quarta-feira, 24 de agosto de 2022

          Angola/Eleitores escolhem deputados e Presidente da República

Bissau, 24 Ago 24 (ANG) - Mais de 14 milhões de angolanos são chamados às urnas, esta quarta-feira, 24 de Agosto, para escolher os deputados e o Presidente da República.

 Oito forças partidárias concorrem nestas eleições gerais, que muitos analistas consideram como as mais disputadas de sempre da história do país. 

Nas assembleias de voto, os angolanos vão escolher o próximo Presidente da República e os deputados da Assembleia Nacional. Nestas eleições gerais, a escolha faz-se entre oito forças políticas: MPLA, UNITA, CASA-CE, PRS, FNLA, APN, P-NJANGO e Partido Humanista de Angola.

Nestas que são as quintas eleições da história do pais, Sérgio Calundungo, presidente do Observatório Político e Social de Angola, considera que o duelo eleitoral se faz entre o candidato do MPLA, João Lourenço, que se recandidata a um segundo mandato e o candidato da UNITA, Adalberto Costa Júnior, que conta com o apoio da Frente Patriótica Unida.

“A disputa expressa-se num grupo que entende que, face ao que foram os últimos cinco anos de governação, é importante dar oportunidade ao actual Presidente para consolidar algumas bandeiras que havia levantado, como aprofundar o combate à corrupção, nepotismo e etc. O outro grupo de cidadãos entende que 45 anos depois é tempo suficiente para fazer uma mudança. Os discursos de ambos os lados resumem-se na ideia da continuidade ou mudança”, refere.

Nas ruas da capital, muitos são os angolanos que se dizem cansados e esperam por mudança. Apesar das riquezas naturais do país, petróleo e diamantes, 44% da população continua a viver abaixo do limiar da pobreza.

Sérgio Calundungo divide o espectro eleitoral angolano em três grupos: “Um primeiro grupo de cidadãos que se identifica com os partidos, tal como nos identificamos com as equipas de futebol. Mas esse grupo vai sendo cada vez mais minoritário. Depois, há os outros dois grupos que vão ser determinantes nesta eleição. O segundo grupo vai-se questionando até que ponto cada formação política ou partido político tem a capacidade de fazer o que promete. Este grupo não é maioritário, mas começa a ser importante em alguns sectores. O terceiro grupo, que é maioritário, é o que vota na lógica do merecimento. O que é que eu vou ganhar votando em A ou em B?”, nota. 

A credibilidade desta eleição é outro dos grandes desafios. A sociedade civil e os partidos políticos acusam a Comissão Nacional Eleitoral de publicar modelos de actas que permitem a existência de eleitores fantasmas. 

Nelson Domingos, cientista político, considera que as irregularidades verificadas no processo eleitoral estão ligadas à falta de transparência desde o começo do processo e deu alguns exemplos. 

“A questão dos mortos que apareceram nos cadernos eleitorais, nomes que aparecem duplicados, nomes de pessoas que aparecem em diferentes assembleias de voto. Em Cabinda, por exemplo, o movimento cívico MUDEI identificou que grande parte dos presidentes das mesas são governantes, outros ligados à própria estrutura do partido e outros militantes. Isso possibilita um controlo absoluto da contagem e da produção dos resultados”, explica.

A Comissão Nacional Eleitoral garante estarem reunidas todas as condições para que o processo eleitoral decorra com ordem e transparência. O Presidente da CNE, Manuel Pereira da Silva, pediu aos angolanos que participem de forma "massiva" e que mantenham uma "postura cívica, ordeira e responsável".

O líder do organismo público que gere as eleições gerais instou ainda cada eleitor a "depois de exercer o seu direito de voto, abandonar voluntariamente a assembleia de voto".

A oposição e a sociedade civil têm estado a apelar à população, através do movimento “Votou, Sentou” para permanecer nas assembleias, após exercer o direito de voto. O objetivo é acompanhar o apuramento e a publicação dos resultados das eleições angolanas. 

As mais de 26 mil mesas eleitorais, no território angolano e no exterior já que pela primeira vez os angolanos da diáspora vão votar, contam com 106.870 membros das assembleias e mesas de voto. De forma a fiscalizar as mesas de voto, a CNE fiscalizou credenciou 277.483 delegados de lista pertencentes aos partido políticos.

Quanto aos observadores, a CNE declarou ter credenciado mais de 1.300 observadores nacionais e internacionais. 

Jorge Carlos Fonseca, ex-Presidente de Cabo Verde, que chefia a missão de observadores eleitorais da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, diz que as condições estão reunidas para a realização das eleições gerais, contudo reconhece que há visões diferentes do processo eleitoral no seu todo.

“Há críticas de algumas forças da oposição, relativamente à integridade do processo eleitoral. Por exemplo, a existência de mortos em listas eleitorais, queixas de que não foram publicadas as listas eleitorais provisórias, divulgação dos cadernos eleitorais. Há muita desigualdade no acesso aos órgãos públicos de comunicação social, com uma vantagem para o partido no poder. Há críticas sobre a composição da Comissão Nacional Eleitoral", relatou. 

O Chefe da missão de observação eleitoral garantiu que “as queixas foram registadas". 

"Ouvimos as explicações das autoridades, nomeadamente do partido que está no poder”, acrescentou. 

