terça-feira, 29 de maio de 2018

Finanças públicas


"Medidas de controlo de fundos públicos só vai atenuar a corrupção no país", diz Presidente de Inspecção Superior de Luta Contra Corrupção

Bissau, 29 Mai 18 (ANG) – O Presidente da Inspecção Superior de Luta Contra Corrupção na Guiné-Bissau (ISLCC), disse hoje que a medida de controlos de fundos do Estado adotado pelo Primeiro-ministro Aristides Gomes, só vai atenuar a corrupção nas instituições estatais.
Francisco Benante, em entrevista exclusiva à ANG, considera que a corrupção no aparelho de Estado não pode ser combatida somente desta forma, salientando que é necessário ter um efeito geral e benéfico para o país.

A forma mais correcta de combater a corrupção, de acordo com Benante, é de unir esforços de todos os órgãos de soberania no sentido de fazer uma frente consistente com uma colaboração séria para eliminar este flagelo que tornou  moda na Guiné-Bissau.

Segundo Benante, a medida implementada pelo Primeiro-ministro só vai diminuir por um determinado período de tempo, ou seja quando ele deixar de exercer o cargo, essa situação voltará de novo na mesma como antes se não for seguido pelo novo executivo que sairá das eleições.

O Inspector Superior de Luta contra a Corrupção disse que para combater esse mal na nossa nação é preciso limpar tudo na mente das pessoas com medidas básicas e sustentáveis, baseadas na educação e  sensibilização da saciedade guineense.
"Como podemos fazer frente a corrupção sem meios necessários para o combate" questionou.

O Estado deve dotar a Inspecção Superior de Luta Contra Corrupção de meios precisos para combater esse mal no país inteiro.

Declarou que actualmente a Inspecção Superior de Luta Contra Corrupção conta com 15 funcionários, sem orçamento próprio e vive de parte do orçamento do Conselho Administrativo da Assembleia Nacional Popular.

Para um serviço completo, prosseguiu, a instituição precisa de 300 funcionários para cobrir todos os sectores do país, para controlar todas as receitas e despesas do Estado.

"O Estado guineense criou ISLCC pela farsa de tentar  enganar a comunidade internacional, que na verdade está a enganar a si mesmo" diz Francisco Benante. 

 O novo governo tem  estado a implementar novas medidas de controlo das receitas e das despesas em empresas e institutos autónomos tutelados pelo estado , nomeadamente por via de cotitularização das suas contas bancárias com  o Tesouro Público. 

Contrariamente a moda antiga, agora todas as movimentações financeiras desses institutos e empresas estatais são submetidas a aprovação de uma comissão de controlo criada para o efeito. 

ANG/CP/ÂC/SG

ONU


Novo representante de António Guterres já está em Bissau


Bissau,29 Mai 18(ANG) - O novo representante do secretário-geral da ONU na Guiné-Bissau, o diplomata brasileiro José Viegas Filho, chegou segunda-feira a Bissau e disse esperar um "trabalho coerente" das Nações Unidas para que o país encontre a paz e o desenvolvimento.

"Estou muito feliz de estar a chegar à Guiné-Bissau por esta experiência que eu espero seja muito construtiva, de maneira a que as Nações Unidas, com os seus melhores propósitos, possa fazer um trabalho coerente do país para que nós encontremos um futuro de prosperidade, paz e progresso", afirmou José Viegas Filho à agência Lusa.

O diplomata brasileiro, que será também chefe do Gabinete Integrado das Nações Unidas para a Consolidação da Paz na Guiné-Bissau, falava no aeroporto Osvaldo Vieira, na capital guineense.

O diplomata brasileiro nasceu em 1942 e tem mais de quatro décadas de experiência no governo e diplomacia e vai substituir no cargo Modibou Touré, que terminou a missão em maio. ANG/Lusa

Mali


Presidente IBK expressa orgulho em emigrante que salvou criança em França

Bissau, 29 Mai 18 (ANG)  – O Presidente do Mali, Ibrahim Boubacar Keïta, e uma associação de migrantes saudaram segunda-feira a coragem de um cidadão maliano indocumentado que salvou uma criança de cair de um prédio em Paris, o que lhe valeu a legalização.
Mas, tal como o presidente da Associação Maliana dos Expatriados (AME), Ousmane Diarra, “muito orgulhoso” do compatriota, muitos lamentam que tenha sido necessário um ato tão excepcional para obter uma regularização que outros jovens africanos aguardam por vezes em vão durante “mais de dez ou 15 anos”.
“Não devia ser preciso esperar [a oportunidade de] salvar um francês para ser naturalizado francês”, sustentou Diarra, apelando para que “se reveja e altere a política europeia sobre a migração e a política francesa, em particular”.
Na sua conta da rede social Twitter, o Presidente maliano, que telefonou a Mamoudou Gassama para o felicitar, descreveu-o como “um digno e corajoso filho do Mali”.
“Salvar uma vida colocando em perigo a sua não está ao alcance de todos. Mamoudou Gassama correu esse risco, demonstrando valores de coragem e de humanismo que honram toda a nação. Bravo!”, acrescentou o chefe de Estado.
Durante a conversa telefónica, Keïta “transmitiu-lhe todo o orgulho que o Mali sente perante o seu acto”, disse o director de comunicação da presidência, Tiegoum Boubeye Maïga, embora considerando que “não é surpreendente quando se conhece o homem maliano”.
Um médico maliano a fazer o internato num hospital de Bamako, Sylvain Poudiougou, de 37 anos, criticou, por seu lado, “a recuperação política” por parte do Governo francês.
“Porquê todo este barulho em torno deste caso? Tapete vermelho no Eliseu e um pouco por todo o lado. É preciso não esquecer que, ao mesmo tempo, em França – e sobretudo em Paris – se preparam para deportar centenas de estrangeiros em situação irregular”, declarou o clínico, citado pela agência noticiosa francesa AFP.
Para Oumar Gassama, que indicou ser originário da mesma aldeia que o herói desta história, no oeste do Mali, “ele mostrou que nós somos pessoas de bem”.
“Agora que ele tem os seus papéis e trabalho, espero que ele pense mais em nós e envie mais dinheiro para o país, para a aldeia”, sublinhou.
“Tenho dois irmãos em França em situação irregular. Também espero que um dia eles façam alguma coisa assim para serem legalizados. Vejo também que se a França quiser regularizar imigrantes ilegais, isso é exequível”, disse um lojista, Hervé Keïta, acrescentando que “se eles vão para França, é porque não há trabalho” no Mali.
ANG/Inforpress/Lusa