ecossistema de soluções” para os desafios contemporâneos.
Criado em 2009 por Brasil, Rússia, Índia e China, aos quais a
África do Sul se juntou no ano seguinte, o Brics buscava inicialmente reunir
grandes economias emergentes fora das instituições dominadas pelas potências
ocidentais.
O grupo ampliou sua influência nos últimos anos com a entrada de
novos membros, entre eles Irã, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos.
Ao longo do encontro, os dirigentes defenderam a preservação de
um sistema comercial internacional baseado em regras e centrado na Organização
Mundial do Comércio (OMC).
O presidente chinês Xi Jinping aproveitou a reunião para
condenar o proteccionismo e reforçar o apoio ao multilateralismo económico.
“O Sul Global deve defender o direito internacional e proteger
as regras básicas das relações entre os Estados”, declarou Xi. “Um mundo sem
regras é como um cruzamento sem semáforo: o caos e a desordem são inevitáveis”,
acrescentou.
A mensagem foi interpretada como uma referência indireta à
política tarifária adotada pelo presidente americano Donald Trump desde seu
retorno à Casa Branca, em Janeiro de 2025. Apesar do discurso favorável à cooperação
económica, a crescente presença das exportações chinesas nos mercados dos
demais membros continua sendo motivo de desconforto entre alguns parceiros.
O presidente russo Vladimir Putin, por sua vez, afirmou que os
Brics se transformaram em uma das principais forças do cenário internacional e
contribuem para a construção de uma ordem mundial “mais justa e multipolar”.
O
principal resultado político da cúpula, no entanto, havia sido alcançado no
sábado (12), quando os líderes conseguiram superar divergências internas e
aprovar uma declaração conjunta sobre a guerra no Oriente Médio .
No documento final, os países do Brics
apelam para que todas as partes envolvidas exerçam “máxima contenção” e
expressam “profunda preocupação” com a escalada das tensões na região.
A
declaração marca a primeira posição comum do grupo sobre o conflito desde
a intensificação das hostilidades.
Nos últimos meses, o tema expôs divisões dentro do bloco. Rússia e China mantiveram suas relações comerciais com o Irã apesar das pressões de Washington, enquanto países como os Emirados Árabes Unidos suspenderam parte de suas relações económicas com Teerã após serem alvo de ataques iranianos.
As divergências eram tão profundas que, em Maio, os ministros das Relações Exteriores do grupo não conseguiram aprovar um comunicado conjunto.
O consenso alcançado em Nova Délhi é,
por isso, visto como uma demonstração de coesão política em um momento de forte
instabilidade internacional.
A cúpula também foi marcada por avanços
nas relações bilaterais entre Índia e China. O encontro entre Narendra Modi e
Xi Jinping confirmou a continuidade do processo de reaproximação iniciado após
anos de tensão na fronteira do Himalaia.
Seis anos depois dos confrontos mortais
entre soldados dos dois países na região disputada, os dois líderes afirmaram a
intenção de buscar uma solução negociada para as divergências territoriais.
Segundo a diplomacia indiana, Modi e Xi
concordaram em trabalhar por uma solução “honesta, razoável e mutuamente
aceitável” para a questão da fronteira. Embora os dois gigantes asiáticos
tenham retomado o diálogo e ampliado a cooperação económica, a desconfiança
histórica entre Pequim e Nova Délhi continua presente.
Ao fim da reunião, Narendra Modi
declarou esperar que a Declaração de Nova Délhi forneça “uma direção clara para
a visão compartilhada e para a cooperação futura” do bloco.
A cúpula reforçou o desejo dos Brics de
ampliar sua influência na governança internacional e de se apresentar como uma
alternativa às instituições dominadas pelas potências ocidentais. ANG/RFI/AFP

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