Mais de 14 milhões de angolanos são chamados às urnas, esta quarta-feira, para escolher os deputados e o Presidente da República. Oito forças partidárias concorrem nestas eleições gerais, que muitos analistas consideram como as mais disputadas de sempre da história do país. As mesas de voto abriram às 7 horas locais e encerram às 17. ANG/RFI

    Ucrânia/Uma guerra que em seis meses muito mudou na União Europeia

 Bissau, 24 Ago 22(ANG) – A invasão russa da Ucrânia teve efeitos profundos na União Europeia, que, no espaço de seis meses, tomou ações inéditas na história do projeto europeu, com mudanças na política energética, de defesa, de alargamento e no acolhimento de refugiados.

Os sucessivos pacotes de sanções de uma envergadura sem precedentes impostos à Rússia, que abrangem, entre outros, os setores financeiro e energético, incluindo uma proibição de importação de petróleo, a concessão em tempo recorde do estatuto de país candidato à adesão à Ucrânia, o inédito financiamento de armamento para fornecer a um país terceiro, e a invulgar solidariedade dos 27 no acolhimento de milhões de refugiados são alguns exemplos de ações tomadas pela União Europeia (UE) praticamente inimagináveis no início do ano.

Seis meses volvidos, no entanto, há quem receie que a unidade do bloco comunitário, exemplar no início, se vá diluindo também fruto da “fadiga” da guerra e das repercussões, designadamente económicas, do conflito, que ameaça arrastar-se no tempo.

Contudo, e tal como já comentaram vários líderes europeus ao longo dos últimos meses, a “guerra de Putin”, como é muitas vezes classificada em Bruxelas para responsabilizar o Presidente russo pela agressão militar à Ucrânia, teve o condão de fazer a UE avançar mais em diversas áreas no espaço de alguns meses do que em décadas, sendo provavelmente o setor da Defesa o mais ilustrativo.

A 28 de fevereiro, apenas quatro dias após o início da invasão russa, a UE adotou a inédita decisão de fornecer armas a um país terceiro, ao adotar um pacote de assistência de 450 milhões de euros para financiar a entrega de armas letais, mais 50 milhões em equipamento não letal, ao abrigo do Mecanismo Europeu de Apoio à Paz.

Desde então, a UE adotou mais quatro pacotes idênticos, a 23 de março, 13 de abril, 23 de maio e 22 de julho, ascendendo assim a 2,5 mil milhões de euros os recursos já mobilizados ao abrigo do mecanismo, um instrumento extraorçamental criado para reforçar a capacidade da União em prevenir conflitos, consolidar a paz e reforçar a segurança internacional.

Em paralelo, a generalidade dos Estados-membros da UE comprometeram-se em investir mais em capacidades de Defesa face ao novo quadro de (in)segurança, tendo também sido aprovada nos últimos meses a criação de um novo instrumento para as aquisições conjuntas de armamento – financiado com 500 milhões de euros do orçamento da UE para o período entre 2022 e 2024 -, proposto pela Comissão a pedido do Conselho Europeu, com vista a “responder às necessidades mais urgentes e críticas de produtos de defesa”, identificadas no quadro da agressão militar da Rússia contra a Ucrânia.

A 25 de março, a UE adotou também a sua nova “Bússola estratégica”, o documento de orientação sobre política de segurança e defesa para a próxima década, que prevê um reforço significativo das capacidades europeias.

Num debate no início de março no Parlamento Europeu, uma semana após o início da invasão russa, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, comentava que a política de Segurança e Defesa da UE tinha evoluído “mais nos últimos seis dias do que nas últimas duas décadas”, na sequência da resposta à invasão da Ucrânia pela Rússia.

Em resposta à agressão militar russa, a UE adotou também sucessivos pacotes de sanções – em articulação com outros parceiros internacionais, designadamente Estados Unidos e Reino Unido – de uma envergadura nunca vista, e com pesados efeitos na própria economia da UE, já inevitavelmente afetada pela avultada assistência financeira que se comprometeu a dar à Ucrânia, num montante que poderá alcançar os 9 mil milhões de euros.

A União Europeia, que já tinha em vigor medidas restritivas dirigidas à Rússia desde a anexação ilegal da península da Crimeia em 2014, começou por reforçá-las este ano ainda antes do início da invasão, aprovando um primeiro pacote a 22 de fevereiro, após Moscovo ter reconhecido as autoproclamadas repúblicas independentistas de Lugansk e de Donetsk, no Donbass (leste da Ucrânia), e de ter ordenado a mobilização do exército russo para “manutenção da paz” nestes territórios separatistas pró-russos.

O segundo pacote foi aprovado apenas três dias depois, a 25 de fevereiro, já como reação ao lançamento da ofensiva militar russa, com os líderes da UE a realizarem uma cimeira extraordinária em Bruxelas na qual acordaram novas medidas restritivas, abrangendo o setor financeiro, com a inclusão de quatro novos bancos russos na lista de entidades bancárias russas sujeitas a interdição de quaisquer relações de natureza económica ou financeira no espaço do bloco europeu.

Desde então foram adotados mais quatro grandes pacotes de sanções, com o sexto a incluir uma proibição de importação de petróleo, com algumas exceções – até agora a sanção mais relevante no setor energético, e que mais contribui para a imperiosa mudança de política energética já em curso na UE, com vista a pôr fim à sua dependência da Rússia, isto depois de inicialmente já ter sido visado o carvão.

O plano entretanto proposto pela Comissão com uma meta de redução voluntária de 15% do consumo de gás até à primavera, pelo receio de rutura no fornecimento russo, foi acordado no final de julho após intensas negociações com os Estados-membros, e apenas após incluídas diversas derrogações e exceções, deixando antever a crescente dificuldade que haverá em chegar a compromissos suplementares, à medida que a guerra continua a ameaçar a segurança energética dos países do bloco europeu e a fazer aumentar a inflação.

Outra grande mudança que o conflito a leste provocou na UE foi a nível de solidariedade no acolhimento de refugiados.

Ao contrário do que sucedeu, por exemplo, por ocasião da crise migratória provocada pelos conflitos na Líbia e na Síria, desde o primeiro momento a UE mostrou desta vez uma solidariedade exemplar, tendo recebido mais de 7,5 milhões de ucranianos que entraram em território comunitário para fugir à guerra.

A 04 de março, a UE ativou, pela primeira vez na sua história, a diretiva de Proteção Temporária, estatuto ao qual recorreram 4 milhões de ucranianos, e cerca de 500 mil crianças encontram-se atualmente integradas nos sistemas de educação nacionais, incluindo de Portugal.

Absolutamente emblemática do quanto a guerra na Ucrânia fez mudar na União Europeia foi a decisão dos líderes dos 27, a 23 de junho passado, de conceder o estatuto de país candidato à adesão à Ucrânia, assim como à Moldova, outro país com aspirações europeias que se sente particularmente ameaçado por Vladimir Putin, apenas cerca de quatro meses após os dois países terem apresentado os seus pedidos.

Com a maior parte dos analistas a prever que o conflito na Ucrânia pode durar anos, a unidade da UE será posta à prova ao longo dos próximos meses, com particular atenção à resiliência da resposta comum europeia durante as próximas estações de outono e inverno, no quadro de uma guerra que Moscovo também joga no campo energético, designadamente tirando partido da forte dependência relativamente ao gás, ainda de fora das sanções europeias, mas que Putin poderá utilizar como arma. ANG/Inforpress/Lusa

 

                        EUA/Polícia declara-se culpada de encobrir provas

Bissau, 24 Ago 22 (ANG) - Uma ex-agente da polícia de Louisville declarou-se terça-feira culpada de ter fabricado a ordem judicial que resultou na operação em que morreu uma afro-americana, em 2020.

E, posteriormente, de ter inventado uma história para encobrir a sua responsabilidade.

Kelly Goodlett, de 35 anos, é a primeira pessoa considerada culpada pela morte de Breonna Taylor, que provocou uma onda de protestos contra a polícia nos Estados Unidos.

Goodlett admitiu ter "falsificado" com outro polícia o pedido de um mandado de busca dirigido a um juiz, e depois ter mentido "para encobrir as falsas declarações" iniciais.

A ex-agente enfrenta uma pena até cinco anos de prisão e uma multa de 250.000 dólares.

No início de Agosto, o Departamento de Justiça dos EUA acusou quatro agentes e ex-agentes, incluindo Goodlett, de violação dos direitos civis de Taylor, que foi morta a tiro em março de 2020, durante uma operação anti-droga na sua casa, onde nunca foram encontrados narcóticos.

O procurador-geral dos EUA, Merrick Garland, anunciou estas acusações contra actuais e ex-agentes do Departamento de Polícia Metropolitana de Louisville, no Estado do Kentucky, numa conferência de imprensa.

O Departamento de Justiça norte-americano acusou Joshua Jaynes, Kelly Goodlett e Kyle Meany de utilizarem uma declaração que sabiam ser falsa para obter um mandado de busca naquela residência.

E realizaram a operação que terminou com a morte da afro-americana.

A operação decorreu no âmbito de uma operação anti-droga, onde a polícia solicitou vários mandados de busca para várias casas.

No caso de Taylor, o procurador-geral dos EUA explicou que os suspeitos afirmaram falsamente que tinham chegado à sua casa pacotes relacionados com uma rede de narcotráfico.

Assim que a operação começou, os polícias invadiram a casa de Taylor, onde a mulher estava com outra pessoa, o seu namorado, que possuía legalmente uma arma de fogo e que achava que os polícias eram assaltantes, tendo disparado contra estes, acrescentou Merrick Garland.

O quarto réu é Brett Hankison, acusado de uso excessivo de força e que, de acordo com o procurador-geral dos EUA, "deslocou-se da entrada para a lateral do apartamento e disparou mais dez tiros pela janela e porta de vidro deslizante, ambos cobertos com persianas e cortinas.

A morte de Breonna Taylor ocorreu meses antes do homicídio do afro-americano George Floyd, em Maio, que desencadeou a maior onda de protestos e motins raciais nos EUA, desde a década de 1960.

Para encerrar com uma queixa civil, o autarca de Louisville concordou em pagar 12 milhões de dólares à família de Breonna Taylor e iniciar reformas naquele departamento policial. ANG/Angop

 

terça-feira, 23 de agosto de 2022


CEDEAO
/ Comissão Mista do parlamento da organização reunida em Bissau

Bissau,23 Ago 22(ANG) – A Comissão Mista para a Agricultura, Ambiente, Recursos Naturais, Infraestruturas, Energia, Minas, Indústria e Sector Privado do parlamento da CEDEAO está reunida em Bissau.

Trata-se de uma reunião deslocalizada de  cinco dias, no decurso da qual serão abordados   temas sobre “Política Ambiental e Estratégia Climática da CEDEAO”, a “Revisão Bienal da Agricultura, Segurança Alimentar e Nutricional pelos Estados Membros”, entre outras.

Ao presidir a cerimónia de abertura do evento, o Presidente da Assembleia Nacional Popular, Cipriano Cassamá afirmou que a mensagem institucional em virtude do tema central desta reunião revela a preocupação de integrar as questões climáticas e agroecológicas nos modelos de desenvolvimento da comunidade sub-região em geral.

Segundo o líder do parlamento guineense, a Visão 2050 da CEDEAO, recomenda a cooperação dos Estados membros na proteção do ambiente contra as alterações climáticas, seca, desertificação e catástrofes naturais que sacudam a humanidade em geral, particularmente as populações dos países africanos.

“As terras agrícolas férteis e os pântanos africanos estão a ser substituídos por Betão e infraestruturas, sem se preocupar com a edificação de barreiras artificiais que as protejam bem como a nossa produção e riqueza animal contra as alterações climáticas ”, disse.

O deputado e chefe da delegação da Guiné-Bissau no Parlamento da CEDEAO Califa Seidi, disse que a Pandemia de Covid-19 e a guerra de Russia e Ucrânia, constituem fortes ameaças para a insegurança alimentar entre os países membros da organização.

Seidi disse esperar que os cinco dias do encontro possam servir aos peritos da área para aplicarem os seus conhecimentos sobre a matéria, e elaborar políticas que futuramente beneficiarão os países membros na maneira de conservação do seu ambiente e recursos naturais.    

O encontro de Bissau decorre sob lema” Um olhar crítico sobre a Política Ambiental e Estratégia Climática da CEDEAO: juntamente com a Revisão Bienal da Agricultura, Segurança Alimentar e Nutricional pelos Estados Membros”. ANG/LLA/ÂC//SG

 

Moçambique /Presidente Nyusi diz que há postos de combustíveis a financiar terrorismo

Bissau, 23 Ago 22 (ANG) - O Presidente de Moçambique, Filipe Nyusi, denunciou, na segunda-feira, que há proprietários de postos de combustível na província de Sofala, no centro do país, que usam o negócio para lavagem de dinheiro e financiamento ao terrorismo em Cabo Delgado, no Norte.

As declarações do chefe de Estado, Filipe Nyusi, foram feitas durante uma reunião com os conselhos executivo e de representação do Estado na província de Sofala, no centro do país.

Há proliferação de bombas de combustíveis na vossa província, não estou a proibir. Mas que usem métodos legais (…) Temos informações de pessoas que usam estes meios para subsidiar os terroristas”, denunciou Filipe Nyusi, num áudio recolhido pela agência Lusa.

O Presidente acrescentou que alguns destes empresários suspeitos de lavagem de dinheiro e financiamento ao terrorismo encontram-se foragidos.

Algumas pessoas, proprietários de bombas de combustível, fugiram. Quando os fomos procurar, tinham desaparecido. Eram donos de algumas bombas [postos de combustível]”, disse. Por isso, o chefe de Estado pediu uma maior fiscalização da Autoridade Tributária e do Ministério dos Recursos Minerais e Energia.

A província de Cabo Delgado, rica em gás natural, é alvo, desde 2017, de ataques por rebeldes armados, alguns reclamados pelo grupo autoproclamado Estado Islâmico.

O conflito provocou 784 mil deslocados internos, de acordo com a Organização Internacional das Migrações (OIM), e cerca de 4.000 mortes, segundo o projecto de registo de conflitos ACLED.

Há um ano, uma ofensiva das tropas governamentais, com o apoio do Ruanda e da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral, permitiu recuperar zonas onde havia presença de rebeldes. Porém, a fuga destes tem provocado novos ataques noutros distritos usados como passagem ou refúgio temporário.ANG/RFI

 

Politica/PAICV repudia grave  e sucessivas situações que ocorre na Guiné-Bissau com PAIGC

Bissau, 23 Ago 22 (ANG) – O Partido Africano da Independencia de Cabo-Verde(PAICV)  manifestou segunda feira, em comunicado, a sua preocupação e indignação pelo o que diz ser  “graves e sucessivas situações que vêm  correndo na Guiné-Bissau com o Partido Africano da Independencia da Guiné e Cabo Verde” (PAIGC), que na sexta-feira passada, dia 19, foi, mais uma vez, impedido de realizar o X congresso.

Por via desse comunicado à que a ANG teve acesso hoje,  o PAICV refere que pelo arrastar da situação que  bloqueia a  realização de um ato de extrema importancia para qualquer partido politico e pelos contornos que se desenham à sua volta, tudo  leva a crer que está perante uma “tentativa gravíssima de judicialização da politica e uma montagem grosseira que fere no coração a Democracia e faz regredir, seriamente, o processo de consolidação das suas instituições”.

“ Como se tal não bastasse,as forças da ordem  foram mandadas intervir para impedir a realização de uma reunião da direção do PAIGC e a entrada dos seus dirigentes a Sede Nacional”, escreve o PAICV no comunicado.

No documento, assinado pelo Presidente do partido Rui Semedo, o PAICV declara que  regista com profunda preocupação e indignação, sucessivas e graves situações que vêm ocorrendo na Guiné-Bissau e que podem configurar um atropelo ao Estado de Direito, como a limitação do desempenho de atividades e a restrição do direito de atividade e participação políticas do PAIGC e de outras organizações da sociedade civil, agressões e persiguições de várias indole à cidadãos e profissionais da comunicação social.

“Face à gravidade de tais atos e situações num país membro da CPLP e da CEDEAO, o PAICV repudia  o que  configura ser uma ameaça à liberdade de de associação politica, ao principio da separação de poderes e um atentado aos direitos liberdades e garantias fundamentais na Guiné-Bissau, em flagrante desrespeito também aos principios defendidos pela CPLP  e na Carta da CEDEAO”, lê-se no comunicado.

No documento, o PAICV indica que manifesta  solidariedade ao PAIGC, na luta que trava pela ampliação e defesa do estado de direito no país, estimulando-o a perseverar nas vias ponderadas que tem adotado para a resolução dos problemas que enfrenta na Guiné-Bissau e que vem condicionando o seu desenvolvimento.

Já por três vezes o partido libertador não consegue realizar o seu X congresso, indispensável para a sua participação no pleito eleitoral previsto para o próximo mês de Dezembro.

Em causa está um diferendo judicial entre o partido e um dos seus militantes de nome Bolon Conté, que interpos um recurso para impedir a realização do congresso, com base nas alegações de que houve  irregularidades na escolha de delegados ao congresso, na sua base partidária.

O primeiro despacho do Tribunal  deu razão ao Bolon Conté, o segundo do Tribunal de Relação   foi-lhe desfavorável e até lhe acusara de ter atudo  de “Má fé”, e o terceiro do mesmo tribunal mas de outro juíz, ordenou que não se realizasse o congresso com alegações de que o processo ainda corre seus trâmites legais, e requereu forças da ordem que não só impediram a realização do congresso assim como a entrada na sede do partido, em Bissau, por várias horas nesse dia 19 do mês em curso.ANG/LPG//SG

Genebra/Guerra na Ucrânia está a pressionar o sistema humanitário mundial, avisa Cruz Vermelha

Bissau, 23 Ago 22(ANG) – O conflito na Ucrânia está apressionar todo o sistema humanitário e poderá ter efeitos duradouros na capacidade de resposta das organizações de assistência em todo o mundo, avisou hoje a Cruz Vermelha.

A guerra entre a Ucrânia e a Rússia, que entra no seu sétimo mês na próxima quarta-feira, empurrou as pessoas “para um ponto crítico de ruptura”, afirmou o presidente da Federação Internacional das Sociedades da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho (IFRC), Francesco Rocca, numa declaração.

“Os efeitos de choque devastadores estão a aumentar à medida que o conflito continua, com a subida dos preços dos alimentos e da energia e o agravamento das crises alimentares”, acrescentou Rocca.

Segundo a directora regional da IFRC para a Europa e para a Ásia Central, Birgitte Bischoff Ebbesen, numa conferência de imprensa online, “a crise espalhou-se por todo o sistema humanitário e colocou-o sob enorme pressão”, o que “terá um efeito duradouro na capacidade das organizações humanitárias e dos doadores para responderem a emergências noutros locais”.

A invasão russa da Ucrânia, um dos maiores exportadores mundiais de cereais, contribuiu também para uma grave escassez alimentar nas regiões mais pobres do mundo.

Apesar dos esforços para retomar as entregas dos cereais ucranianos através do Mar Negro, desde o início do ano registou-se uma quebra de 46% das exportações destes bens.

“Esta queda maciça está a ter um grande efeito no Corno de África, onde mais de 80 milhões de pessoas enfrentam uma fome extrema – a pior crise alimentar dos últimos 70 anos”, segundo um relatório da IFRC.

A Cruz Vermelha, que conta actualmente com mais de 100 mil voluntários e pessoal local na Ucrânia e países vizinhos, continua a apurar as suas estimativas relativas às necessidades humanitárias da nação invadida.

A organização já denunciou os enormes danos na Ucrânia, onde milhões de pessoas foram obrigadas a abandonar as suas casas.

Já a inflação crescente e a escassez de bens essenciais, tais como o combustível e alimentos na Ucrânia, estão a forçar cada vez mais as pessoas a lutar pelo acesso aos mesmos, sendo que a necessidade continuará a crescer com o tempo mais frio, previsto para as próximas semanas.

“Este será o inverno mais duro”, disse o director-geral da Cruz Vermelha Ucraniana, Maksym Dotsenko, num briefing de imprensa.

“As necessidades estão a aumentar” e as consequências serão sentidas para além da Ucrânia, avisou.

A ofensiva militar lançada a 24 de Fevereiro pela Rússia na Ucrânia causou já a fuga de mais de 12 milhões de pessoas de suas casas – mais de seis milhões de deslocados internos e mais de seis milhões para os países vizinhos -, de acordo com os mais recentes dados da ONU, que classifica esta crise de refugiados como a pior na Europa desde a Segunda Guerra Mundial (1939-1945).

A invasão russa – justificada pelo Presidente russo, Vladimir Putin, com a necessidade de “desnazificar” e desmilitarizar a Ucrânia para segurança da Rússia – foi condenada pela generalidade da comunidade internacional, que está a responder com envio de armamento para a Ucrânia e imposição à Rússia de sanções que atingem praticamente todos os sectores, da banca à energia e ao desporto. ANG/Inforpress/Lusa

 

 

PAIGC/Martilene dos Santos diz que os esforços de Simões Pereira não são suficientes para desafios do partido


Bissau,23 Ago 22(ANG) - O candidato à liderança do Partido Africano da Independência de Guiné e Cabo Verde (PAIGC), Martilene dos Santos, disse que o presidente cessante do partido libertador, Domingos Simões Pereira, fez grandes esforços durante o seu mandato e, particularmente para a realização do décimo congresso ordinário, mas que esses esforços

 não são suficientes para os desafios atuais do partido, que requer outras soluções.  

Dos Santos falava aos jornalistas esta segunda-feira ao partilhar a sua leitura sobre a decisão do Comité Central do PAIGC que deu voto de confiança à direção de Domingos Simões Pereira até à realização do décimo congresso.

O político disse estar disponível a dialogar com qualquer entidade para viabilizar a realização do congresso, porque “o partido só será forte com a legitimação dos seus órgãos no congresso”.

O candidato à liderança do partido libertador assegurou que a única solução para o PAIGC realizar o congresso é procurar unir esforços para identificar os problemas levantados pela justiça, dado que a legalização de todos os atos do congresso passará pelo tribunal.

Martilene dos Santos advertiu que nenhum candidato está acima dos interesses do PAIGC, e diz lamentar o que considera de   “incapacidade e limitações” que se registam a nível da realização do congresso.

“Temos que ter a capacidade de encontrar soluções não necessariamente no campo judicial. Às vezes tentando resolver questões políticas, usando situações jurídicas nem sempre têm bons resultados. No caso do PAIGC, a história recente tem deixado muito aquém desta situação” referiu. 

Dos Santos reconhece que o voto de confiança à direção superior do partido até à realização do congresso, consta dos estatutos do PAIGC, porque a direção se encontra numa situação de caducidade.  

“Não há nada anormal. É um exercício regular, mas isso não quer dizer que houve renovação do mandato da direção superior. O Comité Central jamais terá competência para substituir o congresso”, precisou.ANG/odemocrata

 


      Angola
/Paulo Portas augura eleições participadas e transparentes

Bissau,23 Ago 22 (ANG) - O antigo ministro dos Negócios Estrangeiros de Portugal, Paulo Portas, augurou, esta terça-feira, em Luanda, que as eleições ocorram de forma mais transparente e participativa, e resultem no bem de Angola.

O político luso, que falava à imprensa, depois de ser credenciado como observador internacional às eleições de quarta-feira, ressaltou o convite que lhe foi feito pelo Presidente da República de Angola, João Lourenço, para participar no pleito.

"Estou aqui a convite do Presidente da República de Angola e tendo em conta as relações muito importantes e excelentes entre os dois países este tipo de convites não se recusam", afirmou.

Referiu que deseja contribuir, como observador eleitoral, para que as eleições ocorram o melhor possível, tendo em conta o bem-estar dos angolanos.

Defendeu que ser observador "significa ver, escutar, perguntar, ouvir, antes de dar opinião".

Acompanhado do ex-ministro da Presidência de Portugal, José Luís Arnaut, Paulo Portas foi recebido pelo Presidente da Comissão Nacional Eleitoral, Manuel Pereira da Silva.

Para as eleições gerais de 24 de Agosto estão registados 14 milhões 399 mil eleitores, dos quais 22 mil 560 residentes no exterior, distribuídos por 25 cidades de 12 países de África, Europa e América do Sul.

Concorrem ao pleito os partidos MPLA, UNITA, PRS, FNLA, APN, PHA e P-NJANGO e a coligação CASA-CE.

Angola realiza as suas quintas eleições gerais, depois das realizadas em 1992, 2008, 2012 e 2017. ANG/Angop

 


Política/
PAIGC condena  “sistemáticas obstruções que o regime tenta impor à realização do X congresso”

Bissau, 23 Ago 22(ANG) – O Partido Africano da Independência da Guiné e  Cabo Verde (PAIGC) condenou o que diz ser “sistemáticas obstruções que o regime tenta impor à realização do X congresso na capa de pretensos processos judiciais”, e que segundo o partido, põem em  causa as conquistas democráticas até aqui alcançadas com o advento do multipartidarismo.

A condenação vem expressa na resolução final da V reunião Extraordinária do Comité Central(CC) do PAIGC,recentemente realizada em Bissau, na qual foi aprovada ,  por unanimidade, a renovação da confiança política aos órgãos nacionais do partido, eleitos no IX Congresso Ordinário, nos termos do Nº 2 do Artigo 123º dos Estatutos do Partido.

Os membros deste órgão recomendaram  à Comissão Nacional Preparatória do X Congresso a criação de  condições técnicas necessárias à participação da diáspora no congresso via on-line, e submeter a correspondente proposta ao X congresso.

Nesta reunião o CC aprovou  uma moção de felicitação à Diáspora, pela prontidão com que tem respondido aos chamamentos do Partido, num gesto que configura o exercício abnegado de uma militância séria, devota e responsável dos nossos concidadãos. A Moção seria aprovado por unanimidade.

Exorta os pretendentes à liderança do PAIGC a se alinharem com os princípios e as orientações dos órgãos superiores, e contribuírem para soluções que coloquem o partido e os interesses nacionais por cima de “calculismos pessoais ou interesses de grupo”.

O partido liderado por Domingos Simões Pereira exortou nessa reunião à  Comunidade Internacional a “abandonar o seu silêncio e a retomar a sua vocação de apoio ao fortalecimento das instituições democráticas e à observância e respeito das leis nacionais, se manifestando perante a massiva e constante violação dos Direitos e Liberdade Civis e Políticos que têm ocorrido no país”.ANG/JD//SG

 

         Economia/Euro cai para valor mais baixo face ao dólar desde 2002

Bissau, 23 Ago 22 (ANG) - O euro caiu esta segunda-feira para o seu nível mais baixo desde 2002 – ano da sua introdução – em relação ao dólar, devido à crise energética e o crescente temor de uma recessão que abala a confiança dos mercados.

A queda acontece depois de atingir uma paridade histórica em Julho, um fenómeno que já não se via há 20 anos voltou a repetir-se.

Desta maneira, o valor da moeda rompeu o valor mínimo de 0,995 (por dólar) registado em Julho. O principal catalisador deste acontecimento foi a questão energética, nomeadamente o preço galopante do gás natural que ameaça provocar uma crise energética a poucas semanas do fim do verão no Velho Continente, atraindo rumores de recessão económica.

Este acontecimento coincide com o anúncio da gigante russa Gazprom de uma nova suspensão da manutenção do gasoduto Nord Stream 1 de 31 de Agosto a 2 de Setembro.

Refira-se que o preço do gás natural continua a atingir máximas exorbitantes na Europa. Esta segunda-feira os preços subiram para 295 euros por megawatt hora (MWh), aproximando-se dos máximos de sempre alcançados nos primeiros dias da invasão russa da Ucrânia em Fevereiro.~

Inversamente, o dólar norte-americano contabilizou uma ligeira recuperação no mês de Julho, impulsionado pela desaceleração da inflação anual que caiu para 8,5% em Julho, abaixo das expectativas. No mês de Junho, a inflação norte-americana atingiu o valor histórico de 9,1%, aproximando-se dos dois dígitos pela primeira vez em 40 anos. Contudo, a Reserva Federal dos Estados Unidos (FED) assegurou que vai continuar a endurecer a sua política monetária.

Esta situação coloca o Banco Central Europeu numa situação delicada, pois seria obrigado a elevar as taxas de juros, uma medida pouco apreciada pelos dirigentes do órgão monetário.

Uma reunião dos bancos centrais foi marcada para sexta-feira, 26 de Agosto, em Jackson Hole, nos Estados Unidos. ANG/RFI

 

segunda-feira, 22 de agosto de 2022


                Nigéria/Homens armados raptam quatro freiras católicas

Bissau, 22 Ago 22 (ANG) - Quatro freiras católicas foram raptadas, este domingo, por homens armados no sul do país, anunciou hoje a congregação das Irmãs de Jesus, o Salvador, numa declaração publicada pelos meios de comunicação locais.

As freiras foram raptadas no domingo de manhã numa estrada na zona de Okigwe-Umulolo, no estado de Imo, sudeste da Nigéria, quando se dirigiam ao local, onde seria realizada uma missa de acção de graças, de acordo com a congregação.

"Imploramos numa oração intensa pela sua libertação, rápida e segura", afirmam as freiras numa declaração em que apelam à libertação "incondicional" das religiosas raptadas.

As freiras raptadas foram identificadas como Johannes Nwodo, Christabel Echemazu, Liberata Mbamalu e Benita Agu.

Há pouco mais de uma semana, um padre católico, Chinedu Nwadike, foi raptado na mesma estrada, mas foi libertado dois dias depois.

A Nigéria tem vindo a registar, este ano, um aumento de ataques e raptos em várias partes do país.

Os Estados nigerianos no centro e no noroeste do país têm sido palco de ataques por bandos criminosos que cometem estas agressões e raptos de pessoas destinados à obtenção de resgates lucrativos.

A violência continua, apesar das repetidas promessas do Presidente nigeriano, Muhammadu Buhari, de acabar com o problema, tendo para o efeito destacado contingentes adicionais de forças de segurança para as áreas mais afectadas.

A insegurança no país remonta à emergência em 2009 no nordeste do país do grupo armado extremista islâmico Boko Haram e, desde 2015, à eclosão do grupo Estado Islâmico na Província da África Ocidental (ISWAP, na sigla em inglês).

Estes dois grupos extremistas islâmicos mataram mais de 35.000 pessoas e causaram cerca de 2,7 milhões de deslocados internos, principalmente na Nigéria, mas também em países vizinhos como os Camarões, Tchad e Níger, de acordo com dados do Governo e das Nações Unidas. ANG/Angop

              Quénia/Raila Odinga contesta resultado das presidenciais

Bissau, 22 Ago 22 (ANG) - Raila Odinga, o segundo candidato mais votado nas eleições presidenciais de 9 de Agosto, apresentou um recurso ao Supremo Tribunal em que contesta os resultados, anunciou hoje fonte da sua equipa.

O apelo "já lhes foi enviado" e "a cópia física deverá chegar até às 14h00" (11h00), disse, em declarações à agência France-Presse, Daniel Maanzo, membro da equipa jurídica da Odinga, que ficou em segundo lugar nas eleições.

O vice-presidente em exercício, William Ruto, venceu por uma margem estreita de votos, de acordo com os resultados anunciados pela comissão eleitoral em 15 de Agosto.

Odinga, histórico opositor queniano, anunciou no último sábado que iria recorrer aos tribunais, descrevendo os resultados eleitorais como uma "brincadeira".

No passado dia 15, após seis dias de espera pelos 50 milhões de quenianos, o presidente da Comissão Eleitoral Independente (IEBC), um organismo independente que veio a revelar-se profundamente dividido, anunciou a vitória de Ruto, com 50,49% dos votos, contra 48,85% obtidos por Raila Odinga, representando uma diferença de cerca de 230.000 votos.

Minutos antes de a IEBC anunciar os resultados, quatro dos seus sete comissários, numa posição surpreendente, rejeitaram os resultados que viriam a ser anunciados, culpando o presidente do organismo, Wafula Chebukati, pela gestão "opaca" e falta de consulta.

Odinga rejeitou os resultados no dia seguinte.

Dias depois, o líder da IEBC acusou os quatro elementos dissidentes de pretenderem forçar uma segunda volta das presidenciais entre Ruto e Odinga, algo que disse ter rejeitado.

A eleição marca uma quinta derrota presidencial para Odinga, embora a sua candidatura tenha sido apoiada este ano pelo Presidente em exercício, Uhuru Kenyatta, e pelo partido no poder.

Todas as eleições presidenciais no Quénia foram contestadas desde 2002, e as disputas conduziram por várias vezes a confrontos sangrentos.

Em Agosto de 2017, o Supremo Tribunal anulou as eleições presidenciais depois de Odinga ter rejeitado a vitória de Kenyatta, na primeira decisão do género em todo o continente africano.

Hoje é a data limite para a apresentação da contestação do resultado das eleições ao Supremo Tribunal queniano, que tem 14 dias para tomar uma decisão.

Se o Supremo deferir a contestação e ordenar a anulação das eleições, estas deverão ser realizadas no prazo de 60 dias.ANG/Angop

 

                       Mali/Jornalista francês sequestrado há 500 dias

Bissau, 22 Ago 22 (ANG) - O jornalista francês Olivier Dubois foi sequestrado há 500 dias por um grupo extremista islâmico no Mali e há mais de cinco meses que não há qualquer contacto por parte dos seus sequestradores.

Abandono das forças militares francesas do Mali divide opiniões sobre o destino deste jornalista.

Há mais de cinco meses sem qualquer notícia ou prova de vida, a família de Olivier Dubois pede agora à sociedade civil para interrogar as autoridades francesas sobre o retorno em segurança do jornalista a terras gaulesas. Olivier Dubois estava instalado desde 2015 no Mali, de onde escrevia regularmente para vários meios de comunicação franceses.

No dia 5 de Maio de 2021 é o próprio jornalista que anuncia nas suas redes sociais ter sido raptado em Abril por um grupo extremista em Gao, no Norte do Mali. Este grupo extremista é o Grupo de Apoio ao Islão e aos Muçulmanos, a principal organização jihadista no Sahel e com fortes laços à Al Qaeda. Ate há cinco meses, havia vídeos regulares de Olivier Dubois que provavam que ele ainda estava vivo.

O porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros francês disse hoje que as autoridades mantêm um contacto permanente com a família deste detido e que os esforços continuam no terreno, mas de forma "discreta" já que esta é "a condição essencial para garantir a acção do Estado e a segurança das pessoas" envolvidas nestas operações.

Há uma semana, as forças francesas da Operação Barkhane deixaram definitivamente o Mali após a junta militar que controla o país desde o golpe de Estado de Maio de 2021 ter pedido a sua saída e ter apressado o calendário já anunciado pelo Palácio do Eliseu para a reorganização destas forças no Sahel. Com esta retirada, a família e os amigos de Olivier Dubois temem um abandono também do jornalista por parte do Estado, mas o Ministério dos Negócios Estrangeiros assegurou que a França "não vai diminuir os seus esforços e que o país está mobilizado" para libertar Dubois.

Preso há 500 dias, Olivier Dubois é actualmente o único refém francês no Mundo e está quase a bater o recorde da maior detenção de jornalistas franceses, com os jornalistas Hervé Ghesquière e Stéphane Taponier a terem estado detidos durante 547 dias no Afeganistão em 2011. ANG/RFI

       
       China
/Três cientistas ganham o Prémio de Ciência do Futuro 2022

 Bissau, 22 Ago 22(ANG) – Três cientistas receberam no domingo o Prémio de Ciência do Futuro 2022 (2022 Future Science Prize), o primeiro prêmio chinês de ciência não governamental promovido conjuntamente por grupos de cientistas e empresários.

Li Wenhui, professor da Universidade Tsinghua, ganhou o prémio em ciências da vida por descobrir o receptor de vírus hepatite B e D, polipeptídeo cotransportador de taurocolato de sódio. Segundo a Xinhua, a descoberta pode ajudar a desenvolver medicamentos mais eficazes para tratar as doenças.

O vencedor do prêmio em ciências físicas foi Yang Xueming, pesquisador da Academia Chinesa de Ciências. Ele desenvolveu técnicas de feixe molecular de nova geração com alta resolução e sensibilidade para estudos de dinâmica de reacção resolvida pelo estado, revelando ressonâncias quânticas e efeitos geométricos de fase em reacções químicas.

Ngaiming Mok, professor da Universidade de Hong Kong, ganhou o prémio em matemática e ciência da computação por desenvolver a teoria das variedades de Tangentes Racionais Mínimas em geometria álgebra para resolver vários problemas de longa data e provar a conjectura de Ax-Schanuel para as variedades de Shimura.

Fundado em 2016, o Prémio de Ciência do Futuro tem como objectivo impulsionar a pesquisa em ciência básica. Este premeia cientistas que fizeram conquistas significativas de pesquisa na China continental, Hong Kong, Macau e Taiwan.

Vinte e sete cientistas, incluindo o famoso cientista agrícola Yuan Longping, o físico Xue Qikun e o biólogo Shi Yigong foram premiados até agora.

ANG/Inforpress/Xinhua